Fadiga Neural
Estudo dos conceitos e mecanismos fisiológicos da fadiga neural, direcionado a estudantes de medicina e biologia.
Cartões · 52
- Fadiga neural central
- Redução progressiva da capacidade do sistema nervoso central em enviar estímulos excitatórios suficientes aos motoneurônios alfa.
- Drive neural
- Magnitude e taxa de disparo dos impulsos elétricos enviados pelo córtex motor e medula espinhal para ativar as fibras musculares.
- Déficit de ativação voluntária
- Incapacidade de recrutar voluntariamente todas as unidades motoras ou de fazê-las disparar em suas frequências máximas.
- Papel da serotonina (5-HT)
- Níveis cerebrais elevados durante esforço prolongado promovem sensação de letargia, sonolência e redução da motivação motora.
- Razão triptofano livre para BCAA
- A queda de BCAA plasmático facilita a entrada de triptofano no cérebro via transportador LAT1, aumentando a síntese de serotonina.
- Papel da dopamina central
- Neurotransmissor associado à motivação e tolerância ao esforço; seu declínio cerebral acentua a fadiga e reduz o drive motor.
- Aferentes musculares tipo III e IV
- Neurônios sensoriais sensíveis a estímulos químicos e mecânicos que enviam feedback inibitório à medula e ao córtex motor.
- Metabólitos estimulantes de aferentes III/IV
- Acúmulo intramuscular de íons H+, lactato, bradicinina e ATP extracelular que despolarizam essas terminações nervosas livres.
- Inibição motoneuronal espinhal
- Mecanismo reflexo mediado por interneurônios inibitórios que hiperpolarizam motoneurônios alfa em resposta a estresse periférico.
- Células de Renshaw
- Interneurônios inibitórios que realizam inibição recorrente, limitando a frequência de disparo contínua dos motoneurônios.
- Inibição recorrente
- Mecanismo de retroalimentação negativa onde o motoneurônio excita a célula de Renshaw, que por sua vez inibe o próprio neurônio.
- Depleção de neurotransmissores na placa motora
- Redução temporária no estoque de vesículas de acetilcolina no terminal pré-sináptico sob estimulação de alta frequência repetitiva.
- Fadiga de transmissão neuromuscular
- Falha na propagação do potencial de ação através da fenda sináptica para o sarcolema devido à dessensibilização de receptores.
- Dessensibilização dos receptores nicotínicos
- Inativação conformacional temporária dos canais de ACh na membrana pós-sináptica após exposição prolongada ao neurotransmissor.
- Esgotimento de glicogênio cortical
- Queda local de substrato energético nos astrócitos e neurônios corticais, limitando a regeneração de ATP para sinapses.
- Acúmulo de amônia cerebral
- Produção excessiva pelo catabolismo proteico/AMP que altera o metabolismo de glutamato e GABA, deprimindo a função neuronal.
- Equilíbrio excitatório/inibitório (Glutamato vs GABA)
- Desbalanceamento progressivo em direção ao tônus gabaérgico inibitório no córtex motor primário ao longo do esforço exaustivo.
- Hipertermia cerebral
- Aumento da temperatura do núcleo cerebral que desestabiliza a função de membranas neuronais e induz fadiga antecipatória.
- Córtex cingulado anterior
- Estrutura límbica responsável pelo processamento do esforço percebido, dor e decisão de desengajamento da tarefa motora.
- Córtex pré-frontal e fadiga
- Área de controle executivo cuja sobrecarga metabólica diminui a persistência motora e a tolerância ao desconforto físico.
- Córtex insular
- Integra sinais interoceptivos de acidose, temperatura e dor muscular para gerar a percepção subjetiva de fadiga extrema.
- Fadiga supraspinal
- Componente da fadiga central originado especificamente em estruturas cerebrais acima do forame magno, reduzindo o comando motor.
- Fadiga espinhal
- Mecanismos intrínsecos à medula espinhal que diminuem a excitabilidade motoneuronal e a frequência máxima de disparo.
- Técnica de interpolação de abalo (Twitch Interpolation)
- Aplicação de estímulo elétrico sobreposto à contração voluntária máxima para quantificar a perda de ativação neural central.
- Estimulação magnética transcraniana (TMS)
- Método que dispara pulsos no córtex motor para avaliar o período de silêncio cortical e o estado da excitabilidade neural.
- Período de silêncio cortical prolongado
- Aumento do tempo de pausa na atividade EMG após estimulação transcraniana, refletindo maior inibição intracortical via GABA-B.
