Figuras de Sintaxe
Estudo das figuras de sintaxe da língua portuguesa, explicando termos, estruturas e exemplos clássicos.
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- Elipse
- Omissão de um termo que pode ser facilmente identificado pelo contexto sintático ou semântico. Exemplo: Na terra, tanta guerra (omissão do verbo haver).
- Zeugma
- Tipo específico de elipse em que se omite um termo já mencionado anteriormente no enunciado. Exemplo: Eu comi maçã; ela, pera (omissão de comi).
- Polissíndeto
- Repetição intencional e enfática de conjunções coordenativas entre termos ou orações. Exemplo: Trabalha, e luta, e sofre, e vence.
- Assíndeto
- Omissão deliberada de conjunções conectivas entre termos ou orações, usando apenas vírgulas. Exemplo: Vim, vi, venci.
- Anáfora
- Repetição da mesma palavra ou expressão no início de orações, períodos ou versos seguidos. Exemplo: É pau, é pedra, é o fim do caminho.
- Pleonasmo literário
- Redundância estilística intencional usada para reforçar uma ideia central. Exemplo: Vi com meus próprios olhos o milagre acontecer.
- Pleonasmo vicioso
- Repetição redundante e desnecessária considerada desvio gramatical. Exemplo: Subir para cima, entrar para dentro ou elo de ligação.
- Hipérbato
- Inversão radical ou complexa da ordem natural e direta dos termos na oração. Exemplo: Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante.
- Anástrofe
- Inversão simples e suave entre dois termos vizinhos e interdependentes. Exemplo: Do sol o calor sentíamos (em vez de Sentíamos o calor do sol).
- Sínquise
- Inversão extremamente truncada e truncadora da ordem frasal, dificultando a clareza imediata. Exemplo: A Deus dos homens o pedido subiu.
- Anacoluto
- Quebra brusca da estrutura sintática inicial, deixando um termo sem função gramatical clara. Exemplo: O relógio do meu avô, não sei onde o perdi.
- Silepse de gênero
- Concordância feita com a ideia conceitual ou sexo implícito, não com o gênero gramatical. Exemplo: São Paulo é violenta (concorda com a cidade de São Paulo).
- Silepse de número
- Concordância feita com o sentido plural implícito em um substantivo coletivo no singular. Exemplo: A turma gritou forte e correram assustados.
- Silepse de pessoa
- Concordância que inclui o próprio emissor em um sujeito na terceira pessoa. Exemplo: Os brasileiros somos todos apaixonados por futebol.
- Hipálage
- Transferência da característica própria de um termo para outro termo associado no texto. Exemplo: Fumava um cigarro pensativo (o homem é quem estava pensativo).
- Quiasmo
- Cruzamento simétrico da disposição de termos em duas frases espelhadas (formato AB/BA). Exemplo: No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.
- Epístrofe (Epífora)
- Repetição enfática de uma mesma palavra ou expressão no final de orações ou versos consecutivos. Exemplo: Quero paz, busco paz, necessito de paz.
- Anadiplose
- Repetição da palavra final de uma oração no início exato da oração seguinte. Exemplo: Tudo se rende à força; força que destrói a razão.
- Epanalepse
- Repetição de uma palavra no começo e no final da mesma oração ou período. Exemplo: Correm os dias velozes, correm.
- Simploche
- Combinação simultânea de anáfora e epístrofe nas mesmas frases consecutivas. Exemplo: Quem sofreu por amor? Eu sofri. Quem chorou por amor? Eu chorei.
- Poliptoto
- Repetição da mesma palavra sob diferentes formas gramaticais ou desinências mórficas. Exemplo: Vivo a vida que pedi para viver.
- Paranomásia sintática
- Aproximação de vocábulos com sonoridades semelhantes exercendo funções na mesma oração. Exemplo: O doce que adoça a dor doída.
- Tmesis (Mesóclise enfática)
- Interrupção do corpo de uma forma verbal para intercalar um pronome oblíquo com fim rítmico. Exemplo: Dar-te-ei todo o meu amor.
- Parataxe
- Encadeamento direto de orações coordenadas sem o uso de subordinação sintática complexa. Exemplo: Acordei cedo, lavei o rosto, tomei café, saí correndo.
- Hipotaxe
- Construção de períodos sintáticos complexos organizados estritamente por orações subordinadas. Exemplo: Embora soubesse que choveria, decidiu ir à praia logo que amanheceu.
