BB - Moeda e Política Monetária

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Estudo sobre moeda e política monetária para o concurso do Banco do Brasil, cobrindo conceitos essenciais, funções da moeda e operações bancárias.

50 cartões Português Nível: Ensino superior Finanças e investimentos Publicado
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O que é moeda?
Instrumento amplamente aceito para liquidar pagamentos, expressar preços e conservar poder de compra. Pegadinha: não precisa ter valor intrínseco (o próprio material valer aquilo).
Escambo
Troca direta de mercadorias sem moeda intermediária. Depende da dupla coincidência de desejos (ambas as partes quererem exatamente o que a outra oferece).
Moeda-mercadoria vs. Moeda fiduciária
Moeda-mercadoria tem valor intrínseco (ex: sal, ouro). Moeda fiduciária baseia-se na confiança e no curso legal, sem valor intrínseco equivalente ao seu valor facial.
Moeda física
Cédulas de papel-moeda e moedas metálicas em circulação (dinheiro em espécie emitido pelo Banco Central).
Moeda escritural
Saldos mantidos em contas bancárias (depósitos à vista movimentáveis). Criada pelos bancos comerciais via concessão de crédito, não pelo Banco Central.
Criação de moeda escritural pelos bancos
Ocorre quando o banco concede empréstimo e credita a quantia na conta do cliente, sem imprimir papel-moeda. Pegadinha: não é criação ilimitada; há limites de capital e compulsório.
Função: Meio de troca
Facilita transações e liquida dívidas, eliminando o escambo. Palavra-chave: transação/pagamento. Pegadinha: não confundir com unidade de conta (onde a moeda apenas mede).
Função: Unidade de conta
Padrão ou denominador comum para expressar e comparar o preço dos bens e serviços. Palavra-chave: precificação/medida de valor.
Função: Reserva de valor
Permite transportar poder de compra do presente para o futuro. Pegadinha: desempenhar essa função não garante imunidade contra a inflação, que corrói o poder de compra.
Impacto da inflação na reserva de valor
Aumenta o nível de preços e reduz o poder de compra da moeda fixa. A moeda não deixa de ser reserva de valor, mas sua eficácia é prejudicada.
Base Monetária (BM)
Passivo monetário do Banco Central: BM = Papel-moeda em poder do público (PMPP) + Reservas bancárias (R). Pegadinha: BM não é igual a M1.
Agregado monetário M1
Meios de pagamento de liquidez imediata: M1 = PMPP + Depósitos à vista (DV). Pegadinha: reservas que os bancos mantêm no BC pertencem à BM, não ao M1.
Agregado monetário M2
Composto por M1 somado a depósitos de poupança e títulos privados (como depósitos a prazo e letras de câmbio).
Agregado monetário M3
Composto por M2 somado a cotas de fundos de renda fixa e títulos lastreados em operações compromissadas do Selic.
Agregado monetário M4
Agregado mais amplo, composto por M3 somado aos títulos públicos federais de alta liquidez.
Demanda por moeda
Desejo dos agentes econômicos de reter ativos líquidos (dinheiro) em vez de aplicar em ativos remunerados com juros. Pegadinha: demanda por liquidez não é desejo de riqueza.
Demanda por moeda para transação
Retenção de dinheiro para cobrir pagamentos rotineiros (alimentação, contas, aluguel). Depende principalmente do nível de renda.
Demanda por moeda para precaução
Retenção de recursos monetários líquidos para imprevistos e emergências.
Demanda por moeda para especulação (portfólio)
Retenção de moeda em vez de ativos financeiros, considerando expectativas sobre taxas de juros futuras e risco de perdas de capital.
Relação entre taxa de juros e demanda de moeda
Inversa: juros mais altos aumentam o custo de oportunidade de reter moeda parada, reduzindo a demanda por moeda especulativa.
Política monetária expansionista
Aumenta a liquidez e expande o crédito (reduz juros, compra títulos ou corta compulsório) para estimular o crescimento econômico.
Política monetária contracionista (restritiva)
Diminui a liquidez e encarece o crédito (aumenta juros, vende títulos ou eleva compulsório) para conter pressões inflacionárias.
Depósito compulsório
Percentual dos depósitos captados pelos bancos que deve ser obrigatoriamente recolhido ao Banco Central. Pegadinha: não é tributo ou imposto definitivo.
Aumento da alíquota do compulsório
Ação contracionista. Retém mais recursos no Banco Central, reduzindo a disponibilidade de dinheiro para os bancos emprestarem.