- Potencial evocado motor (MEP)
- Amplitude da resposta muscular a um pulso cortical; sua redução durante o esforço indica fadiga do trato corticoespinhal.
- Reflexo de Hoffman (Reflexo H)
- Medida elétrica que avalia a excitabilidade dos motoneurônios monossinápticos na medula sem interferência de fusos neuromusculares.
- Depressão do Reflexo H
- Diminuição da excitabilidade da piscina de motoneurônios espinhais observada após contrações musculares intensas e sustentadas.
- Onda F
- Resposta motora antidrômica que permite mensurar a excitabilidade intrínseca da membrana do corpo do motoneurônio espinhal.
- Fadiga de fuso neuromuscular (aferentes Ia)
- Diminuição do feedback facilitatório reflexo vindo dos fusos musculares em razão da fadiga das fibras intrafusais.
- Inibição pré-sináptica de fibras Ia
- Modulação espinhal que reduz a liberação de neurotransmissor nas sinapses com motoneurônios alfa, diminuindo o ganho reflexo.
- Órgão tendinoso de Golgi (fibras Ib)
- Receptores sensoriais que disparam em alta tensão muscular ativando interneurônios inibitórios para proteção musculoesquelética.
- Inativação de canais de sódio voltagem-dependentes
- Despolarização prolongada do axônio que impede a reabertura de canais de Na+, elevando o limiar de disparo elétrico.
- Acúmulo extracelular de potássio axonal
- Disparos repetitivos rápidos sobrecarregam a bomba Na+/K+, despolarizando a membrana axonal e bloqueando a condução.
- Bomba Na+/K+ ATPase axonal
- Enzima essencial para restaurar gradientes iônicos no axônio; seu esgotamento cinético contribui para o bloqueio de condução.
- Fadiga da junção neuromuscular pós-sináptica
- Redução na amplitude dos potenciais de placa terminal devido à alteração no tempo de abertura dos receptores colinérgicos.
- Sincronização de unidades motoras
- Tentativa do SNC de compensar a redução da taxa de disparo agrupando descargas para sustentar a força exercida.
- Princípio do tamanho de Henneman na fadiga
- Conforme unidades motoras menores fatigam, o drive neural precisa aumentar para recrutar unidades motoras maiores (tipo II).
- Rotação de unidades motoras
- Alternância fisiológica de ativação entre diferentes unidades motoras para postergar a fadiga em esforços submáximos.
- Acúmulo de citocinas inflamatórias centrais
- Elevação de IL-6 e TNF-alfa no cérebro pós-exercício exaustivo, modulando neurotransmissores e reduzindo o vigor motor.
- Papel do feedback proprioceptivo
- Aferências periféricas informam o estado mecânico muscular; quando desreguladas pela fadiga, degradam o controle motor fino.
- Modulação noradrenérgica
- A noradrenalina mantém o estado de alerta e o ganho motoneuronal; sua queda relativa em relação à serotonina induz fadiga.
- Papel da adenosina cerebral
- Acúmulo resultante da degradação de ATP neuronal que age em receptores A1 e A2A inibindo a liberação de dopamina e glutamato.
- Mecanismo da cafeína contra fadiga neural
- Antagonismo competitivo dos receptores de adenosina no SNC, preservando a liberação de dopamina e sustentando o drive motor.
- Inibição inter-hemisférica motora
- Comunicação via corpo caloso onde o córtex fatigado envia sinais inibitórios ao hemisfério contralateral, reduzindo o rendimento.
- Fadiga mental e desempenho neuromuscular
- Atividade cognitiva prévia prolongada acumula adenosina no córtex cingulado anterior, elevando o esforço percebido motor.
- Correntes persistentes para dentro (PICs)
- Correntes iônicas amplificadoras de Ca2+ e Na+ no dendrito do motoneurônio que se reduzem com o declínio monoaminérgico na fadiga.
- Desfacilitação motoneuronal
- Perda do influxo excitatório contínuo mediado por serotonina e noradrenalina vindas do tronco encefálico para os motoneurônios.
- Fadiga de baixa frequência (periférica x neural)
- Diferente da fadiga neural, resulta de falha no acoplamento excitação-contração muscular por dano na liberação de Ca2+ pelo retículo.
- Bloqueio de condução de ponto de ramificação
- Falha na propagação do potencial de ação nas bifurcações axonais terminais distais antes de atingir as fibras musculares.
- Tempo de recuperação da fadiga central
- Geralmente se recupera em minutos a poucas horas, mas esforços ultraextremos podem estender a depressão neural por dias.