Fonoaudiologia e Audição
Estudo dos órgãos da audição e da fala, disfonias, exames e tratamentos voltados para estudantes e profissionais de fonoaudiologia.
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- Orelha externa
- Composta pelo pavilhão auricular e meato acústico externo; capta e direciona as ondas sonoras até a membrana timpânica.
- Membrana timpânica
- Separa a orelha externa da média; vibra em resposta às ondas sonoras e transmite a energia mecânica aos ossículos.
- Ossículos da audição
- Martelo, bigorna e estribo; amplificam e transmitem as vibrações sonoras do tímpano para a janela oval da cóclea.
- Tuba auditiva
- Canal que conecta a orelha média à nasofaringe, responsável por equalizar a pressão do ar nos dois lados do tímpano.
- Cóclea
- Estrutura espiral da orelha interna que converte vibrações mecânicas em impulsos elétricos nervosos.
- Órgão de Corti
- Receptor sensorial localizado na cóclea que contém células ciliadas responsáveis pela transdução auditiva.
- Nervo vestibulococlear (VIII par)
- Transporta informações auditivas da cóclea e informações de equilíbrio do labirinto até o sistema nervoso central.
- Laringe
- Órgão cartilaginoso do trato respiratório que protege a via aérea e abriga as pregas vocais para fonação.
- Pregas vocais
- Estruturas musculomembranosas na laringe que vibram com a passagem do fluxo aéreo expiratório, gerando o som fundamental.
- Efeito Bernoulli na fonação
- Fenômeno físico em que a aceleração do ar através da glote gera pressão negativa lateral, aproximando as pregas vocais.
- Trato vocal
- Conjunto de cavidades (faríngea, oral e nasal) que funcionam como filtro acústico e modificam os sons laríngeos.
- Articuladores da fala
- Estruturas ativas (língua, lábios, véu palatino) e passivas (dentes, palato duro, alvéolos) que moldam o som da fala.
- Disfonia
- Qualquer alteração na qualidade vocal, altura, intensidade ou esforço ao emitir a voz.
- Disfonia funcional
- Alteração vocal decorrente do uso inadequado ou abuso da voz, sem lesão orgânica preexistente nas pregas vocais.
- Disfonia orgânica
- Alteração vocal causada por lesões anatômicas independentes do uso da voz, como neoplasias, paralisias ou cistos.
- Disfonia organofuncional
- Lesão benigna decorrente do mau uso crônico da voz, como nódulos vocais e pólipos.
- Nódulos vocais
- Lesões bilaterais e simétricas no terço anterior das pregas vocais causadas por atrito fonatório constante.
- Pólipo vocal
- Lesão geralmente unilateral e pedunculada na borda livre da prega vocal, frequentemente ligada a trauma vocal súbito.
- Edema de Reinke
- Acúmulo de líquido no espaço de Reinke das pregas vocais, comumente associado ao tabagismo crônico e abuso vocal.
- Paralisia de prega vocal
- Imobilidade neurológica da prega vocal por comprometimento do nervo laríngeo recorrente ou vago.
- Higiene vocal
- Conjunto de hábitos que preservam a saúde laríngea, incluindo hidratação adequada e redução de pigarro e gritos.
- Exercício de trato vocal semiocluído (ETVSO)
- Técnica que reduz o impacto nas pregas vocais e melhora a ressonância por meio de oclusão parcial dos lábios.
- Fonoterapia para nódulos vocais
- Treinamento respiratório, relaxamento cervical e exercícios miofuncionais para eliminar a hiperfunção laríngea.
- Apraxia de fala na infância (AFI)
- Distúrbio neurológico dos sons da fala que afeta a precisão e a consistência dos movimentos sem fraqueza muscular.
- Apraxia orofacial (não verbal)
- Dificuldade em programar e executar movimentos voluntários de lábios, língua e mandíbula sem envolvimento da fala.
