Humanismo e Classicismo

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Estudo sobre o Humanismo e o Classicismo na literatura portuguesa, cobrindo conceitos, marcos históricos, autores e características estéticas.

50 cartões Português Nível: Ensino fundamental e médio Literatura portuguesa Publicado
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O que foi o Humanismo em Portugal?
Período de transição entre a Idade Média (Trovadorismo) e o Renascimento (Classicismo), ocorrido nos séculos XV e início do XVI.
O que foi o Classicismo?
Movimento cultural e literário do Renascimento (século XVI) marcado pelo resgate dos valores e da estética da Antiguidade greco-latina.
Marco inicial do Humanismo português
A nomeação de Fernão Lopes como Guarda-Mor da Torre do Tombo em 1418 por D. Duarte.
Marco inicial do Classicismo português
O retorno de Sá de Miranda da Itália em 1527, introduzindo o dolce stil novo e as novas formas métricas.
Teocentrismo versus Antropocentrismo
O Humanismo inicia a transição da visão de Deus no centro para o Homem no centro, plenamente consolidada no Classicismo.
Concepção do homem no Classicismo
Ser racional, equilibrado e universal, capaz de dominar suas paixões e compreender o cosmos por meio da razão.
Métrica: Medida Velha
Versos tradicionais medievais em redondilhas menores (5 sílabas) ou maiores (7 sílabas), predominantes no Humanismo.
Métrica: Medida Nova
Versos decassílabos introduzidos no Classicismo por Sá de Miranda, baseados na tradição poética italiana.
Forma poética clássica introduzida por Sá de Miranda
O soneto, composto por dois quartetos e dois tercetos, com rimas fixas e métrica decassílaba.
Poesia Palaciana (Humanismo)
Poesia produzida nos salões da corte, separada da música, com jogos de palavras e temas amorosos e satíricos.
Cancioneiro Geral de Garcia de Resende (1516)
Compilação que reuniu a produção da Poesia Palaciana do Humanismo português.
Separação entre poesia e música
Ocorre durante o Humanismo; a poesia deixa de ser cantada como nas cantigas medievais e passa a ser lida ou recitada.
Fernão Lopes e a historiografia
Primeiro grande cronista português; transformou a crônica em narrativa histórica crítica, com foco no povo e no realismo.
Papel do 'arraia-miúda' nas Crônicas de Fernão Lopes
O povo comum passa a ser retratado como força ativa e decisiva nas mudanças políticas de Portugal.
Gil Vicente: importância histórica
Pai do teatro português, cuja produção marca o apogeu dramático do Humanismo ibérico.
Características do teatro de Gil Vicente
Crítica social e moralizante, tipos humanos estereotipados, autos religiosos, farsas cômicas e uso da medida velha.
O lema 'Ridendo castigat mores' no teatro vicentino
Expressão latina que significa 'rindo, corrigem-se os costumes', base da sátira de Gil Vicente.
Estrutura do Auto da Barca do Inferno
Alegoria moral em que diferentes classes sociais são julgadas após a morte pelo Anjo ou pelo Diabo.
Diferença do teatro vicentino para o teatro clássico
Vicente não segue as unidades de tempo, lugar e ação de Aristóteles; o Classicismo busca a tragédia e a comédia regulares.
Racionalismo clássico
Predomínio da razão sobre a emoção, buscando o controle das paixões e a clareza de pensamento.
Universalismo no Classicismo
Foco em verdades e dilemas universais da condição humana, evitando o particularismo e o provincianismo.
Equilíbrio e clareza formal clássica
Busca pela simetria, harmonia e contenção verbal, inspiradas nos cânones estéticos greco-latinos.
Mimese (mimesis) no Classicismo
Conceito aristotélico de imitação da natureza e dos mestres da Antiguidade como modelo de perfeição.
Neoplatonismo amoroso
Filosofia que idealiza o amor e a mulher, distinguindo o amor carnal imperfeito da ideia pura do amor espiritual.
Luís Vaz de Camões: duplicidade lírica
Cultivou tanto a tradição medieval (redondilhas na medida velha) quanto a estética clássica (sonetos em decassílabos).
