Família Real e Independência (pós-1823)
Estudo sobre a chegada da família real portuguesa, o processo de independência e o Primeiro Reinado no Brasil. Destinado a estudantes do ensino médio e candidatos a vestibulares e concursos.
Cartões · 50
- Ano da chegada da família real portuguesa ao Brasil
- A corte portuguesa aportou em Salvador em janeiro de 1808 e instalou-se no Rio de Janeiro em março do mesmo ano.
- Causa imediata da fuga da corte portuguesa para o Brasil
- A invasão de Portugal por tropas francesas de Napoleão Bonaparte após a recusa lusa em aderir ao Bloqueio Continental.
- País aliado que escoltou a família real portuguesa
- A Grã-Bretanha, que ofereceu proteção naval em troca de vantagens econômicas e comerciais no Brasil.
- Abertura dos Portos às Nações Amigas (1808)
- Decreto de Dom João que rompeu o pacto colonial, permitindo o comércio direto do Brasil com nações aliadas, especialmente a Inglaterra.
- Tratado de Navegação e Comércio de 1810
- Acordo que fixou taxas alfandegárias de 15% para produtos britânicos, menores que as de Portugal (16%) e outros países (24%).
- Criação do Banco do Brasil (1808)
- Primeira instituição bancária do país, criada para financiar despesas da corte e organizar as finanças públicas.
- Elevação do Brasil a Reino Unido (1815)
- Dom João elevou o Brasil à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves, mudando o status jurídico de colônia.
- Motivo diplomático da elevação a Reino Unido em 1815
- Garantir a legitimidade da dinastia de Bragança durante as negociações do Congresso de Viena na Europa pós-napoleônica.
- Revolução Pernambucana de 1817
- Movimento de caráter republicano e separatista contra os altos impostos e privilégios da corte no Rio de Janeiro.
- Revolução Liberal do Porto (1820)
- Insurreição em Portugal que exigiu a volta do rei, uma Constituição liberal e a recolonização econômica do Brasil.
- Retorno de Dom João VI a Portugal
- Ocorreu em abril de 1821 para jurar a Constituição das Cortes, deixando seu filho Pedro como príncipe regente do Brasil.
- Dia do Fico (9 de janeiro de 1822)
- Declaração de Dom Pedro de que permaneceria no Brasil, desobedecendo às ordens das Cortes de Lisboa para retornar.
- Decreto do Cumpra-se (maio de 1822)
- Determinação de Dom Pedro de que nenhuma ordem vinda de Portugal teria validade no Brasil sem seu aval formal.
- Grito do Ipiranga (7 de setembro de 1822)
- Ato simbólico no qual o príncipe Dom Pedro proclamou a independência formal do Brasil em relação a Portugal.
- Papel de José Bonifácio de Andrada e Silva
- Conhecido como Patriarca da Independência, articulou alianças políticas internas e defendeu uma monarquia centralizada.
- Atuação da Imperatriz Maria Leopoldina
- Assinou a ata do Conselho de Estado que recomendava a separação definitiva de Portugal antes do 7 de setembro.
- Guerras de Independência do Brasil (1822-1824)
- Conflitos armados contra tropas leais a Lisboa em províncias como Bahia, Maranhão, Piauí, Grão-Pará e Cisplatina.
- Consolidação da independência na Bahia (2 de julho de 1823)
- Vitória definitiva das forças brasileiras sobre os portugueses comandados pelo general Madeira de Melo em Salvador.
- Atuação de Maria Quitéria de Jesus
- Heroína militar que lutou disfarçada de homem na Guerra de Independência na Bahia, condecorada por Dom Pedro I.
- Participação do mercenário Lord Cochrane
- Almirante britânico contratado pelo governo brasileiro para comandar a armada que expulsou as frotas portuguesas.
- Abertura da Assembleia Constituinte de 1823
- Instalada em maio de 1823 para elaborar a primeira Constituição soberana do Império do Brasil.
- Projeto de Constituição de 1823 (Constituição da Mandioca)
- Projeto censitário e antilusitano que limitava os poderes do imperador e estabelecia renda baseada em produção agrícola.
- Conflito entre Dom Pedro I e a Constituinte de 1823
- Divergência irreconciliável sobre o controle do Executivo e a limitação do poder absolutista do imperador.
- Noite da Agonia (11 para 12 de novembro de 1823)
- Episódio em que o imperador cercou o prédio da Assembleia com tropas militares e dissolveu a Constituinte à força.
