Figuras de Sintaxe

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Estudo das figuras de sintaxe da língua portuguesa, explicando termos, estruturas e exemplos clássicos.

50 cartões Português Nível: Ensino fundamental e médio Figuras de linguagem Publicado
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Elipse
Omissão de um termo que pode ser facilmente identificado pelo contexto sintático ou semântico. Exemplo: Na terra, tanta guerra (omissão do verbo haver).
Zeugma
Tipo específico de elipse em que se omite um termo já mencionado anteriormente no enunciado. Exemplo: Eu comi maçã; ela, pera (omissão de comi).
Polissíndeto
Repetição intencional e enfática de conjunções coordenativas entre termos ou orações. Exemplo: Trabalha, e luta, e sofre, e vence.
Assíndeto
Omissão deliberada de conjunções conectivas entre termos ou orações, usando apenas vírgulas. Exemplo: Vim, vi, venci.
Anáfora
Repetição da mesma palavra ou expressão no início de orações, períodos ou versos seguidos. Exemplo: É pau, é pedra, é o fim do caminho.
Pleonasmo literário
Redundância estilística intencional usada para reforçar uma ideia central. Exemplo: Vi com meus próprios olhos o milagre acontecer.
Pleonasmo vicioso
Repetição redundante e desnecessária considerada desvio gramatical. Exemplo: Subir para cima, entrar para dentro ou elo de ligação.
Hipérbato
Inversão radical ou complexa da ordem natural e direta dos termos na oração. Exemplo: Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante.
Anástrofe
Inversão simples e suave entre dois termos vizinhos e interdependentes. Exemplo: Do sol o calor sentíamos (em vez de Sentíamos o calor do sol).
Sínquise
Inversão extremamente truncada e truncadora da ordem frasal, dificultando a clareza imediata. Exemplo: A Deus dos homens o pedido subiu.
Anacoluto
Quebra brusca da estrutura sintática inicial, deixando um termo sem função gramatical clara. Exemplo: O relógio do meu avô, não sei onde o perdi.
Silepse de gênero
Concordância feita com a ideia conceitual ou sexo implícito, não com o gênero gramatical. Exemplo: São Paulo é violenta (concorda com a cidade de São Paulo).
Silepse de número
Concordância feita com o sentido plural implícito em um substantivo coletivo no singular. Exemplo: A turma gritou forte e correram assustados.
Silepse de pessoa
Concordância que inclui o próprio emissor em um sujeito na terceira pessoa. Exemplo: Os brasileiros somos todos apaixonados por futebol.
Hipálage
Transferência da característica própria de um termo para outro termo associado no texto. Exemplo: Fumava um cigarro pensativo (o homem é quem estava pensativo).
Quiasmo
Cruzamento simétrico da disposição de termos em duas frases espelhadas (formato AB/BA). Exemplo: No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.
Epístrofe (Epífora)
Repetição enfática de uma mesma palavra ou expressão no final de orações ou versos consecutivos. Exemplo: Quero paz, busco paz, necessito de paz.
Anadiplose
Repetição da palavra final de uma oração no início exato da oração seguinte. Exemplo: Tudo se rende à força; força que destrói a razão.
Epanalepse
Repetição de uma palavra no começo e no final da mesma oração ou período. Exemplo: Correm os dias velozes, correm.
Simploche
Combinação simultânea de anáfora e epístrofe nas mesmas frases consecutivas. Exemplo: Quem sofreu por amor? Eu sofri. Quem chorou por amor? Eu chorei.
Poliptoto
Repetição da mesma palavra sob diferentes formas gramaticais ou desinências mórficas. Exemplo: Vivo a vida que pedi para viver.
Paranomásia sintática
Aproximação de vocábulos com sonoridades semelhantes exercendo funções na mesma oração. Exemplo: O doce que adoça a dor doída.
Tmesis (Mesóclise enfática)
Interrupção do corpo de uma forma verbal para intercalar um pronome oblíquo com fim rítmico. Exemplo: Dar-te-ei todo o meu amor.
Parataxe
Encadeamento direto de orações coordenadas sem o uso de subordinação sintática complexa. Exemplo: Acordei cedo, lavei o rosto, tomei café, saí correndo.
Hipotaxe
