Era Napoleônica e Família Real no Brasil
Estudo sobre a Era Napoleônica e a chegada da família real portuguesa ao Brasil, destinado a estudantes do ensino médio e vestibulandos.
Cartões · 50
- Golpe do 18 de Brumário (1799)
- Golpe militar apoiado pela burguesia que encerrou o Diretório e levou Napoleão Bonaparte ao poder como primeiro-cônsul.
- Consulado (1799–1804)
- Fase inicial do governo napoleônico marcada pela estabilização econômica, centralização política e criação de novas instituições francesas.
- Código Civil Napoleônico (1804)
- Conjunto de leis que consolidou conquistas burguesas, como igualdade perante a lei, direito à propriedade e secularização do Estado.
- Coroação de Napoleão (1804)
- Autocoroação de Napoleão na Catedral de Notre-Dame, fundando o Primeiro Império Francês e consolidando seu poder absolutista disfarçado.
- Batalha de Trafalgar (1805)
- Derrota naval da esquadra franco-espanhola contra a Marinha Real britânica, que impediu a invasão francesa da Grã-Bretanha.
- Bloqueio Continental (1806)
- Decreto que proibiu os países europeus de comercializarem com a Grã-Bretanha, visando sufocar a economia inglesa.
- Objetivo do Bloqueio Continental
- Enfraquecer a indústria e as finanças britânicas, forçando a Europa continental a consumir os produtos manufaturados franceses.
- Dilema português diante do Bloqueio Continental
- Portugal dependia economicamente da Grã-Bretanha, mas temia uma invasão militar terrestre pelas tropas de Napoleão.
- Tratado de Fontainebleau (1807)
- Acordo secreto entre França e Espanha para invadir e partilhar o território e as colônias de Portugal.
- Invasão francesa de Portugal (1807)
- Entrada das tropas do general Junot em território português, precipitando a fuga da corte de Lisboa.
- Transferência da Corte Portuguesa (1807–1808)
- Fuga estratégica da família real e de milhares de nobres para o Brasil com escolta da marinha britânica.
- Príncipe Regente D. João
- Governante de Portugal no lugar de sua mãe, D. Maria I, responsável pela decisão de transferir a corte para o Rio de Janeiro.
- Papel da Grã-Bretanha na transferência da corte
- Proteção naval militar à frota portuguesa em troca de futuras vantagens comerciais exclusivas no Brasil.
- Chegada da família real a Salvador (1808)
- Primeira parada da corte em solo brasileiro, onde foram assinadas as primeiras medidas reformistas do período joanino.
- Abertura dos Portos às Nações Amigas (1808)
- Decreto de D. João que pôs fim ao pacto colonial brasileiro, permitindo o comércio direto com outros países, sobretudo a Grã-Bretanha.
- Fim do Exclusivo Comercial Metropolitano
- Consequência direta da Abertura dos Portos, rompendo o monopólio comercial exercido por Portugal sobre o Brasil desde 1500.
- Revogação do Alvará de 1785
- Medida de D. João que autorizou a instalação de manufaturas e indústrias no Brasil, embora com pouco efeito prático inicial.
- Chegada ao Rio de Janeiro (1808)
- Instalação definitiva da corte portuguesa na cidade, que passou a funcionar como a sede política do Império Português.
- Confisco de imóveis (o carimbo 'P.R.')
- Despejo forçado de moradores locais para abrigar nobres portugueses, ironizado pela população como 'Ponha-se na Rua'.
- Criação do Banco do Brasil (1808)
- Primeira instituição financeira pública do país, criada para emitir moeda e financiar a administração do Estado bragantino.
- Imprensa Régia e a Gazeta do Rio de Janeiro
- Início das publicações oficiais e de jornais impressos no Brasil com o consentimento e a censura da coroa.
- Jardim Botânico do Rio de Janeiro
- Espaço criado para aclimatar espécies vegetais exóticas de valor econômico, como o chá e especiarias asiáticas.
- Criação das primeiras faculdades no Brasil
- Abertura de cursos de Cirurgia e Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro para formar médicos para a corte e as Forças Armadas.
- Tratado de Aliança e Amizade (1810)
- Tratado com os britânicos que impôs restrições parciais ao tráfico negreiro e concedeu extraterritorialidade a cidadãos ingleses.
