Implicaturas Conversacionais

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Estudo das implicaturas conversacionais, pragmática e máximas de Grice. Destinado a estudantes de linguística e letras.

50 cartões Português Nível: Ensino superior Gramática Publicado
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Implicatura conversacional
Sentido inferido pelo ouvinte que vai além do conteúdo literal, baseado no contexto, no que foi dito e na intenção comunicativa.
Paul Grice
Filósofo britânico que formalizou o conceito de implicatura e o Princípio de Cooperação em Lógica e Conversação (1975/1982).
Pragmática
Ramo da linguística e da filosofia da linguagem que estuda o uso da língua em contexto e a atribuição de sentido pelo falante.
Princípio de Cooperação
Suposição mútua de que os participantes de um diálogo contribuem de forma apropriada no momento em que a fala ocorre.
As quatro máximas conversacionais de Grice
Quantidade, Qualidade, Relação (ou Relevância) e Modo.
Máxima de Quantidade
Forneça a quantidade de informação necessária para o propósito da conversa: nem mais, nem menos.
Primeira submáxima de Quantidade
Faça com que a sua contribuição seja tão informativa quanto exigido.
Segunda submáxima de Quantidade
Não faça a sua contribuição mais informativa do que o necessário.
Máxima de Qualidade
Afirme apenas aquilo que considera verdadeiro e para o qual possui evidências suficientes.
Primeira submáxima de Qualidade
Não afirme aquilo que você acredita ser falso.
Segunda submáxima de Qualidade
Não afirme algo de que você não dispõe de provas suficientes.
Máxima de Relação (ou Relevância)
Seja pertinente: contribua com informações relevantes e adequadas ao rumo imediato da conversa.
Máxima de Modo
Seja claro na apresentação do enunciado, evitando obscuridade e ambiguidades desnecessárias.
Submáximas de Modo
Evite a obscuridade de expressão, evite ambiguidades, seja breve e proceda de forma ordenada.
Origem da implicatura conversacional
Surge quando o ouvinte pressupõe cooperação contínua do falante, mesmo diante de uma quebra aparente de máxima.
Significado literal versus implicatura
O literal decorre das regras semântico-sintáticas da sentença; a implicatura depende da pragmática e do contexto.
Natureza das máximas griceanas
São expectativas descritivas sobre o comportamento comunicativo ideal, não normas gramaticais ou prescritivas.
Exemplo do diálogo dos biscoitos
A diz 'Estou com fome' e B diz 'Deixei biscoito no armário'; B implica que A pode comer esses biscoitos.
Quebra aparente de máxima
Violação superficial que força o interlocutor a inferir um sentido implícito para preservar o Princípio de Cooperação.
Exploração deliberada de máxima (flouting)
Violação aberta e ostensiva feita para que o ouvinte perceba a intenção e deduza a implicatura pretendida.
Cancelabilidade da implicatura
Propriedade que permite anular a inferência por meio de um acréscimo sem gerar contradição lógica pura.
Não destacabilidade da implicatura
Propriedade pela qual a inferência permanece válida mesmo trocando palavras por sinônimos, mantendo o contexto.
Calculabilidade da implicatura
Capacidade de o ouvinte deduzir logicamente o sentido implícito a partir do que foi dito e das máximas.
Indeterminação da implicatura
Característica pela qual um mesmo enunciado pode abrir margem para mais de uma interpretação inferencial plausível.
Implicatura conversacional particularizada
Inferência que depende estritamente do contexto situacional específico para ser compreendida pelo ouvinte.
Implicatura conversacional generalizada
Inferência que surge comumente com o uso de certas expressões, sem demandar um contexto especial singular.
Implicatura convencional
Sentido implícito vinculado ao valor convencional de palavras específicas (como 'mas' ou 'portanto'), sem cálculo pragmático.
Diferença: implicatura convencional vs. conversacional
A convencional decorre diretamente das palavras usadas; a conversacional depende do contexto e do Princípio de Cooperação.
Ironia sob a ótica de Grice
Exploração explícita da Máxima de Qualidade ao dizer o oposto do que se pensa para sinalizar sarcasmo ou crítica.
Metáfora sob a ótica de Grice
Violação da Máxima de Qualidade em sentido literal que força o ouvinte a buscar uma conexão figurativa plausível.
Tautologia conversacional
Enunciado literalmente vazio de informação nova ('Guerra é guerra') que viola Quantidade para gerar implícito.
Quebra da Máxima de Relação
Mudança súbita e flagrante de assunto que sinaliza desinteresse ou intenção de evitar um tema delicado.
Prolixidade deliberada
Quebra intencional da Máxima de Modo para insinuar cautela, hesitação ou ironia diante do ouvinte.
Recusa em cooperar
Situação em que o falante expressa explicitamente sua saída da cooperação comunicativa ('Sem comentários').
Conflito entre máximas
Ocorrência em que o falante viola uma máxima (ex.: Quantidade) para evitar transgredir outra (ex.: Qualidade).
Acordo tácito na conversa
Premissa compartilhada entre interlocutores de que ambos buscam manter a conversa compreensível e orientada a um fim.
Papel do contexto compartilhado
Conjunto de saberes prévios e referências mútuas que possibilita decifrar corretamente o implícito.
O que foi dito (Grice)
Conteúdo veritativo-condicional da oração, determinado pelas regras semânticas e pela resolução de deíticos.
O que foi implicado (Grice)
Toda a informação veiculada na comunicação que ultrapassa o conteúdo estritamente veritativo da frase.
Implicatura escalar
Tipo de implicatura generalizada onde termos de uma escala (ex.: 'alguns') implicam a negação do termo mais forte ('não todos').
Exemplo de implicatura escalar
Dizer 'Li alguns capítulos' normalmente implica 'Não li todos os capítulos', por força da Máxima de Quantidade.
Pressuposição versus implicatura
A pressuposição resiste ao teste da negação da sentença; a implicatura conversacional é anulável pelo contexto.
Ato de fala indireto
Uso de uma estrutura oracional com a intenção pragmática de outra, interpretável via implicatura conversacional.
Exemplo de ato de fala indireto
'Você tem horas?' literalmente pergunta sobre a posse de um relógio, mas implica um pedido da hora atual.
Interpretação inferencial
Processo cognitivo de dedução pelo qual o receptor reconstrói as intenções comunicativas do emissor.
Lógica da conversa
Lógica baseada em presunções e expectativas cooperativas, diferente da lógica formal pura dedutiva.
Fracasso na implicatura
Ocorre quando o ouvinte não dispõe do contexto ou interpreta apenas o sentido literal estrito do enunciado.
Papel da intenção comunicativa
A implicatura é necessariamente deliberada pelo falante e destinada a ser reconhecida pelo destinatário.
Violação oculta de máxima
Ocorre quando o falante engana deliberadamente o ouvinte sem sinalizar a violação (como na mentira).
Relevância do estudo das implicaturas
Permite compreender como os seres humanos comunicam mais pensamentos do que as palavras literalmente expressam.

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