BB - Moeda e Política Monetária
Estudo sobre moeda e política monetária para o concurso do Banco do Brasil, cobrindo conceitos essenciais, funções da moeda e operações bancárias.
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- O que é moeda?
- Instrumento amplamente aceito para liquidar pagamentos, expressar preços e conservar poder de compra. Pegadinha: não precisa ter valor intrínseco (o próprio material valer aquilo).
- Escambo
- Troca direta de mercadorias sem moeda intermediária. Depende da dupla coincidência de desejos (ambas as partes quererem exatamente o que a outra oferece).
- Moeda-mercadoria vs. Moeda fiduciária
- Moeda-mercadoria tem valor intrínseco (ex: sal, ouro). Moeda fiduciária baseia-se na confiança e no curso legal, sem valor intrínseco equivalente ao seu valor facial.
- Moeda física
- Cédulas de papel-moeda e moedas metálicas em circulação (dinheiro em espécie emitido pelo Banco Central).
- Moeda escritural
- Saldos mantidos em contas bancárias (depósitos à vista movimentáveis). Criada pelos bancos comerciais via concessão de crédito, não pelo Banco Central.
- Criação de moeda escritural pelos bancos
- Ocorre quando o banco concede empréstimo e credita a quantia na conta do cliente, sem imprimir papel-moeda. Pegadinha: não é criação ilimitada; há limites de capital e compulsório.
- Função: Meio de troca
- Facilita transações e liquida dívidas, eliminando o escambo. Palavra-chave: transação/pagamento. Pegadinha: não confundir com unidade de conta (onde a moeda apenas mede).
- Função: Unidade de conta
- Padrão ou denominador comum para expressar e comparar o preço dos bens e serviços. Palavra-chave: precificação/medida de valor.
- Função: Reserva de valor
- Permite transportar poder de compra do presente para o futuro. Pegadinha: desempenhar essa função não garante imunidade contra a inflação, que corrói o poder de compra.
- Impacto da inflação na reserva de valor
- Aumenta o nível de preços e reduz o poder de compra da moeda fixa. A moeda não deixa de ser reserva de valor, mas sua eficácia é prejudicada.
- Base Monetária (BM)
- Passivo monetário do Banco Central: BM = Papel-moeda em poder do público (PMPP) + Reservas bancárias (R). Pegadinha: BM não é igual a M1.
- Agregado monetário M1
- Meios de pagamento de liquidez imediata: M1 = PMPP + Depósitos à vista (DV). Pegadinha: reservas que os bancos mantêm no BC pertencem à BM, não ao M1.
- Agregado monetário M2
- Composto por M1 somado a depósitos de poupança e títulos privados (como depósitos a prazo e letras de câmbio).
- Agregado monetário M3
- Composto por M2 somado a cotas de fundos de renda fixa e títulos lastreados em operações compromissadas do Selic.
- Agregado monetário M4
- Agregado mais amplo, composto por M3 somado aos títulos públicos federais de alta liquidez.
- Demanda por moeda
- Desejo dos agentes econômicos de reter ativos líquidos (dinheiro) em vez de aplicar em ativos remunerados com juros. Pegadinha: demanda por liquidez não é desejo de riqueza.
- Demanda por moeda para transação
- Retenção de dinheiro para cobrir pagamentos rotineiros (alimentação, contas, aluguel). Depende principalmente do nível de renda.
- Demanda por moeda para precaução
- Retenção de recursos monetários líquidos para imprevistos e emergências.
- Demanda por moeda para especulação (portfólio)
- Retenção de moeda em vez de ativos financeiros, considerando expectativas sobre taxas de juros futuras e risco de perdas de capital.
- Relação entre taxa de juros e demanda de moeda
- Inversa: juros mais altos aumentam o custo de oportunidade de reter moeda parada, reduzindo a demanda por moeda especulativa.
- Política monetária expansionista
- Aumenta a liquidez e expande o crédito (reduz juros, compra títulos ou corta compulsório) para estimular o crescimento econômico.
- Política monetária contracionista (restritiva)
- Diminui a liquidez e encarece o crédito (aumenta juros, vende títulos ou eleva compulsório) para conter pressões inflacionárias.
- Depósito compulsório
- Percentual dos depósitos captados pelos bancos que deve ser obrigatoriamente recolhido ao Banco Central. Pegadinha: não é tributo ou imposto definitivo.
- Aumento da alíquota do compulsório
- Ação contracionista. Retém mais recursos no Banco Central, reduzindo a disponibilidade de dinheiro para os bancos emprestarem.
