CGU: IA e Rastreabilidade (Cebraspe)
Questões estilo Certo e Errado da banca Cebraspe para o concurso da CGU, cobrindo inteligência artificial, rastreabilidade e MLOps.
Cartões · 50
- A rastreabilidade em IA exige o registro dos dados de treino, parâmetros e versões do modelo.
- CERTO. A governança e a auditoria em IA exigem registro completo da linhagem de dados, versões de código, hiperparâmetros e pesos para possibilitar a reprodução e verificação de decisões.
- A rastreabilidade de dados (data lineage) prescinde do monitoramento das transformações no ETL.
- ERRADO. O data lineage exige obrigatoriamente o rastreamento ponta a ponta, incluindo todas as etapas de extração, transformação e carga (ETL), para garantir a integridade dos dados usados pelo modelo.
- No contexto da CGU, a explicabilidade (XAI) substitui totalmente a necessidade de rastreabilidade.
- ERRADO. A explicabilidade torna o processo decisório compreensível para humanos, enquanto a rastreabilidade garante a comprovação histórica dos passos e insumos. Ambos são princípios complementares.
- O versionamento de modelos pode ser realizado por ferramentas como MLflow, DVC e Git LFS.
- CERTO. Tais ferramentas viabilizam o gerenciamento do ciclo de vida de Machine Learning (MLOps), permitindo auditar alterações em códigos, artefatos pesados e datasets ao longo do tempo.
- A rastreabilidade algorítmica impede a identificação de viés discriminatório nos dados de treino.
- ERRADO. Ao contrário, o rastreamento rigoroso das fontes e transformações dos dados é condição essencial para identificar, auditar e mitigar vieses históricos ou amostrais nos modelos de IA.
- Modelos do tipo caixa-preta (black-box) inviabilizam a aplicação de técnicas de interpretabilidade.
- ERRADO. Existem métodos agnósticos a modelos (post-hoc), como SHAP e LIME, desenhados especificamente para gerar interpretabilidade e explicar saídas de algoritmos opacos.
- O SHAP baseia-se na teoria dos jogos cooperativos para mensurar a contribuição de cada feature.
- CERTO. O SHAP (SHapley Additive exPlanations) fundamenta-se nos valores de Shapley da teoria dos jogos para quantificar de forma consistente o impacto de cada variável na predição.
- O método LIME explica predições globais aproximando o modelo complexo por regressão não linear.
- ERRADO. O LIME foca em explicações locais (em torno de uma predição individual), construindo um modelo interpretável simples (geralmente linear) ao redor da instância analisada.
- A rastreabilidade em IA visa atender a princípios constitucionais como a publicidade e motivação.
- CERTO. Atos administrativos apoiados por IA devem ser passíveis de controle social e judicial, demandando fundamentação, rastreabilidade técnica e respeito ao devido processo legal.
- O conceito de drift de dados (data drift) refere-se à mudança na distribuição estatística dos dados.
- CERTO. O data drift ocorre quando a distribuição das variáveis de entrada se altera em relação aos dados de treinamento, exigindo monitoramento contínuo para evitar perda de acurácia.
- Concept drift ocorre quando as entradas mantêm a distribuição, mas a relação com o alvo muda.
- CERTO. Concept drift é a mudança na relação estatística entre as features e a variável dependente (alvo), demandando re-treinamento e auditoria da governança do modelo.
- A rastreabilidade dispensa a gravação de logs de inferência executadas em ambiente de produção.
- ERRADO. Os logs de inferência (dados de entrada da requisição, predição de saída, timestamp e versão do modelo) são essenciais para auditoria posterior de decisões automatizadas.
- A LGPD veda integralmente o uso de sistemas de IA para decisões automatizadas no setor público.
- ERRADO. A LGPD não proíbe decisões automatizadas; o artigo 20 assegura ao titular o direito de solicitar a revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado.
- Na LGPD, o titular tem direito à revisão humana em qualquer decisão automatizada.
- ERRADO. Com a alteração promovida pela Lei nº 13.853/2019, o texto legal prevê direito de revisão de decisões automatizadas, tendo sido vetada a obrigatoriedade explícita de revisão 'por pessoa natural'.
- A proveniência de dados (data provenance) mapeia origens e transformações ao longo do ciclo de vida.
- CERTO. A proveniência documental detalha quem gerou os dados, onde, quando e quais processos os alteraram, sendo elemento central da rastreabilidade e integridade para auditoria.
- Na auditoria de IA pela CGU, a reprodutibilidade é a capacidade de obter resultados idênticos.
- CERTO. Reprodutibilidade requer dados de treino idênticos, sementes aleatórias (seeds) fixadas e mesmo ambiente computacional para validar experimentos e decisões automatizadas.