- Aposiopese
- Corte ou suspensão intencional do fluxo da frase antes de sua conclusão sintática natural. Exemplo: Se você der mais um passo, eu juro que...
- Braquilogia
- Forma concentrada de elipse que omite uma oração inteira já inferível pelo contexto prévio. Exemplo: Ele pediu ajuda; nós, imediatamente (nós ajudamos).
- Isocolo
- Estrutura frasal com orações de extensão métrica e sintática rigorosamente equivalentes. Exemplo: Pensar com calma, agir com firmeza.
- Tricolo
- Série coordenada de três unidades sintáticas paralelas que criam progressão rítmica. Exemplo: Liberdade, igualdade e fraternidade governam nossos ideais.
- Hendíadis
- Expressão de uma ideia complexa por meio de dois substantivos coordenados em vez de substantivo e adjetivo. Exemplo: Tomava a poção com medo e tremor (com tremor medroso).
- Enálage
- Troca deliberada de uma categoria gramatical ou tempo verbal por outro para gerar vivacidade. Exemplo: Amanhã eu já viajo (presente do indicativo com sentido de futuro).
- Diferença: Elipse vs. Zeugma
- A elipse omite termos dedutíveis sem menção prévia; o zeugma omite termos já explicitados antes no texto.
- Diferença: Assíndeto vs. Polissíndeto
- O assíndeto retira conjunções para dar velocidade; o polissíndeto repete conjunções para enfatizar cadência.
- Diferença: Hipérbato vs. Anástrofe
- A anástrofe é uma troca pontual entre termos vizinhos; o hipérbato é um deslocamento amplo que quebra a oração.
- Diferença: Anáfora vs. Epístrofe
- A anáfora repete o termo no começo de orações seguidas; a epístrofe repete no encerramento dessas orações.
- Diferença: Silepse vs. Concordância Gramatical
- A concordância gramatical segue regras de gênero e número do substantivo; a silepse concorda com a ideia implícita.
- Pleonasmo sintático
- Antecipação de um objeto direto ou indireto retomado por pronome oblíquo na mesma frase. Exemplo: Aos vencedores, a eles entregamos a taça.
- Epanadiplose
- Repetição da palavra inicial de uma oração exatamente no final da mesma oração. Exemplo: Olhai os campos desolados, olhai.
- Epizeuxe
- Repetição consecutiva e imediata da mesma palavra sem intervalo sintático intermediário. Exemplo: Nunca, nunca mais voltarei àquele lugar.
- Simploce na poesia
- Estrutura poética em que versos sucessivos mantêm a mesma abertura e o mesmo fechamento léxico.
- Polissíndeto com 'nem'
- Emprego repetitivo da conjunção aditiva negativa entre elementos coordenados. Exemplo: Não come, nem bebe, nem dorme, nem descansa.
- Pleonasmo com pronome átono
- Reduplicação expressiva do complemento nominal ou verbal via clítico enfático. Exemplo: Esse livro, eu o li com grande admiração.
- Silepse de gênero em títulos
- Concordância feita com o sexo real do receptor de um pronome de tratamento formal. Exemplo: Vossa Excelência parece cansado (referindo-se a um juiz).
- Efeito rítmico do assíndeto
- Cria sensação de agilidade, pressa, acumulação rápida ou urgência na narrativa dos fatos.
- Efeito expressivo do hipérbato
- Destaca elementos colocados no início da oração e confere tom solene ou poético ao discurso.
- Efeito estilístico do anacoluto
- Simula a espontaneidade e a hesitação características do pensamento e da linguagem oral cotidiana.
- Paralelismo sintático
- Coordenação de termos ou orações mantendo rigorosa correspondência de estruturas gramaticais. Exemplo: Gosta de caminhar pela manhã e de ler à noite.
- Quebra de paralelismo
- Desvio da simetria sintática que enfraquece a coesão formal de uma sequência coordenada. Exemplo: Ela gosta de dança e viajar (o correto seria e de viagem).
- Prolepse sintática
- Antecipação de um termo pertencente a uma oração subordinada para a oração principal precedente. Exemplo: Eu sei quem você é (Eu te conheço quem és).
- Papel das figuras de sintaxe
- Manipulam a ordem, omitem ou repetem elementos para intensificar a expressividade e o ritmo do enunciado.