Português FGV (Concursos)
Este conjunto aborda regras gramaticais e de interpretação de texto cobradas pela banca FGV em concursos públicos.
Cartões · 52
- Pressuposto vs. Subentendido na FGV
- Pressuposto tem marca textual explícita (ex: advérbio 'ainda'). Subentendido depende de dedução do leitor sem marca formal; a FGV adora cobrar a distinção estrita entre ambos.
- Tipologia textual: Texto Narrativo na FGV
- Exige progressão temporal e transformação de estado. Relato estático com verbos no pretérito sem mudança de situação costuma ser classificado pela banca como descritivo.
- Tipologia textual: Descrição objetiva vs. subjetiva
- Objetiva foca em traços concretos e mensuráveis; subjetiva usa impressões e adjetivos valorativos. A FGV cobra a identificação precisa do ponto de vista do enunciador.
- Texto Injuntivo vs. Prescritivo
- Injuntivo orienta ou sugere (manual, receita); prescritivo impõe obrigatoriedade estrita sem margem de escolha (leis, editais). A banca explora essa nuance semântica.
- Ambiguidade estrutural vs. lexical
- Lexical decorre de polissemia da palavra; estrutural decorre do mau posicionamento de adjuntos ou orações. A FGV frequentemente pede para desfazer a ambiguidade sintática.
- Adjetivo de relação
- Derivado de substantivo, não admite intensificador ('muito presidencial' não existe) e fica sempre posposto ao substantivo ('decisão presidencial'). Pegadinha clássica da banca.
- Mudança de sentido pela posição do adjetivo
- Anteposto ganha valor subjetivo/conotativo ('grande homem'); posposto mantém valor objetivo/denotativo ('homem grande'). A FGV cobra a alteração semântica resultante.
- Hiperonímia vs. Hiponímia na coesão
- Hiperônimo é o termo genérico (veículo); hipônimo é o termo específico (carro). A FGV usa ambos como recursos coesivos para evitar repetição lexical em reescrituras.
- Polifonia e discurso indireto livre
- Mistura a voz do narrador com o pensamento da personagem sem marcas formais de introdução (como 'disse que'). A FGV exige identificar de quem é a perspectiva expressa.
- Intertextualidade: Paráfrase vs. Paródia
- Paráfrase reafirma as ideias originais com novas palavras, mantendo o sentido. Paródia subverte ou ironiza o texto original. A banca foca na intenção discursiva.
- Conjunção 'como' com valor de causa
- Inicia oração causal anteposta à principal ('Como choveu, não saí'). A FGV troca por 'já que' ou 'visto que' para testar a percepção de valor causal versus comparativo.
- Conjunção 'desde que' e seus valores
- Com verbo no indicativo indica tempo ('Desde que chegou...'); com verbo no subjuntivo indica condição ('Desde que estude...'). Pegadinha frequente de semântica verbal.
- Valor semântico de 'pois' antes e após o verbo
- Antes do verbo é explicativo ou causal ('Estude, pois passará'). Posposto ao verbo e entre vírgulas é conclusivo ('Ele estudou; passará, pois').
- Conjunções concessivas e força argumentativa
- Embora, ainda que e conquanto introduzem argumento mais fraco, superado pela oração principal. A FGV explora a hierarquia argumentativa entre concessão e adversidade.
- Conjunção 'e' com valor adversativo
- Equivale a 'mas' quando conecta ideias contrastantes ('Estudou muito, e não passou'). A banca cobra a substituição por conectivo adversativo mantendo a pontuação.
- Complemento nominal vs. Adjunto adnominal
- Com substantivo abstrato: paciente é complemento nominal; agente ou posse é adjunto adnominal. Com substantivo concreto, é sempre adjunto adnominal.
- Voz passiva sintética vs. Indeterminação do sujeito
- VTD + 'se' gera passiva sintética com sujeito paciente concordando ('Vendem-se casas'). VTI, VI ou VL + 'se' gera índice de indeterminação, mantendo o verbo no singular.
- Pronome 'se' como partícula expletiva ou de realce
- Pode ser retirado sem prejuízo sintático ou semântico ('Ele foi-se embora' = 'Ele foi embora'). A FGV testa a função sintática perguntando se o termo é essencial.
- Função sintática do pronome relativo 'que'
- Assume a função do antecedente que ele substitui na oração adjetiva (sujeito, objeto direto, etc.). Para descobrir, substitua o 'que' pelo antecedente na oração.
- Pronome relativo 'cujo' e suas restrições
- Exige valor de posse, conecta dois substantivos e nunca aceita artigo após si ('cujo o' é erro). A FGV explora regência colocando preposição antes dele.
- Regência do verbo 'implicar'
- No sentido de 'acarretar/ter como consequência' é VTD direto ('A crise implicou demissões', sem 'em'). O uso com 'em' é erro frequente cobrado pela banca.
- Regência de 'assistir'
- No sentido de ver/presenciar exige preposição 'a' (VTI: 'assistir ao jogo'); no sentido de prestar socorro é VTD ('assistir o doente').
- Regência de 'preferir'
- Exige a preposição 'a' e rejeita expressões comparativas ('Preferia café a chá', nunca 'preferia café do que chá' ou 'mais café que chá').
- Regência de 'visar'
- No sentido de ter como objetivo/almejar é VTI com 'a' ('Visava ao cargo'). No sentido de mirar ou assinar/dar visto é VTD direto.
- Regência de 'esquecer' e 'lembrar'
- Formas simples são VTD ('Esqueci o livro'). Formas pronominais exigem preposição 'de' ('Esqueci-me do livro'). A FGV mistura as duas construções como distrator.
