A Grande Depressão de 1929

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Este conjunto aborda as causas, os eventos e as consequências sociais e econômicas da Grande Depressão de 1929.

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A Grande Depressão (1929)
A mais severa e prolongada crise econômica mundial do século XX, iniciada nos EUA e caracterizada por quedas industriais e desemprego em massa.
Quinta-feira Negra (24/10/1929)
Dia em que a Bolsa de Valores de Nova York sofreu uma queda abrupta recorde, com venda em pânico de mais de 12 milhões de ações.
Terça-feira Negra (29/10/1929)
O ápice do crash na Bolsa de Nova York, quando os preços despencaram totalmente e selaram o colapso dos mercados financeiros globais.
Superprodução agrícola e industrial
Capacidade de produção dos EUA superou o poder de consumo interno e externo pós-Primeira Guerra, gerando estoques sem compradores e queda de preços.
Especulação financeira nos anos 1920
Compra massiva de ações inflacionadas na bolsa na expectativa de lucro rápido, desvinculada do valor real das empresas e de seus lucros.
Compra de ações com margem (compra a crédito)
Prática de investir na bolsa pagando apenas 10% do valor e tomando o restante emprestado, causando inadimplência generalizada quando os preços caíram.
Os Loucos Anos Vinte (Roaring Twenties)
Década de euforia econômica e consumismo nos EUA marcada por otimismo cego e expansão desenfreada de crédito sem regulação estatal.
Quebra do sistema bancário
Milhares de bancos faliram nos EUA entre 1929 e 1933 devido à inadimplência dos tomadores e à falta de liquidez com a retirada em massa de depósitos.
Corridas aos bancos (Bank runs)
Pânico popular em que correntistas tentaram retirar simultaneamente seus depósitos, acelerando a quebra imediata de instituições bancárias solventes.
Desemprego em massa nos EUA
A taxa de desemprego atingiu cerca de 25% da força de trabalho americana em 1933, deixando mais de 12 milhões de pessoas desocupadas.
Deflação severa
Queda generalizada e persistente dos preços de bens e salários, o que reduziu a renda e agravou as dívidas reais contraídas anteriormente.
Presidente Herbert Hoover
Presidente dos EUA no início da crise; sua crença no liberalismo e na auto-recuperação do mercado atrasou a intervenção e desgastou sua imagem política.
Hoovervilles
Favelas e acampamentos de sem-teto feitos de papelão e lata, batizados ironicamente em crítica à inação do presidente Herbert Hoover.
Tarifa Smoot-Hawley (1930)
Lei protecionista americana que elevou tarifas sobre produtos importados, provocando retaliações de outros países e colapsando o comércio mundial.
Colapso do comércio internacional
O volume do comércio global despencou mais de 60% entre 1929 e 1934 devido a políticas protecionistas e escassez generalizada de liquidez.
O fenômeno do Dust Bowl
Seca extrema combinada com tempestades de poeira nas Grandes Planícies americanas, arruinando solos e expulsando milhares de agricultores de suas terras.
Migrantes Okies e Arkies
Famílias rurais de Oklahoma e Arkansas forçadas a migrar para a Califórnia em busca de trabalho como boias-frias durante a crise agrária.
Franklin Delano Roosevelt (FDR)
Eleito presidente dos EUA em 1932 com a promessa de intervenção estatal ativa na economia para combater a Depressão por meio de reformas sociais.
O New Deal
Conjunto de programas econômicos e sociais implementados por FDR a partir de 1933 baseado nos 3 R's: Alívio (Relief), Recuperação (Recovery) e Reforma (Reform).
Feriado Bancário de 1933 (Bank Holiday)
Fechamento temporário de todos os bancos dos EUA por ordem presidencial para auditar instituições e restaurar a confiança pública no sistema.
Lei de Emergência Bancária (1933)
Medida que permitiu a reabertura segura de bancos solventes com auxílio de crédito governamental, cessando as corridas bancárias.
FDIC (Corporação Federal de Seguro de Depósitos)
Agência criada para assegurar depósitos bancários individuais, prevenindo perdas financeiras aos correntistas e evitando novos pânicos.
Lei Glass-Steagall (1933)
Legislação que separou bancos comerciais de bancos de investimento para impedir a especulação de fundos de correntistas em mercados acionários.
SEC (Comissão de Títulos e Câmbio)
Órgão regulador instituído para supervisionar o mercado de ações, coibir fraudes financeiras e exigir transparência nas demonstrações das empresas.
AAA (Lei de Ajuste Agrícola)
Programa federal que pagava subsídios para agricultores reduzirem a produção, elevando artificialmente os preços agrícolas e a renda no campo.
CCC (Corpo Civil de Conservação)
Programa público de trabalho para jovens desempregados em projetos de reflorestamento, prevenção de enchentes e conservação ambiental.
