História de Mato Grosso 3
Estudo sobre a história de Mato Grosso, cobrindo eventos desde o Tratado de Tordesilhas até o século XXI. Destinado a estudantes e candidatos a concursos públicos.
Cartões · 50
- Tratado de Tordesilhas e o território mato-grossense
- Causa: partilha colonial entre Portugal e Espanha colocava a região sob domínio espanhol. Consequência: ocupação inicial negligenciada pela Espanha e posterior invasão e colonização ilegal por bandeirantes paulistas.
- Bandeirantismo em direção ao Centro-Oeste
- Causa: busca por indígenas para escravização e busca por metais preciosos. Consequência: expansão das fronteiras portuguesas além de Tordesilhas e dizimação violenta de povos originários da região.
- Descoberta de ouro por Pascoal Moreira Cabral (1719)
- Causa: confronto e perseguição aos indígenas Coxiponés no rio Coxipó. Consequência: fundação do Arraial da Forquilha e início do ciclo de corrida do ouro que deu origem a Cuiabá.
- Criação da Capitania de Mato Grosso (1748)
- Causa: necessidade da Coroa portuguesa de assegurar fronteiras contra incursões espanholas. Consequência: desmembramento da Capitania de São Paulo e fortalecimento administrativo-militar local.
- Fundação de Vila Bela da Santíssima Trindade (1752)
- Causa: estratégia de Rolim de Moura de fixar sede política próxima à bacia do Guaporé/fronteira espanhola. Consequência: primeira capital da capitania e intenso povoamento forçado de africanos escravizados.
- Tratado de Madri (1750) na região
- Causa: necessidade de regularizar as fronteiras com base na posse efetiva (uti possidetis). Consequência: consolidação jurídica da soberania de Portugal sobre Mato Grosso e limites nos rios Guaporé e Paraguai.
- Construção do Forte Príncipe da Beira (1776)
- Causa: tensões fronteiriças contínuas com a Espanha e defesa da navegação amazônica. Consequência: monumental estrutura de contenção geopolítica militar portuguesa no vale do Guaporé.
- Ciclo do Ouro no século XVIII em Cuiabá
- Causa: abundância de ouro de aluvião de fácil extração em rios locais. Consequência: rápida atração demográfica, uso brutal de mão de obra escrava negra e rápida exaustão das lavras já no início do século XIX.
- Monções fluviais
- Causa: isolamento geográfico de Cuiabá e ausência de estradas terrestres seguras. Consequência: intensas viagens fluviais perigosas entre Araritaguaba (Porto Feliz-SP) e Cuiabá para abastecimento comercial.
- Transferência da capital para Cuiabá (1835)
- Causa: declínio econômico de Vila Bela e maior dinamismo comercial, populacional e político de Cuiabá. Consequência: consolidação definitiva de Cuiabá como centro decisório da província.
- A Rusga (1834)
- Causa: forte sentimento antilusitano e disputas de poder entre liberais nativistas e conservadores portugueses. Consequência: massacre violento de comerciantes portugueses em Cuiabá e instabilidade política provincial.
- Guerra do Paraguai e a Invasão de Mato Grosso (1864)
- Causa: disputas geopolíticas pela Bacia do Prata e ambição expansionista de Solano López. Consequência: ocupação paraguaia de Corumbá e Coimbra, destruição de vilas e mortes pela epidemia de varíola.
- Retomada de Corumbá (1867)
- Causa: expedição brasileira comandada por Antônio Maria Coelho para expulsar tropas paraguaias. Consequência: vitória militar brasileira fundamental, seguida por mortífero surto de varíola entre os combatentes.
- Trabalho escravo africano em Mato Grosso
- Causa: demanda intensiva de força de trabalho para mineração e engenhos açucareiros. Consequência: formação de quilombos emblemáticos, como o Quilombo do Piolho (Quariterê), liderado por Tereza de Benguela.
- Resistência do Quilombo do Piolho (Quariterê)
- Causa: fuga e organização de escravizados negros e indígenas contra a opressão colonial. Consequência: estruturação de comunidade autossustentável e violenta destruição pelas forças coloniais em 1770.
- Guerra contra os povos canoeiros (Guató e Paiaguá)
- Causa: invasão das rotas de monções pelos portugueses em territórios ancestrais indígenas. Consequência: dizimação sistemática dos Paiaguá e perda de autonomia territorial de povos do Pantanal.
