Filosofia e Sociologia

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Estudo de conceitos fundamentais de sociologia e filosofia voltados para o ENEM e o ensino médio. Cobre temas como o mundo do trabalho, indústria cultural e movimentos sociais.

50 cartões Português Nível: Ensino fundamental e médio Sociologia Publicado
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Uberização do trabalho
Modelo flexível mediado por apps; transfere custos e riscos ao trabalhador sob a ilusão de autonomia. Pegadinha: não gera emancipação, e sim precarização e perda de direitos da CLT.
Precarização do trabalho contemporâneo
Instabilidade, jornadas extenuantes, ausência de seguridade social e terceirização ampla. No ENEM: associada à perda do padrão fordista e ao avanço do neoliberalismo produtivo.
Empreendedorismo de si mesmo (Dardot e Laval)
Subjetividade neoliberal onde o trabalhador se vê como microempresa autogerida. Pegadinha: mascara a exploração ao culpar o próprio indivíduo pelo fracasso econômico.
Trabalho intermitente
Prestação de serviço não contínua, com alternância de períodos de trabalho e inatividade. No ENEM: símbolo da desregulamentação trabalhista e instabilidade de renda.
Algoritmização do trabalho
Gestão e vigilância da produtividade exercidas por plataformas digitais sem contato humano. Gera controle disciplinar invisível e punições automáticas.
Indústria Cultural (Adorno e Horkheimer)
Mercantilização dos bens artísticos para consumo em massa, gerando alienação e passividade crítica. Gatilho ENEM: padronização cultural a serviço do capitalismo.
Diferença entre Cultura Popular e Indústria Cultural
Cultura popular brota espontaneamente do povo; a indústria cultural é padronizada de cima para baixo por corporações para visar lucro e apaziguamento social.
Diferença entre Cultura de Massa e Indústria Cultural
Cultura de massa sugere erroneamente origem no povo; os frankfurtianos criaram 'Indústria Cultural' para enfatizar que a produção é industrial e alienante.
Semiformação (Halbbildung)
Consumo superficial de cultura e informação que impede a reflexão emancipatória profunda. No ENEM: relaciona-se a fake news e consumo rápido em redes digitais.
Razão Instrumental (Escola de Frankfurt)
Uso da ciência e técnica apenas como cálculo de eficiência e dominação da natureza e do homem, ignorando valores éticos e emancipação humana.
Movimentos Sociais: definição sociológica
Ações coletivas organizadas que visam à transformação ou preservação de direitos e estruturas sociais por meio de confronto político e debate público.
Cidadania em T. H. Marshall
Conquista progressiva de direitos civis (século XVIII), políticos (século XIX) e sociais (século XX). Pegadinha: no Brasil a ordem histórica não seguiu essa sequência linear.
Feminismo Interseccional (Kimberlé Crenshaw / Akotirene)
Análise conjunta de como gênero, raça, classe e sexualidade se cruzam para produzir vulnerabilidades e opressões específicas. Tema frequente em redação e humanas.
Racismo Estrutural (Silvio Almeida)
O racismo não é desvio individual, mas elemento fundante das instituições, leis e economia. No ENEM: refuta o mito da democracia racial brasileira.
Mito da Democracia Racial (crítica de Florestan Fernandes)
Ilusão de harmonia entre raças no Brasil que oculta a exclusão socioeconômica dos negros após a abolição sem políticas integradoras.
Movimento LGBTQIA+ e Cidadania
Luta pelo direito à existência, igualdade civil (casamento, adoção) e criminalização da discriminação. No ENEM: foco na despatologização e dignidade humana.
Novos Movimentos Sociais vs. Tradicionais
Tradicionais focavam na classe e produção econômica (sindicatos); os novos focam em identidade, cultura, meio ambiente e reconhecimento de minorias.
Ações Afirmativas
Políticas públicas reparatórias e temporárias para corrigir desigualdades históricas, como as cotas raciais. Pegadinha: visam à igualdade material, não formal.
Contratualismo: definição geral
Corrente filosófica que explica a passagem do Estado de Natureza para a Sociedade Civil por meio de um pacto ou contrato social fundador do poder político.
Thomas Hobbes: Estado de Natureza
Guerra de todos contra todos ('o homem é o lobo do homem'); medo constante da morte violenta devido à ausência de uma autoridade soberana comum.
Thomas Hobbes: O Contrato e o Estado
Renúncia da liberdade individual em favor do Leviatã, soberano com poder absoluto que garante paz e segurança. O soberano não pode ser deposto facilmente.
John Locke: Estado de Natureza
Estado de relativa paz governado pela lei natural da razão, mas inseguro por falta de um juiz imparcial para proteger os direitos individuais preexistentes.
John Locke: Direitos Naturais e Função do Estado
Vida, liberdade e propriedade privada. O Estado surge apenas como garantidor desses direitos; se governante falhar, cabe direito de rebelião ao povo.
Jean-Jacques Rousseau: Estado de Natureza