- Redução da alíquota do compulsório
- Ação expansionista. Libera recursos para as instituições financeiras, estimulando a oferta de crédito na economia.
- Operações de mercado aberto (Open Market)
- Compra e venda de títulos públicos federais pelo Banco Central para regular diariamente a taxa de juros e a liquidez bancária.
- Compra de títulos pelo Banco Central
- O BC injeta moeda no sistema e retira títulos, aumentando a liquidez e exercendo pressão de queda sobre as taxas de juros de curto prazo.
- Venda de títulos pelo Banco Central
- O BC entrega títulos e recolhe dinheiro do sistema bancário, enxugando liquidez e pressionando a taxa de juros para cima.
- Taxa de redesconto
- Taxa de juros cobrada pelo Banco Central ao conceder assistência de liquidez (empréstimos) aos bancos comerciais.
- Elevação da taxa de redesconto
- Ação contracionista. Encarece o socorro de liquidez aos bancos, levando-os a manter reservas maiores e conceder menos crédito.
- COPOM (Comitê de Política Monetária)
- Órgão do Banco Central composto pela Diretoria Colegiada. É responsável por definir a meta para a taxa básica de juros (Taxa Selic).
- CMN vs. COPOM: competências
- Pegadinha clássica: o CMN define a meta da inflação e diretrizes gerais; o COPOM define a meta da Taxa Selic para cumprir o objetivo do CMN.
- Taxa Selic Meta vs. Taxa Selic Over
- Selic Meta é a meta fixada pelo COPOM. Selic Over é a taxa média diária efetiva praticada nas operações compromissadas com títulos públicos federais.
- Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
- Índice oficial de inflação no regime de metas do Brasil, calculado pelo IBGE (não pelo Banco Central nem pelo CMN).
- Mecanismo de transmissão da política monetária
- Variação na Selic afeta as taxas bancárias de crédito, impactando o consumo e os investimentos, o que modula a demanda agregada e os preços.
- Quantitative Easing (QE)
- Política não convencional em que o BC realiza compras maciças de títulos de longo prazo para injetar liquidez e achatar os juros longos.
- Contexto de uso do Quantitative Easing
- Utilizado principalmente quando as taxas de juros nominais já estão próximas de zero (armadilha da liquidez) e os instrumentos usuais esgotaram.
- Relação de preço e rendimento de títulos no QE
- A compra maciça do BC eleva a demanda e o preço dos títulos no mercado secundário, provocando a queda dos seus rendimentos futuros.
- Riscos associados ao Quantitative Easing
- Pressão inflacionária de médio/longo prazo e desvalorização da moeda doméstica no mercado de câmbio.
- Diferença entre Open Market usual e Quantitative Easing
- O Open Market convencional foca em títulos e juros de curtíssimo prazo; o QE compra ativos em escala maciça, visando juros de prazos mais longos.
- Monetização da economia
- Aumento da participação da moeda ou expansão substancial da liquidez e dos meios de pagamento na economia.
- Desmonetização da economia
- Redução relativa da retenção de moeda nos meios de pagamento, frequentemente acelerada pela hiperinflação (fuga da moeda).
- Sigla TPF
- Títulos Públicos Federais (instrumentos de dívida emitidos pelo Tesouro Nacional para financiar despesas e geridos na política monetária).
- Efeito multiplicador do crédito bancário
- Capacidade do sistema de criar depósitos adicionais por meio de sucessivos empréstimos da fração não retida no compulsório.
- Aumento da oferta de moeda gera inflação imediata?
- Não necessariamente de forma instantânea ou proporcional; o impacto depende da capacidade ociosa, da demanda agregada e das expectativas de mercado.
- A inflação anula a função de unidade de conta?
- Não, os produtos continuam cotados na moeda, embora os valores precisem ser ajustados com mais frequência.
- O Banco Central vende títulos para injetar liquidez?
- Falso: a venda de títulos enxuga liquidez (o comprador entrega dinheiro ao BC). Para injetar liquidez, o BC deve comprar títulos.
- Operações compromissadas
- Operações de compra ou venda de títulos com o compromisso de recompra/revenda futura, utilizadas para balizar a taxa Selic Over.
- Custo de oportunidade da moeda
- O rendimento de juros que o indivíduo deixa de ganhar ao optar por manter seu patrimônio em dinheiro líquido e sem remuneração.
- Tripla função clássica da moeda (Mnemônico)
- Troca, Conta e Reserva: Meio de troca (transações), Unidade de conta (preços) e Reserva de valor (poupança futura).