Português: Interpretação e Regência
Este conjunto aborda a gramática da língua portuguesa, focando em regência verbal e nominal, crase, além de gêneros textuais como crônicas e narrativas.
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- Crônica argumentativa: definição
- Gênero textual que parte de fatos cotidianos para suscitar reflexão e defender uma tese crítica com linguagem acessível.
- Crônica narrativa: definição
- Texto breve que relata uma sucessão de ações reais ou fictícias do cotidiano, com personagens, tempo e espaço reduzidos.
- Elementos essenciais da narrativa
- Enredo, narrador (foco narrativo), personagens, tempo (cronológico ou psicológico) e espaço.
- Narrador em 1ª pessoa (personagem ou testemunha)
- Participa direta ou indiretamente dos fatos narrados, oferecendo uma perspectiva subjetiva dos acontecimentos.
- Narrador em 3ª pessoa (onisciente ou observador)
- Não participa da história; o onisciente conhece pensamentos dos personagens, enquanto o observador apenas relata o que vê.
- Estrutura do enredo narrativo
- Compreende situação inicial, conflito gerador, clímax (ponto de maior tensão) e desfecho.
- Discurso direto na narrativa
- Reprodução exata da fala das personagens, comumente sinalizada por travessão, aspas e verbos de elocução.
- Discurso indireto na narrativa
- O narrador relata a fala dos personagens com suas próprias palavras, utilizando orações subordinadas substantivas.
- Discurso indireto livre
- Fusão entre a voz do narrador e os pensamentos das personagens, sem marcas de pontuação que delimitem a fala.
- Regência verbal: conceito
- Relação de dependência sintática entre um verbo (termo regente) e seus complementos (termos regidos), com ou sem preposição.
- Regência nominal: conceito
- Relação de subordinação entre um substantivo, adjetivo ou advérbio e seu complemento nominal mediado por preposição.
- Regência do verbo 'Assistir' (ver, presenciar)
- Transitivo indireto: exige a preposição 'a'. Exemplo: Assistimos ao espetáculo ontem à noite.
- Regência do verbo 'Assistir' (prestar socorro)
- Transitivo direto: não exige preposição (admite preposição 'a' facultativamente). Exemplo: O médico assistiu o doente.
- Regência do verbo 'Aspirar' (sorver, inalar)
- Transitivo direto: constrói-se sem preposição. Exemplo: Aspirou o ar puro da serra.
- Regência do verbo 'Aspirar' (almejar, pretender)
- Transitivo indireto: exige a preposição 'a'. Exemplo: O candidato aspira ao cargo público.
- Regência do verbo 'Visar' (ter como objetivo)
- Transitivo indireto: exige a preposição 'a'. Exemplo: O plano visa a uma melhoria geral.
- Regência do verbo 'Visar' (mirar ou assinar)
- Transitivo direto: sem preposição. Exemplo: O atirador visou o alvo; o gerente visou o cheque.
- Regência do verbo 'Esquecer' e 'Lembrar' (não pronominais)
- Transitivos diretos: não admitem preposição. Exemplo: Esqueci a carteira em casa.
- Regência do verbo 'Esquecer-se' e 'Lembrar-se' (pronominais)
- Transitivos indiretos: exigem a preposição 'de'. Exemplo: Eu me esqueci da chave no carro.
- Regência do verbo 'Obedecer' e 'Desobedecer'
- Transitivos indiretos: regem a preposição 'a'. Exemplo: Devemos obedecer às leis e às regras.
- Regência do verbo 'Preferir'
- Transitivo direto e indireto: exige 'a', repelindo 'do que'. Exemplo: Prefiro café a chá.
- Regência do verbo 'Implicar' (acarretar)
- Transitivo direto: rejeita a preposição 'em'. Exemplo: A recusa implicará demissão imediata.
- Regência do verbo 'Simpatizar' e 'Antipatizar'
- Transitivos indiretos: exigem a preposição 'com' e não são pronominais. Exemplo: Simpatizei com a proposta.
- Regência do verbo 'Pagar' e 'Perdoar'
- Objeto direto para coisas e objeto indireto (com 'a') para pessoas. Exemplo: Paguei a conta ao credor.
- Regência do verbo 'Informar'
- Informa-se algo a alguém ou alguém de/sobre algo. Exemplo: Informou o resultado ao chefe.
- Regência nominal de 'Acessível'
- Exige a preposição 'a'. Exemplo: O museu é acessível a pessoas com deficiência.
- Regência nominal de 'Afeição'
- Exige preposição 'a' ou 'por'. Exemplo: Nutria profunda afeição por/a seus colegas.
