Literatura: Modernismo

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Este conjunto aborda os conceitos, as fases e as principais características do Modernismo literário e artístico, destinado a estudantes.

58 cartões Português Nível: Ensino fundamental e médio Movimentos literários Publicado
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Modernismo
Movimento cultural e literário do início do século XX focado na ruptura com o academicismo, inovação estética e assimilação das vanguardas europeias.
Semana de Arte Moderna (1922)
Evento marco realizado no Teatro Municipal de São Paulo que oficializou a estética modernista no Brasil por meio de exposições, conferências e saraus.
Vanguardas Europeias
Movimentos artísticos do início do século XX (como Futurismo e Cubismo) que influenciaram radicalmente a ruptura formal e a experimentação modernista.
Futurismo
Vanguarda fundada por Marinetti que exaltava a velocidade, as máquinas, o dinamismo urbano e a destruição da sintaxe tradicional.
Cubismo
Movimento estético que propôs a fragmentação geométrica da realidade, múltiplos pontos de vista simultâneos e colagem textual.
Dadaísmo
Vanguarda pautada no absurdo, no deboche à lógica ocidental, no non-sense e na destruição deliberada das convenções estéticas.
Surrealismo
Vertente que explorava o inconsciente, a escrita automática, o universo onírico e a liberação das amarras da razão burguesa.
Expressionismo
Movimento focado na exteriorização de angústias subjetivas, distorção da realidade e crítica social por meio do drama emocional.
Primeira Fase do Modernismo (1922-1930)
Fase heroica ou destrutiva caracterizada pela busca da identidade nacional, humor, paródia, ruptura gramatical e versos livres.
Oswald de Andrade
Autor combativo e irreverente da Primeira Fase, criador dos manifestos Pau-Brasil e Antropófago, adepto do poema-pílula e da paródia histórica.
Manifesto Pau-Brasil (1924)
Proposta estética que defendia uma poesia de exportação, valorizando a oralidade, o cotidiano nacional e o humor ingênuo e direto.
Manifesto Antropófago (1928)
Defesa da deglutição crítica da cultura e das influências estrangeiras para criar uma identidade artística genuinamente brasileira.
Mário de Andrade
Polígrafo e pesquisador essencial da Primeira Fase, autor de Macunaíma e promotor do estudo do folclore e da língua oral brasileira.
Macunaíma (1928)
Rapsódia de Mário de Andrade que retrata o herói sem nenhum caráter, fundindo mitos indígenas, oralidade e regionalismos variados.
Manuel Bandeira
Poeta que transitou do Parnasianismo ao Modernismo, conhecido pela simplicidade lírica, versos livres, melancolia e tom coloquial.
Poema-pílula
Formato lírico breve, conciso e epigramático muito explorado na Primeira Fase para expressar humor instantâneo e ironia.
Verso livre
Composição poética sem métrica predeterminada, adotada pelos modernistas para romper com o rigor formal do Parnasianismo.
Verso branco
Versos sem rima que permitiram aos autores modernistas maior fluidez expressiva e foco no ritmo natural da fala.
Coloquialismo
Uso deliberado da fala cotidiana e de construções gramaticais populares na literatura, rompendo com o purismo linguístico.
Paródia no Modernismo
Recurso satírico para reescrever mitos patrióticos e textos clássicos, desconstruindo a visão idealizada da história do país.
Movimento Verde-Amarelo
Corrente nacionalista ufanista da Primeira Fase liderada por Cassiano Ricardo e Plínio Salgado, de cunho conservador e anti-antropofágico.
Segunda Fase do Modernismo (1930-1945)
Fase de consolidação e maturidade, marcada pelo romance regionalista social, engajamento político e aprofundamento existencial.
Romance de 30
Narrativa em prosa realista e crítica que investigou problemas socioeconômicos do Brasil, especialmente no Nordeste castigado pela seca.
Graciliano Ramos
Prosador da Segunda Fase com estilo conciso e seco, focado no drama social sertanejo e na análise psicológica profunda.
Vidas Secas (1938)
Obra-prima de Graciliano Ramos que retrata a desumanização de uma família de retirantes sertanejos fugindo da seca.
Rachel de Queiroz
Pioneira do Romance de 30 que estreou com O Quinze, retratando o sofrimento humano diante da seca de 1915 no Ceará.
Jorge Amado
Romancista baiano que combinou crítica social, realismo, cultura popular afro-brasileira e lirismo em obras como Capitães da Areia.
Capitães da Areia (1937)
Romance de Jorge Amado focado na luta, marginalidade e companheirismo de um grupo de meninos de rua em Salvador.
