Cirurgia Geral - SUS-BA Residência
Questões e conceitos essenciais de cirurgia geral voltados para candidatos a residência médica no SUS-BA.
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- Pneumotórax hipertensivo: diagnóstico e conduta imediata
- Diagnóstico é estritamente clínico; conduta imediata é toracocentese descompressiva com agulha no 2º EIC ou 4º/5º EIC. Erro comum: aguardar radiografia de tórax antes de descompressão.
- Tamponamento cardíaco: tríade de Beck e conduta de emergência
- Tríade: hipofunção de bulhas, estase jugular e hipotensão. Conduta: pericardiocentese de alívio seguida de toracotomia. Erro: drenagem pleural isolada, que não resolve o choque obstrutivo.
- Trauma abdominal contuso com choque e FAST positivo: conduta
- Indicação direta de laparotomia exploradora imediata. Erro: solicitar tomografia computadorizada em paciente hemodinamicamente instável.
- Pneumotórax aberto: curativo imediato e erro a evitar
- Curativo de 3 pontas (valvulado) para permitir saída de ar e impedir entrada. Erro: oclusão em 4 pontas sem dreno, pois transforma a lesão em pneumotórax hipertensivo.
- Hemotórax maciço: definição para indicação de toracotomia
- Drenagem imediata de sangue maior ou igual a 1500 mL ou débito contínuo de 200 a 300 mL por hora por 2 a 4 horas. Erro: manter conduta conservadora com essas taxas de sangramento.
- Apendicite aguda precoce: papel da tomografia versus ultrassom
- Ultrassom é primeira escolha em crianças e gestantes; TC de abdome tem maior acurácia em homens adultos e idosos. Erro: indicar TC como primeira linha indiscriminada em gestantes.
- Diverticulite aguda Hinchey I: conduta padrão
- Tratamento conservador com analgesia, dieta restrita e antibióticos ambulatoriais ou hospitalares. Erro: indicar cirurgia de urgência ou punção percutânea em abscesso menor que 4 cm.
- Diverticulite Hinchey II com abscesso pélvico de 5 cm: conduta
- Drenagem percutânea guiada por TC associada a antibioticoterapia venosa. Erro: laparotomia imediata com colostomia antes da tentativa percutânea em paciente estável.
- Obstrução intestinal por brida: conduta inicial em paciente sem febre
- Jejum, sonda nasogástrica descompressiva, reposição hidroeletrolítica e observação por até 48 a 72h. Erro: laparotomia precoce sem sinais de estrangulamento ou peritonite.
- Sinais de estrangulamento na obstrução intestinal
- Dor contínua e desproporcional, febre, taquicardia, leucocitose e peritonite focal. Indicam laparotomia de urgência; erro: manter tratamento clínico expectante.
- Colecistite aguda litiásica: melhor momento cirúrgico
- Colecistectomia videolaparoscópica precoce nas primeiras 72 horas do início dos sintomas. Erro: postergar a cirurgia para semanas depois em paciente sem contraindicação clínica.
- Tríade de Charcot e Pêntade de Reynolds na colangite aguda
- Charcot: febre com calafrios, icterícia e dor em HCD. Reynolds: soma hipotensão e confusão mental. Conduta na grave: CPRE de urgência. Erro: operar imediatamente por via aberta.
- Pancreatite aguda biliar leve: momento da colecistectomia
- Colecistectomia videolaparoscópica na mesma internação hospitalar, após resolução da inflamação. Erro: dar alta sem operar, gerando alto risco de recidiva biliar precoce.
- Isquemia mesentérica aguda por embolia: apresentação típica
- Dor abdominal súbita intensa desproporcional ao exame físico inicial, com antecedente de FA. Erro: afastar abdome agudo cirúrgico pela ausência de descompressão brusca precoce.
- Úlcera péptica perfurada: achado radiológico e conduta
- Pneumoperitônio em cúpulas diafragmáticas; conduta é laparotomia com rafia e omentoplastia (Graham). Erro: realizar endoscopia digestiva alta urgente na vigência de perfuração.
- Vólvulo de sigmoide sem sinais de necrose: conduta inicial
- Sigmoidoscopia ou colonoscopia descompressiva rígida ou flexível. Erro: colostomia de urgência de imediato sem tentar a descompressão endoscópica em paciente estável.
