Psicologia do Envelhecimento
Estudo dos conceitos fundamentais da psicologia do desenvolvimento, neurobiologia e cognição aplicados ao envelhecimento. Destinado a estudantes e profissionais da área da saúde e psicologia.
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- Envelhecimento primário (senescência)
- Processo biológico universal, gradual e inevitável de declínio fisiológico programado geneticamente que ocorre com o avanço da idade.
- Envelhecimento secundário (senilidade)
- Declínio cognitivo ou funcional acelerado resultante de doenças, fatores ambientais prejudiciais e estilos de vida desfavoráveis.
- Reserva cognitiva
- Capacidade do cérebro de improvisar e encontrar formas alternativas de realizar tarefas funcionais frente ao dano cerebral ou ao envelhecimento.
- Plasticidade neural no idoso
- Capacidade contínua do cérebro de reorganizar conexões neurais em resposta a novas aprendizagens, estímulos ambientais ou reabilitação.
- Hipótese de compensação neural (CRUNCH)
- Modelo que prevê ativação cerebral adicional em tarefas fáceis para compensar déficits, que falha à medida que a demanda da tarefa aumenta.
- Modelo HAROLD
- Redução da assimetria hemisférica no córtex pré-frontal de idosos com bom desempenho cognitivo, usando ambos os hemisférios como compensação.
- Modelo PASA
- Padrão de ativação compensatória observada no envelhecimento caracterizado pela redução da atividade occipital e aumento da atividade frontal.
- Inteligência fluida (Gf)
- Habilidade de raciocínio abstrato, velocidade de processamento e solução de problemas inéditos; tende a declinar com o envelhecimento.
- Inteligência cristalizada (Gc)
- Conhecimento acumulado, habilidades verbais e sabedoria adquirida pela experiência cultural e educacional; permanece estável ou cresce.
- Velocidade de processamento mental
- Rapidez para executar operações cognitivas básicas; é uma das primeiras funções cognitivas a demonstrar declínio com a idade.
- Atenção seletiva no envelhecimento
- Capacidade de focar em estímulos relevantes ignorando distrações; torna-se mais vulnerável à interferência em adultos idosos.
- Atenção dividida
- Capacidade de gerenciar múltiplos fluxos de informação simultaneamente; sofre redução significativa em tarefas complexas com a idade.
- Memória de trabalho
- Sistema de armazenamento temporário e manipulação ativa de dados; sofre declínio devido a alterações funcionais no córtex pré-frontal.
- Memória episódica
- Recuperação de eventos pessoais contextualizados no tempo e espaço; altamente vulnerável ao envelhecimento e atrofia do hipocampo.
- Memória semântica
- Armazém de fatos gerais e conhecimentos sobre o mundo; tende a permanecer estável ou até se expandir em idosos saudáveis.
- Memória procedural (procedimental)
- Memória implícita para hábitos e habilidades motoras adquiridas; é altamente resistente à deterioração típica do envelhecimento.
- Memória prospectiva
- Capacidade de lembrar de executar ações planejadas no futuro; tarefas baseadas em tempo sofrem mais do que aquelas acionadas por pistas.
- Funções executivas
- Habilidades que incluem inibição, flexibilidade cognitiva e planejamento; mostram declínio associado à atrofia do lobo pré-frontal.
- Atrofia cerebral e ventrículos
- Redução do volume encefálico total e alargamento dos ventrículos cerebrais decorrentes da perda neuronal e degeneração dendrítica.
- Integridade da substância branca
- Declínio na conectividade das fibras mielinizadas cerebrais com a idade, contribuindo para o lentificamento do processamento cognitivo.
- Teoria do desengajamento
- Postula que o envelhecimento bem-sucedido envolve o afastamento natural mútuo e recíproco entre o indivíduo idoso e a sociedade.
- Teoria da atividade
- Afirma que o bem-estar no envelhecimento depende da manutenção contínua de papéis sociais, atividades e novos vínculos significativos.
- Teoria da seletividade socioemocional (Carstensen)
- Conforme a percepção de tempo restante diminui, os idosos priorizam metas emocionais significativas sobre novos conhecimentos.
- Efeito de positividade
- Tendência de adultos mais velhos de prestar mais atenção e lembrar melhor de estímulos emocionais positivos comparados aos negativos.
- Integridade do ego versus desespero (Erikson)
- Estágio final psicossocial em que o indivíduo avalia a própria vida buscando aceitação de sua trajetória sem arrependimentos excessivos.