- Diferença entre apraxia e disartria
- A apraxia afeta o planejamento motor do movimento, enquanto a disartria decorre de fraqueza, paralisia ou incoordenação muscular.
- Tratamento da apraxia orofacial
- Terapia de pistas multissensoriais (visuais, táteis e proprioceptivas) com repetição intensiva de padrões motores.
- Audiometria tonal liminar
- Exame que mede o menor nível de intensidade audível pelo paciente em frequências específicas (via aérea e óssea).
- Via aérea na audiometria
- Testa todo o sistema auditivo (orelhas externa, média e interna) usando fones de ouvido convencionais.
- Via óssea na audiometria
- Testa diretamente a orelha interna estimulando a cóclea por vibração transmitida no osso mastoide.
- Perda auditiva condutiva
- Redução da audição por alteração na orelha externa ou média, com via óssea normal e via aérea rebaixada.
- Perda auditiva neurossensorial
- Dano nas células ciliadas cocleares ou no nervo auditivo, com via aérea e óssea igualmente alteradas.
- Perda auditiva mista
- Combinação de alterações condutivas e neurossensoriais na mesma orelha, com gap aéreo-ósseo evidente.
- Logoaudiometria
- Teste audiológico que avalia a capacidade de reconhecer e compreender estímulos de fala falada.
- Limiar de Reconhecimento de Fala (SRT)
- Menor intensidade na qual o indivíduo repete corretamente 50% das palavras trissilábicas apresentadas.
- Índice de Reconhecimento de Fala (IRF)
- Percentual de monossílabos repetidos corretamente em intensidade de audição confortável e bem audível.
- Imitanciometria (ou Imitanciometria acústica)
- Exame que avalia a complacência da membrana timpânica, orelha média e reflexos do músculo estapédio.
- Timpanometria curva tipo A
- Curva imitanciométrica que indica pressão e mobilidade timpânica normais na orelha média.
- Timpanometria curva tipo B
- Curva plana que indica rigidez timpânica, frequentemente associada a líquido na orelha média (otite média serosa).
- Timpanometria curva tipo C
- Curva com pico deslocado para pressões negativas, indicando disfunção da tuba auditiva.
- Emissões Otoacústicas (EOA)
- Exame objetivo que capta a energia sonora produzida pelas células ciliadas externas da cóclea em repouso ou estímulo.
- Triagem Auditiva Neonatal (Teste da Orelhinha)
- Identificação precoce de perdas auditivas em recém-nascidos por meio de Emissões Otoacústicas ou PEATE.
- Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE/BERA)
- Registro eletrofisiológico da atividade neural da via auditiva até o tronco encefálico.
- Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI)
- Dispositivo eletrônico que amplifica o som ambiente para compensar a perda auditiva periférica.
- Implante coclear
- Dispositivo cirúrgico eletrônico que estimula diretamente as fibras do nervo auditivo em perdas severas a profundas.
- Terapia de Processamento Auditivo Central (PAC)
- Treinamento acústico e cognitivo para melhorar a discriminação sonora, atenção e memória auditiva.
- Motricidade Orofacial
- Especialidade da fonoaudiologia que estuda e reabilita as funções de sucção, mastigação, deglutição, respiração e fala.
- Disfagia
- Dificuldade no transporte do bolo alimentar da cavidade oral até o estômago, com risco de broncoaspiração.
- Deglutição adaptada vs. atípica
- A adaptada compensa alterações esqueléticas/dentárias; a atípica decorre de hábito funcional inadequado sem causa estrutural.
- Intervenção precoce na linguagem
- Atendimento fonoaudiológico antes dos três anos para estimular aquisições cognitivas, comunicativas e sociais.
- conceitos e termos da fonoaudiologia, imagem
- definições, funções, tratamentos, exames, materiais e imagem representativa
- Células ciliadas internas
- Receptores sensoriais cocleares responsáveis pela transdução mecanorrecepetora e envio de cerca de 95% das vias aferentes ao nervo auditivo.