- Crase antes de pronomes demonstrativos
- Ocorre fusão da preposição 'a' com a vogal inicial de 'aquele', 'aquela', 'aquilo' quando o termo regente exigir preposição ('Refiro-me àquele caso').
- Crase diante de palavra feminina em sentido genérico
- Substantivos femininos sem artigo definido não recebem crase ('Não dou ouvidos a críticas'). A crase só ocorre se o termo estiver determinado ('às críticas feitas').
- Crase antes da palavra 'casa'
- Sem modificador/especificador não recebe crase ('Cheguei a casa'). Com especificador recebe crase ('Cheguei à casa dos meus pais').
- Crase antes da palavra 'distância'
- Pela norma culta estrita da FGV, só ocorre crase se a distância estiver determinada numericamente ('à distância de 5 metros'; mas 'olhava a distância').
- Concordância verbal com porcentagem e partitivos
- Com expressões como 'a maioria de' + substantivo plural, o verbo pode concordar com o núcleo partitivo (singular) ou com o termo especificado (plural).
- Concordância do verbo 'haver' existencial
- É impessoal e fica na 3ª pessoa do singular ('Havia muitos problemas'). Em locuções verbais, transmite a impessoalidade ao auxiliar ('Deve haver soluções').
- Concordância do verbo 'fazer' indicando tempo
- É impessoal e permanece na 3ª pessoa do singular ('Faz dez anos', 'Vai fazer dois meses'). A FGV tenta induzir o candidato a pluralizar o verbo.
- Concordância com 'mais de um'
- Verbo no singular ('Mais de um candidato faltou'), exceto se houver reciprocidade ('Mais de um colega se abraçaram') ou repetição da expressão.
- Concordância nominal com 'anexo', 'incluso' e 'quite'
- Adjetivos concordam em gênero e número com o substantivo ('cartas anexas'). Porém, a locução invariável 'em anexo' não sofre flexão.
- Concordância de 'é proibido' / 'é necessário'
- Sem determinante ficam invariáveis no masculino singular ('É proibido entrada'). Com determinante, concordam com o substantivo ('É proibida a entrada').
- Concordância de 'meio' e 'bastante'
- Como advérbio são invariáveis ('Ela está meio cansada', 'Eles falaram bastante'). Como adjetivo/pronome variam ('meia garrafa', 'bastantes motivos').
- Uso da vírgula antes da conjunção 'e'
- Facultativa ou recomendada quando os sujeitos das orações coordenadas forem diferentes ('O sol raiou, e as crianças acordaram') ou em polissíndeto enfático.
- Proibição de vírgula entre termos imediatos
- Nunca se separa por vírgula sujeito de predicado, nem verbo de seus complementos diretos ou indiretos, mesmo com termos longos intermediários descolados.
- Isolamento de adjunto adverbial deslocado
- Se for de grande extensão (três ou mais palavras), a vírgula é obrigatória. Se for de curta extensão, a vírgula é facultativa, exceto se houver ambiguidade.
- Vírgula nas orações adjetivas explicativas vs. restritivas
- Com vírgula é explicativa (generaliza o termo antecedente); sem vírgula é restritiva (delimita um subgrupo). A FGV cobra a mudança de sentido ao remover a vírgula.
- Uso de dois-pontos na FGV
- Introduz enumeração, citação, síntese ou explicação de conteúdo anterior. A banca explora seu papel semântico de introduzir oração explicativa sem conectivo.
- Próclise obrigatória com palavras atrativas
- Palavras negativas, pronomes relativos, indefinidos e conjunções subordinativas atraem o pronome oblíquo antes do verbo ('Não o vi', 'Quem me chamou?').
- Colocação pronominal com particípio
- Nunca ocorre ênclise ao particípio ('Tinha dito-lhe' é incorreto; o certo é 'Tinha-lhe dito' ou 'Havia lhe dito'). A FGV pune o uso enclítico ao particípio.
- Mesóclise e presença de palavra atrativa
- O futuro do presente ou do pretérito exige mesóclise ('Fá-lo-ei'), mas a presença de elemento atrativo anula a mesóclise e impõe a próclise ('Não o farei').
- Sentido de tempos verbais: Pretérito Mais-Que-Perfeito
- Expressa ação concluída antes de outra ação também passada ('Ele já saíra quando o telefone tocou'). A FGV cobra sua correlação com formas compostas ('havia saído').
- Futuro do Pretérito e polidez/hipótese
- Além de indicar ação posterior a um marco passado, expressa cortesia ('Gostaria de falar...') ou dúvida/incerteza factual sobre eventos pretéritos.
- Paralelismo sintático na FGV
- Elementos coordenados devem manter a mesma estrutura gramatical (ex: não coordenar oração reduzida de infinitivo com oração desenvolvida introduzida por 'que').
- Paralelismo semântico
- Coordenar termos pertencentes a campos conceituais coerentes. A FGV considera falha estilística ou quebra cômica coordenar categorias incompatíveis sem intenção poética.
- Figura de linguagem: Metonímia vs. Metáfora
- Metáfora baseia-se em analogia ou similaridade implícita. Metonímia baseia-se em relação lógica de proximidade (autor pela obra, continente pelo conteúdo).
- Figura de linguagem: Zeugma vs. Elipse
- Elipse omite termo facilmente subentendido pelo contexto geral. Zeugma é a omissão de um termo específico já enunciado explicitamente antes na frase.
- Pressuposição gerada por verbos de mudança de estado
- Verbos como 'parar', 'começar', 'deixar de' geram pressupostos semânticos incontornáveis (ex: 'parou de fumar' pressupõe que ele fumava anteriormente).
- Reescritura de frases com orações reduzidas
- Ao converter reduzida ('Ao chegar...') em desenvolvida ('Quando chegou...'), a banca altera sutilmente o tempo verbal ou a regência para testar a equivalência exata.