Filosofia da Linguagem: Wittgenstein e Rousseau

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Estudo dos conceitos fundamentais da filosofia da linguagem a partir das obras de Wittgenstein e Rousseau.

50 cartões Português Nível: Ensino superior Filosofia Publicado
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Origem da linguagem segundo Rousseau
Nasceu das paixões humanas, como o amor e a piedade, e não de meras necessidades racionais ou utilitárias de sobrevivência.
A metáfora do 'grito da natureza' em Rousseau
Expressão sonora pura e espontânea do homem primitivo diante da dor intensa ou perigo súbito, anterior à articulação verbal.
Linguagem e desigualdade em Rousseau
A formalização da língua permitiu a codificação da propriedade privada e o estabelecimento de leis que legitimaram hierarquias sociais.
Passagem da melodia ao discurso em Rousseau
Línguas do Sul nasceram poéticas e cantadas ao redor de fontes d'água; línguas do Norte tornaram-se ásperas pela labuta sob o frio.
A voz das paixões em Rousseau (Citação)
Não se começou por raciocinar, mas por sentir; as primeiras falas foram cantos inflamados de desejo e compaixão.
Corrupção da linguagem em Rousseau
Na sociedade civil sofisticada, a palavra perde a autenticidade emotiva e torna-se mero instrumento de lisonja e dissimulação.
Primeiro Wittgenstein: Teoria Pictórica do Significado
Uma proposição funciona como uma maquete de acidente automobilístico: ela figura e espelha a disposição espacial dos fatos no mundo.
Limites do mundo no Tractatus (Citação)
Os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo; o que não posso formular factualmente escapa ao cognoscível.
Sobre o que não se pode falar (Citação Tractatus)
Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar. Questões metafísicas, éticas e estéticas fogem à descrição factual.
O Místico no primeiro Wittgenstein
O sentido da vida e os valores éticos não são fatos científicos observáveis dentro do mundo; eles apenas se mostram externamente.
Isomorfismo lógico no Tractatus
Assim como o disco de vinil compartilha a mesma forma lógica sinuosa que a melodia original, a frase partilha a forma do fato.
Segundo Wittgenstein: Jogos de Linguagem
Fazer trocadilhos, orar, dar comandos em um canteiro de obras ou traduzir poesias são atividades regidas por regras distintas.
Significado como Uso nas Investigações Filosóficas
O significado de uma palavra como martelo não é uma ideia abstrata na mente, mas o modo como ela é empregada na prática social.
Exemplo do Construtor de Wittgenstein
O mestre de obras grita tijolo e o ajudante traz o objeto correto; o sentido da palavra se cumpre inteiramente na ação coordenada.
Formas de Vida (Lebensformen) em Wittgenstein
Dizer uma língua é parte indissociável de um modo comunitário de viver; se um leão pudesse falar a nossa língua, não o entenderíamos.
Semelhança de Família (Familienähnlichkeit)
Não há uma essência única compartilhada por futebol, xadrez e cartas; eles se conectam por uma rede de semelhanças que se cruzam.
Argumento contra a Linguagem Privada
Uma pessoa solitária numa ilha deserta não pode inventar um diário com sensações internas puras sem critérios públicos de correção.
O Besouro na Caixa (Wittgenstein)
Se cada um tem uma caixa com algo chamado besouro invisível aos outros, o objeto real é irrelevante para o funcionamento do termo.
Terapia filosófica em Wittgenstein
A filosofia não constrói teorias empíricas; ela dissolve confusões conceituais causadas pelas armadilhas da própria gramática.
A mosca e a garrafa (Wittgenstein)
O objetivo legítimo do filósofo é mostrar à mosca desorientada a saída correta da garrafa de vidro em que se prendeu.
Rousseau e a Linguagem dos Gestos
Os gestos bastavam para atender as necessidades físicas imediatas, como apontar um fruto; a voz tornou-se vital para despertar afeto.
Rousseau: Ensaio sobre a Origem das Línguas
Obra em que defende que a escrita linear enfraqueceu a força melódica e a expressividade passional da voz humana viva.
A Escrita como Suplemento Perigoso em Rousseau
A escrita pretende suprir a ausência da fala presencial, mas cristaliza e desvitaliza a sinceridade da entonação emocional.
Crítica de Wittgenstein a Santo Agostinho
Rejeita a ideia de que aprender a falar consiste apenas em um adulto apontar para uma mesa e batizá-la com um substantivo.
Rousseau versus Hobbes sobre a Fala Humana
A fala não foi criada por um cálculo egoísta de proteção jurídica, mas pelo impulso inato da compaixão diante da dor do outro.