O ser humano nasce livre, pacífico e bom (o bom selvagem), mas é corrompido pelo surgimento da propriedade privada, geradora de desigualdade.
Jean-Jacques Rousseau: Vontade Geral e Soberania
O pacto legítimo deve fundar a Vontade Geral, que busca o bem comum acima dos interesses particulares. Soberania pertence ao povo e é inalienável.
Comparação Contratualista: Origem da Propriedade Privada
Locke: direito natural anterior ao Estado (fruto do trabalho). Hobbes e Rousseau: fruto de convenções sociais; para Rousseau, origem da desigualdade.
Filosofia Pré-Socrática: Foco principal
Cosmologia e busca pelo princípio primordial e ordenador de todas as coisas da natureza (Arqué), rompendo com as explicações mitológicas (cosmogonia).
Tales, Anaxímenes e Anaximandro: Arqué
Monismo cosmológico: Tales elegeu a água; Anaxímenes, o ar (pneuma); Anaximandro propôs o ápeiron (indeterminado e infinito).
Heráclito vs. Parmênides: O Devir vs. O Ser
Heráclito: tudo flui, a realidade é devir e conflito permanente. Parmênides: o ser é uno, imutável e eterno; a mudança sensorial é mera ilusão.
Sócrates: A Virada Antropológica
Desloca a reflexão da natureza para as condutas humanas, virtude, justiça e conhecimento de si ('conhece-te a ti mesmo').
Método Socrático: Ironia e Maiêutica
Ironia: desmontar falsas certezas admitindo a ignorância ('só sei que nada sei'). Maiêutica: dar à luz novas ideias por meio de perguntas reflexivas.
Sócrates vs. Sofistas
Sócrates buscava a verdade universal e o bem moral; os sofistas ensinavam a retórica persuasiva sem compromisso com a verdade, adotando relativismo.
Platão: Teoria do Mundo das Ideias
Dualismo ontológico: Mundo Sensível (material, imperfeito, cópia enganosa) versus Mundo Inteligível (onde residem as essências e formas perfeitas).
Platão: O Mito da Caverna
Alegoria da passagem da ignorância e do senso comum (doxa, sombras) para o conhecimento verdadeiro e filosófico (episteme, luz do Sol).
Platão: Teoria da Reminiscência
A alma imortal conheceu as Ideias perfeitas antes de encarnar; aprender na Terra é recordar (anamnese) o que foi esquecido no corpo sensível.
Aristóteles: Crítica ao dualismo platônico
Rejeita o mundo separado das Ideias: a essência (forma) está unida à matéria nos próprios objetos concretos do mundo sensível (hilemorfismo).
Aristóteles: Eudaimonia
A felicidade suprema é o fim último da vida humana, alcançada pela realização da nossa capacidade racional e pela prática habitual das virtudes.
Aristóteles: Teoria do Justo Meio (Mediana)
A virtude moral é o equilíbrio entre dois extremos viciosos: a falta e o excesso. Exemplo: coragem é o meio-termo entre covardia e temeridade.
Aristóteles: Homem como Animal Político (Zoon Politikon)
A realização plena e virtuosa do indivíduo só acontece na pólis (cidade), vivendo e deliberando coletivamente em sociedade.
Ética Deontológica de Immanuel Kant
A moral baseada no dever absoluto, na razão e na boa vontade, independentemente das consequências práticas, dos sentimentos ou das vantagens.
Imperativo Categórico Kantiano
Age apenas segundo a máxima que possas querer que se torne lei universal; e nunca trate a humanidade como mero meio, mas sempre como um fim em si.
Imperativo Categórico vs. Hipotético (Kant)
Hipotético: condicional, busca recompensa ou evita punição ('se quiser X, faça Y'). Categórico: incondicional, age puramente pelo dever ('faça X').
Utilitarismo (Bentham e Stuart Mill)
Ética teleológica e consequencialista: uma ação é moralmente correta se promove o maior bem-estar e prazer para o maior número de pessoas envolvidas.
Confronto Ético: Kant vs. Utilitarismo
Kant avalia a intenção e princípios universais inegociáveis. O Utilitarismo avalia o resultado e a utilidade prática das consequências geradas.
Michel Foucault: Poder Disciplinar e Corpos Dóceis
Poder difuso que treina, vigia e adestra os corpos nas instituições (escolas, prisões, fábricas, hospitais) para maximizar eficiência econômica.
Panóptico em Foucault
Modelo arquitetônico de Bentham usado por Foucault como metáfora da vigilância invisível permanente, que leva o indivíduo a se autocensurar.
Biopolítica e Biopoder (Foucault)
Passagem do controle dos corpos individuais para a gestão biológica da população como um todo (taxas de natalidade, pandemias, saneamento, longevidade).
Soberania clássica vs. Biopoder (Foucault)
Soberania clássica: o rei exercia o poder de 'fazer morrer e deixar viver'. Biopoder moderno: o Estado atua para 'fazer viver e deixar morrer'.
Microfísica do Poder (Foucault)
O poder não está centralizado exclusivamente no topo do Estado, mas circula em redes difusas, práticas cotidianas e saberes institucionais.
Sociedade do Desempenho (Byung-Chul Han)
Atualização de Foucault: substituição da disciplina externa pela autoexploração e tirania da positividade, gerando burnout e cansaço crônico.

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