Filosofia Pré-Socrática

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Estudo sobre os filósofos pré-socráticos e seus conceitos fundamentais de arché para estudantes de filosofia.

50 cartões Português Nível: Ensino superior Filosofia Publicado
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Cartões · 50

Tales de Mileto
Água (hydor): considerava a água essencial à vida, presente em todos os seres vivos e na nutrição das sementes.
Anaximandro de Mileto
Ápeiron (o indeterminado/ilimitado): uma matéria infinita e primordial da qual derivam e retornam todos os elementos opostos.
Anaxímenes de Mileto
Ar (pneuma): substância infinita e dinâmica que gera tudo através dos processos de rarefação (fogo) e condensação (água, terra).
Heráclito de Éfeso
Fogo primordial e Logos: símbolo do devir perpétuo e da constante transformação regulada por uma razão cósmica universal.
Pitágoras de Samos
Número (harmonia/proporção): acreditava que a estrutura e as relações matemáticas constituem a essência e a ordem do cosmos.
Parmênides de Eleia
O Ser uno e imóvel: a verdadeira realidade é imutável, eterna, indivisível e homogênea; a multiplicidade e o devir são ilusões.
Zenão de Eleia
Defesa do Ser de Parmênides: usou paradoxos lógicos para provar que a pluralidade e o movimento são contradições ilusórias.
Melisso de Samos
O Ser infinito e incorpóreo: expandiu a tese de Parmênides argumentando que o Ser não possui limites espaciais nem começo temporal.
Empédocles de Agrigento
Quatro elementos e duas forças: terra, ar, fogo e água unidos e separados ciclicamente pelo Amor (Filia) e pela Discórdia (Neikos).
Anaxágoras de Clazômenas
Sementes (homeomerias) e Nous: infinitas partículas qualitativas presentes em tudo, organizadas pela inteligência ordenadora (Nous).
Demócrito de Abdera
Átomos e o Vazio: partículas indivisíveis e materiais em constante movimento no vazio que se combinam mecanicamente.
Leucipo de Mileto
Átomos indivisíveis e vácuo: fundador do atomismo, postulou que a realidade física consiste em corpos plenos minúsculos no espaço vazio.
Xenófanes de Colofão
Terra e água / Deus único: a matéria é formada por terra e água; criticou o antropomorfismo mítico propondo um Deus supremo imóvel.
Filolau de Crotona
O Limitante e o Ilimitado: a harmonia matemática une esses princípios opostos para formar o cosmos ordenado e numérico.
Árquitas de Tarento
Matemática e Mecânica: via a ordem geométrica e mecânica como a base estrutural para compreender a realidade e a harmonia cósmica.
Diógenes de Apolônia
Ar dotado de inteligência: sintetizou Anaxímenes e Anaxágoras propondo o ar como princípio vital animado por inteligência divina.
Crátilo de Atenas
Fluxo absoluto: radicalizou Heráclito afirmando que não se pode entrar nem uma vez no mesmo rio devido à mudança instantânea.
Metrodoro de Quios
Atomismo cético: manteve a teoria atomista combinando-a com uma postura epistemológica cética sobre o conhecimento sensível.
Hermótimo de Clazômenas
Espírito/Mente antecedente: precursor da ideia de Nous, afirmava que a mente atuava separadamente do corpo material.
Hípaso de Metaponto
Fogo e desproporção: vinculou a matemática pitagórica ao fogo de Heráclito e descobriu os números incomensuráveis (irracionais).
Alcméon de Crotona
Isonomia (equilíbrio de opostos): a harmonia entre qualidades corporais opostas (quente/frio, seco/úmido) sustenta a vida e a saúde.
Ferécides de Siro
Zas, Cronos e Ctonie: três princípios eternos divinos que organizam o caos cósmico na transição mito-filosófica.
Epicarmo de Cós
Crescimento contínuo e intelecto: aplicou a ideia de constante fluxo físico à identidade pessoal e defendeu a primazia da mente.
Escola Jônica (Milésios)
Monismo físico: busca por uma substância material única e observável na natureza capaz de gerar a multiplicidade de seres.
Escola Itálica (Pitagóricos)
