Fármacos Cardiovasculares Veterinários
Este conjunto de flashcards aborda os principais fármacos cardiovasculares veterinários, detalhando suas classes farmacológicas e mecanismos de ação. Destina-se a estudantes e profissionais de medicina veterinária.
Cartões · 51
- Pimobendan - Classe farmacológica
- Inodilatador (agente inotrópico positivo e vasodilatador misto).
- Pimobendan - Mecanismo de ação
- Sensibiliza os miofilamentos ao cálcio (aumenta contratilidade sem gastar mais ATP) e inibe a fosfodiesterase III (promove vasodilatação arterial e venosa).
- Furosemida - Classe farmacológica
- Diurético de alça.
- Furosemida - Mecanismo de ação
- Inibe o cotransportador Na+/K+/2Cl- no ramo ascendente espesso da alça de Henle, impedindo a reabsorção desses íons e aumentando a excreção de água.
- Torsemida - Classe farmacológica
- Diurético de alça (derivado da sulfonilureia).
- Torsemida - Mecanismo de ação
- Bloqueia o cotransportador Na+/K+/2Cl- na alça de Henle com maior biodisponibilidade e meia-vida que a furosemida, além de efeito antifibrótico miocárdico.
- Espironolactona - Classe farmacológica
- Diurético poupador de potássio (antagonista dos receptores de mineralocorticoides/aldosterona).
- Espironolactona - Mecanismo de ação
- Bloqueia competitivamente os receptores de aldosterona no ducto coletor, reduzindo reabsorção de Na+ e água, poupando K+ e atenuando remodelamento cardíaco.
- Enalapril - Classe farmacológica
- Inibidor da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA).
- Enalapril - Mecanismo de ação
- Pró-fármaco ativado a enalaprilato, que inibe a ECA, impedindo a formação de angiotensina II e a degradação da bradicinina, gerando vasodilatação.
- Benazepril - Classe farmacológica
- Inibidor da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA).
- Benazepril - Mecanismo de ação
- Hidrolisado a benazeprilato, inibe competitivamente a ECA, suprimindo o sistema renina-angiotensina-aldosterona com excreção mista (biliar e renal).
- Pimobendan - Efeito nos miofilamentos
- Aumenta a afinidade da troponina C pelos íons cálcio já presentes no citoplasma durante a sístole.
- Pimobendan - Efeito da inibição da PDE-3
- Aumenta AMPc nas células musculares lisas vasculares, resultando em relaxamento muscular e vasodilatação sistêmica e pulmonar.
- Pimobendan - Impacto hemodinâmico
- Aumenta o débito cardíaco por elevação do inotropismo com redução simultânea da pré-carga e da pós-carga.
- Pimobendan - Consumo miocárdico de oxigênio
- Aumenta a contratilidade com menor consumo de oxigênio em comparação a agentes adrenérgicos tradicionais.
- Pimobendan - Indicação clássica em cães
- Tratamento da insuficiência cardíaca congestiva secundária à doença valvar degenerativa de mitral ou miocardiopatia dilatada.
- Furosemida - Local anatômico de ação
- Segmento medular e cortical do ramo ascendente espesso da alça de Henle no néfron.
- Furosemida - Efeito na excreção de eletrólitos
- Promove natriurese, calciúria, magnesiúria e perda de potássio e cloreto pela urina.
- Furosemida - Ação vascular inicial
- Promove venodilatação pulmonar precoce mediada pela estimulação da síntese de prostaglandinas antes do pico diurético.
- Furosemida - Consequência metabólica do uso crônico
- Pode induzir alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalemia se não for monitorada.
- Furosemida - Efeito sobre o sistema RAA
- Estimula a liberação reflexa de renina devido à depleção de volume e bloqueio de cloreto na mácula densa.
- Torsemida - Comparação de potência com Furosemida
- Aproximadamente 10 a 20 vezes mais potente miligrama por miligrama em comparação direta com a furosemida.
- Torsemida - Duração do efeito diurético
- Ação mais prolongada e previsível (cerca de 12 horas) que a furosemida, com menor flutuação de natriurese.
- Torsemida - Efeito sobre o receptor de aldosterona
- Apresenta propriedades antialdosterônicas adicionais, inibindo o remodelamento fibrótico cardiovascular.
- Torsemida - Biodisponibilidade oral
- Alta biodisponibilidade (superior a 80%), mantendo absorção estável mesmo na presença de congestão intestinal.
