Figuras de Som

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Este conjunto de fichas aborda as principais figuras de som da língua portuguesa com definições e exemplos. É ideal para estudantes do ensino médio e concurseiros.

51 cartões Português Nível: Ensino fundamental e médio Figuras de linguagem Publicado
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Cartões · 51

O que são figuras de som (ou de harmonia)?
Recursos estilísticos baseados na sonoridade, no ritmo ou na repetição de sons das palavras para criar expressividade poética ou musicalidade no texto.
Aliteração
Repetição intencional de fonemas consonantais idênticos ou semelhantes em palavras próximas. Exemplo: 'O rato roeu a roupa do rei de Roma'.
Assonância
Repetição intencional de fonemas vocálicos (sons de vogais) semelhantes ou idênticos, criando efeito melódico. Exemplo: 'Sou um mulato nato no sentido lato'.
Paronomásia
Aproximação de palavras parônimas (grafia e pronúncia parecidas, mas significados distintos). Exemplo: 'Com tais modos, o cavaleiro logo se tornou um cavalheiro'.
Onomatopeia
Emprego de palavras cuja sonoridade imita ruídos, sons da natureza ou de ações humanas e animais. Exemplo: 'O tique-taque do relógio avisava que o tempo corria'.
Eco
Repetição involuntária ou intencional de terminações sonoras idênticas em palavras próximas, gerando rima interna repetitiva. Exemplo: 'A petição causou comoção na multidão'.
Rima
Identidade ou semelhança de sons na terminação de duas ou mais palavras, normalmente no final de versos. Exemplo: 'Amo o vento / que espalha meu pensamento'.
Aliteração sibilante
Variação da aliteração com repetição do fonema /s/, sugerindo sussurros, silêncio ou deslizamento. Exemplo: 'Vozes veladas, veludosas vozes, volúpias dos violões'.
Aliteração oclusiva
Repetição de consoantes oclusivas (/p/, /b/, /t/, /d/, /k/, /g/) para marcar impacto ou agressividade. Exemplo: 'Batem as portas, partem os passos pela poeira'.
Aliteração nasal
Repetição de fonemas nasais (/m/, /n/, /nh/), sugerindo monotonia, queixa ou lentidão. Exemplo: 'Manhã macia que murmura no mar'.
Assonância aberta
Predomínio de vogais abertas (/a/, /ɛ/, /ɔ/), transmitindo luminosidade, euforia ou amplitude. Exemplo: 'A clara água lavava a praça ensolarada'.
Assonância fechada
Predomínio de vogais fechadas (/e/, /i/, /o/, /u/), sugerindo tristeza, mistério ou opressão. Exemplo: 'Um fundo vulto no escuro tumulto'.
Rima perfeita (ou rica)
Coincidência total de sons vocálicos e consonantais a partir da vogal tônica entre classes gramaticais diferentes. Exemplo: 'canto' (substantivo) e 'levanto' (verbo).
Rima pobre
Rima entre palavras que pertencem à mesma classe gramatical ou que têm sufixos idênticos. Exemplo: 'amor' e 'dor' (substantivos); 'rapidamente' e 'lentamente' (advérbios).
Rima toante (ou imperfeita)
Coincidência apenas dos sons vocálicos a partir da vogal tônica, enquanto as consoantes diferem. Exemplo: 'pedra' e 'terra'.
Rima interna
Rima que ocorre no meio do mesmo verso ou entre o interior de versos diferentes. Exemplo: 'Quem espera sempre alcança, na dança da esperança'.
Cacofonia (ou cacófato)
Encontro de sílabas finais de uma palavra com as iniciais da seguinte que produz som desagradável ou obsceno. Exemplo: 'Ela tinha' (soa como 'latinha') ou 'boca dela' (soa como 'cadela').
Colisão
Sucessão desagradável e não intencional de fonemas consonantais idênticos em palavras vizinhas. Exemplo: 'Pedro pediu permissão para partir'.
Hiato fonético vicioso
Sequência repetitiva e deselegante de vogais abertas que quebra o ritmo harmonioso da frase. Exemplo: 'Ouvi a aula ao amanhecer'.
Paragoge
Acréscimo de som no final de uma palavra, usado em falares regionais ou na métrica de cantigas antigas. Exemplo: 'fazer' pronunciado como 'fazi' ou 'ante' por 'antes'.
Epêntese
Acréscimo de fonema no meio de uma palavra, frequentemente para facilitar a articulação. Exemplo: 'pneu' pronunciado como 'peneu'.
Prótese
Acréscimo de fonema no início de uma palavra, comum na evolução da língua ou na fala oral expressiva. Exemplo: 'esperar' derivado do latim 'sperare'; 'alumiar' por 'iluminar'.
Aférese
Supressão de fonema no início de uma palavra, criando efeito coloquial ou rítmico. Exemplo: 'está' reduzido a 'tá'; 'você' reduzido a 'cê'.
Síncope
