Gramática e Literatura: Realismo
Estudo de gramática da língua portuguesa, focando em pronomes e colocação pronominal, além dos principais conceitos do Realismo na literatura.
Cartões · 50
- Pronome reto vs. pronome oblíquo
- Os pronomes retos exercem função de sujeito (ex.: 'Ele viajou'), enquanto os oblíquos funcionam como complemento verbal ou nominal (ex.: 'Convidaram-no para a palestra').
- Próclise com palavra negativa
- Palavras negativas atraem o pronome oblíquo para antes do verbo. Exemplo: 'Não me disseram a verdade sobre o ocorrido'.
- Próclise com pronomes relativos
- O pronome relativo exige a próclise obrigatória. Exemplo: 'A pessoa que me ajudou foi muito generosa'.
- Próclise com conjunções subordinativas
- Conjunções subordinativas atraem o pronome oblíquo. Exemplo: 'Embora se esforçasse, não conseguiu a pontuação mínima'.
- Próclise com advérbios sem vírgula
- Advérbios atraem o pronome átono quando não há vírgula separando-os. Exemplo: 'Sempre me lembro das histórias de Machado de Assis'.
- Ênclise no início de frase
- Não se inicia oração com pronome oblíquo átono na norma culta. Exemplo: 'Entregaram-me os documentos ontem à tarde'.
- Ênclise após vírgula
- Usa-se a ênclise se o verbo vier imediatamente após uma pausa pontuada. Exemplo: 'Se tudo der certo, avisar-te-ei no sábado'.
- Mesóclise no futuro do presente
- Usa-se mesóclise sem fator de próclise com verbo no futuro do presente. Exemplo: 'Dir-lhe-ei todas as novidades amanhã cedo'.
- Mesóclise no futuro do pretérito
- Usa-se no futuro do pretérito caso não haja palavra atrativa anterior. Exemplo: 'Ajudar-te-ia se tivesse tempo disponível'.
- Pronomes oblíquos 'o, a, os, as' após -r, -s, -z
- As terminações -r, -s, -z caem e os pronomes assumem as formas 'lo, la, los, las'. Exemplo: 'Fazer + o = fazê-lo'; 'Quis + o = qui-lo'.
- Pronomes oblíquos 'o, a, os, as' após terminação nasal
- Após sons nasais (-m, -ão, -õe), os pronomes viram 'no, na, nos, nas'. Exemplo: 'Eles viram + o = viram-no'; 'Põe + os = põe-nos'.
- Diferença de uso: 'lhe' vs. 'o/a'
- 'Lhe' substitui objetos indiretos regidos por preposição (ex.: 'Entreguei-lhe a carta'), e 'o/a' substitui objetos diretos sem preposição (ex.: 'Eu o vi ontem').
- Pronomes demonstrativos: este/esta/isto
- Indicam o que está perto de quem fala no espaço ou no tempo presente imediato. Exemplo: 'Este livro que seguro agora é de Machado'.
- Pronomes demonstrativos: esse/essa/isso
- Indicam o que está próximo do ouvinte ou um passado/futuro recente. Exemplo: 'Guarde esse relatório que está ao seu lado'.
- Pronomes demonstrativos: aquele/aquela/aquilo
- Indicam algo distante de ambos os interlocutores ou um passado remoto. Exemplo: 'Aquele século XIX produziu grandes romancistas'.
- Pronomes demonstrativos: anáfora e catáfora
- 'Esse' retoma algo já dito ('A virtude: foi esse o tema'). 'Este' introduz algo novo ('Minha dúvida é esta: haverá tempo?').
- Pronomes indefinidos invariáveis
- Não variam em gênero nem número: alguém, ninguém, tudo, nada, outrem, cada, algo. Exemplo: 'Ninguém assumiu a culpa pelo erro'.
- Pronomes de tratamento e concordância
- Exigem verbos e pronomes sempre na terceira pessoa gramatical. Exemplo: 'Vossa Excelência já decidiu seu voto?'
- Verbos abundantes
- Possuem duas formas equivalentes de particípio: regular (terminada em -ado/-ido) e irregular (curta). Exemplo: 'imprimido' e 'impresso'.
- Uso de particípio com 'ter/haver' vs. 'ser/estar'
- Com 'ter/haver', prefere-se o particípio regular ('Ele tinha aceitado'); com 'ser/estar', usa-se o irregular ('A proposta foi aceita').
- Verbos anômalos
- Sofrem modificações profundas no radical durante a conjugação. Os principais em português são 'ir' (vou, fui) e 'ser' (sou, era, fui).
- Verbos defectivos
- Não são conjugados em todas as formas gramaticais. Exemplo: o verbo 'falir' não possui as primeiras pessoas do presente do indicativo.
- Verbo pronominal essencial
- Conjugado obrigatoriamente com o pronome oblíquo integrante. Exemplos: 'suicidar-se', 'arrepender-se', 'queixar-se'.