- Exílio de José Bonifácio em 1823
- Após a dissolução da Constituinte, os irmãos Andrada romperam com Pedro I e foram presos e banidos para a França.
- Conselho de Estado de 1823
- Comitê de dez membros leais nomeados por Dom Pedro I para redigir privadamente uma nova Carta Magna.
- Outorga da Constituição de 1824
- Promulgada unilateralmente por Dom Pedro I em março de 1824, estabelecendo um regime monárquico constitucional centralizado.
- O Poder Moderador na Carta de 1824
- Quarto poder exclusivo do imperador, permitindo-lhe dissolver a Câmara, vetar leis e nomear senadores vitalícios.
- Regime de Padroado Régio na Constituição de 1824
- Subordinação da Igreja Católica ao Estado brasileiro, com o imperador nomeando bispos e pagando o clero.
- Confederação do Equador (1824)
- Revolta republicana e separatista no Nordeste contra o autoritarismo de Pedro I e a Carta outorgada de 1824.
- Liderança de Frei Caneca em 1824
- Religioso e jornalista pernambucano, principal líder ideológico da Confederação do Equador, fuzilado em 1825.
- Primeiro país a reconhecer a independência do Brasil
- Os Estados Unidos, em maio de 1824, orientados pelos princípios anticolonialistas da Doutrina Monroe.
- Reconhecimento da independência por Portugal (1825)
- Firmado pelo Tratado do Rio de Janeiro, mediado pela Inglaterra mediante indenização financeira assumida pelo Brasil.
- Indenização paga a Portugal em 1825
- O Brasil pagou 2 milhões de libras esterlinas a Portugal, transferindo parte de uma dívida lusa com a Grã-Bretanha.
- Condições britânicas para reconhecer o Império do Brasil
- Manutenção das tarifas alfandegárias preferenciais e o compromisso de abolir o tráfico negreiro transatlântico.
- Guerra da Cisplatina (1825-1828)
- Conflito armado contra as Províncias Unidas do Rio da Prata pelo controle do território do atual Uruguai.
- Desfecho da Província Cisplatina (1828)
- Com mediação britânica, a região não ficou com o Brasil nem com a Argentina, tornando-se o Estado Oriental do Uruguai.
- Impacto da Guerra da Cisplatina na imagem de Pedro I
- Provocou severo desgaste militar, inflação e endividamento estatal, aprofundando o descontentamento popular.
- Crise sucessória portuguesa de 1826
- Com a morte de Dom João VI, Dom Pedro I herdou a coroa portuguesa como Pedro IV, intensificando suspeitas de reunificação.
- Abdicação de Dom Pedro I ao trono português
- Cedeu o trono luso à sua filha Maria da Glória (Dona Maria II), mas continuou intervindo nos rumos dinásticos de Lisboa.
- Golpe de Dom Miguel em Portugal (1828)
- O irmão de Pedro I usurpou o trono absolutista em Lisboa, levando o imperador a gastar recursos do Brasil no conflito.
- Falência do primeiro Banco do Brasil (1829)
- Resultado de sucessivos saques da corte joanina, descontrole fiscal e gastos ruinosos na Guerra da Cisplatina.
- Assassinato do jornalista Líbero Badaró (1830)
- Crítico ferrenho do absolutismo imperial, sua morte foi atribuída a partidários de Dom Pedro I, gerando forte revolta.
- Noite das Garrafadas (março de 1831)
- Violentos conflitos de rua no Rio de Janeiro entre portugueses partidários de Pedro I e brasileiros oposicionistas.
- Ministério dos Marqueses (abril de 1831)
- Gabinete ultraconservador e absolutista montado por Pedro I que irritou os liberais e precipitou sua queda política.
- Abdicação de Dom Pedro I (7 de abril de 1831)
- Pressionado pela tropa militar e pela elite brasileira, o monarca renunciou ao trono em favor de seu filho de cinco anos.
- Início do Período Regencial (1831)
- Fase de transição política em que regentes governaram até que Dom Pedro II atingisse a maioridade legal.
- Preservação da escravidão após 1822
- A independência manteve intacta a estrutura escravocrata para atender aos interesses dos grandes latifundiários.
- Centralização política versus federalismo pós-1823
- Principal tensão institucional entre o projeto monárquico unitário da corte e as reivindicações de autonomia provincial.
- Significado histórico do processo de 1808 a 1831
- Transição de colônia para império soberano marcada pela continuidade social, manutenção do latifúndio e da escravidão.