Gramática e Vocabulário de Português
Este conjunto cobre conceitos avançados de fonologia e gramática da língua portuguesa, sendo ideal para estudantes e concurseiros.
Cartões · 60
- Fonema
- Menor unidade sonora distintiva da língua, capaz de diferenciar significados entre palavras (ex.: /p/ e /b/ em 'pata' e 'bata').
- Letra (Grafema)
- Representação gráfica e visual do fonema na escrita. Nem sempre há correspondência de um para um entre fonema e letra.
- Alófono
- Variação de pronúncia de um mesmo fonema sem mudança de significado, como o 't' palatalizado [tʃ] diante de 'i' no português brasileiro.
- Dígrafo
- Encontro de duas letras que representam um único fonema. Pode ser consonantal (ch, lh, nh, rr, ss, sc, sç, xc) ou vocálico (am, em, im, etc.).
- Dígrafo consonantal
- Duas letras grafando uma consoante única. Exemplos: 'chuva' (ch = /ʃ/), 'carro' (rr = /ʁ/), 'ninho' (nh = /ɲ/).
- Dígrafo vocálico
- Vogal seguida de 'm' ou 'n' na mesma sílaba indicando nasalização, equivalendo a uma vogal nasal. Exemplos: 'canto' (/kãtu/), 'tempo' (/tẽpu/).
- Dífono (Letra dífona)
- Uma única letra que representa dois fonemas distintos. O caso clássico é a letra 'x' com som de /ks/ em 'tóxico' ou 'fixo'.
- Vogal
- Som produzido pela saída livre do ar pelas cavidades bucal ou nasal, sem obstáculos. Constitui o núcleo obrigatório de toda sílaba em português.
- Semivogal
- Fonema com traço vocálico átono (/i/ ou /u/) que se apoia em uma vogal na mesma sílaba, nunca formando núcleo silábico isoladamente (ex.: 'pai', 'céu').
- Ditongo crescente
- Encontro de semivogal + vogal na mesma sílaba. O som cresce em intensidade articulatória. Exemplos: 'gá-tria', 'sé-rie', 'á-gua'.
- Ditongo decrescente
- Encontro de vogal + semivogal na mesma sílaba. O som decresce em intensidade articulatória. Exemplos: 'peixe', 'noite', 'herói'.
- Ditongo oral vs. Ditongo nasal
- Ditongo oral: o ar sai apenas pela boca ('pai', 'céu'). Ditongo nasal: o ar ressoa pela cavidade nasal ('mão', 'mãe', 'põem', 'falam').
- Tritongo
- Sequência inseparável formada por semivogal + vogal + semivogal na mesma sílaba. Pode ser oral ('Paraguai', 'iguais') ou nasal ('saguão', 'enxáguem').
- Hiato
- Encontro de duas vogais em sílabas vizinhas que se separam na divisão silábica, pois cada vogal pertence a uma sílaba própria. Exemplos: 'sa-ú-de', 'pa-ís'.
- Encontro consonantal perfeito (próprio)
- Consoantes agrupadas na mesma sílaba, geralmente oclusiva/fricativa + líquida (/l/ ou /r/). Exemplos: 'bra-ço', 'pla-no', 'psi-co-lo-gi-a'.
- Encontro consonantal imperfeito (impróprio)
- Consoantes contíguas que pertencem a sílabas distintas. Exemplos: 'ad-vo-ga-do', 'ob-je-to', 'ap-to'.
- Classificação da sílaba quanto à intensidade: Tônica
- Sílaba pronunciada com maior proeminência expiratória, intensidade e duração dentro do vocábulo (ex.: 'fe' em 'café', 'me' em 'árvore').
- Classificação da sílaba quanto à intensidade: Átona
- Sílaba proferida com menor intensidade vocal em relação à tônica. Pode ser pré-tônica (antes da tônica) ou pós-tônica (depois da tônica).
- Classificação da sílaba quanto à intensidade: Subtônica
- Intensidade intermediária secundária que recai sobre a sílaba que era tônica na palavra primitiva antes da sufixação (ex.: 'ca-fe' em 'cafezinho').
- Palavra oxítona
- Vocábulo cuja sílaba tônica é a última. Exemplos: 'caju', 'maracujá', 'condor', 'ruim', 'cateter'.
- Palavra paroxítona
- Vocábulo cuja sílaba tônica é a penúltima. Padrão predominante no léxico do português. Exemplos: 'mesa', 'rubrica', 'pudico', 'caráter'.
- Palavra proparoxítona
- Vocábulo cuja sílaba tônica é a antepenúltima. Na ortografia portuguesa, todas recebem acento gráfico obrigatório. Exemplos: 'lâmpada', 'ínterim'.
- Monossílabo átono
- Palavra de uma sílaba sem independência fonética que se apoia na palavra seguinte como clítico. Exemplos: artigos (o, a), preposições (de, em), pronomes oblíquos (me, te).
- Monossílabo tônico
- Palavra de uma sílaba dotada de autonomia fonética e semântica pronunciada com força expiratória. Exemplos: 'dor', 'pá', 'mês', 'sol', 'nó'.
- Sílaba aberta vs. Sílaba fechada
- Aberta (livre): termina em som vocálico (ex.: 'ca' em 'casa'). Fechada (travada): termina em som consonantal na coda (ex.: 'mar', 'sol', 'trans').
- Estrutura da sílaba: Ataque, Núcleo e Coda
- Ataque: consoante(s) antes da vogal. Núcleo: a vogal obrigatória. Coda: consoante(s) pós-vocálicas. Núcleo + Coda formam a Rima silábica.
- Apócope
- Metaplasmo de supressão que consiste na perda de um fonema ou sílaba no final de uma palavra ao longo da evolução histórica (ex.: mare > mar).