Redução da alíquota do compulsório
Ação expansionista. Libera recursos para as instituições financeiras, estimulando a oferta de crédito na economia.
Operações de mercado aberto (Open Market)
Compra e venda de títulos públicos federais pelo Banco Central para regular diariamente a taxa de juros e a liquidez bancária.
Compra de títulos pelo Banco Central
O BC injeta moeda no sistema e retira títulos, aumentando a liquidez e exercendo pressão de queda sobre as taxas de juros de curto prazo.
Venda de títulos pelo Banco Central
O BC entrega títulos e recolhe dinheiro do sistema bancário, enxugando liquidez e pressionando a taxa de juros para cima.
Taxa de redesconto
Taxa de juros cobrada pelo Banco Central ao conceder assistência de liquidez (empréstimos) aos bancos comerciais.
Elevação da taxa de redesconto
Ação contracionista. Encarece o socorro de liquidez aos bancos, levando-os a manter reservas maiores e conceder menos crédito.
COPOM (Comitê de Política Monetária)
Órgão do Banco Central composto pela Diretoria Colegiada. É responsável por definir a meta para a taxa básica de juros (Taxa Selic).
CMN vs. COPOM: competências
Pegadinha clássica: o CMN define a meta da inflação e diretrizes gerais; o COPOM define a meta da Taxa Selic para cumprir o objetivo do CMN.
Taxa Selic Meta vs. Taxa Selic Over
Selic Meta é a meta fixada pelo COPOM. Selic Over é a taxa média diária efetiva praticada nas operações compromissadas com títulos públicos federais.
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
Índice oficial de inflação no regime de metas do Brasil, calculado pelo IBGE (não pelo Banco Central nem pelo CMN).
Mecanismo de transmissão da política monetária
Variação na Selic afeta as taxas bancárias de crédito, impactando o consumo e os investimentos, o que modula a demanda agregada e os preços.
Quantitative Easing (QE)
Política não convencional em que o BC realiza compras maciças de títulos de longo prazo para injetar liquidez e achatar os juros longos.
Contexto de uso do Quantitative Easing
Utilizado principalmente quando as taxas de juros nominais já estão próximas de zero (armadilha da liquidez) e os instrumentos usuais esgotaram.
Relação de preço e rendimento de títulos no QE
A compra maciça do BC eleva a demanda e o preço dos títulos no mercado secundário, provocando a queda dos seus rendimentos futuros.
Riscos associados ao Quantitative Easing
Pressão inflacionária de médio/longo prazo e desvalorização da moeda doméstica no mercado de câmbio.
Diferença entre Open Market usual e Quantitative Easing
O Open Market convencional foca em títulos e juros de curtíssimo prazo; o QE compra ativos em escala maciça, visando juros de prazos mais longos.
Monetização da economia
Aumento da participação da moeda ou expansão substancial da liquidez e dos meios de pagamento na economia.
Desmonetização da economia
Redução relativa da retenção de moeda nos meios de pagamento, frequentemente acelerada pela hiperinflação (fuga da moeda).
Sigla TPF
Títulos Públicos Federais (instrumentos de dívida emitidos pelo Tesouro Nacional para financiar despesas e geridos na política monetária).
Efeito multiplicador do crédito bancário
Capacidade do sistema de criar depósitos adicionais por meio de sucessivos empréstimos da fração não retida no compulsório.
Aumento da oferta de moeda gera inflação imediata?
Não necessariamente de forma instantânea ou proporcional; o impacto depende da capacidade ociosa, da demanda agregada e das expectativas de mercado.
A inflação anula a função de unidade de conta?
Não, os produtos continuam cotados na moeda, embora os valores precisem ser ajustados com mais frequência.
O Banco Central vende títulos para injetar liquidez?
Falso: a venda de títulos enxuga liquidez (o comprador entrega dinheiro ao BC). Para injetar liquidez, o BC deve comprar títulos.
Operações compromissadas
Operações de compra ou venda de títulos com o compromisso de recompra/revenda futura, utilizadas para balizar a taxa Selic Over.
Custo de oportunidade da moeda
O rendimento de juros que o indivíduo deixa de ganhar ao optar por manter seu patrimônio em dinheiro líquido e sem remuneração.
Tripla função clássica da moeda (Mnemônico)
Troca, Conta e Reserva: Meio de troca (transações), Unidade de conta (preços) e Reserva de valor (poupança futura).