Trovadorismo
Estudo dos conceitos principais, cantigas e contexto histórico do Trovadorismo na Idade Média. O material destina-se a estudantes do ensino médio e vestibulandos.
Cartões · 51
- Trovadorismo
- Primeiro movimento literário da língua portuguesa, desenvolvido na Idade Média entre os séculos XII e XIV, marcado pela união de poesia e música.
- Cantiga da Ribeirinha
- Composta por Paio Soares de Taveirós em 1189 ou 1198, é tradicionalmente considerada o marco inicial da literatura galego-portuguesa.
- Galego-português
- Língua românica medieval comum à Galiza e a Portugal, idioma exclusivo no qual foram compostas as cantigas trovadorescas.
- Feudalismo e Trovadorismo
- A estrutura de suserania e vassalagem serviu de metáfora direta para as relações amorosas retratadas nas cantigas líricas medievais.
- Teocentrismo
- Visão medieval que colocava Deus no centro do universo, influenciando os valores morais, religiosos e estéticos da produção artística.
- Trovador
- Compositor nobre e letrado que criava letra e melodia das cantigas, ocupando prestígio superior aos demais músicos medievais.
- Jogral
- Artista popular e itinerante que executava e interpretava cantigas de autoria alheia para sobreviver, muitas vezes improvisando.
- Segrel
- Fidalgo decadente que recebia pagamento para compor e executar cantigas, situando-se entre o trovador nobre e o jogral popular.
- Menestrel
- Músico e cantor contratado de forma fixa por nobres para residir na corte e prover entretenimento musical contínuo.
- Soldadeira
- Mulher do povo que participava das apresentações musicais dançando, cantando e tocando castanholas ou pandeiros mediante soldo.
- Cantigas Líricas
- Vertente poética intimista focada nos sentimentos, emoções e estados de espírito, dividida entre cantigas de amor e de amigo.
- Cantiga de Amor
- Poema de origem provençal com eu lírico masculino, marcado pela vassalagem amorosa, sofrimento do amante e idealização da dama.
- Vassalagem amorosa
- Submissão incondicional do eu lírico masculino perante a senhora amada, reproduzindo o pacto de fidelidade feudal.
- Senhor (Senhor Dama)
- Designação respeitosa e nobre dada à mulher amada na cantiga de amor, sempre pertencente a uma classe social superior.
- Coita de amor
- Sentimento de dor extrema, tristeza e angústia existencial provocado pelo amor inalcançável e não correspondido.
- Amor cortês
- Ideal aristocrático de paixão platônica, secreta e inatingível, caracterizada pelo respeito absoluto e serviço leal à dama.
- Cantiga de Amigo
- Poema de matriz tradicional ibérica com eu lírico feminino, que expressa a saudade, dor e queixa pelo afastamento do amado.
- Eu lírico feminino na cantiga de amigo
- Voz poética feminina composta invariavelmente por autores homens, retratando donzelas simples do ambiente rural ou costeiro.
- Amigo (significado trovadoresco)
- Termo utilizado nas cantigas para referir-se ao namorado, pretendente amoroso ou amante da donzela.
- Confidentes na cantiga de amigo
- A mãe, as amigas de juventude ou elementos da natureza com quem a donzela compartilha suas angústias e saudades do amado.
- Paralelismo
- Recurso estrutural baseado na repetição de estrofes com versos quase idênticos, variando apenas a rima para reforçar o ritmo musical.
- Refrão
- Verso ou conjunto de versos repetidos no final de cada estrofe, cantados coletivamente pelo público ou coro.
- Cantiga de Meestria
- Forma poética erudita de origem provençal que não possui refrão e apresenta estrutura estrófica mais complexa e rigorosa.
- Cantiga de Refram
- Composição lírica que se caracteriza obrigatoriamente pela presença de refrão ao término de cada estrofe.
- Leixa-pren
- Técnica poética paralelística em que o último verso de uma estrofe é retomado como o primeiro verso da estrofe subsequente.
- Cantigas Satíricas
- Vertente poética de crítica social, política, comportamental e moral, dividida entre cantigas de escárnio e de maldizer.