- Síncope
- Metaplasmo de supressão caracterizado pela eliminação de um fonema no interior de um vocábulo (ex.: vereda > veia, bonitate > bondade).
- Aférise
- Metaplasmo de supressão caracterizado pela queda de som no início da palavra (ex.: attonitu > tonto; 'está' > 'tá' na fala coloquial).
- Prótese
- Metaplasmo de adição consistente no acréscimo de um fonema no início do vocábulo (ex.: spiritu > espírito, stare > estar).
- Epêntese
- Metaplasmo de adição pelo qual se insere um fonema no meio da palavra (ex.: humile > humilde; introdução de vogal de apoio em 'pneu' > [pi]neu).
- Paragoge
- Metaplasmo de adição consistente no acréscimo de som no final do vocábulo (ex.: ante > antes; club > clube).
- Metátese
- Transposição ou deslocamento de fonemas dentro da mesma palavra ao longo do tempo (ex.: pro > por; semper > sempre; perguntar em vez de pregunto).
- Assimilação
- Processo fonológico em que um fonema se torna idêntico ou mais semelhante a outro adjacente (ex.: ipse > esse; persona > pessoa).
- Dissimilação
- Processo fonológico em que fonemas iguais ou semelhantes se diferenciam para evitar repetição acústica (ex.: rotundu > redondo; liliu > lírio).
- Nasalização
- Processo em que uma vogal oral adquire traço de nasalidade pela influência de consoante nasal contígua (ex.: lana > lã; mano > mão).
- Ditongação
- Transformação de uma vogal simples em um ditongo (ex.: focus > fogo > [fɔwgu] em falares orais; areia a partir de arena).
- Monotongação
- Redução fonética de um ditongo a uma vogal simples na pronúncia (ex.: 'peixe' pronunciado [peʃi], 'ouro' pronunciado [oru]).
- Vocalização
- Transformação de uma consoante em semivogal ou vogal ao longo da história (ex.: nocte > noite; octo > oito; l velar > [w] em 'alto').
- Consonantização
- Fenômeno inverso à vocalização, no qual uma vogal ou semivogal assume valor consonantal (ex.: Iesum > Jesus; uita > vida).
- Sonorização
- Mudança fonética em que uma consoante surda (desvozeada) passa a sonora (vozeada) entre vogais (ex.: lupu > lobo; vita > vida; laco > lago).
- Desvozeamento (Ensurdecimento)
- Perda da vibração das pregas vocais em um fonema tipicamente sonoro por assimilação de contexto (ex.: /z/ tornando-se [s] antes de consoante surda).
- Neutralização fonológica
- Perda do valor distintivo entre dois ou mais fonemas em determinado contexto, como a perda de oposição entre /e/ e /ɛ/ em sílabas átonas.
- Harmonia vocálica
- Ajuste articulatório da vogal átona em direção ao traço (altura/abertura) da vogal da sílaba tônica seguinte (ex.: 'menino' pronunciado [mi'ninu]).
- Rotacismo
- Substituição do fonema lateral /l/ por um fonema rótico /r/ (ex.: clavu > cravo; flaccu > fraco; 'chiclete' > 'chicrete' no falar popular).
- Lambdacismo
- Fenômeno oposto ao rotacismo: substituição de uma consoante rótica /r/ por uma consoante lateral /l/ (ex.: 'fritar' > 'flitar').
- Palatalização
- Deslocamento do ponto de articulação em direção ao palato duro (céu da boca), como a oclusiva /t/ virando a africada [tʃ] diante de [i].
- Velarização
- Articulação de um fonema na região do palato mole (véu palatino), comum na realização do /l/ pós-vocálico em Portugal [ɫ] ('brasil').
- Elisão
- Supressão da vogal átona final de uma palavra diante da vogal inicial da palavra imediatamente seguinte (ex.: 'de água' > 'd'água').
- Crase fonológica
- Fusão histórica de duas vogais idênticas contíguas em uma só vogal longa ou simples (ex.: pede > pee > pé; videre > veer > ver).
- Sinérese
- Contração poética ou prosódica de duas vogais em hiato no interior de uma palavra num único ditongo (ex.: 'sa-ú-de' pronunciado como dissílabo).
- Diérese prosódica
- Separação poética de elementos de um ditongo em duas sílabas distintas, gerando um hiato artificial (ex.: trans-mu-dar 'sau-da-de' em 'sa-u-da-de').
- Silabada
- Erro de prosódia que consiste na transposição da sílaba tônica para outra posição (ex.: pronunciar 'rúbrica' em vez do correto 'ru-BRI-ca').
- Cacoépia
- Defeito de pronúncia ou erro na correta emissão e articulação dos sons de uma palavra segundo a norma culta padrão (oposto da ortoépia).
- Ortoépia (Ortoepia)
- Parte da fonética e gramática normativa que estabelece a pronúncia correta dos fonemas e das palavras de acordo com a norma padrão.
- Prosódia
- Parte da fonética e gramática que trata da correta acentuação tônica e modulação entoacional das palavras.
- Prosódia de 'Ínterim'
- Palavra proparoxítona: pronuncia-se estritamente com a força na antepenúltima sílaba: ÍN-te-rim.
- Prosódia de 'Pudico'
- Palavra paroxítona segundo a norma culta padrão: pronuncia-se pu-DI-co (nunca púdico).
- Prosódia de 'Nobel'
- Palavra oxítona segundo o padrão erudito da língua portuguesa: pronuncia-se no-BEL (nunca nóbel).
- Prosódia de 'Recorde'
- Palavra paroxítona no português padrão: pronuncia-se re-COR-de (nunca récorde).