- Espironolactona - Alvo celular
- Receptores intracelulares de mineralocorticoides nas células principais do túbulo contorcido distal e ducto coletor.
- Espironolactona - Efeito sobre os canais ENaC
- Previne a translocação e abertura de canais epiteliais de sódio (ENaC), bloqueando a reabsorção de sódio.
- Espironolactona - Potência diurética natriurética
- Baixa eficácia natriurética isolada (reabsorve menos de 2-3% da carga filtrada de sódio no néfron).
- Espironolactona - Papel no remodelamento cardíaco
- Inibe a síntese de colágeno e a proliferação de fibroblastos miocárdicos mediada pela aldosterona patológica.
- Espironolactona - Efeito sobre os níveis de potássio
- Reduz a secreção de K+ e H+ para o lúmen tubular, podendo levar à hipercalemia como efeito adverso.
- Espironolactona - Metabolito ativo principal
- Canrenona (e canrenoato), responsável por grande parte da sua atividade biológica de longa duração.
- Enalapril - Conversão hepática
- Atua como pró-fármaco hidrofílico hidrolisado por esterases hepáticas em sua forma ativa, o enalaprilato.
- Enalapril - Efeito sobre a pós-carga
- Reduz a resistência vascular periférica sistêmica pela inibição da síntese da potente vasoconstritora angiotensina II.
- Enalapril - Efeito sobre a pré-carga
- Diminui a retenção hidrossalina ao reduzir a secreção adrenal de aldosterona estimulada pela angiotensina II.
- Enalapril - Efeito na hemodinâmica glomerular
- Promove vasodilatação preferencial da arteríola eferente, reduzindo a pressão intraglomerular de filtração.
- Enalapril - Vias de eliminação
- Eliminação predominantemente renal (exige ajuste de dose ou cuidado rigoroso na insuficiência renal).
- Benazepril - Conversão e ativação
- Convertido por clivagem hepática de ésteres em benazeprilato, metabólito ativo e inibidor potente da ECA.
- Benazepril - Vantagem na insuficiência renal
- Apresenta excreção dual equilibrada (biliar/fecal e renal), acumulando-se menos na uremia que o enalapril.
- Benazepril - Efeito sobre a proteinúria renal
- Diminui a perda proteica urinária ao diminuir a hipertensão intraglomerular e preservar podócitos.
- Benazepril - Efeito sobre bradicinina
- Impede a quebra de bradicininas (cininase II), elevando óxido nítrico e prostaciclinas vasodilatadoras.
- Associação de Diuréticos de Alça com IECA
- O diurético drena o excesso de volume e o IECA previne a ativação neuro-hormonal excessiva provocada pela perda volêmica.
- Associação Furosemida + Espironolactona
- Bloqueio sequencial do néfron com efeito sinérgico na diurese e preservação mútua dos níveis séricos de potássio.
- Pimobendan associado a IECA
- Sinergia vasodilatadora mista com aumento da força inotrópica e bloqueio da remodelação tecidual patológica.
- Risco de hipotensão: Vasodilatadores e Diuréticos
- A combinação de inodilatadores ou IECAs com diuréticos potentes exige monitoramento de pressão arterial e azotemia.
- Diferença principal: Enalapril vs. Benazepril
- O enalaprilato é excretado quase unicamente pelos rins; o benazeprilato possui rota de eliminação hepato-biliar substancial.
- Diferença principal: Furosemida vs. Espironolactona
- Furosemida atua na alça de Henle com grande perda de K+; espironolactona atua no ducto coletor poupando K+.
- Diferença principal: Inotrópicos puros vs. Pimobendan
- Inotrópicos puros aumentam cálcio intracelular livre; o pimobendan sensibiliza miofibrilas ao cálcio sem sobrecarga iônica.
- Efeito de escape da aldosterona com IECA
- Fenômeno crônico em que vias alternativas produzem aldosterona, justificando o uso concomitante de espironolactona.
- Monitoramento laboratorial essencial para IECAs
- Creatinina sérica, ureia e dosagem de eletrólitos (principalmente potássio) no início do protocolo terapêutico.
- Sinal clássico de intoxicação/sobredose por diuréticos
- Desidratação grave, hemoconcentração, azotemia pré-renal, hipotensão e distúrbios eletrolíticos agudos.