- Cantiga de Escárnio
- Sátira indireta, refinada e irônica que usa duplo sentido e ambiguidades, sem revelar explicitamente o nome da pessoa criticada.
- Equívoco (recurso satírico)
- Uso de palavras com duplo sentido na cantiga de escárnio para velar a ofensa e provocar humor sem ofensa nominal direta.
- Cantiga de Maldizer
- Sátira direta, agressiva e difamatória que cita expressamente o nome do ofendido, frequentemente recorrendo a insultos e obscenidades.
- Alvos das cantigas satíricas
- Nobres corruptos ou covardes, clérigos hipócritas, mulheres adúlteras, soldadeiras e rivais literários contemporâneos.
- Cancioneiro
- Coletânea manuscrita medieval que reúne transcrições de cantigas líricas e satíricas de diversos trovadores e épocas.
- Cancioneiro da Ajuda
- O mais antigo cancioneiro português conservado, compilado por volta de 1280, contendo quase exclusivamente cantigas de amor.
- Cancioneiro da Vaticana
- Cópia renascentista de cerca de 1200 composições trovadorescas, redescoberta na Biblioteca do Vaticano no século XIX.
- Cancioneiro da Biblioteca Nacional
- Também chamado Colocci-Brancuti, reúne mais de 1500 cantigas de todos os gêneros e preserva a Arte de Trovar.
- Arte de Trovar
- Tratado teórico anônimo preservado no Cancioneiro da Biblioteca Nacional com regras métricas e preceitos da poética trovadoresca.
- Dom Dinis de Portugal
- Rei de Portugal e prolífico trovador que oficializou o português em documentos e foi o maior mecenas do Trovadorismo ibérico.
- João Garcia de Guilhade
- Trovador português célebre pela variedade estilística e pelo tom satírico bem-humorado em suas cantigas de amigo e de escárnio.
- Bernal de Bonaval
- Um dos primeiros e mais notáveis poetas galegos, fundamental na fixação dos modelos das cantigas de amigo na Península.
- Martim Codax
- Jogral galego do século XIII, autor de célebres cantigas marinheiras cujas partituras musicais originais foram conservadas.
- Pergaminho Vindel
- Raro documento histórico do século XIII que preserva a notação musical e as letras de sete cantigas de Martim Codax.
- Pergaminho Sharrer
- Fragmento documental que preserva partituras e letras de sete cantigas de amor compostas pelo rei Dom Dinis.
- Cantigas de Santa Maria
- Conjunto de centenas de poemas sacros em galego-português encomendados pelo rei Afonso X de Leão e Castela com milagres marianos.
- Tençom
- Composição poética em forma de diálogo rimado ou debate entre dois trovadores que defendem teses opostas.
- Pastorela
- Cantiga de origem provençal que descreve o encontro lírico-narrativo e a sedução entre um cavaleiro fidalgo e uma pastora.
- Alba (ou Alvorada)
- Subgênero lírico que retrata a separação dolorosa de dois amantes ao romper do dia para não serem flagrados.
- Barcarola ou Marinha
- Variante da cantiga de amigo em que o cenário marítimo e o mar funcionam como tema, confidente ou testemunha do drama amoroso.
- Cantiga de Romaria
- Subgênero da cantiga de amigo ambientado em torno de santuários e peregrinações religiosas, pretexto para o encontro amoroso.
- Novelas de Cavalaria
- Prosas ficcionais medievais de aventuras heroicas, dever moral e fé cristã que circularam no mesmo período do Trovadorismo.
- Ciclo Arturiano (Breto)
- Conjunto de novelas de cavalaria focado nas lendas do Rei Artur, Cavaleiros da Távola Redonda e a Demanda do Santo Graal.
- Crise do Trovadorismo
- Processo de declínio das cantigas galego-portuguesas em meados do século XIV, decorrente da peste, guerras e ascensão da burguesia.
- Transição para o Humanismo
- Desprendimento paulatino da poesia em relação à música no final do século XIV, abrindo caminho para a poesia palaciana escrita.