- Abertura da navegação do Rio Paraguai (pós-1870)
- Causa: término da Guerra do Paraguai e tratados de livre navegação fluvial internacional. Consequência: dinamização econômica de Corumbá e Cáceres como portos exportadores e importadores essenciais.
- Ciclo da Erva-Mate e a Companhia Matte Larangeira
- Causa: concessão de exploração de vastos ervais nativos no sul da província no final do século XIX. Consequência: monopólio econômico, exploração de mão de obra semi-escrava de indígenas e enriquecimento da elite sulista.
- Ciclo da Borracha no norte mato-grossense
- Causa: demanda mundial por látex no final do século XIX e início do século XX. Consequência: penetração de seringalistas nas florestas do norte, violência extrema contra indígenas e povoamento esparso.
- Expedição da Comissão Rondon (início do séc. XX)
- Causa: meta do governo republicano de integrar o Centro-Oeste e a Amazônia via linhas telegráficas. Consequência: contato com novos povos indígenas, criação do SPI e melhoria da cartografia regional.
- Criação do Serviço de Proteção aos Índios (SPI, 1910)
- Causa: denúncias de extermínio indígena levantadas pela atuação de Cândido Rondon. Consequência: política indigenista estatal positivista de integração pacífica, embora mantendo a tutela governamental.
- Massacre do Paralelo 11 (1963)
- Causa: avanço violento da grilagem e empresas seringalistas sobre as terras do povo Cinta Larga. Consequência: denúncias internacionais de genocídio indígena que levaram à extinção do SPI e criação da FUNAI.
- Revolta armada dos Totó Paes e Generoso Ponce (1899-1906)
- Causa: coronelismo oligárquico e disputas ferrenhas pelo controle do governo estadual na Primeira República. Consequência: sangrentas batalhas civis que culminaram no assassinato do governador Totó Paes na Fábrica de Pólvora.
- Passagem da Coluna Prestes (1925-1927)
- Causa: levante tenentista combatendo o poder das oligarquias da República Velha. Consequência: instabilidade política no estado, combates com forças legalistas e fuga dos rebeldes para a Bolívia.
- Guerra da Vacina em Cuiabá (1904)
- Causa: imposição autoritária de vacinação obrigatória contra a varíola pela administração local. Consequência: revolta popular, conflito com tropas policiais e resistência da população de baixa renda.
- Marcha para o Oeste do Estado Novo (década de 1940)
- Causa: plano de Getúlio Vargas de ocupar demograficamente o interior e integrar recursos naturais. Consequência: criação de colônias agrícolas como Dourados e abertura de frentes pioneiras migratórias.
- Expedição Roncador-Xingu (1943)
- Causa: braço desbravador da Marcha para o Oeste chefiado pelos irmãos Villas-Bôas. Consequência: reconhecimento do centro geográfico nacional e posterior criação do Parque Indígena do Xingu.
- Criação do Parque Nacional do Xingu (1961)
- Causa: ação de Orlando e Cláudio Villas-Bôas para salvar etnias ameaçadas pela colonização. Consequência: primeira e maior terra indígena demarcada do país, garantindo preservação cultural e ambiental.
- Fundação de Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde (anos 1970)
- Causa: incentivos fiscais da ditadura militar e atuação de empresas colonizadoras privadas (Gleba Celeste). Consequência: fixação de migrantes sulistas e rápida transformação do norte no polo nacional do agronegócio.
- Abertura da rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém)
- Causa: projeto geopolítico militar de integração física da Amazônia e escoamento produtivo. Consequência: intenso fluxo migratório, aumento brutal do desmatamento e conflitos de terras crônicos.
- Construção da BR-364 (Cuiabá-Porto Velho)
- Causa: integração territorial financiada pelo programa federal Polonoroeste nos anos 1970-80. Consequência: migração em massa, explosão demográfica de novos municípios e graves impactos ecológicos.
- Atuação da SUDECO (Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste)
- Causa: política de desenvolvimento regional planejada pelos governos militares em 1967. Consequência: canalização de subsídios fiscais para grandes latifúndios, pecuária extensiva e agroindústria.
- Divisão do Estado de Mato Grosso (1977)
- Causa: rivalidades históricas entre norte e sul, distância administrativa e decreto geopolítico de Ernesto Geisel. Consequência: desmembramento em 1979 e nascimento de Mato Grosso do Sul, com Cuiabá mantida como capital do norte.
