Modelos Clássico e Keynesiano
Estudo comparativo entre os modelos macroeconômicos clássico e keynesiano, abordando suas premissas, políticas econômicas e visões sobre o mercado.
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- Premissa central do modelo clássico
- Os mercados se autorregulam rapidamente rumo ao pleno emprego por meio da flexibilidade de preços e salários.
- Premissa central do modelo keynesiano
- A economia pode permanecer em equilíbrio abaixo do pleno emprego devido à rigidez de preços e à demanda agregada insuficiente.
- Lei de Say no modelo clássico
- A oferta cria sua própria demanda; toda produção gera renda suficiente para adquirir a totalidade dos bens produzidos.
- Crítica keynesiana à Lei de Say
- A demanda agregada determina a oferta; parte da renda pode ser poupada sem se transformar imediatamente em investimento.
- Determinação do produto no modelo clássico
- O produto é determinado pelo lado da oferta, em função da disponibilidade de fatores produtivos e da tecnologia.
- Determinação do produto no modelo keynesiano
- O produto a curto prazo é determinado pelo lado da demanda efetiva agregada.
- Papel do Estado para os clássicos
- Intervenção mínima (laissez-faire); o governo deve apenas garantir direitos de propriedade e estabilidade monetária.
- Papel do Estado para os keynesianos
- Intervenção ativa com políticas fiscais e monetárias para estabilizar os ciclos econômicos e combater recessões.
- Flexibilidade de preços e salários (Clássicos)
- Preços e salários nominais são perfeitamente flexíveis, ajustando-se instantaneamente a qualquer desequilíbrio.
- Rigidez de preços e salários (Keynesianos)
- Salários e preços são rígidos ou viscosos para baixo devido a contratos, sindicatos e custos de menu.
- Desemprego involuntário no modelo clássico
- Inexistente a longo prazo; qualquer desemprego é voluntário ou friccional decorrente de salários acima do equilíbrio.
- Desemprego involuntário no modelo keynesiano
- Fenômeno comum gerado pela insuficiência crônica de demanda agregada na economia.
- Horizonte temporal prioritário (Clássicos)
- O longo prazo, onde as forças de mercado atingem o equilíbrio natural da economia.
- Horizonte temporal prioritário (Keynesianos)
- O curto prazo; sintetizado pela famosa frase de Keynes: no longo prazo todos estaremos mortos.
- Mercado de trabalho clássico
- O salário real equilibra a oferta e a demanda de trabalho, garantindo pleno emprego contínuo.
- Mercado de trabalho keynesiano
- O nível de emprego depende da produção demandada pelas empresas, não apenas da oferta de mão de obra a dado salário.
- Teoria Quantitativa da Moeda (Clássicos)
- A quantidade de moeda afeta apenas o nível de preços nominais, sem alterar variáveis reais da economia.
- Neutralidade da moeda (Clássicos)
- A moeda funciona apenas como meio de troca (véu monetário), sem impactar produto ou emprego no longo prazo.
- Não neutralidade da moeda (Keynesianos)
- No curto prazo, a política monetária afeta as taxas de juros, o investimento e o nível de emprego.
- Dicotomia clássica
- Separação teórica total entre variáveis reais (produto, emprego) e variáveis nominais (moeda, preços).
- Motivos para reter moeda segundo Keynes
- Transação, precaução e especulação.
- Demanda por moeda especulativa
- Preferencia por liquidez em resposta à incerteza futura sobre taxas de juros e preços de ativos.
- Determinação da taxa de juros (Clássicos)
- Fenômeno real determinado no mercado de fundos emprestáveis pelo equilíbrio entre poupança e investimento.
- Determinação da taxa de juros (Keynesianos)
- Fenômeno puramente monetário determinado pelo equilíbrio entre a oferta de moeda e a preferência pela liquidez.
- Comportamento da poupança (Clássicos)
- Função direta e positiva da taxa de juros; indivíduos poupam mais quando a taxa de juros sobe.
- Comportamento da poupança (Keynesianos)
- Função primordialmente da renda disponível; a taxa de juros exerce impacto secundário sobre poupar.
- Paradoxo da parcimônia (Keynes)
- Se todos tentam poupar mais em uma recessão, o consumo cai, a renda nacional encolhe e a poupança total diminui.
- Eficiência marginal do capital
- Conceito keynesiano de taxa de retorno esperada de um novo ativo de capital, comparada à taxa de juros de mercado.
- Espíritos animais (Animal Spirits)
- Otimismo ou pessimismo espontâneo dos empresários que gera volatilidade no investimento privado.
- Multiplicador keynesiano de gastos
- Mecanismo pelo qual um aumento nos gastos autônomos eleva a renda agregada em um montante proporcionalmente maior.
- Propensão marginal a consumir (PMgC)
- Fração de cada unidade adicional de renda que as famílias destinam ao consumo em vez da poupança.
- Eficácia da política fiscal (Clássicos)
- Ineficaz; gastos públicos elevados apenas deslocam investimento privado (efeito crowding-out) e geram inflação.
- Eficácia da política fiscal (Keynesianos)
- Altamente eficaz; principal instrumento para tirar a economia de uma recessão profunda.
- Efeito crowding-out (deslocamento)
- Fenômeno clássico onde o déficit público eleva os juros e reduz o investimento do setor privado.
- Armadilha da liquidez
- Situação keynesiana em que a taxa de juros é tão baixa que a política monetária perde a capacidade de estimular a demanda.
- Curva de oferta agregada clássica
- Completamente vertical no nível de produto potencial ou pleno emprego.
- Curva de oferta agregada keynesiana simples
- Horizontal (ou muito plana) abaixo do pleno emprego, indicando capacidade ociosa e preços rígidos.
- Causa da inflação no modelo clássico
- Crescimento excessivo da oferta de moeda acima da taxa de crescimento do produto real.
- Causas da inflação no modelo keynesiano
- Excesso de demanda agregada sobre a capacidade produtiva ou choques de custos (pressão salarial e matérias-primas).
- Orçamento público na visão clássica
- Deve ser estritamente equilibrado a cada ano para evitar desperdício de recursos e distorções financeiras.
- Orçamento público na visão keynesiana
- Deve ser funcional; aceita-se déficit durante crises para reativar a economia, compensado por superávits na expansão.
- Formação de expectativas no modelo clássico inicial
- Assume-se informação perfeita ou quase perfeita e capacidade de ajuste dos agentes aos sinais de preços.
- Incerteza fundamental keynesiana
- O futuro econômico é inerentemente imprevisível e não redutível a probabilidades matemáticas exatas.
- Sensibilidade do investimento aos juros (Clássicos)
- Muito alta; variações nos juros coordenam suavemente a alocação de capital entre presente e futuro.
- Sensibilidade do investimento aos juros (Keynesianos)
- Moderada a baixa em recessões profundas, já que o pessimismo empresarial anula o benefício de juros baixos.
- Choque de demanda positiva (Efeito clássico)
- Aumenta apenas o nível geral de preços, mantendo o produto real inalterado no pleno emprego.
- Choque de demanda positiva (Efeito keynesiano)
- Aumenta o nível de produção real e o emprego quando há capacidade ociosa instalada.
- Ilusão monetária
- Comportamento keynesiano em que trabalhadores reagem a mudanças no salário nominal, mesmo sem ganho real.
- Origem histórica da Teoria Geral de Keynes
- Surgida na década de 1930 como resposta à incapacidade do modelo clássico de explicar a Grande Depressão.
- Diferença central em uma frase
- O modelo clássico confia na capacidade do mercado livre de se autoajustar; o keynesiano exige gestão da demanda.