Abstração formal: a arché não é uma matéria tangível, mas uma estrutura abstrata, matemática e harmônica ordenadora.
Escola Eleática
Imutabilidade do Ser: recusa absoluta da geração, corrupção e movimento através de rigorosa dedução puramente racional.
Escola Pluralista
Multiplicidade originária: conciliação entre permanência e mudança através da combinação de múltiplos elementos imutáveis.
Escola Atomista
Materialismo mecanicista: redução de todos os fenômenos da natureza a choques e agrupamentos de átomos rígidos no vazio.
Conceito de Arché
Origem e sustentação: o princípio primordial, substância fundamental e causa ordenadora de todas as coisas no cosmos.
Conceito de Physis
Natureza viva e dinâmica: a totalidade da realidade material sujeita a processos próprios de nascimento, crescimento e transformação.
Conceito de Logos em Heráclito
Razão cósmica universal: a lei invisível e inteligível que governa o equilíbrio e a perpétua alternância dos opostos.
Conceito de Ápeiron em Anaximandro
O Indefinido: elemento indeterminado que não se esgota e garante a geração contínua sem que a matéria se anule mutuamente.
Processo de Rarefação e Condensação
Mecanismo de Anaxímenes: o ar rarefeito esquenta e vira fogo; condensado, resfria e torna-se vento, nuvem, água, terra e pedra.
Amor e Discórdia em Empédocles
Forças motrizes cósmicas: o Amor agrega elementos distintos em harmonia; a Discórdia os desagrega gerando ciclos cósmicos.
Nous em Anaxágoras
Mente ordenadora cósmica: princípio inteligente, puro e transcendente que pôs o redemoinho cósmico original em movimento.
Homeomerias de Anaxágoras
Partículas qualitativas semelhantes: partes infinitesimais onde 'tudo está em tudo', variando apenas a proporção de predominância.
O Vazio no Atomismo
O Não-Ser físico: espaço desprovido de matéria cuja existência é essencial para permitir o deslocamento e choque dos átomos.
Paradoxo de Aquiles e a Tartaruga
Argumento de Zenão: se o espaço for infinitamente divisível, Aquiles nunca alcançará a tartaruga, provando a ilusão do movimento.
Paradoxo da Flecha
Argumento de Zenão: em cada instante indivisível do tempo a flecha ocupa um espaço igual a si mesma, logo está sempre imóvel.
A Via da Verdade (Parmênides)
Alétheia: a rota puramente racional que postula 'o ser é e o não-ser não é', rejeitando aparências e dados sensoriais.
A Via da Opinião (Parmênides)
Doxa: a crença enganosa dos mortais baseada nos sentidos, que erroneamente aceita a coexistência do ser, não-ser e mudança.
O Devir (Panta Rhei)
Princípio de Heráclito: a ideia de que nada permanece estático e que 'tudo flui', sendo o universo um constante processo de vir a ser.
Harmonia dos Opostos em Heráclito
Unidade na tensão: a luta entre contrários (dia/noite, guerra/paz) não destrói o universo, mas gera sua ordem e equilíbrio.
A Tetraktys Pitagórica
Número sagrado dez: soma dos quatro primeiros inteiros (1+2+3+4) que representa a completude do universo e da geometria.
A Ilusão dos Sentidos no Atomismo
Convenção versus verdade: cores, sabores e temperaturas existem apenas por convenção; na realidade só existem átomos e vazio.
A Flutuação da Terra para Tales
Estabilidade hídrica: a Terra repousa sobre a água universal como um disco ou pedaço de madeira flutuante.
Justiça Cósmica (Dike) em Anaximandro
Equilíbrio necessário: os seres pagam pena e reparação uns aos outros pela injustiça da separação segundo a ordem do tempo.
Ecpirose em Heráclito
Conflagração cósmica: ciclo no qual o cosmos se dissolve temporariamente no fogo primordial antes de renascer novamente.
Forma geométrica dos Átomos
Diversidade morfológica: para Demócrito, átomos diferem em forma, ordem e posição, gerando as distintas propriedades dos corpos.
Transmigração das Almas (Metempsicose)
Crença pitagórica: a alma é imortal e reencarna sucessivamente em corpos humanos e animais até purificar-se pela harmonia.

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