Biopolítica
Conceitos fundamentais e teóricos da biopolítica, ideal para estudantes de sociologia e filosofia.
Cartões · 52
- Biopolítica
- Conjunto de tecnologias de poder voltadas à gestão, controle e regulação dos processos vitais da população. Teórico: Michel Foucault.
- Biopoder
- Forma moderna de poder que assume o controle sobre a vida biológica em dois polos: a anátomo-política e a biopolítica. Teórico: Michel Foucault.
- Anátomo-política do corpo
- Técnica disciplinar focada na adestração, otimização e vigilância do corpo individual como máquina produtiva. Teórico: Michel Foucault.
- Fazer viver e deixar morrer
- Fórmula do biopoder que inverte a soberania clássica, priorizando a manutenção da vida e abandonando os descartáveis à morte. Teórico: Michel Foucault.
- Fazer morrer e deixar viver
- Fórmula clássica do poder de soberania tradicional, baseado no direito de espada e confisco da vida pelo monarca. Teórico: Michel Foucault.
- População como problema biopolítico
- Entendimento da sociedade como espécie biológica dotada de natalidade, mortalidade, morbidade e fecundidade mensuráveis. Teórico: Michel Foucault.
- Governamentalidade
- Racionalidade e conjunto de práticas institucionais pelas quais a conduta humana e as populações são governadas. Teórico: Michel Foucault.
- Racismo de Estado
- Mecanismo biopolítico que fragmenta a população em raças para legitimar quem deve viver e quem pode ser eliminado. Teórico: Michel Foucault.
- Segurança, Território, População
- Evolução histórica que marca a passagem do Estado de soberania territorial para os dispositivos de segurança populacionais. Teórico: Michel Foucault.
- Sociedade de Controle
- Modelo pós-disciplinar onde a modulação contínua, redes digitais e vigilância aberta substituem o confinamento fechado. Teórico: Gilles Deleuze.
- Divíduo
- Sujeito fragmentado da sociedade de controle, desmembrado em dados, senhas, amostras estatísticas e fluxos de mercado. Teórico: Gilles Deleuze.
- Necropolítica
- Uso do poder político e militar para determinar quem importa e quem é descartável, gerando mundos de morte. Teórico: Achille Mbembe.
- Topografia da crueldade
- Espacialização da destruição de corpos por meio de cercamentos, postos de controle, campos e colônias periféricas. Teórico: Achille Mbembe.
- Mundos de morte
- Formas de existência política nas quais populações inteiras são submetidas a condições de vida que equivalem a mortos-vivos. Teórico: Achille Mbembe.
- Inimigo ficcional
- Criação discursiva de um 'outro' perigoso que legitima a agressão estatal e a suspensão dos direitos humanos. Teórico: Achille Mbembe.
- Homo Sacer
- Figura jurídica arcaica que pode ser morta por qualquer um sem que isso constitua homicídio nem sacrifício religioso. Teórico: Giorgio Agamben.
- Vida nua (Zoé)
- A simples vida biológica comum a todos os seres vivos, desprovida de qualquer qualificação política ou jurídica. Teórico: Giorgio Agamben.
- Vida qualificada (Bíos)
- Forma particular de vida vivida por um indivíduo ou grupo dotada de cidadania, direitos e inserção na polis. Teórico: Giorgio Agamben.
- Estado de exceção
- Suspensão temporária ou permanente da ordem jurídica pelo poder soberano, tornando a exceção a própria regra de governo. Teórico: Giorgio Agamben.
- O Campo como paradigma moderno
- Espaço concentracionário onde a lei é suspensa e a vida nua é diretamente produzida e administrada pelo Estado. Teórico: Giorgio Agamben.
- Bando soberano
- Relação de exclusão inclusiva em que a lei abandona o sujeito e, ao mesmo tempo, mantém-no submetido a ela. Teórico: Giorgio Agamben.
- Biopolítica afirmativa
- Projeto ontológico de transformação que busca emancipar a potência da vida em vez de subordiná-la aos aparatos de poder. Teórico: Roberto Esposito.
- Paradigma da imunização
- Lógica biopolítica que protege a vida introduzindo uma dose controlada de morte ou negação no próprio corpo social. Teórico: Roberto Esposito.
- Communitas
- Condição de partilha e obrigação mútua que une os sujeitos por uma falta ou dever recíproco e aberto. Teórico: Roberto Esposito.
- Immunitas
- Mecanismo de preservação que isenta o indivíduo do dever comum e o isola para blindá-lo contra o contágio social. Teórico: Roberto Esposito.