Tema do desconcerto do mundo em Camões lírico
Frustração com as injustiças da vida e o choque entre os ideais clássicos e a realidade caótica do mundo.
Tema da efemeridade e das mudanças (mudança de estado)
Poética camoniana sobre a transitoriedade do tempo, célebre pelo verso 'Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades'.
Estrutura de Os Lusíadas
Epopeia clássica com 10 cantos, 1.102 estrofes em oitava rima (ABABABCC) e 8.816 versos decassílabos heroicos.
As cinco partes estruturais de Os Lusíadas
Proposição, Invocação, Dedicatória, Narração e Epílogo.
Quem é o herói coletivo em Os Lusíadas?
O povo português ('o peito ilustre lusitano'), e não apenas a figura individual de Vasco da Gama.
Papel da mitologia pagã em Os Lusíadas
Elemento alegórico da estética épica clássica; os deuses deliberam sobre o destino dos navegadores cristãos.
O episódio do Velho do Restelo
Crítica humanista e conservadora às ambições imperialistas, alertando sobre as perdas materiais e humanas das navegações.
O episódio do Gigante Adamastor
Alegoria clássica que personifica os perigos desconhecidos e a transposição do Cabo das Tormentas pelos portugueses.
O episódio da Ilha dos Amores
Recompensa divina dada aos navegadores com ninfas e a revelação da 'Máquina do Mundo' a Vasco da Gama.
A 'Máquina do Mundo' em Camões
Visão cosmológica ptolomaica que sintetiza o conhecimento científico, astronômico e filosófico da Renascença.
Diferença entre o riso em Gil Vicente e a tragédia clássica
Vicente usa o riso popular e farsesco como crítica; o Classicismo valoriza a tragédia séria para provocar a catarse.
Paganismo versus Cristianismo no Classicismo
Conflito e convivência estética entre a mitologia pagã greco-romana e a moral da fé cristã ocidental.
Crônica medieval versus Crônica humanista de Fernão Lopes
A medieval era mera genealogia de nobres; Fernão Lopes usou documentos, análise causal e foco nos eventos coletivos.
Visão da mulher no Humanismo vicentino
Retratada em situações cotidianas concretas, muitas vezes astuta ou pecadora, sem a idealização clássica.
Visão da mulher no Classicismo lírico
Figura etérea e idealizada segundo a filosofia neoplatônica, vista como ponte para a beleza divina inteligível.
A transição do verso curto para o verso longo
O Humanismo privilegiava as redondilhas (ágeis); o Classicismo estabeleceu os decassílabos (graves e intelectuais).
O conceito de 'Engenho e Arte' no Classicismo
União indispensável entre a inspiração inata ('engenho') e o domínio rigoroso da técnica poética ('arte').
A Farsa de Inês Pereira e seu provérbio
Peça de Gil Vicente baseada no dito 'mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube', ironizando casamentos de interesse.
Tragédia Castro de António Ferreira
Primeira tragédia clássica regular da língua portuguesa, estruturada nos moldes rígidos de Sófocles e Eurípides.
In Medias Res na narrativa clássica
Técnica épica de iniciar a narração no meio da ação, empregada por Camões ao narrar a viagem já em Moçambique.
O choque entre razão e paixão no soneto camoniano
Tensão expressa no verso 'Amor é fogo que arde sem se ver', usando antíteses e paradoxos para racionalizar sentimentos.
Transformação do herói: cavaleiro medieval versus navegador renascentista
O herói medieval busca a honra religiosa; o renascentista alia a coragem militar ao conhecimento científico e prático.
Fim do Classicismo e início do Barroco
Ocorre no final do século XVI (1580), provocado pela crise política de Portugal e pela Contra-Reforma da Igreja.
Resumo da evolução temática do Trovadorismo ao Classicismo
Vassalagem amorosa mística (Trovadorismo), crítica social e transição mundana (Humanismo), perfeição formal e razão (Classicismo).
Por que o Humanismo é chamado de época de transição?
Porque coexistiram a fé e o misticismo medievais com os primeiros traços de racionalismo, ciência e laicismo modernos.

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