Fonoaudiologia: Disartria
Este conjunto aborda os conceitos, tipos e sintomas da disartria, sendo voltado para estudantes e profissionais de fonoaudiologia e neurologia.
Cartões · 51
- O que é disartria?
- Distúrbio neurológico da fala resultante de anormalidades na força, velocidade, amplitude, firmeza, tom ou precisão dos movimentos musculares responsáveis pela fonação, articulação e ressonância.
- Diferença entre disartria e afasia
- A disartria é um transtorno puramente motor da produção oral da fala, enquanto a afasia é um distúrbio de linguagem que afeta compreensão, formulação linguística e processamento simbólico.
- Diferença entre disartria e apraxia de fala
- A disartria envolve fraqueza, paralisia ou descoordenação muscular consistente; a apraxia é um déficit no planejamento e programação motora sem fraqueza muscular primária.
- Subsistemas da fala afetados na disartria
- Respiração, fonação, ressonância, articulação e prosódia.
- Localização da lesão na disartria flácida
- Lesão no neurônio motor inferior (tronco encefálico, nervos cranianos ou medula espinhal) ou na junção neuromuscular.
- Principais sintomas fonatórios da disartria flácida
- Voz soprosa e fraca decorrente do fechamento incompleto das pregas vocais, além de estridor inspiratório em casos graves.
- Ressonância na disartria flácida
- Hipernasalidade marcante com possível emissão de ar nasal, resultante da paresia ou paralisia do véu palatino (nervo vago).
- Articulação na disartria flácida
- Imprecisão consonantal constante provocada por fraqueza em língua, lábios ou mandíbula, dependendo dos nervos cranianos lesionados.
- Sintomas respiratórios na disartria flácida
- Redução do suporte aéreo, capacidade vital diminuída, frases curtas e necessidade frequente de pausas inspiratórias.
- Etiologias comuns da disartria flácida
- Miastenia gravis, Síndrome de Guillain-Barré, esclerose lateral amiotrófica (fase inicial bulbar) e paralisias de nervos cranianos periféricos.
- Localização da lesão na disartria espástica
- Lesão bilateral do neurônio motor superior (vias corticoespinais e corticobulbares).
- Qualidade vocal típica da disartria espástica
- Voz áspera, tensa-estrangulada, com quebras de pitch e pitch grave anormal devido ao espasmo e hipertonia das pregas vocais.
- Ressonância na disartria espástica
- Hipernasalidade moderada constante, gerada pela rigidez e movimentação lenta do esfíncter velofaríngeo.
- Articulação na disartria espástica
- Consoantes imprecisas e distorção de vogais provocadas pela lentidão muscular, espasticidade e limitação de excursão dos articuladores.
- Prosódia na disartria espástica
- Velocidade de fala reduzida, monotonia de frequência, monointensidade e acentuação excessiva e uniforme em cada sílaba.
- Etiologias comuns da disartria espástica
- Acidente vascular cerebral bilateral, paralisia pseudobulbar, paralisia cerebral espástica e traumatismo cranioencefálico grave.
- Localização da lesão na disartria atáxica
- Lesão no cerebelo ou nas vias cerebelares conectadas ao tronco encefálico.
- Qualidade vocal na disartria atáxica
- Voz áspera com oscilações repentinas de intensidade e de tom, refletindo instabilidade motora fonoarticulatória.
- Ressonância na disartria atáxica
- Geralmente normal, embora possam ocorrer episódios intermitentes de hipernasalidade devido à dessincronia velar.
- Articulação na disartria atáxica
- Imprecisão consonantal irregular e inconsistente, com distorção de vogais que confere um aspecto de 'fala embriagada'.
- Prosódia na disartria atáxica
- Fala escandida (sílaba por sílaba), prolongamento anormal de sons e intervalos fonatórios irregulares com quebras rítmicas.
- Coordenação pneumofonoarticulatória na ataxia
- Incoordenação acentuada entre o fluxo respiratório expiratório e a adução glótica, levando a picos súbitos de volume.
- Etiologias comuns da disartria atáxica
- Ataxias espinocerebelares, AVC cerebelar, esclerose múltipla e toxicidade crônica por álcool ou anticonvulsivantes.
- Localização da lesão na disartria hipocinética
- Lesão no sistema extrapiramidal, especificamente na substância negra e circuitos dos núcleos da base.
- Doença arquetípica associada à disartria hipocinética
- Doença de Parkinson.