Supressão de fonema no interior de uma palavra, alterando o ritmo silábico. Exemplo: 'mor' em vez de 'maior'; 'pera' em vez de 'pedra' no português arcaico.
Apócope
Supressão de fonema no final de uma palavra por motivo estilístico ou coloquial. Exemplo: 'muito' reduzido a 'mui'; 'cento' a 'cem'.
Elisão
Fusão ou desaparecimento da vogal final átona de uma palavra diante da vogal inicial da palavra seguinte na poesia. Exemplo: 'Est'alma' em vez de 'esta alma'.
Crase poética
Fusão de duas vogais iguais contíguas em uma única sílaba poética ou métrica. Exemplo: 'a asa' pronunciado metricamente como 'asa'.
Sinérese
Contração de duas vogais em hiato no interior de uma palavra em um ditongo para ajustar a métrica. Exemplo: 'pi-e-da-de' pronunciada como três sílabas ('pie-da-de').
Diérese
Separação de um ditongo em duas sílabas poéticas distintas para alongar o verso. Exemplo: 'sau-da-de' escandida como 'sa-u-da-de'.
Tmeses fonética
Interrupção rítmica de palavras ou versos criando efeito de hesitação sonora ou ênfase expressiva. Exemplo: 'dar-te-ei' soando como pausa solene no discurso poético.
Similicadência (ou Homeoteleuto)
Emprego de palavras sucessivas com terminações flexionadas de mesma categoria fonética e sintática. Exemplo: 'Ele vivia cantando, sonhando, chorando e lutando'.
Homeóptoto
Terminação idêntica baseada na mesma flexão de gênero, número ou caso em palavras vizinhas. Exemplo: 'Culpados, calados e humilhados fugiram'.
Harmonia imitativa
Escolha de sons articulatórios que sugerem a ação descrita além da onomatopeia literal. Exemplo: 'O vento uivava nas frestas das janelas'.
Trocadilho sonoro
Jogo de palavras baseado na semelhança fonética que produz duplo sentido cômico ou satírico. Exemplo: 'Não confunda alhos com bugalhos'.
Metátese
Transposição de fonemas dentro da mesma palavra, usada expressivamente em cantos populares. Exemplo: 'salvador' tornando-se 'sarvador'; 'tropeçar' por 'torpeçar'.
Ditongação expressiva
Transformação de uma vogal simples em ditongo para marcar sotaque ou expressividade poética. Exemplo: 'luz' pronunciado e rimado como 'luis'.
Monotongação
Redução de um ditongo a uma vogal simples no discurso lírico ou regional. Exemplo: 'ouro' pronunciado como 'ôro'; 'peixe' pronunciado como 'pêxe'.
Rima consoante
Identidade total e perfeita de todos os fonemas a partir da vogal tônica. Exemplo: 'coração' rimando exatamente com 'paixão'.
Rima esdrúxula
Rima feita entre palavras proparoxítonas, criando efeito rítmico ligeiro e incomum. Exemplo: 'trágico' rimando com 'mágico'.
Rima aguda
Rima formada por palavras oxítonas ou monossílabos tônicos terminados em som forte. Exemplo: 'café' rimando com 'pé'.
Rima grave
Rima constituída por palavras paroxítonas, sendo o padrão sonoro mais comum do português. Exemplo: 'vento' rimando com 'alento'.
Rima emparelhada (ou paralela)
Disposição métrico-sonora segundo o esquema AABB entre os versos. Exemplo: 'flor / amor' seguidos de 'mar / luar'.
Rima alternada (ou cruzada)
Disposição métrico-sonora segundo o esquema ABAB entre os versos. Exemplo: 'vento / mar / pensamento / luar'.
Rima interpolada (ou oposta)
Disposição métrico-sonora segundo o esquema ABBA entre os versos. Exemplo: 'noite / dia / alegria / açoite'.
Ritmo lírico
Distribuição periódica e harmoniosa de sílabas tônicas e átonas ao longo da frase ou verso. Exemplo: 'A onda que quebra na praia desce com a areia fina'.
Cadência oratória
Modulação melódica planejada na entonação de uma frase em prosa para persuadir pelo ouvido. Exemplo: 'Vieram, viram, venceram e partiram com glória'.
Onomatopeia primária
Vocábulo criado exclusivamente para reproduzir um som bruto do ambiente. Exemplo: 'Bum!', 'Atchim!', 'Tchibum!'.
Onomatopeia secundária
Palavra estruturada gramaticalmente como verbo ou substantivo que conserva a evocação acústica. Exemplo: 'cacarejar', 'zunir', 'farfalhar'.
Aliteração líquida
Repetição das consoantes líquidas (/l/ e /r/), evocando fluidez, água ou suavidade. Exemplo: 'Leva a leve lua pelo límpido lago'.
Ambiguidade fonética
Duplo sentido involuntário ou cômico gerado pela junção auditiva contínua de sons de palavras contíguas. Exemplo: 'por cada' gerando a audição de 'porcada'.
Função poética da linguagem nos sons
Uso da sonoridade física das palavras como reforço do próprio conteúdo semântico da mensagem. Exemplo: 'O sino de Belém / bate bem-bem-bem'.

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