Escolas Literárias do ENEM

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Estudo das principais escolas literárias cobradas no ENEM, abordando contexto histórico, características e autores. Destinado a estudantes do ensino médio.

60 cartões Português Nível: Ensino fundamental e médio Movimentos literários Publicado
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Cartões · 60

Quinhentismo (Contexto Histórico)
Início da colonização brasileira (século XVI), expansão marítima portuguesa, Reforma e Contrarreforma religiosa.
Literatura de Informação (Quinhentismo)
Textos descritivos sobre a terra, fauna, flora e povos indígenas, com foco documental. Destaque: Carta de Pero Vaz de Caminha.
Literatura de Catequese (Quinhentismo)
Textos jesuíticos de cunho religioso e pedagógico para conversão indígena. Destaque: Padre José de Anchieta (autos e poesia).
Barroco no Brasil (Contexto Histórico)
Século XVII ao início do XVIII; auge da produção canavieira na Bahia; tensões espirituais causadas pela Contrarreforma católica.
Barroco (Características)
Dualismo (corpo vs. alma), pessimismo, antíteses, paradoxos, brevidade da vida (carpe diem) e temas religiosos e morais.
Cultismo (Barroco)
Estilo focado no jogo de palavras, metáforas rebuscadas, trocadilhos e inversões sintáticas. Representado por Gregório de Matos.
Conceptismo (Barroco)
Estilo voltado ao jogo de ideias, lógica, argumentação engenhosa e retórica persuasiva. Representado pelo Padre Antônio Vieira.
Gregório de Matos (O Boca do Inferno)
Principal poeta barroco brasileiro; produziu poesia satírica contundente contra a sociedade colonial, além de lírica e religiosa.
Padre Antônio Vieira
Mestre da prosa barroca e do conceptismo, célebre por sermões políticos e teológicos como o Sermão da Sexagésima.
Arcadismo / Neoclassicismo (Contexto)
Século XVIII; Ciclo do Ouro em Minas Gerais, Revolução Francesa, Iluminismo e Inconfidência Mineira.
Arcadismo (Características Principais)
Racionalismo, valorização da vida campestre simples, clareza formal, referências à mitologia greco-romana e pastoralismo.
Lemas Latinos do Arcadismo
Fugere urbem (fugir da cidade), locus amoenus (lugar ameno), aurea mediocritas (vida mediana e equilibrada) e inutilia truncat (cortar o inútil).
Cláudio Manuel da Costa
Poeta árcade de transição, participou da Inconfidência Mineira e fundou a Arcádia Ultramarina; autor de Obras Poéticas.
Tomás António Gonzaga
Autor de Marília de Dirceu (lírica amorosa pastoral) e das Cartas Chilenas (crítica satírica ao governador colonial de Minas).
Basílio da Gama e Santa Rita Durão
Autores da poesia épica árcade com elementos nativistas; escreveram O Uraguai e Caramuru, respectivamente.
Romantismo no Brasil (Contexto Histórico)
Século XIX (a partir de 1836); Independência do Brasil (1822) e busca pela consolidação de uma identidade nacional própria.
Romantismo (Características Gerais)
Subjetivismo, sentimentalismo exacerbado, nacionalismo, escapismo pela morte ou sonho, culto à natureza e individualismo.
Primeira Geração Romântica (Características)
Nacionalismo ufanista, indianismo (índio visto como herói nobre e cavaleiresco) e religiosidade patriótica.
Gonçalves Dias
Maior poeta da primeira geração romântica; autor de Canção do Exílio e I-Juca Pirama, mesclando lirismo e nativismo.
Segunda Geração Romântica (Ultra-romantismo)
Mal do século, pessimismo extremo, melancolia, tédio da existência, atração pela morte e fuga da realidade.
Álvares de Azevedo
Principal autor da segunda geração romântica; autor do livro de poemas Lira dos Vinte Anos e da prosa Noite na Taverna.
Terceira Geração Romântica (Condoreirismo)
Poesia engajada, oratória grandiloquente e lutas sociopolíticas centradas na abolição da escravidão e na causa republicana.
Castro Alves (O Poeta dos Escravos)
Voz marcante da terceira geração romântica; autor de Navio Negreiro e Espumas Flutuantes, defensor inflamado dos escravizados.
José de Alencar (Prosa Romântica)
Consolidador da prosa nacionalista; escreveu romances indianistas (O Guarani, Iracema), urbanos (Senhora) e regionalistas (O Gaúcho).
Realismo (Contexto Histórico)
Segunda metade do século XIX; Revolução Industrial, teorias científicas (Positivismo, Darwinismo), abolição e proclamação da República.
Realismo (Características)
Objetividade, crítica social à burguesia e ao casamento de conveniência, análise psicológica aprofundada, ironia e sobriedade.
Machado de Assis (Fase Realista)
Maior escritor brasileiro; inaugurou o Realismo em 1881 com Memórias Póstumas de Brás Cubas; autor de Dom Casmurro e Quincas Borba.
Naturalismo (Características)
Radicalização do Realismo; visão determinista (homem condicionado por meio, raça e momento), zoomorfização e foco em patologias sociais.