WPA (Administração de Progresso de Obras)
Maior agência de obras públicas do New Deal, empregando milhões de trabalhadores na construção de estradas, pontes, escolas e apoio às artes.
TVA (Autoridade do Vale do Tennessee)
Projeto regional inovador de construção de barragens para controle de enchentes, eletrificação rural e desenvolvimento econômico no sul dos EUA.
Lei de Seguridade Social de 1935
Marco de proteção social nos EUA que instituiu aposentadoria para idosos, auxílio-desemprego e pensões para incapacitados e órfãos.
Lei Wagner (Lei Nacional de Relações de Trabalho)
Garantia legal do direito dos trabalhadores à sindicalização e negociação coletiva, fortalecendo a representação trabalhista americana.
John Maynard Keynes e o Keynesianismo
Economista britânico que defendeu gastos públicos e déficits fiscais estatais em momentos de recessão para estimular a demanda agregada.
Abandono do Padrão-Ouro pelos países
Decisão crucial adotada pelo Reino Unido (1931) e EUA (1933) para desvalorizar moedas nacionais e expandir a base monetária sem restrições de reservas.
Impacto da crise na República de Weimar (Alemanha)
Cessação de empréstimos americanos gerou hiperdesemprego de mais de 30%, desestruturação política e colapso do regime democrático republicano.
Ascensão do Partido Nazista e Adolf Hitler
O caos econômico e a miséria social causados pela crise facilitaram a exploração do descontentamento popular pela retórica extremista de Hitler em 1933.
Impacto da crise no Brasil (Crise do café)
Colapso do mercado internacional do café provocou queda brutal nos preços da saca e perda substancial das receitas de exportação brasileiras.
Queima do café pelo governo Vargas
Destruição intencional de milhões de sacas de café a partir de 1931 para diminuir a oferta de mercado e sustentar o preço do produto nacional.
Revolução de 1930 no Brasil
A instabilidade política e a ruína da cafeicultura enfraqueceram as oligarquias paulistas, propiciando a tomada de poder por Getúlio Vargas.
Industrialização por Substituição de Importações no Brasil
A incapacidade de importar bens industriais durante a crise forçou o Brasil a desenvolver seu parque manufatureiro fabril interno.
Impacto da Grande Depressão no Reino Unido
Regiões industriais do norte e País de Gales sofreram com o declínio crônico das indústrias pesadas e do comércio naval exportador.
Impacto na América Latina em geral
Deterioração dos termos de troca para economias exportadoras de commodities primárias, deflagrando instabilidade política e golpes militares.
Isolamento econômico da União Soviética
A URSS sofreu pouco impacto da quebra de 1929 devido ao seu planejamento central e autossuficiência do Primeiro Plano Quinquenal stalinista.
O Bonus Army (1932)
Marcha de milhares de veteranos da Primeira Guerra Mundial sobre Washington exigindo pagamento antecipado de bônus, reprimidos pelo exército.
Filas de sopa e caridade popular
Símbolos cotidianos da miséria durante a crise, mantidos por igrejas e organizações filantrópicas para alimentar populações desvalidas.
Crescimento do fascismo e autoritarismo na Europa
O desespero social fragilizou democracias liberais e fortaleceu regimes totalitários e fascistas que prometiam ordem e emprego rápido.
Recessão de Roosevelt de 1937
Recaída econômica temporária ocorrida quando o governo dos EUA cortou precocemente os gastos públicos do New Deal visando equilibrar o orçamento.
Fim definitivo da Grande Depressão
A mobilização industrial em grande escala e a criação de postos de trabalho para a Segunda Guerra Mundial erradicaram o desemprego nos EUA.
Mudança no papel do Estado na economia
Fim da hegemonia do liberalismo laissez-faire estrito e consolidação do Estado de Bem-Estar Social com regulação ativa dos mercados financeiros.
Acordos de Bretton Woods (1944)
Conferência que desenhou a nova ordem financeira internacional pós-crise, criando o FMI e o Banco Mundial para evitar novas depressões globais.
Desigualdade de renda pré-1929
A concentração extrema de capital nos 1% mais ricos nos anos 20 limitou o poder de compra da maioria trabalhadora para manter o consumo.
Empréstimos externos dos EUA na década de 1920
A interrupção de capitais que os bancos americanos injetavam na Europa pós-1929 disseminou a crise de solvência instantaneamente pelo mundo.
Impacto na saúde pública e nutrição
Casos de desnutrição infantil e doenças ligadas à carência alimentar dispararam em centros urbanos e campos empobrecidos durante os anos 1930.
Impacto cultural: Literatura e Fotografia
Obras como As Vinhas da Ira de John Steinbeck e as fotos de Dorothea Lange registraram o sofrimento humano e a resiliência dos desalojados.

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