Fundamentos de Semiótica
Conceitos fundamentais da semiótica de Peirce para estudantes de filosofia, comunicação e literatura.
Cartões · 53
- Semiose
- Ação ou processo contínuo e triádico pelo qual um signo produz um interpretante em relação a um objeto.
- Signo (ou Representâmen)
- Aquilo que está para alguém, em algum respeito ou capacidade, no lugar de outra coisa (o objeto).
- Objeto do Signo
- Aquilo que o signo representa ou indica, condicionando a determinação do signo e de seu interpretante.
- Interpretante
- Efeito gerado pelo signo em uma mente ou quase-mente, sendo ele próprio um novo signo na cadeia de semiose.
- Primeiridade
- Categoria fenomenológica do sentimento puro, da qualidade, da originalidade, do acaso e da mera potencialidade.
- Secundidade
- Categoria da reação, do choque existencial, do fato bruto, do conflito e da relação diádica aqui-agora.
- Terceiridade
- Categoria da lei, do hábito, da generalidade, da continuidade, da mediação e da inteligibilidade lógica.
- Fenomenologia (Faneroscopia)
- Ciência quase-observacional que descreve e analisa os elementos presentes em qualquer fenômeno que aparece à mente.
- Faneron
- Tudo aquilo que está presente à mente de qualquer maneira ou em qualquer sentido possível.
- Quali-signo
- Um signo que é uma pura qualidade ou aparência sensível que atua como signo (Primeiridade do Signo).
- Sin-signo
- Um signo que é um evento real, uma ocorrência física ou coisa singular concreta (Secundidade do Signo).
- Legi-signo
- Um signo que é uma lei, tipo geral ou convenção abstrata, concretizado por meio de réplicas (Terceiridade do Signo).
- Réplica
- Instanciação concreta e material (sin-signo) que torna perceptível e atuante um legi-signo.
- Ícone
- Signo que se refere ao seu objeto em virtude de caracteres próprios de semelhança ou analogia intrínseca.
- Índice
- Signo determinado pelo seu objeto por meio de uma conexão física direta, existencial ou causal.
- Símbolo
- Signo determinado por seu objeto em virtude de uma lei, regra social, convenção ou hábito interpretativo.
- Rema (Termo)
- Signo para seu interpretante como representação de mera possibilidade ou hipótese aberta de interpretação.
- Dicente (Proposição)
- Signo para seu interpretante como um fato real ou existência efetiva, sujeito a juízo de verdade.
- Argumento
- Signo para seu interpretante como uma lei ou conexão racional necessária, formalizada por regras lógicas.
- Objeto Imediato
- O objeto tal como é internamente representado e sugerido dentro do próprio signo.
- Objeto Dinâmico
- A realidade exterior ao signo que determina sua produção e que nunca é inteiramente esgotada por ele.
- Interpretante Imediato
- O potencial interpretativo implícito no signo, sua interpretabilidade abstrata antes de qualquer recepção.
- Interpretante Dinâmico
- O efeito real e empírico que o signo efetivamente produz na mente de um intérprete singular.
- Interpretante Final
- O resultado ideal e normativo ao qual a semiose convergiria após contínuo processo de inquirição e reflexão.
- Interpretante Emocional
- Primeiro nível do interpretante dinâmico, manifestado como afeto, sentimento ou impacto sensível imediato.
- Interpretante Energético
- Segundo nível do interpretante dinâmico, manifestado como esforço físico, muscular ou atenção ativa voluntária.
- Interpretante Lógico
- Terceiro nível do interpretante dinâmico, manifestado como compreensão conceitual ou mudança estável de hábito.
- Mudança de Hábito
- O interpretante lógico último que fixa uma nova disposição de agir ou pensar diante do mundo.
- Imagem (Hipoícone)
- Ícone que partilha qualidades sensíveis simples com o objeto, como cor, textura ou forma visual pura.
- Diagrama (Hipoícone)
- Ícone que representa relações internas e estruturais entre as partes de seu objeto (ex.: gráficos, mapas).
- Metáfora (Hipoícone)
- Ícone que projeta o paralelismo representativo de um domínio conceitual sobre outro distinto.
- Semiótica Teórica
- Para Santaella, o domínio lógico e filosófico abstrato que estabelece a gramática especulativa do signo.
- Semiótica Descritiva
- Para Santaella, a aplicação metodológica das categorias do signo à análise de textos, mídias e culturas.
- Quase-mente
- Agente sistêmico capaz de mediar e processar signos sem requerer consciência biológica humana.
- Gramática Especulativa
- Primeira parte da semiótica clássica que estuda as condições gerais dos signos serem signos.
- Lógica Crítica
- Segunda parte da semiótica dedicada a avaliar a validade dos argumentos e formas de inferência.
- Metodeutêutica (Retórica Especulativa)
- Terceira parte da semiótica voltada aos métodos de investigação e propagação de ideias na comunidade.
- Dedução
- Forma de raciocínio necessário no qual a conclusão deriva forçosamente das premissas gerais adotadas.
- Indução
- Forma de raciocínio empírico que testa hipóteses e avalia regularidades a partir da amostragem de dados.
- Abdução
- Forma de raciocínio hipotético que introduz ideias novas mediante a suposição plausível de uma causa.
- Falibilismo
- Princípio epistemológico de que todo conhecimento empírico humano é provisório e passível de revisão.
- Tiquismo
- Doutrina ontológica peirciana que postula o acaso objetivo e a espontaneidade como princípios reais do cosmos.
- Sinequismo
- Tendência cosmológica e filosófica que afirma a continuidade universal no tempo, espaço e pensamento.
- Agapismo
- Evolucionismo guiado pelo amor criativo e pela simpatia harmonizadora entre os seres e ideias.
- Comunidade de Investigadores
- Coletividade ideal e histórica de pesquisadores cujo consenso assintótico define a verdade factual.
- Pragmatismo (Pragmaticismo)
- Máxima de significado que define o conceito com base nos efeitos práticos concebíveis de seu objeto.
- Semiose Ilimitada
- Princípio estrutural pelo qual cada interpretante se converte em signo subsequente ao infinito.
- Ground (Fundamento)
- Aspecto ou recorte pelo qual o signo se relaciona com o objeto, enfatizando certa qualidade específica.
- Degenerescência do Signo
- Termo técnico que indica que categorias mais complexas contêm e dependem de níveis mais simples.
- Matrizes da Linguagem e Pensamento
- Tipologia de Santaella baseada em Peirce: matriz sonora, matriz visual e matriz verbal do sentido.
- Matriz Sonora
- Dimensão semiótica centrada nas qualidades acústicas, no ritmo, na duração e nas vibrações temporais.
- Matriz Visual
- Dimensão semiótica orientada pelas propriedades espaciais, de luz, linha, cor, figura e composição.
- Matriz Verbal
- Dimensão semiótica articulada em torno da estrutura simbólica, sintática e lógica da linguagem verbal.