- Impacto econômico imediato da divisão de 1977
- Causa: perda de regiões mais industrializadas, ricas em gado e povoadas para Mato Grosso do Sul. Consequência: obrigação do novo Mato Grosso de reinventar sua economia abrindo fronteiras agrícolas ao norte.
- Massacre de São Bonifácio ou da Ponte Sérgio Motta (1987)
- Causa: protesto de garimpeiros de Poconé contra condições de trabalho e opressão policial. Consequência: violenta repressão da PM com mortes não esclarecidas e comoção social em Cuiabá.
- Garimpo de Ouro em Peixoto de Azevedo (década de 1980)
- Causa: descoberta de gigantescos veios auríferos atraindo dezenas de milhares de garimpeiros. Consequência: corrida do ouro caótica, violência urbana, poluição por mercúrio nos rios e fundação de cidades.
- Conflitos de terra da Fazenda Santa Charlotte e afins
- Causa: concentração fundiária e grilagem massiva desapropriando posseiros tradicionais. Consequência: criação da CPT (Comissão Pastoral da Terra) e assassinatos no campo durante as décadas de 1970 e 1980.
- Revolução da Soja e da Biotecnologia (anos 1980-90)
- Causa: pesquisas da Embrapa para adaptação de sementes e calagem dos solos ácidos do Cerrado. Consequência: liderança incontestável de Mato Grosso na produção e exportação mundial de grãos.
- Expansão da Pecuária Bovina de Corte
- Causa: disponibilidade de imensas áreas de pastagens abertas no Cerrado e transição amazônica. Consequência: formação do maior rebanho bovino do Brasil e pressão constante de desmatamento.
- Ascensão das elites políticas do agronegócio (anos 1990-2000)
- Causa: poderio financeiro de produtores de soja e algodão em contraposição às oligarquias cuiabanas. Consequência: eleição de governadores ligados diretamente ao setor produtivo rural, como Blairo Maggi.
- Demarcação da Terra Indígena Marãiwatsédé (2012)
- Causa: expulsão histórica dos Xavante na década de 1960 para instalação de fazendas agropecuárias. Consequência: longa batalha jurídica, desintrusão forçada de posseiros e restituição da terra tradicional.
- Queimadas históricas no Pantanal (2020)
- Causa: seca extrema provocada por mudanças climáticas associada a incêndios provocados por ação humana. Consequência: devastação de cerca de 30% do bioma pantaneiro, morte de milhões de animais e crise hídrica.
- Implantação do Programa POLOCENTRO (1975)
- Causa: iniciativa federal de modernização agrícola subsidiada pelo crédito rural no Cerrado. Consequência: mecanização intensiva da lavoura e êxodo forçado de comunidades rurais tradicionais.
- Construção do Gasoduto Bolívia-Mato Grosso (2001)
- Causa: demanda por matriz energética termelétrica para suprir o polo industrial e urbano cuiabano. Consequência: diversificação da matriz energética local e disputas contratuais internacionais frequentes.
- Escândalo das obras da Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá
- Causa: escolha de Cuiabá como subsede do torneio mundial de futebol e vultosos investimentos públicos. Consequência: endividamento fiscal, abandono das obras do VLT por anos e série de investigações de corrupção.
- Migração Sulista (décadas de 1970 a 1990)
- Causa: esgotamento da terra agricultável no RS, SC e PR aliada a preços baixos de terras em MT. Consequência: alteração demográfica e cultural profunda no norte/médio-norte e introdução de cooperativas agrícolas.
- Formação do Quilombo Mata Cavalo
- Causa: sesmarias herdadas ou ocupadas por escravizados alforriados no século XIX em Nossa Senhora do Livramento. Consequência: resistência cultural secular e disputas judiciais contemporâneas pela titulação da terra.
- Criação do Território Federal de Ponta Porã (1943)
- Causa: política de Getúlio Vargas de proteger zonas estratégicas de fronteira durante a Segunda Guerra Mundial. Consequência: fragmentação temporária do sul de MT até sua extinção e reintegração em 1946.
- Conflitos entre Bororos e colonizadores (século XIX e XX)
- Causa: invasão territorial no Vale de São Lourenço para implantação de estradas e fazendas de gado. Consequência: aldeamento forçado por missionários salesianos e forte declínio demográfico da etnia.
- Consolidação da Ferrovia Senador Vicente Vuolo (Ferronorte)
- Causa: altos custos logísticos do transporte rodoviário para escoar safras aos portos de Santos. Consequência: surgimento de Rondonópolis como o maior entroncamento rodoferroviário e logístico do interior do país.