- O princípio da não discriminação em IA dispensa métricas formais de paridade estatística.
- ERRADO. Para garantir auditoria objetiva da equidade (fairness), a governança exige o uso de métricas matemáticas, como paridade demográfica e igualdade de oportunidades.
- Sistemas de IA de alto risco dispensam avaliação prévia de impacto ético e de privacidade.
- ERRADO. Padrões internacionais e regulatórios exigem Avaliação de Impacto Algorítmico (AIA) e Relatório de Impacto à Proteção de Dados (RIPD) antes da implantação de sistemas de alto risco.
- Em MLOps, o Model Registry centraliza metadados, versões e estágios de ciclo de vida dos modelos.
- CERTO. O Model Registry armazena modelos treinados, suas versões, métricas de avaliação e fases (staging, production, archived), viabilizando rastreabilidade estrita.
- Hashing criptográfico de datasets inviabiliza a verificação de integridade dos dados de treino.
- ERRADO. Hashes criptográficos (como SHA-256) geram assinaturas digitais dos datasets, permitindo verificar com precisão se os dados sofreram alterações não autorizadas.
- O Framework de Gerenciamento de Riscos de IA do NIST estrutura-se em Govern, Map, Measure e Manage.
- CERTO. O AI RMF 1.0 do NIST organiza-se nessas quatro funções centrais para promover sistemas de IA confiáveis, éticos, rastreáveis e seguros.
- A rastreabilidade ponta a ponta em IA exclui a análise de dependências de bibliotecas de software.
- ERRADO. A infraestrutura de software, versões de bibliotecas (pip/conda) e dependências de ambiente também devem ser congeladas e documentadas para garantir reprodutibilidade.
- O uso de contêineres como Docker contribui diretamente para a reprodutibilidade de sistemas de IA.
- CERTO. Contêineres encapsulam código, bibliotecas, variáveis de ambiente e dependências do sistema operacional, padronizando o ambiente de execução e facilitando a auditoria.
- Explicações por contrafactuais indicam a alteração mínima de atributos para mudar uma predição.
- CERTO. As explicações contrafactuais revelam o que o indivíduo ou o dado precisaria alterar minimamente para que o modelo emitisse uma decisão diferente (ex: concessão de crédito).
- A rastreabilidade dispensa a catalogação e rotulagem das variáveis sensíveis utilizadas no modelo.
- ERRADO. O inventário de dados e a catalogação explícita de dados sensíveis (gênero, raça, etc.) são essenciais para auditar se o modelo incorre em discriminação direta ou indireta.
- Viés por variável substituta (proxy) ocorre quando variáveis correlacionadas embutem viés sensível.
- CERTO. Mesmo excluindo atributos sensíveis protegidos, o modelo pode aprender discriminação por meio de variáveis correlacionadas, como CEP ou histórico de consumo.
- Auditorias contínuas de modelos em produção independem do rastreamento de métricas de desempenho.
- ERRADO. A auditoria contínua depende fundamentalmente do monitoramento de métricas como precisão, recall, F1-score e latência ao longo do tempo para detectar degradação.
- O DVC (Data Version Control) gerencia grandes arquivos de dados integrando-se nativamente ao Git.
- CERTO. O DVC armazena ponteiros leves dentro do Git enquanto direciona os arquivos volumosos e datasets para storages externos (S3, GCP, servidores locais), viabilizando rastreabilidade.
- A prestação de contas (accountability) em IA transfere a responsabilidade final para o algoritmo.
- ERRADO. A accountability determina que as pessoas e instituições públicas desenvolvedoras ou utilizadoras do sistema são sempre as responsáveis éticas e jurídicas pelos resultados.
- O Princípio da Transparência em IA exige a publicação irrestrita de códigos-fonte proprietários.
- ERRADO. A transparência deve harmonizar-se com segredos industriais e segurança pública, focando em explicabilidade, documentação técnica, objetivos e salvaguardas de conformidade.
- A auditoria de conformidade (compliance) de IA afere apenas a precisão matemática do classificador.
- ERRADO. A auditoria de conformidade examina legalidade, segurança da informação, aderência à LGPD, ausência de discriminação injusta, explicabilidade e trilhas de auditoria.
- O uso de sementes aleatórias (random seeds) em algoritmos estocásticos é irrelevante para auditoria.
- ERRADO. Fixar sementes aleatórias é mandatório para permitir que o treinamento de algoritmos com componentes estocásticos (como florestas aleatórias ou redes neurais) seja reproduzido.
- A rastreabilidade algorítmica permite realizar o rollback para versões anteriores do modelo.
- CERTO. Com a linhagem preservada e versionamento em MLOps, é possível reverter rapidamente para uma versão anterior e estável caso o modelo atual apresente falhas ou derivação severa.