Construção de períodos sintáticos complexos organizados estritamente por orações subordinadas. Exemplo: Embora soubesse que choveria, decidiu ir à praia logo que amanheceu.
Aposiopese
Corte ou suspensão intencional do fluxo da frase antes de sua conclusão sintática natural. Exemplo: Se você der mais um passo, eu juro que...
Braquilogia
Forma concentrada de elipse que omite uma oração inteira já inferível pelo contexto prévio. Exemplo: Ele pediu ajuda; nós, imediatamente (nós ajudamos).
Isocolo
Estrutura frasal com orações de extensão métrica e sintática rigorosamente equivalentes. Exemplo: Pensar com calma, agir com firmeza.
Tricolo
Série coordenada de três unidades sintáticas paralelas que criam progressão rítmica. Exemplo: Liberdade, igualdade e fraternidade governam nossos ideais.
Hendíadis
Expressão de uma ideia complexa por meio de dois substantivos coordenados em vez de substantivo e adjetivo. Exemplo: Tomava a poção com medo e tremor (com tremor medroso).
Enálage
Troca deliberada de uma categoria gramatical ou tempo verbal por outro para gerar vivacidade. Exemplo: Amanhã eu já viajo (presente do indicativo com sentido de futuro).
Diferença: Elipse vs. Zeugma
A elipse omite termos dedutíveis sem menção prévia; o zeugma omite termos já explicitados antes no texto.
Diferença: Assíndeto vs. Polissíndeto
O assíndeto retira conjunções para dar velocidade; o polissíndeto repete conjunções para enfatizar cadência.
Diferença: Hipérbato vs. Anástrofe
A anástrofe é uma troca pontual entre termos vizinhos; o hipérbato é um deslocamento amplo que quebra a oração.
Diferença: Anáfora vs. Epístrofe
A anáfora repete o termo no começo de orações seguidas; a epístrofe repete no encerramento dessas orações.
Diferença: Silepse vs. Concordância Gramatical
A concordância gramatical segue regras de gênero e número do substantivo; a silepse concorda com a ideia implícita.
Pleonasmo sintático
Antecipação de um objeto direto ou indireto retomado por pronome oblíquo na mesma frase. Exemplo: Aos vencedores, a eles entregamos a taça.
Epanadiplose
Repetição da palavra inicial de uma oração exatamente no final da mesma oração. Exemplo: Olhai os campos desolados, olhai.
Epizeuxe
Repetição consecutiva e imediata da mesma palavra sem intervalo sintático intermediário. Exemplo: Nunca, nunca mais voltarei àquele lugar.
Simploce na poesia
Estrutura poética em que versos sucessivos mantêm a mesma abertura e o mesmo fechamento léxico.
Polissíndeto com 'nem'
Emprego repetitivo da conjunção aditiva negativa entre elementos coordenados. Exemplo: Não come, nem bebe, nem dorme, nem descansa.
Pleonasmo com pronome átono
Reduplicação expressiva do complemento nominal ou verbal via clítico enfático. Exemplo: Esse livro, eu o li com grande admiração.
Silepse de gênero em títulos
Concordância feita com o sexo real do receptor de um pronome de tratamento formal. Exemplo: Vossa Excelência parece cansado (referindo-se a um juiz).
Efeito rítmico do assíndeto
Cria sensação de agilidade, pressa, acumulação rápida ou urgência na narrativa dos fatos.
Efeito expressivo do hipérbato
Destaca elementos colocados no início da oração e confere tom solene ou poético ao discurso.
Efeito estilístico do anacoluto
Simula a espontaneidade e a hesitação características do pensamento e da linguagem oral cotidiana.
Paralelismo sintático
Coordenação de termos ou orações mantendo rigorosa correspondência de estruturas gramaticais. Exemplo: Gosta de caminhar pela manhã e de ler à noite.
Quebra de paralelismo
Desvio da simetria sintática que enfraquece a coesão formal de uma sequência coordenada. Exemplo: Ela gosta de dança e viajar (o correto seria e de viagem).
Prolepse sintática
Antecipação de um termo pertencente a uma oração subordinada para a oração principal precedente. Exemplo: Eu sei quem você é (Eu te conheço quem és).
Papel das figuras de sintaxe
Manipulam a ordem, omitem ou repetem elementos para intensificar a expressividade e o ritmo do enunciado.

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