- Teoria do curso de vida (Elder)
- Abordagem que analisa o envelhecimento integrado a trajetórias históricas, contexto social, eventos biográficos e agência individual.
- Modelo SOC (Baltes)
- Processo de adaptação ao envelhecimento via Seleção de metas prioritárias, Otimização de recursos e Compensação de perdas funcionais.
- Comprometimento Cognitivo Leve (CCL)
- Declínio cognitivo mensurável além do esperado para a idade, mas insuficiente para comprometer as atividades diárias instrumentais.
- Diferença entre demência e senescência
- A senescência envolve alterações graduais sem prejuízo na independência funcional, enquanto a demência causa perda progressiva de autonomia.
- Envelhecimento bem-sucedido (Rowe e Kahn)
- Construído sobre três eixos: baixa probabilidade de doenças e incapacidades, alta funcionalidade físico-cognitiva e engajamento ativo na vida.
- Teoria dos radicais livres (estresse oxidativo)
- Proposta biológica de que o dano celular cumulativo causado por espécies reativas de oxigênio acelera o declínio celular do envelhecimento.
- Encurtamento dos telômeros
- Perda gradual das extremidades dos cromossomos em cada divisão celular, determinando o limite replicativo (limite de Hayflick).
- Limite de Hayflick
- Número máximo finito de vezes que uma célula somática humana comum é capaz de se dividir antes de entrar em senescência replicativa.
- Neurogênese no cérebro adulto e idoso
- Geração continuada de novos neurônios identificada principalmente no giro denteado do hipocampo, estimulada por exercícios físicos.
- Controle inibitório no idoso
- Dificuldade aumentada em suprimir respostas automáticas ou irrelevantes, associada à redução funcional do córtex pré-frontal dorsolateral.
- Flexibilidade cognitiva no envelhecimento
- Capacidade de alternar eficientemente entre diferentes tarefas ou regras mentais, frequentemente reduzida em idades avançadas.
- Sabedoria segundo Paul Baltes
- Sistema especialista de conhecimento pragmático relativo ao significado, à condução e às incertezas fundamentais da vida humana.
- Dopamina e cognição no envelhecimento
- A perda gradual de receptores e vias dopaminérgicas estriatais e frontais correlaciona-se com déficits motores e lentidão cognitiva.
- Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF)
- Proteína essencial para plasticidade sináptica e neurogênese cuja concentração diminui na velhice, mas pode ser elevada por exercícios.
- Inflammaging
- Estado crônico, sistêmico e assintomático de inflamação de baixo grau associado ao envelhecimento que afeta a saúde neurovascular.
- Fenômeno da ponta da língua
- Falha episódica de recuperação léxica onde o idoso sabe o conceito, mas tem dificuldade temporária de acessar a forma fonológica da palavra.
- Idadismo (etarismo / ageísmo)
- Estereótipos, preconceitos e discriminações direcionados sistematicamente a indivíduos com base exclusivamente na sua idade avançada.
- Ameaça do estereótipo no idoso
- Impacto negativo direto no desempenho cognitivo causado pela ansiedade de confirmar mitos sobre o declínio de memória em idosos.
- Qualidade do sono e neurocognição
- Diminuição do sono de ondas lentas em idosos, afetando a depuração do sistema glinfático e a consolidação de memórias de longo prazo.
- Sistema glinfático e envelhecimento
- Sistema de limpeza cerebral que remove proteínas tóxicas (como beta-amiloide); perde eficiência durante a senescência natural.
- Hipocampo e vulnerabilidade etária
- Estrutura temporal medial crítica para memória episódica que exibe perda volumétrica progressiva acelerada mesmo no envelhecimento normal.
- Metacognição no envelhecimento
- Monitoramento e conhecimento sobre os próprios processos cognitivos; frequentemente preservada para compensar limitações de memória.
- Senescência celular
- Estado de parada proliferativa irreversível de células metabolicamente ativas que secretam fatores inflamatórios prejudiciais aos tecidos.
- Envelhecimento bem-sucedido vs. patológico
- O envelhecimento saudável preserva a autonomia biopsicossocial, enquanto o patológico é mediado por neurodegeneração e comorbidades.
- Engajamento social e cognição
- A manutenção de redes de suporte social estimulantes atua como fator protetor contra a atrofia cerebral e o declínio cognitivo.