A metáfora da caixa de ferramentas de Wittgenstein
As palavras funcionam como alicates, colas e réguas: desempenham funções infinitamente variadas conforme o contexto e a tarefa.
Regra e Obediência Cega em Wittgenstein
Ao seguir uma placa de trânsito que indica virar à direita, sigo o costume social de modo direto, sem calcular teoremas mentais.
Gramática Filosófica (Wittgenstein)
As regras silenciosas que determinam o que faz sentido dizer; perguntar a cor do número cinco é um erro de categoria gramatical.
A ilusão do 'Eu' Cartesiano para o segundo Wittgenstein
Dizer 'sinto dor' não é relatar a posse de um objeto invisível na alma, mas um substituto sofisticado e verbal para o grito de dor.
Rousseau: A primeira linguagem foi figurada
Ao ver outro ser humano pela primeira vez, o homem primitivo exclamou 'gigante', expressando o medo que sentia, não a altura real.
O silêncio do Tractatus vs o balbucio passional de Rousseau
Enquanto Wittgenstein prescreveu calar o que não é lógico, Rousseau via na exclamação pré-lógica a essência máxima da humanidade.
Certeza prática e Fundacionismo em Wittgenstein (Sobre a Certeza)
Não duvidamos que a Terra existia antes do nosso nascimento; essa certeza opera como as dobradiças imóveis em que a porta gira.
Convenção versus Expressão Natural em Rousseau
As regras linguísticas formais da academia esterilizam a eloquência que antes brotava naturalmente da alma livre do selvagem.
O papel do contexto nos Jogos de Linguagem
A exclamação 'Água!' pode ser um pedido desesperado de sede, uma ordem de combate a um incêndio ou um teste químico laboratorial.
Crítica de Wittgenstein ao essencialismo socrático
Não devemos procurar uma definição única e absoluta para 'justiça' ou 'conhecimento', mas mapear os modos como a palavra atua.
Rousseau: A degeneração fonética das línguas modernas
Línguas contemporâneas perderam acentos tônicos e cadências musicais, tornando-se monocórdicas, burocráticas e frias.
A linguagem como cidade antiga em Wittgenstein
Um labirinto com ruelas velhas e tortuosas entrelaçadas a novos bairros planejados, refletindo o crescimento histórico humano.
Rousseau e o paradoxo da convenção original
Para criar uma sociedade civil por convenção foi necessária a fala; mas para inventar a fala já seria necessária uma sociedade.
Wittgenstein: Os limites da explicação
Ao responder por que aplico uma regra de certo modo, minhas razões logo se esgotam e sou levado a dizer: é assim que ajo.
Rousseau: A ilusão da clareza científica moderna
A exatidão da prosa científica moderna silenciou a empatia moral ao transformar relações humanas em equações desprovidas de afeto.
Wittgenstein: A imagem que nos mantinha prisioneiros
A crença de que cada palavra precisa obrigatoriamente nomear um objeto concreto nos aprisiona em falsos enigmas filosóficos.
O 'Aimez-moi' das fontes de água de Rousseau
Nas margens dos rios primitivos, olhares e sentimentos deram origem às primeiras palavras articuladas: 'ame-me' precedeu 'ajude-me'.
A dor alheia sob a ótica de Wittgenstein
Minha certeza sobre a dor de alguém chorando decorre de uma reação humana fundamental imediata, não de um cálculo dedutivo formal.
Rousseau e a decadência da oratória política
Antigos oradores mobilizavam praças públicas inteiras com a voz viva; nos parlamentos modernos apenas se leem relatórios técnicos.
Wittgenstein: Filosofia como clareza visual
O trabalho filosófico consiste em organizar dados que já estão patentes diante dos nossos olhos, e não em desenterrar fatos novos.
O canto e a prosódia na visão de Rousseau
Na infância da civilização, cantar e falar eram a mesma atividade; a separação entre poesia e prosa enfraqueceu a comunicação.
Visão de aspecto (Pato-Coelho de Wittgenstein)
Ao alternar entre ver um pato ou um coelho na mesma gravura, a informação ótica não muda, apenas a nossa interpretação conceitual.
O problema do solipsismo no Tractatus
O sujeito pensante não é um constituinte material do mundo, mas o seu limite transcendente, tal como o olho não enxerga a si mesmo.
Rousseau: Piedade como raiz do diálogo
Identificar-se com o sofrimento alheio é a centelha moral que instiga os homens a estabelecerem vínculos linguísticos duradouros.
Wittgenstein: Significado e treinamento prático
Uma criança aprende a utilizar números resolvendo sequências práticas sob supervisão, e não absorvendo uma definição mística pura.

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