Aluísio Azevedo
Principal romancista naturalista; autor de O Cortiço (retrato da coletividade marginalizada) e O Mulato.
Raul Pompeia (O Ateneu)
Obra memorialista e psicológica com traços realistas, naturalistas e impressionistas, retratando o microcosmo de um internato.
Parnasianismo (Características)
A arte pela arte, impassibilidade sentimental, rigor métrico e rítmico, busca pela forma perfeita e temas clássicos universais.
Tríade Parnasiana
Composta por Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira; dominaram a lírica brasileira na virada para o século XX.
Olavo Bilac
Poeta mais popular do Parnasianismo no Brasil; célebre por sonetos impecáveis como Via Láctea e Profissão de Fé.
Simbolismo (Características)
Reação ao materialismo; misticismo, espiritualidade, sinestesia, musicalidade, valorização do subconsciente e da cor branca.
Cruz e Sousa
Maior poeta simbolista brasileiro, alcunhado de Cisne Negro; autor de Broquéis e Missal, explorou a angústia da condição humana.
Alphonsus de Guimaraens
Autor simbolista marcado pelo misticismo católico, atmosfera fúnebre e dor pela morte da mulher amada (Ismália).
Pré-Modernismo (Contexto Histórico)
Início do século XX (1902 a 1922); República Velha, conflitos agrários (Canudos, Contestado), urbanização e desigualdade social.
Pré-Modernismo (Características)
Período de transição sem estética unificada; denúncia da realidade brasileira, ruptura com o academicismo e foco nos marginalizados.
Euclides da Cunha (Os Sertões)
Obra magistral de 1902 que analisa a Guerra de Canudos dividida em: A Terra, O Homem e A Luta; denuncia o abandono do sertanejo.
Lima Barreto
Autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma; criticou a burocracia, o falso patriotismo, o racismo e as desigualdades urbanas.
Monteiro Lobato (Urupês)
Criador do personagem Jeca Tatu, símbolo do caipira doente e abandonado pelo Estado; combateu o atraso rural do Vale do Paraíba.
Augusto dos Anjos
Poeta pré-modernista singular de Eu; uniu cientificismo, morbidez, angústia cósmica e vocabulário técnico à forma clássica.
Semana de Arte Moderna (1922)
Marco de ruptura artística realizado em São Paulo no Theatro Municipal, propondo a renovação da linguagem e a independência cultural.
Primeira Fase Modernista (1922–1930)
Fase Heroica e iconoclasta; busca pela destruição do academicismo, verso livre, oralidade coloquial, sátira e nacionalismo crítico.
Mário de Andrade
Autor de Pauliceia Desvairada e Macunaíma (o herói sem nenhum caráter); líder intelectual do Modernismo e pesquisador do folclore.
Oswald de Andrade
Lançou o Manifesto Pau-Brasil e o Manifesto Antropófago; propôs deglutir a cultura estrangeira para recriar a identidade brasileira.
Manuel Bandeira
Poeta modernista que uniu simplicidade lírica, coloquialismo e reflexão sobre a finitude; autor de Vou-me embora pra Pasárgada.
Segunda Fase Modernista (1930–1945)
Fase de consolidação e maturidade; marcada por romance regionalista de cunho social, crise do café e Era Vargas.
Romance de 30 (Prosa Social)
Obras voltadas à denúncia dos problemas econômicos do Nordeste, seca, migração forçada e exploração do trabalhador.
Graciliano Ramos
Autor de Vidas Secas e São Bernardo; estilo enxuto, direto e impiedoso na análise da opressão socioeconômica do sertanejo.
Jorge Amado
Retratou o cacau na Bahia e os excluídos urbanos de Salvador; obras de destaque incluem Capitães da Areia e Terras do Sem-Fim.
Rachel de Queiroz
Primeira mulher na Academia Brasileira de Letras; autora de O Quinze, relato pioneiro e sensível sobre a seca cearense de 1915.
Carlos Drummond de Andrade
Maior poeta da segunda fase; explorou o indivíduo isolado, a poesia social combativa (Sentimento do Mundo) e a metalinguagem.
Cecília Meireles
Poeta lírica com influências simbolistas; versos sobre transitoriedade, efemeridade do tempo e musicalidade sutil.
Vinicius de Moraes
Transitou da poesia mística para o lirismo amoroso cotidiano e a canção popular (Bossa Nova); autor do Soneto de Fidelidade.
Terceira Fase Modernista (Geração de 45)
Período pós-Segunda Guerra Mundial e redemocratização; rigor estético, experimentalismo formal e densidade existencial.
Clarice Lispector
Autora de A Hora da Estrela e Perto do Coração Selvagem; marcou a prosa introspectiva, epifânica e de fluxo de consciência.
Guimarães Rosa
Autor de Grande Sertão: Veredas; reinventou a linguagem literária com neologismos, fundindo o sertão mineiro a dilemas metafísicos.
João Cabral de Melo Neto
Poeta da Geração de 45 de estilo antilírico, exato e substantivo; autor do auto de natal nordestino Morte e Vida Severina.
Literatura Contemporânea (Pós-1960/70)
Multiplicidade de formas, hibridismo de gêneros, violência urbana, reflexão sobre a ditadura militar e metaficção.