- Células ciliadas externas
- Estruturas sensoriais que agem como amplificadores cocleares ativos por meio de contração e elongação (eletromotilidade).
- Membrana tectorial
- Matriz acelular gelatinosa na cóclea que cobre o órgão de Corti e interage diretamente com os estereocílios das células ciliadas externas.
- Membrana basilar
- Estrutura elástica na cóclea que vibra tonotopicamente: sons agudos excitam a base estreita/rígida e graves excitam o ápice largo/flexível.
- Rampa timpânica
- Compartimento inferior da cóclea preenchido por perilinfa e finalizado na janela redonda.
- Rampa vestibular
- Compartimento superior da cóclea preenchido por perilinfa e conectado à janela oval pela base do estribo.
- Rampa média (ducto coclear)
- Compartimento central da cóclea rico em endolinfa e que abriga diretamente o órgão de Corti.
- Helicotrema
- Abertura apical na cóclea que comunica funcionalmente a rampa vestibular com a rampa timpânica.
- Janela oval
- Abertura óssea na parede medial da orelha média coberta pela base do estribo que transmite a vibração para a perilinfa.
- Janela redonda
- Abertura coberta por membrana flexível que dissipa a pressão do fluido coclear provocada pela movimentação do estribo.
- Músculo estapédio
- Menor músculo do corpo humano; inervado pelo nervo facial, contrai-se reflexamente em sons intensos para atenuar a movimentação ossicular.
- Músculo tensor do tímpano
- Músculo inervado pelo trigêmeo que tensiona o cabo do martelo para proteger o sistema auditivo e atenuar barulhos da própria mastigação.
- Reflexo acústico estapediano
- Contração involuntária bilateral do músculo estapédio desencadeada por sons de alta intensidade para proteção auditiva.
- Canais semicirculares
- Três tubos ósseos e membranosos preenchidos por endolinfa que detectam a aceleração angular da cabeça para o equilíbrio.
- Utrículo e sáculo
- Órgãos otolíticos vestibulares que contêm máculas e otólitos para detectar a aceleração linear e a gravidade.
- Cartilagem cricoide
- Estrutura anelar inferior da laringe em forma de anel de sinete que serve de suporte à cartilagem tireoide e aos aritenoides.
- Cartilagem tireoide
- Maior cartilagem laríngea, composta por duas lâminas que se unem anteriormente formando a proeminência laríngea (pomo de adão).
- Cartilagens aritenoides
- Par de cartilagens piramidais que giram e deslizam sobre a cricoide, controlando a abertura, fechamento e tensão das pregas vocais.
- Músculo cricotireóideo (CT)
- Músculo intrínseco da laringe inervado pelo nervo laríngeo superior; alonga e estica as pregas vocais elevando o pitch vocal.
- Músculo tireoaritenóideo (TA)
- Músculo que compõe o corpo da prega vocal; sua contração encurta e espessa a prega vocal, abaixando a frequência vocal.
- Músculo cricoaritenóideo posterior (CAP)
- Único músculo abdutor das pregas vocais; responsável exclusivo por abrir a glote para a respiração.
- Músculos cricoaritenóideos laterais (CAL)
- Músculos adutores intrínsecos que giram as aritenoides medialmente para fechar a glote membranosa anterior.
- Músculo interaritenoide
- Músculo laríngeo ímpar que traciona as cartilagens aritenoides medialmente, promovendo a adução da glote posterior.
- Epiglote
- Cartilagem elástica foliar que desce sobre o ádito da laringe durante a deglutição, desviando o bolo alimentar para o esôfago.
- Pregas vestibulares (falsas pregas vocais)
- Feixes mucosos superiores às pregas vocais verdadeiras; protegem a via aérea e atuam em fonação patológica (hiperfunção).