José Lins do Rego
Autor do Ciclo da Cana-de-Açúcar, caracterizado por narrativas memorialistas sobre a decadência dos engenhos do Nordeste.
Menino de Engenho (1932)
Obra inaugural de José Lins do Rego que mescla autoficção e retrato sociológico das transformações patriarcais açucareiras.
Érico Veríssimo
Principal nome da prosa sulista de 30, autor da trilogia O Tempo e o Vento, abordando a formação histórica do Rio Grande do Sul.
Poesia de 30
Vertente poética madura que equilibrou engajamento social, crise espiritual, inquietação metafísica e liberdade formal.
Carlos Drummond de Andrade
Principal poeta da Segunda Fase, cuja obra transita pelo gauche, humor irônico, crítica sociopolítica e angústia metafísica.
Sentimento do Mundo (1940)
Livro de Drummond marcado pelo engajamento político, compaixão pela humanidade e dor diante das tragédias da Segunda Guerra.
Vinicius de Moraes
Poeta e letrista que combinou temática religiosa e mística em sua fase inicial com o lirismo amoroso e a forma do soneto clássico.
Cecília Meireles
Poeta ligada à poesia intimista de 30, marcada pela musicalidade pura, efemeridade da vida e atmosfera neossimbolista.
Murilo Mendes
Autor que uniu religiosidade católica, atmosfera surrealista e lirismo visionário em sua poesia moderna.
Jorge de Lima
Poeta alagoano que integrou regionalismo nordestino, temas afro-brasileiros, misticismo cristão e experimentalismo hermético.
Terceira Fase do Modernismo (1945-1960)
Fase de renovação estética profunda, caracterizada pelo rigor formal, sondagem psicológica, experimentalismo linguístico e metalinguagem.
Geração de 45
Grupo de poetas que reagiu contra o experimentalismo de 1922, buscando restauração métrica, equilíbrio clássico e apuro vocabular.
João Guimarães Rosa
Maior inovador da prosa brasileira de 45, revolucionou a linguagem com neologismos, sintaxe arcaica e a dimensão universal do sertão.
Grande Sertão: Veredas (1956)
Monólogo monumental de Riobaldo que cruza narrativa de jagunços com questionamentos metafísicos sobre o bem, o mal e o amor.
Clarice Lispector
Escritora que revolucionou a prosa introspectiva com foco em epifanias, fluxo de consciência e crises existenciais femininas.
Epifania na obra de Clarice
Momento de revelação súbita no cotidiano das personagens que desestabiliza a percepção comum da realidade e de si mesmas.
Perto do Coração Selvagem (1943)
Romance de estreia de Clarice Lispector que rompeu com a linearidade tradicional por meio de densa sondagem psicológica.
João Cabral de Melo Neto
Poeta da Geração de 45 caracterizado pela recusa do sentimentalismo lírico, rigor métrico, objetividade e metáfora da arquitetura.
Morte e Vida Severina (1955)
Auto de natal pernambucano em versos de redondilha maior que retrata o drama arquetípico do retirante nordestino.
Concretismo (década de 1950)
Movimento de vanguarda que aboliu o verso tradicional, valorizando a dimensão visual, sonora e espacial da palavra na página.
Modernismo em Portugal (Orfismo)
Iniciado em 1915 com a revista Orpheu, rompeu com o tradicionalismo lusitano sob o comando de Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.
Revista Orpheu (1915)
Publicação semestral em Lisboa que chocou a sociedade burguesa e introduziu as vanguardas estéticas em Portugal.
Fernando Pessoa
Maior figura do Modernismo português, notável pela criação de heterônimos com biografias, estilos e filosofias próprias.
Heteronímia
Criação de personalidades literárias completas e independentes do autor, dotadas de estilo próprio, psicologia e cosmovisão.
Alberto Caeiro
Heterônimo de Fernando Pessoa ligado ao sensacionismo puro, guardador de rebanhos avesso à metafísica e focado no presente visual.
Ricardo Reis
Heterônimo neoclássico e epicurista, médico educado em colégio jesuíta, adepto da estrofe sáfica e do carpe diem estóico.
Álvaro de Campos
Heterônimo engenheiro naval e vanguardista, autor de odes futuristas explosivas e mais tarde de poemas de profunda desilusão niilista.
Mário de Sá-Carneiro
Poeta português modernista cuja obra expressa o drama da inadaptação, a fragmentação da alma e o suicídio existencial.
Presencismo (1927-1940)
Segunda fase do modernismo português centrada na revista Presença, que defendeu a autonomia da arte e a sinceridade psicológica.
Neorrealismo Português
Movimento da década de 1940 em Portugal inspirado no marxismo, focado na denúncia da exploração social e oposição ao Salazarismo.

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