- Regência nominal de 'Apto'
- Exige a preposição 'a' ou 'para'. Exemplo: Ele já está apto a/para assumir o cargo.
- Regência nominal de 'Compatível' e 'Incompatível'
- Exigem a preposição 'com'. Exemplo: O cargo é incompatível com outras atividades.
- Regência nominal de 'Medo'
- Exige a preposição 'de'. Exemplo: Tinha medo de tempestades noturnas.
- Regência nominal de 'Paralelo'
- Exige a preposição 'a'. Exemplo: Construíram uma via paralela à rodovia principal.
- Regência nominal de 'Prejudicial'
- Exige a preposição 'a'. Exemplo: O tabagismo é altamente prejudicial à saúde.
- Regência nominal de 'Favorável'
- Exige a preposição 'a'. Exemplo: O parecer foi amplamente favorável à reforma.
- Crase: definição fonética e gramatical
- Fusão da preposição 'a' com o artigo feminino 'a(s)' ou pronomes demonstrativos iniciados por 'a', indicada pelo acento grave.
- Regra geral do uso da crase
- Ocorre quando o termo regente exige a preposição 'a' e o termo regido aceita o artigo feminino definido 'a(s)'.
- Macete da troca de gênero para crase
- Troca-se a palavra feminina por uma masculina correlata; se surgir 'ao', haverá crase diante do termo feminino.
- Crase proibida: antes de palavras masculinas
- Não ocorre crase antes de substantivos masculinos. Exemplo: Andamos a pé e compramos a prazo.
- Crase proibida: antes de verbos
- Não ocorre crase antes de verbos no infinitivo. Exemplo: O aluno começou a prestar atenção.
- Crase proibida: entre palavras repetidas
- Expressões formadas por palavras repetidas não levam crase. Exemplo: cara a cara, dia a dia, gota a gota.
- Crase proibida: antes de pronomes de tratamento em geral
- Não ocorre crase antes de pronomes como 'Vossa Excelência' ou 'Você' (exceções: senhora, senhorita, dona).
- Crase proibida: antes de pronomes indefinidos
- Não há crase antes de termos indefinidos. Exemplo: Entregue o relatório a qualquer pessoa da equipe.
- Crase proibida: 'a' singular diante de plural
- Quando o 'a' estiver no singular diante de um substantivo no plural, a crase inexiste. Exemplo: Refiro-me a reuniões antigas.
- Crase obrigatória: locuções adverbiais femininas
- Ocorre em locuções femininas indicativas de tempo, modo ou lugar. Exemplo: às pressas, à noite, à toa.
- Crase obrigatória: locuções prepositivas e conjuntivas femininas
- Ocorre em locuções femininas como 'à medida que', 'à espera de', 'à custa de', 'à força de'.
- Crase obrigatória: elipse de 'à moda de'
- Mesmo diante de nome masculino, usa-se crase se subentender 'à moda de'. Exemplo: Fez um gol à Pelé.
- Crase obrigatória: indicação de horas exatas
- Usa-se crase na indicação de horas determinadas. Exemplo: A reunião começará às catorze horas.
- Crase facultativa: antes de pronomes possessivos femininos
- A crase é opcional diante de possessivos no singular seguidos de substantivo. Exemplo: Referiu-se à/a sua mãe.
- Crase facultativa: antes de nomes próprios femininos
- A crase é facultativa antes de antropônimos femininos que dispensam afeto. Exemplo: Entregou o livro à/a Paula.
- Crase facultativa: após a preposição 'até'
- O uso da crase é facultativo logo após a preposição 'até'. Exemplo: Caminhou até à/a praia.
- Crase com nomes de lugares (cidades/países)
- Aplica-se a regra da rima: 'Se vou a e volto da, crase há; se vou a e volto de, crase pra quê?'. Ex.: Fui à Bahia / Fui a Roma.
- Crase com a palavra 'Casa' (lar próprio)
- Não leva crase quando designa o próprio lar; leva crase somente quando estiver especificada. Exemplo: Fui à casa de Maria.
- Crase com a palavra 'Terra'
- Em oposição a bordo/mar, não tem artigo nem crase; leva crase se significar planeta ou terra natal/delimitada.
- Crase com pronomes demonstrativos 'Aquele(s)', 'Aquela(s)', 'Aquilo'
- Recebem acento grave quando o termo regente exigir preposição 'a'. Exemplo: Entreguei o documento àquele rapaz.
- Diferença: 'À medida que' vs 'Na medida em que'
- 'À medida que' exprime proporção (proporcionalidade); 'Na medida em que' exprime causa (visto que, já que).