- Fonação na disartria hipocinética
- Hipofonia acentuada (voz excessivamente baixa e fraca), aspereza e voz soprosa por arqueamento das pregas vocais.
- Articulação na disartria hipocinética
- Subarticulação, contato articulatório impreciso e incompleto gerado pela rigidez e amplitude de movimento restrita (hipocinesia).
- Velocidade e ritmo na disartria hipocinética
- Festinação da fala: aceleração involuntária e rápida do ritmo com dificuldade para iniciar e parar as emissões.
- Prosódia na disartria hipocinética
- Monotonia marcante de frequência e intensidade (monopitch e monoloudness), com silêncios inapropriados.
- Palilalia na disartria hipocinética
- Repetição compulsiva e rápida de palavras ou frases recém-emitidas, comum em estágios avançados do parkinsonismo.
- Localização da lesão na disartria hipercinética
- Circuitos dos núcleos da base, caracterizada por movimentos involuntários anormais interpostos na fala.
- Doença clássica ligada à disartria hipercinética rápida
- Coreia de Huntington.
- Fonação na disartria hipercinética coreica
- Interrupções vocais súbitas, variações bruscas e involuntárias de intensidade e pitch, com episódios de voz tensa-estrangulada.
- Ressonância na disartria hipercinética coreica
- Hipernasalidade intermitente decorrente de contrações involuntárias e descoordenadas do esfíncter velofaríngeo.
- Articulação na disartria hipercinética
- Distorções consonantais altamente variáveis e imprevisíveis causadas pela intromissão de movimentos faciais e linguais involuntários.
- Disartria hipercinética por distonia
- Marcada por rigidez focal prolongada, quebras fônicas tônicas, esforço fonatório visível e lentidão articulatória.
- Tremor vocal essencial na disartria hipercinética
- Tremor rítmico sustentado na fonação (4 a 8 Hz), afetando a amplitude e a frequência das pregas vocais e faringe.
- Localização da disartria unilateral de neurônio motor superior (D-UNMS)
- Lesão unilateral do trato corticonuclear/corticobulbar, muito comum em infartos cerebrais agudos hemisféricos.
- Sintomas articulatórios da D-UNMS
- Imprecisão consonantal leve a moderada por fraqueza contralateral na metade inferior da face e na borda da língua.
- Qualidade vocal e ressonância na D-UNMS
- Voz tipicamente áspera e levemente hipernasal; os sintomas costumam ser transitórios e de gravidade branda a moderada.
- O que é disartria mista?
- Condição em que coexistem características de dois ou mais tipos puros de disartria devido a danos multissistêmicos.
- Padrão de disartria mista na ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica)
- Combinação de características flácidas e espásticas, com fraqueza muscular periférica e tônus espástico associados.
- Padrão de disartria mista na Esclerose Múltipla
- Mais frequentemente espástica-atáxica, refletindo lesões concomitantes na substância branca periventricular e no cerebelo.
- Padrão de disartria na Doença de Wilson
- Mista atáxica-espástica-hipocinética, gerando voz estrangulada, rigidez facial e incoordenação articulatória.
- Avaliação dos pares cranianos: Nervo Trigêmeo (V)
- Examina a motricidade mandibular e tônus dos músculos mastigatórios essenciais para a abertura e oclusão articulatória.
- Avaliação dos pares cranianos: Nervo Facial (VII)
- Avalia o fechamento labial, tonicidade das bochechas e produção de fonemas bilabiais (/p/, /b/, /m/) e labiodentais.
- Avaliação dos pares cranianos: Nervo Vago (X)
- Avalia o fechamento e mobilidade do palato mole (ressonância) e a mobilidade das pregas vocais (fonação e tosse).
- Avaliação dos pares cranianos: Nervo Hipoglosso (XII)
- Avalia protrusão, força, lateralização e simetria da língua, crucial para fonemas linguoalveolares e linguopalatais.
- Diadococinesia oral na disartria
- Teste da repetição rápida de sílabas (/pa-ta-ka/) para mensurar velocidade, regularidade motora e precisão articulatória.
- Objetivo terapêutico primordial na disartria grave
- Garantir um meio funcional de comunicação, frequentemente recorrendo a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA).
- Biofeedback acústico no tratamento da disartria
- Uso de ferramentas visuais em tempo real para monitorar e calibrar intensidade vocal, pitch e velocidade de fala.