- Pretérito perfeito do indicativo
- Expressa uma ação concluída e pontual no passado. Exemplo: 'Machado de Assis publicou Memórias Póstumas de Brás Cubas em 1881'.
- Pretérito imperfeito do indicativo
- Indica ação habitual, contínua ou incompleta no passado. Exemplo: 'Bento Santiago recordava com dor seus anos na infância'.
- Pretérito mais-que-perfeito
- Indica uma ação anterior a outra ação também passada. Exemplo: 'Quando ela chegou, ele já terminara a leitura do capítulo'.
- Modo subjuntivo: valor semântico
- Expressa incerteza, desejo, dúvida, hipótese ou condição. Exemplo: 'Caso ele compreenda a ironia machadiana, apreciará a obra'.
- Futuro do subjuntivo: formação e uso
- Geralmente derivado da 3ª pessoa plural do pretérito perfeito do indicativo. Exemplo: 'Se nós quisermos (de quiseram), entenderemos o texto'.
- Infinitivo pessoal flexionado
- Flexiona-se para indicar o agente da oração reduzida. Exemplo: 'O professor pediu para eles lerem os capítulos recomendados'.
- Concordância com voz passiva sintética
- O pronome 'se' atua como apassivador e o verbo concorda com o sujeito paciente. Exemplo: 'Alugam-se quartos modestos no cortiço'.
- Concordância com índice de indeterminação do sujeito
- Com verbo transitivo indireto ou intransitivo + 'se', o verbo fica sempre no singular. Exemplo: 'Precisa-se de novos narradores'.
- Contexto histórico do Realismo
- Surgiu na segunda metade do século XIX em meio à Segunda Revolução Industrial, ao cientificismo, ao positivismo e à crise da monarquia.
- Realismo vs. Romantismo
- O Realismo rejeita o sentimentalismo idealizado e adota a observação crítica da sociedade, psicologia aprofundada e verossimilhança.
- Objetividade e cientificismo no Realismo
- O narrador realista atua como analista racional, desmascarando a hipocrisia social e a decadência das instituições burguesas.
- Marco inicial do Realismo no Brasil
- A publicação simultânea de 'Memórias Póstumas de Brás Cubas' (Machado de Assis) e 'O Mulato' (Aluísio Azevedo) em 1881.
- Machado de Assis: fase realista
- Caracterizada por pessimismo, ironia fina, digressões metalinguísticas, narrador em primeira pessoa e análise das contradições humanas.
- Memórias Póstumas de Brás Cubas: inovação
- Apresenta um 'defunto autor' que relata sua vida com cinismo e descompromisso moral, libertando-se de qualquer cobrança social.
- Memórias Póstumas de Brás Cubas: citação famosa
- 'Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.' Mostra a vitória negativa de Brás Cubas.
- Dom Casmurro: tema central
- O ciúme obsessivo de Bento Santiago e a dúvida eterna sobre a traição conjugal de Capitu com o amigo Escobar.
- Capitu e a metáfora dos olhos
- José Dias descreve a personagem como tendo 'olhos de ressaca', expressando seu caráter misterioso, sedutor e profundo.
- Quincas Borba e o Humanitismo
- Sátira filosófica ao darwinismo social criada pelo filósofo Quincas Borba, resumida na máxima: 'Ao vencedor, as batatas!'.
- Eça de Queirós e o Realismo em Portugal
- Autor central do Realismo português; iniciou o movimento com 'O Crime do Padre Amaro' (1875), satirizando o clero e a província.
- O Primo Basílio: enredo central
- Critica a ociosidade burguesa através do adultério de Luísa com Basílio e a cruel chantagem movida pela empregada Juliana.
- Os Maias: temática
- Obra-prima de Eça de Queirós sobre a decadência da alta sociedade lisboeta e a tragédia do incesto involuntário de Carlos e Maria Eduarda.
- Diferença entre Realismo e Naturalismo
- O Realismo foca na psicologia e na crítica social burguesa; o Naturalismo foca em patologias, determinismo biológico e instintos animais.
- Aluísio Azevedo: O Cortiço (1890)
- Principal expoente do Naturalismo brasileiro; descreve a degradação humana, a zoomorfização e a influência direta do meio sobre o indivíduo.
- Zoomorfização no Naturalismo
- Recurso estilístico que atribui traços e comportamentos animalescos a seres humanos, evidenciando o império dos instintos carnais.
- Raul Pompeia: O Ateneu (1888)
- Romance memorialista com traços realistas e expressionistas que retrata as opressões e jogos de poder em um internato masculino.
- Determinismo de Hippolyte Taine
- Conceito filosófico aplicado à literatura realista-naturalista que dita que o homem é condicionado por raça, meio e momento histórico.
- A crítica às aparências no Realismo
- O adultério, a falsidade religiosa e o interesse financeiro no casamento são temas recorrentes usados para expor a decadência moral.