- Multidão
- Rede aberta e plural de singularidades produtivas capaz de agir em comum contra a dominação biopolítica imperial. Teóricos: Michael Hardt e Antonio Negri.
- Trabalho imaterial
- Produção econômica voltada à geração de afetos, conhecimentos, comunicação, símbolos e formas de vida. Teóricos: Michael Hardt e Antonio Negri.
- Império
- Nova ordem global descentralizada e supranacional que administra a vida humana através de redes biopolíticas globais. Teóricos: Michael Hardt e Antonio Negri.
- Biopotência
- Potencial criativo e coletivo da vida em resistir, autoproduzir-se e superar os dispositivos de controle do biopoder. Teóricos: Michael Hardt e Antonio Negri.
- Cidadania biológica
- Formulação de identidades, direitos e demandas políticas com base em diagnósticos genéticos ou condições de saúde. Teórico: Nikolas Rose.
- Biopolítica molecular
- Gestão contemporânea da vida no nível de células, genes e moléculas, possibilitando a reprogramação do corpo. Teórico: Nikolas Rose.
- O Si mesmo somático
- Compreensão de que a individualidade e a subjetividade modernas são articuladas primariamente através do corpo biológico. Teórico: Nikolas Rose.
- Etnopolítica
- Gestão de populações organizada a partir de divisões étnicas como critério de distribuição de recursos ou repressão. Teórico: Nikolas Rose.
- Farmacopornografia
- Regime capitalista avançado em que as indústrias farmacêutica e pornográfica controlam a produção do desejo e do gênero. Teórica: Paul B. Preciado.
- Micropróteses e tecnologias de gênero
- Uso de hormônios sintéticos, próteses e biotecnologias para criar e modificar materialmente a identidade sexual. Teórica: Paul B. Preciado.
- Biossociabilidade
- Criação de novos laços sociais e identidades coletivas organizadas em torno de marcadores biológicos e diagnósticos. Teórico: Paul Rabinow.
- Cultura da vitalidade
- Imperativo contemporâneo que exige otimização física, longevidade produtiva e autocuidado biológico permanente. Teórico: Paul Rabinow.
- Thanatopolítica
- Vertente destrutiva da biopolítica que converte a proteção da vida de uma raça ou classe no extermínio de outras. Teóricos: Giorgio Agamben e Roberto Esposito.
- Economia dos corpos
- Subordinação da matéria viva aos ciclos de valorização e extração contínua da mais-valia no capitalismo tardio. Teórico: Michel Foucault.
- Pastorado moderno
- Transposição da técnica religiosa de condução das almas para o governo administrativo e assistencial do Estado. Teórico: Michel Foucault.
- Segurança preventiva
- Dispositivos que calculam probabilidades e riscos futuros para intervir antecipadamente no comportamento coletivo. Teórico: Michel Foucault.
- Corpo dócil
- Corpo que foi submetido, utilizado, transformado e aperfeiçoado pelas disciplinas para se tornar economicamente útil. Teórico: Michel Foucault.
- Genealogia do biopoder
- Método histórico que rastreia como as práticas médicas e jurídicas emergiram para construir o sujeito moderno. Teórico: Michel Foucault.
- Resistência biopolítica
- Ação em que a própria vida e suas necessidades básicas tornam-se a arma e o alvo de luta contra a dominação. Teórico: Michel Foucault.
- Necrocapitalismo
- Prática capitalista contemporânea centrada na extração de lucros a partir da destruição, da guerra e da morte. Teórico: Subhabrata Bobby Banerjee.
- Subjetividade neoliberal
- Configuração na qual o indivíduo é compelido a gerir sua saúde, habilidades e vida como um empresário de si mesmo. Teórico: Michel Foucault.
- Heterotopia
- Espaços reais e diferenciados que funcionam como contra-espaços institucionais, espelhando ou isolando a sociedade. Teórico: Michel Foucault.
- Capital biológico
- Transformação do material genético, tecidos humanos e funções reprodutivas em mercadorias comerciáveis globais. Teórica: Catherine Waldby.
- Guerra biopolítica
- Conflito militar travado não mais para defender o soberano, mas para preservar a sobrevivência biológica de uma nação. Teórico: Michel Foucault.
- Zoopolítica
- Extensão crítica da reflexão biopolítica para abranger as vidas não-humanas exploradas pelas estruturas do capital. Teóricos: Rosi Braidotti e Matthew Calarco.
- Polícia médica
- Conjunto histórico de medidas de higiene pública instituídas pelo Estado para manter a salubridade da força de trabalho. Teórico: Michel Foucault.
- Tanatocracia
- Regime político cujo domínio absoluto repousa na administração do extermínio em massa e armamento letal. Teórico: Achille Mbembe.