- Hérnia inguinal encarcerada versus estrangulada
- Estrangulada apresenta sinais flogísticos, febre, taquicardia e peritonite; exige cirurgia de emergência. Erro: tentar manobra de táxis em hérnia estrangulada sob risco de peritonite.
- Hérnia crural (femoral): característica anatômica e risco
- Passa abaixo do ligamento inguinal e medial aos vasos femorais; possui alto risco de estrangulamento. Erro: conduta expectante devido ao tamanho reduzido do defeito.
- Trauma hepático grau III em paciente estável: conduta
- Tratamento não operatório com monitorização em UTI e hematócrito seriado. Erro: laparotomia exploradora imediata apenas pelo grau da lesão tomográfica.
- Trauma esplênico: principal critério para cirurgia de emergência
- Instabilidade hemodinâmica persistente que não responde à ressuscitação volêmica. Erro: operar todos os graus altos de lesão tomográfica em pacientes clinicamente estáveis.
- Zona 1 do retroperitônio em trauma penetrante: conduta
- Exploração cirúrgica mandatória devido ao risco de lesão de grandes vasos da linha média (aorta, cava). Erro: conduta conservadora em hematoma de zona 1 penetrante.
- Trauma cervical zona 2 penetrante com platismo violado sintomático
- Sinais duros (hematoma expansivo, estridor, sangramento ativo) exigem cervicotomia imediata. Erro: angiotomografia em paciente instável com sangramento arterial ativo.
- Ferimento por arma branca em abdome: conduta sem choque nem peritonite
- Exploração digital da ferida sob anestesia local. Se não violar fáscia anterior, alta segura. Erro: indicar laparotomia sem confirmação de penetração na cavidade.
- Fratura de pelve com instabilidade hemodinâmica: conduta inicial
- Amarração da pelve ao nível dos trocanteres maiores com lençol ou fixador externo. Erro: laparotomia imediata antes da estabilização da bacia, piorando o hematoma.
- Síndrome compartimental abdominal: diagnóstico pressórico e conduta
- Pressão intra-abdominal sustentada acima de 20 mmHg com nova disfunção orgânica; exige laparostomia descompressiva. Erro: descompressão apenas por elevação isolada sem disfunção.
- Massa pulsátil expansiva em abdome e choque: suspeita e conduta
- Aneurisma de aorta abdominal roto; levar direto à sala cirúrgica para laparotomia ou correção endovascular. Erro: solicitar TC com contraste com paciente em choque.
- Classificação de Forrest de úlcera com alto risco de ressangramento
- Ia (sangramento em jato), Ib (babando) e IIa (vaso visível não sangrante); exigem terapia endoscópica combinada. Erro: alta imediata ou apenas IBP oral para Forrest IIa.
- Sangramento gastrointestinal baixo maciço em idoso: causas mais comuns
- Diverticulose colônica e angiodisplasia. Conduta inicial: estabilização hemodinâmica e EDA para afastar causa alta. Erro: colectomia total de urgência sem investigação.
- Carcinoma colorretal obstrutivo em cólon esquerdo: opções de emergência
- Procedimento de Hartmann ou passagem de prótese metálica autoexpansível como ponte. Erro: anastomose primária término-terminal sem preparo de cólon em vigência de sepse.
- Abscesso anorretal: conduta e timing
- Drenagem cirúrgica imediata sob anestesia local ou bloqueio. Erro: prescrever apenas antibiótico oral e aguardar flutuação máxima do abscesso.
- Hemorroidas internas grau IV: melhor abordagem terapêutica
- Hemorroidectomia excisional cirúrgica. Erro: indicação de ligadura elástica ambulatorial, reservada para graus I a III.
- Fissura anal crônica refratária a medidas clínicas: cirurgia padrão
- Esfincterotomia lateral interna. Erro: fissurectomia ampla com esfincterotomia posterior, associada a alto índice de deformidade e incontinência fecal.
- Neoplasia de cabeça de pâncreas: tríade clínica e cirurgia curativa
- Icterícia progressiva indolor, colúria/acolia e perda ponderal; cirurgia é duodenopancreatectomia (Whipple). Erro: colecistectomia simples para tratar a icterícia mecânica.
