Fundamentos da Semiótica

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Conceitos fundamentais da semiótica de Charles Sanders Peirce para estudantes e pesquisadores da área.

55 cartões Português Nível: Ensino superior Filosofia Publicado
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Semiótica peirciana
Teoria geral dos signos e da significação elaborada pelo filósofo Charles Sanders Peirce, fundamentada na fenomenologia e na lógica triádica.
Semiose
Processo de ação do signo, uma cooperação contínua e dinâmica entre o signo, seu objeto e seu interpretante.
Fenomenologia (Faneroscopia)
Estudo das manifestações ou aparências diretas de tudo o que está presente à mente consciente, dividida em três categorias universais.
Fânero (Phaneron)
A totalidade de qualquer conteúdo presente na consciência a qualquer momento, seja ele real, imaginado ou ilusório.
Primeiridade (Firstness)
Categoria fenomenológica da pura possibilidade, qualidade, espontaneidade e sentimento, sem relação prévia ou determinação externa.
Secundidade (Secondness)
Categoria do fato bruto, existência real, ação e reação, confronto físico e dualidade no tempo e espaço.
Terceiridade (Thirdness)
Categoria da lei, da regra, da mediação, do hábito, do pensamento e da continuidade intelectual.
Signo (Representâmen)
Aquilo que está no lugar de outra coisa (objeto) sob certo aspecto para alguém (produzindo um interpretante).
Objeto do signo
A entidade, fato ou ideia que o signo representa ou ao qual ele se refere, determinando o signo.
Objeto Imediato
O objeto tal como é representado no interior do próprio signo, a ideia acessível que o signo veicula diretamente.
Objeto Dinâmico
A realidade exterior ao signo que determina sua criação, a totalidade concreta independente da representação particular.
Interpretante
O efeito cognitivo, emocional ou prático gerado pela recepção do signo em uma mente em processo de interpretação.
Interpretante Imediato
O potencial interpretativo inicial contido na própria forma do signo antes de qualquer análise concreta.
Interpretante Dinâmico
O efeito real e concreto que o signo produz na mente de um intérprete particular em uma ocasião específica.
Interpretante Final
O efeito interpretativo ideal ou norma racional que qualquer mente alcançaria após investigação contínua e completa.
Interpretante Emocional
A reação inicial de sentimento ou afeto provocada pelo contato direto com o signo.
Interpretante Energético
A ação física ou o esforço mental desencadeado pela apreensão do signo.
Interpretante Lógico
O efeito conceitual ou de hábito que confere significado racional e abstrato ao signo.
Qualissigno (Qualisign)
Signo que consiste puramente em uma qualidade sensível, como uma cor ou timbre isolado de qualquer suporte concreto.
Sinsigno (Sinsign)
Signo que é uma ocorrência real, concreta e singular no tempo e no espaço, como este exemplar impresso de uma palavra.
Legissigno (Legisign)
Signo que é uma lei, tipo geral ou convenção abstrata, como a palavra gramatical enquanto conceito no léxico.
Réplica
A manifestação individual e material de um legissigno, funcionando como um sinsigno subordinado à regra.
Ícone
Signo que se refere ao seu objeto por virtude de similaridade direta, analogia ou posse de qualidades semelhantes.
Imagem (subtipo icônico)
Hipoícone que compartilha qualidades sensíveis simples com seu objeto, como uma pintura figurativa ou fotografia.
Diagrama (subtipo icônico)
Hipoícone que representa as relações estruturais ou proporções internas entre as partes de seu objeto.
Metáfora (subtipo icônico)
Hipoícone que representa um paralelismo representativo de caráter qualitativo entre domínios distintos.
Índice
Signo que mantém uma conexão física, factual ou causal direta com o objeto ao qual se refere, como a fumaça e o fogo.
Símbolo
Signo que se relaciona com seu objeto por meio de uma convenção social, regra estabelecida, lei ou hábito.
Rema (Rheme)
Signo interpretado como pura possibilidade qualitativa, equivalente a um predicado ou termo isolado aberto à predicação.
Dicente (Dicisigno)
Signo interpretado como portador de existência concreta e factualidade, correspondente a uma proposição afirmativa.
Argumento
Signo interpretado como expressão de uma lei racional ou inferência lógica, encadeando premissas em uma conclusão.
Abdução (Retrodução)
Modo de inferência que formula hipóteses explicativas a partir de dados surpreendentes, gerando novas ideias teóricas.
Dedução
Modo de inferência necessária que extrai consequências lógicas forçosas a partir de premissas gerais dadas.
Indução
Modo de inferência empírica que testa hipóteses contra observações repetidas para quantificar sua veracidade.
Semiose infinita
O princípio de que todo interpretante se transforma em um novo signo para outro interpretante, gerando uma cadeia ininterrupta.
Pragmaticismo
Versão peirciana do pragmatismo, definindo o significado dos conceitos pelos efeitos práticos e condutas que eles implicam.
Hábito
Regra adquirida de ação que estabiliza respostas cognitivas e comportamentais mediante a interpretação dos signos.
Sinequismo (Synechism)
Doutrina filosófica peirciana que defende a continuidade real no universo, rejeitando dualismos absolutos e cisões definitivas.
Tiquismo (Tychism)
Princípio cosmológico que postula a existência de acaso real e espontaneidade pura como elementos fundamentais da natureza.
Anancaismo (Anancasm)
Teoria da evolução orientada por necessidade mecânica ou compulsão inevitável da lei causal externa.
Agapismo (Agapasm)
Teoria evolucionária de Peirce segundo a qual o crescimento cósmico é impulsionado pela força da simpatia e cooperação criativa.
Falibilismo
Princípio epistemológico de que nenhum conhecimento humano pode ser considerado absolutamente imune a erros e revisões futuras.
Comunidade de investigadores
O conjunto intersubjetivo e cooperativo de mentes que busca continuamente a verdade através do método científico.
Verdade (definição pragmática)
A opinião final na qual toda a comunidade de investigadores fatalmente concordaria após investigação ininterrupta.
Realidade
O conjunto de caracteres independentes de qualquer opinião privada individual, correspondente à opinião final consensual.
Qualissigno Icônico
Qualidade pura utilizada para evocar a semelhança com outra qualidade, como uma amostra de tom de tinta.
Sinsigno Icônico
Objeto ou fato real e singular que atua como signo devido à sua semelhança física com o objeto figurado.
Sinsigno Rêmico Indexical
Ocorrência singular que atrai a atenção para seu objeto por contiguidade imediata, como um grito de aviso espontâneo.
Sinsigno Dicente
Fato concreto que oferece informação factual direta sobre seu objeto, como um cata-vento indicando a direção do vento.
Legissigno Icônico
Regra ou convenção que estabelece um padrão abstrato destinado a produzir representações por semelhança.
Legissigno Rêmico Indexical
Lei geral que funciona por contiguidade referencial, como pronomes demonstrativos gerais da gramática.
Legissigno Dicente
Proposição geral ou lei institucionalizada que transmite informação descritiva sobre a realidade factual.
Símbolo Rêmico
Signo convencional que define um conceito aberto a predicados, equivalente a um nome comum ou substantivo no idioma.
Símbolo Dicente
Proposição expressa linguisticamente que une termos por convenção para afirmar fatos verdadeiros ou falsos.
Argumento Dedutivo
Símbolo argumentativo cuja conclusão segue com necessidade lógica inquestionável a partir de suas premissas formais.

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