- Espaço de Reinke
- Camada superficial da lâmina própria das pregas vocais, formada por matriz gelatinosa e flexível que vibra na fonação.
- Palato mole (véu palatino)
- Estrutura móvel musculomembranosa que se eleva contra a parede posterior da faringe no fechamento velofaríngeo.
- Insuficiência velofaríngea
- Incapacidade anatômica de fechamento do esfíncter velofaríngeo, gerando hipernasalidade e escape de ar na fala.
- Hipernasalidade (hiperrinofonia)
- Ressonância excessiva na cavidade nasal durante a produção de sons que deveriam ser puramente orais.
- Frênulo da língua
- Prega de membrana mucosa que conecta a parte inferior da língua ao assoalho da boca, limitando movimentos se encurtado.
- Anquiloglossia
- Condição congênita do frênulo lingual curto que restringe a mobilidade da língua, prejudicando amamentação e produção fonética.
- Músculo genioglosso
- Maior músculo extrínseco da língua, responsável por protruir a língua e deprimir sua porção central.
- Músculo bucinador
- Músculo da bochecha que mantém o alimento entre as arcadas dentárias na mastigação e auxilia no sopro e sucção.
- Músculo orbicular da boca
- Músculo esfincteriano perioral crucial para vedamento labial, sucção e articulação de fonemas bilabiais (/p/, /b/, /m/).
- Fase antecipatória da deglutição
- Etapa de planejamento motor e resposta sensorial mediada por visão, olfato e cognição antes do alimento entrar na boca.
- Fase oral preparatória
- Etapa voluntária em que o alimento é mastigado, umedecido e processado até formar o bolo alimentar coeso.
- Fase faríngea da deglutição
- Etapa involuntária e rápida onde ocorrem fechamento velofaríngeo, elevação laríngea e fechamento glótico para trânsito ao esôfago.
- Aspiração laringotraqueal
- Passagem de saliva, líquidos ou alimentos abaixo do nível das pregas vocais em direção à traqueia e pulmões.
- Penetração laríngea
- Entrada de alimento ou líquido na laringe sem ultrapassar a borda livre das pregas vocais verdadeiras.
- Videofluoroscopia da deglutição
- Exame radiológico dinâmico padrão-ouro para avaliar todas as fases da deglutição e identificar aspirações silenciosas.
- Videoendoscopia da deglutição (FEES)
- Avaliação instrumental laringoscópica que inspeciona a anatomia faringolaríngea e testa sensibilidade e segurança com corantes.
- Manobra de Mendelsohn
- Exercício de reabilitação disfágica onde o paciente mantém a laringe elevada no ápice da deglutição para abrir o esfíncter esofágico superior.
- Deglutição com esforço
- Manobra compensatória em que o paciente deglute apertando fortemente os músculos da garganta para aumentar a pressão de ejeção do bolo.
- Manobra de Masako
- Técnica fonoaudiológica que consiste em deglutir com a língua presa entre os dentes para fortalecer a parede posterior da faringe.
- Manobra de queixo para baixo (chin-tuck)
- Posicionamento compensatório da cabeça que estreita a entrada da via aérea e alarga a valécula, protegendo a deglutição.
- Atenuador interaural
- Perda de energia acústica que ocorre quando um sinal sonoro atravessa os ossos do crânio para a orelha contralateral.
- Mascaramento auditivo
- Ruído enviado à orelha não testada para impedir sua participação (ouvir por via óssea/cruzada) durante audiometria.
- Presbiacusia
- Perda auditiva neurossensorial bilateral, descendente e simétrica decorrente do envelhecimento natural do sistema auditivo.
- Zona morta coclear
- Região da cóclea onde não há células ciliadas internas e/ou neurônios auditivos funcionais capazes de transduzir estimulação.
- Prótese auditiva ancorada no osso (BAHA)
- Dispositivo osteointegrado que transmite som por vibração óssea direta à cóclea funcional em atresias ou perdas condutivas graves.