- Sinal de Curvoisier-Terrier: definição e etiologia provável
- Vesícula biliar palpável e indolor em paciente ictérico; sugere neoplasia periampular ou de cabeça de pâncreas. Erro: atribuir o sinal a litíase vesicular não complicada.
- Cálculo impactado no ducto cístico com fístula (Síndrome de Mirizzi)
- Compressão extrínseca do ducto hepático comum por cálculo no cístico. Erro: colecistectomia simples inadvertida por vídeo, que tem alto risco de lesão iatrogênica da via biliar.
- Lesão iatrogênica de via biliar identificada no intraoperatório
- Conversão para cirurgia aberta e reconstrução biliodigestiva em Y-de-Roux se transecção completa. Erro: ligadura inadvertida do coto biliar proximal sem reconstrução.
- Nódulo de tireoide com Bethesda V ou VI na PAAF: conduta
- Indicação cirúrgica (tireoidectomia total ou parcial). Erro: manter apenas seguimento ultrassonográfico semestral diante de suspeita alta de malignidade.
- Câncer gástrico precoce: definição oncológica
- Lesão confinada à mucosa e submucosa (T1), independentemente da presença de metástases linfonodais. Erro: exigir ausência de linfonodos comprometidos para o conceito de precoce.
- Megaesôfago chagásico avançado grau IV (dolicomegaesôfago): conduta
- Esofagectomia com transposição gástrica ou técnica de Serra-Dória. Erro: cardiomiotomia à Heller isolada, ineficaz no esôfago tortuoso e descompensado.
- Câncer de esôfago terço médio localmente avançado: estratégia
- Quimiorradioterapia neoadjuvante seguida de esofagectomia transtorácica. Erro: esofagectomia primária sem terapia neoadjuvante para estádios T3 ou N positivo.
- Hiperparatireoidismo primário por adenoma único: cirurgia de escolha
- Paratireoidectomia minimamente invasiva com dosagem intraoperatória de PTH. Erro: remoção das quatro glândulas e reposição contínua de cálcio em adenoma isolado.
- Queimadura de espessura total circunferencial de tórax: conduta urgente
- Escarotomia descompressiva na linha axilar anterior e transversal para liberar ventilação. Erro: fasciotomia profunda de musculatura intercostal.
- Fórmula de Parkland para ressuscitação hídrica em queimados
- 2 a 4 mL de Ringer lactato por kg por percentual de superfície corporal queimada, metade nas primeiras 8 horas. Erro: usar soluções com glicose ou coloide nas primeiras 8h.
- Fasciite necrosante (gangrena de Fournier): conduta fundamental
- Desbridamento cirúrgico agressivo e precoce associado a antibióticos de largo espectro. Erro: postergar cirurgia aguardando resultados de culturas ou imagem.
- Pé diabético infectado com celulite ascendente e crepitação: conduta
- Desbridamento cirúrgico de urgência, controle glicêmico e antibioticoterapia venosa. Erro: tratamento ambulatorial com curativos e antibiótico oral isolado.
- Complicação pós-operatória precoce de tireoidectomia com estridor
- Hematoma cervical expansivo sufocante; abertura imediata da ferida cirúrgica no leito. Erro: aguardar transferência para centro cirúrgico ou agendar laringoscopia.
- Febre nas primeiras 24 a 48 horas de pós-operatório: etiologia comum
- Atelectasia pulmonar; conduta envolve fisioterapia respiratória e deambulação precoce. Erro: iniciar antibioticoterapia empírica ampla de imediato sem foco infeccioso.
- Deiscência aponeurótica com evisceração após laparotomia: conduta
- Proteção das alças com compressas estéreis úmidas e reoperação imediata. Erro: tentar redução forçada das vísceras no leito com curativo compressivo seco.
- Profilaxia de tromboembolismo venoso em cirurgia abdominal de grande porte
- Heparina de baixo peso molecular subcutânea associada a compressão pneumática intermitente. Erro: dispensar profilaxia farmacológica em pacientes oncológicos por medo de sangramento.
- Intussuscepção intestinal no lactente: exame diagnóstico e terapêutico
- Enema com bário, ar ou soro fisiológico guiado por USG em casos sem perfuração. Erro: laparotomia imediata de rotina sem tentativa de redução incruenta em paciente estável.