Literatura Barroca

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Estudo dos principais conceitos, autores e obras da literatura barroca, ideal para estudantes do ensino médio e vestibulares.

59 cartões Português Nível: Ensino fundamental e médio Movimentos literários Publicado
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Cartões · 59

Barroco
Movimento artístico dos séculos XVI e XVII marcado pela dualidade, conflito entre fé e razão, pessimismo e forte apelo emocional.
Contexto histórico do Barroco
Marcado pela Reforma Protestante e pela Contrarreforma Católica, que gerou crise espiritual e política na Europa.
Cultismo (Gongorismo)
Vertente barroca focada no jogo de palavras, linguagem rebuscada, figuras de linguagem sonoras e descrição sensorial.
Conceptismo (Quevedismo)
Vertente barroca focada no jogo de ideias, raciocínio lógico, argumentação engenhosa e retórica persuasiva.
Antítese
Figura de linguagem frequente no Barroco que aproxima termos opostos, como luz e sombra, céu e terra, pecado e perdão.
Paradoxo (Oxímoro)
Figura que une ideias aparentemente inconciliáveis na mesma proposição, refletindo a contradição existencial humana.
Hipérbato
Inversão drástica da ordem natural dos termos da oração, comum na poesia cultista para criar estranhamento e erudição.
Metáfora
Comparação implícita intensamente utilizada pelos poetas barrocos para revelar conexões simbólicas entre o mundo e a alma.
Carpe Diem
Tópico literário que incita a aproveitar o momento presente devido à brevidade implacável do tempo e da beleza.
Mementomori
Lema que lembra a mortalidade inevitável de todo ser vivo, reforçando a transitoriedade e o apego ao pós-vida.
Tenebrismo e Chiaroscuro
Uso de forte contraste entre luz e sombras na literatura e na pintura, simbolizando salvação e perdição.
Dualismo barroco
Conflito existencial permanente entre carne e espírito, virtude e pecado, matéria e eternidade.
Bento Teixeira
Autor de Prosopopeia (1601), obra que marca o início oficial do período barroco na literatura brasileira.
Prosopopeia (1601)
Poema épico de Bento Teixeira dedicado a Jorge de Albuquerque Coelho, introduzindo a métrica camoniana no Brasil.
Gregório de Matos
Maior poeta do Barroco brasileiro, apelidado de Boca do Inferno pela veia satírica mordaz contra a sociedade baiana.
Poesia satírica de Gregório de Matos
Crítica feroz à corrupção moral e administrativa de Salvador, ridicularizando governantes, clérigos e falsos nobres.
Poesia lírico-amorosa de Gregório de Matos
Expressa a oscilação entre a atração sensual pela mulher e a culpa religiosa pela volúpia carnal.
Poesia religiosa de Gregório de Matos
Reflete a consciência profunda do pecado humano e apela com desespero à misericórdia de Deus.
Poesia filosófico-reflexiva de Gregório de Matos
Foca na fugacidade do tempo, na efemeridade da vida terrena e na instabilidade das coisas do mundo.
Padre António Vieira
Maior prosador barroco em língua portuguesa, jesuíta célebre por sermões oratórios de brilhante retórica conceptista.
Sermão da Sexagésima
Sermão metalinguístico de Vieira sobre a arte de pregar, defendendo que a palavra deve agir na mente e no coração.
Sermão de Santo António aos Peixes
Alegoria em que Vieira prega aos peixes para criticar a ganância e os vícios dos colonos no Maranhão.
Sermão do Bom Ladrão
Texto em que Vieira condena os governantes e juízes que roubam sob o amparo da lei, comparando-os a piratas.
Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal
Oração veemente na qual Vieira cobra a intervenção divina contra as invasões holandesas na Bahia.
Manuel Botelho de Oliveira
Primeiro brasileiro a publicar um livro de poesias em vida: Música do Parnaso (1705), de estilo cultista.
Música do Parnaso (1705)
Coletânea poética barroca com textos em português, espanhol, italiano e latim, de Botelho de Oliveira.
Sebastião da Rocha Pita
Historiador e escritor barroco baiano, autor da obra monumental História da América Portuguesa.
História da América Portuguesa