- O conceito de Human-in-the-loop preconiza a supervisão e intervenção humana nas decisões da IA.
- CERTO. Human-in-the-loop (HITL) assegura que especialistas humanos avaliem, validem ou possam cancelar decisões tomadas ou recomendadas por sistemas inteligentes de alto impacto.
- Sistemas de IA autônomos no setor público gozam de presunção absoluta de veracidade e legalidade.
- ERRADO. A atuação do setor público se sujeita ao controle de legalidade e motivação; predições algorítmicas são atos de suporte ou atos administrativos anuláveis quando eivados de vícios.
- A rastreabilidade de hiperparâmetros inclui o registro da taxa de aprendizado e épocas de treino.
- CERTO. Todos os hiperparâmetros configurados durante os experimentos devem ser devidamente catalogados para justificar o desempenho alcançado e permitir validação técnica.
- Em auditoria, o teste de estresse (stress testing) avalia a robustez do modelo em condições extremas.
- CERTO. Esse teste expõe o modelo a cenários anômalos, dados ruidosos ou inputs adversários para mensurar os limites de confiabilidade e segurança da aplicação.
- Explicabilidade intrínseca é característica de modelos interpretáveis por design, como árvores rasas.
- CERTO. Modelos transparentes por natureza (árvores de decisão curtas, regressão linear) possuem funcionamento compreensível diretamente de seus parâmetros, sem métodos post-hoc.
- O descarte de dados históricos de treinamento é boa prática para otimizar custos de auditoria.
- ERRADO. O descarte de dados impede a realização de auditorias retrospectivas e a reconstrução dos passos de inferência, contrariando as exigências de rastreabilidade governamental.
- O monitoramento de latência e consumo de hardware integra a observabilidade de sistemas de IA.
- CERTO. A observabilidade ampla envolve métricas de engenharia (CPU, memória, latência, erros 5xx) combinadas com métricas de negócio e estatísticas dos dados de ML.
- Técnicas de perturbação de dados são utilizadas para avaliar a robustez e sensibilidade de modelos.
- CERTO. Ao alterar pequenos valores das entradas, os auditores verificam se oscilações mínimas causam variações desproporcionais ou inconsistentes nas saídas preditivas.
- O conceito de Data Quality envolve acurácia, integridade, consistência e tempestividade dos dados.
- CERTO. A qualidade dos dados é pilar estruturante da rastreabilidade; modelos treinados com dados inconsistentes ou desatualizados produzem resultados enviesados (garbage in, garbage out).
- A auditoria de caixa-branca analisa o algoritmo com pleno acesso a código, pesos e dados de treino.
- CERTO. Diferente do teste de caixa-preta, a auditoria de caixa-branca inspeciona diretamente a arquitetura interna, o código-fonte, os artefatos de treinamento e parâmetros do modelo.
- Falsos positivos em modelos de detecção de fraudes da CGU geram apenas custos de processamento.
- ERRADO. Falsos positivos podem imputar injustamente suspeitas a gestores íntegros, gerando danos morais, perda de tempo em apurações infundadas e desperdício de recursos públicos.
- Model Cards são documentos padronizados que descrevem o desempenho, contexto e limites do modelo.
- CERTO. Propostos por pesquisadores para padronizar a governança de IA, os Model Cards detalham o uso pretendido, métricas de avaliação, limitações éticas e características do modelo.
- O uso de embeddings em modelos de linguagem prescinde de documentação na esteira de rastreabilidade.
- ERRADO. A dimensão dos vetores, a versão do modelo gerador dos embeddings e os corpora de treino devem ser registrados, pois impactam diretamente a representação semântica e os vieses.
- No Cebraspe, a rastreabilidade em IA restringe-se exclusivamente aos aspectos do código-fonte.
- ERRADO. O conceito abrange o ciclo de vida integral: definição do problema, coleta e curadoria de dados, treino, validação, deploy, monitoramento operacional e decisão final.
- A auditoria algorítmica da CGU busca identificar riscos de desconformidade material e formal.
- CERTO. Examina-se tanto a legalidade formal da delegação e parametrização do sistema quanto a adequação material dos resultados frente às políticas públicas atendidas.
- Métricas como Disparate Impact Ratio auxiliam na quantificação do viés algorítmico entre grupos.
- CERTO. Essa métrica compara a taxa de seleção de um grupo minoritário/protegido em relação ao grupo majoritário para diagnosticar práticas discriminatórias indiretas.
- A adoção de padrões abertos de metadados prejudica a interoperabilidade e auditoria externa de IA.
- ERRADO. Padrões abertos (como OpenLineage ou formatos W3C PROV) ampliam a transparência, facilitam a troca de dados entre ferramentas e simplificam o trabalho de órgãos de controle.