- Tratado de Comércio e Navegação (1810)
- Acordo que fixou tarifas alfandegárias de 15% para produtos ingleses, 16% para portugueses e 24% para os demais países.
- Impacto econômico das tarifas de 1810
- Inundou o mercado brasileiro de produtos britânicos baratos e inviabilizou o crescimento das nascentes manufaturas locais.
- Campanha da Rússia (1812)
- Desastrosa invasão napoleônica de território russo marcada pela tática da terra arrasada e pelo inverno rigoroso, dizimando o exército francês.
- Batalha das Nações em Leipzig (1813)
- Derrota decisiva de Napoleão diante da coalizão europeia, levando à sua primeira abdicação e exílio na Ilha de Elba.
- Congresso de Viena (1814–1815)
- Encontro diplomático das potências europeias para redesenhar o mapa continental e restaurar a ordem monárquica absolutista.
- Princípio da Legitimidade
- Diretriz do Congresso de Viena que determinava o retorno ao trono das dinastias destronadas pelas invasões napoleônicas.
- Elevação do Brasil a Reino Unido (1815)
- Ato que transformou o Brasil em Reino Unido a Portugal e Algarves, legitimando a Casa de Bragança no Congresso de Viena.
- Efeito político da elevação do Brasil a Reino
- O Brasil deixou formalmente de ser colônia, igualando-se em status político à metrópole portuguesa.
- Governo dos Cem Dias (1815)
- Breve retorno de Napoleão ao poder na França após escapar da Ilha de Elba, culminando em sua derrota final.
- Batalha de Waterloo (1815)
- Derrota definitiva de Napoleão Bonaparte diante da coalizão anglo-prussiana, seguida pelo seu exílio na Ilha de Santa Helena.
- Santa Aliança
- Pacto militar absolutista liderado por Rússia, Áustria e Prússia para conter revoluções liberais e movimentos de independência.
- Missão Artística Francesa (1816)
- Vinda de artistas neoclássicos franceses, como Debret e Taunay, para registrar o país e criar a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios.
- Aclamação de D. João VI (1816/1818)
- Coroação oficial do rei no Rio de Janeiro após a morte de sua mãe, a rainha D. Maria I.
- Anexação da Província Cisplatina (1816–1821)
- Invasão e incorporação militar da Banda Oriental (atual Uruguai) ao Reino do Brasil sob ordens de D. João VI.
- Revolução Pernambucana (1817)
- Movimento republicano e separatista contra os altos impostos e privilégios da corte portuguesa instalada no Rio de Janeiro.
- Causas da Revolução Pernambucana
- Crise na economia açucareira, seca severa e descontentamento com o custeio da elite aristocrática carioca.
- Revolução Liberal do Porto (1820)
- Insurreição militar e civil em Portugal que exigiu a volta da corte, o fim do absolutismo e uma nova Constituição liberal.
- Cortes Constituintes de Lisboa (1820–1822)
- Assembleia legislativa portuguesa que buscou recolonizar o Brasil, extinguindo as instituições criadas por D. João VI.
- Retorno de D. João VI a Portugal (1821)
- Partida pressionada do monarca rumo a Lisboa para jurar a Constituição, deixando D. Pedro como príncipe regente no Brasil.
- D. Pedro I como Príncipe Regente
- Herdeiro do trono deixado no Rio de Janeiro para governar o território brasileiro e frear os ímpetos republicanos locais.
- Tentativa de recolonização do Brasil pelas Cortes
- Ordens de Lisboa que exigiam o retorno de D. Pedro e a subordinação direta das províncias brasileiras a Portugal.
- Dia do Fico (9 de janeiro de 1822)
- Decisão pública de D. Pedro de desobedecer às ordens das Cortes e permanecer no Brasil, apoiado pela elite agrária.
- Cumpra-se (maio de 1822)
- Decreto que determinou que nenhuma lei portuguesa teria validade no Brasil sem a aprovação prévia do príncipe regente.
- Independência do Brasil (1822)
- Ruptura política definitiva com Portugal, liderada por D. Pedro I, consolidando o processo iniciado com a vinda da família real.
- Interiorização da metrópole
- Conceito de Maria Odila Dias sobre o enraizamento do aparelho burocrático português e dos interesses da elite no Brasil após 1808.
- Continuidade monárquica e escravocrata
- Diferencial do Brasil na América Latina: manutenção do regime monárquico e da escravidão após a independência.