Obra historiográfica ufanista de 1730 com prosa laudatória e cheia de recursos retóricos do Barroco.
Soror Violante do Céu
Freira dominicana e poetisa barroca portuguesa, notável por sua lírica amorosa, religiosa e musical.
Soror Mariana Alcoforado
Religiosa portuguesa atribuída como autora das famosas Cartas Portuguesas, expoente da paixão amorosa trágica.
Cartas Portuguesas (1669)
Conjunto de cartas passionais atribuídas a Mariana Alcoforado, expressando dor amorosa e desespero barroco.
Francisco Rodrigues Lobo
Escritor português que fez a transição entre o Renascimento e o Barroco com novelas pastoris bucólicas.
Dom Francisco Manuel de Melo
Polígrafo português da época barroca, autor de tratados morais, comédias e da Apólogos Dialogais.
Luis de Góngora
Maior poeta do Barroco espanhol e criador do Gongorismo, com versos de alta densidade mitológica e sintática.
Fábula de Polifemo y Galatea
Poema mitológico de Luis de Góngora, ápice do cultismo em oitavas reais pela riqueza ornamental e sonora.
Soledades
Obra-prima inacabada de Góngora, repleta de metáforas complexas e linguagem hermética que revolucionou a lírica.
Francisco de Quevedo
Poeta e prosador espanhol, principal mestre do conceptismo e célebre rival literário de Luis de Góngora.
El Buscón (A História da Vida do Buscapé)
Novela picaresca de Francisco de Quevedo que satiriza a sociedade espanhola com humor corrosivo e conceptista.
Félix Lope de Vega
Dramaturgo prolífico do Século de Ouro espanhol, autor da peça Fuenteovejuna e renovador do teatro clássico.
Fuenteovejuna
Peça de Lope de Vega sobre a rebelião coletiva de uma vila camponesa contra os abusos de um comendador tirano.
Pedro Calderón de la Barca
Dramaturgo barroco espanhol, autor de obras de grande profundidade filosófica e dramas sacramentais.
La vida es sueño (A Vida É Sonho)
Peça filosófica de Calderón de la Barca sobre destino, livre-arbítrio e a ilusão da existência material.
Segismundo
Protagonista de A Vida É Sonho que reflete sobre a condição humana e a tênue fronteira entre sonho e vigília.
Auto sacramental
Gênero teatral religioso barroco em um único ato com personagens alegóricos, focado no dogma da Eucaristia.
Tirso de Molina
Dramaturgo barroco espanhol criador do mito de Dom Juan na peça O Burlador de Sevilha e o Convidado de Pedra.
Juana Inés de la Cruz
Freira e poetisa mexicana, maior voz do Barroco hispano-americano, conhecida pela inteligência e defesa das mulheres.
Primeiro Sonho (Primero Sueño)
Poema longo e filosófico de Sor Juana Inés de la Cruz que explora a busca da alma pelo conhecimento universal.
Resposta a Sor Filotea de la Cruz
Texto em prosa de Sor Juana Inés de la Cruz defendendo o direito das mulheres ao estudo e à erudição.
John Donne
Poeta inglês líder dos poetas metafísicos barrocos, conhecido por seus sonetos sagrados e conceits engenhosos.
Poesia metafísica inglesa
Vertente do Barroco inglês que combina intelecto rigoroso, metáforas científicas arrojadas e temas espirituais.
Conceit
Metáfora estendida e improvável que estabelece analogia engenhosa entre elementos radicalmente dispares.
John Milton
Grande poeta do Barroco inglês, autor do monumental poema épico Paraíso Perdido sobre a queda humana.
Paraíso Perdido (Paradise Lost)
Epopéia de Milton que narra a rebelião de Lúcifer e a tentação de Adão e Eva no Jardim do Éden.
Vanitas
Tema artístico e literário que expõe a futilidade das vaidades terrenas diante da certeza da morte.
Ubi sunt?
Tópico literário de lamento sobre o destino das pessoas do passado e a rápida extinção das glórias mundanas.
Alegoria barroca
Uso continuado de metáforas em uma narrativa para representar verdades morais, religiosas ou filosóficas.
Hipérbole barroca
Exagero dramático nas expressões para enfatizar a intensidade das paixões, tormentos ou belezas descritas.
Sinestesia
Cruzamento de sensações de sentidos distintos para criar impressões intensas e deslumbrantes no leitor.
Visão antropocêntrica vs. Teocêntrica
Tensão interior típica do homem barroco dividido entre as delícias do mundo terreno e a salvação divina.