Romantismo vs Realismo

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Este conjunto aborda a comparação entre o Romantismo e o Realismo na literatura, destacando características, estilo de escrita e contexto histórico. É ideal para estudantes que se preparam para o vestibular e o ENEM.

52 cartões Português Nível: Ensino fundamental e médio Movimentos literários Publicado
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Cartões · 52

Contexto histórico do Romantismo
Consolidou-se no fim do século XVIII e início do XIX, marcado pela Revolução Francesa e pela ascensão dos ideais de liberdade burguesa.
Contexto histórico do Realismo
Surgiu na segunda metade do século XIX, impulsionado pela Segunda Revolução Industrial, urbanização acelerada e avanço científico.
Mentalidade do autor romântico
Foco no 'eu', subjetivismo extremo, culto à imaginação, sentimentalismo e busca de evasão da realidade social.
Mentalidade do autor realista
Observador crítico e objetivo, postura investigativa baseada na razão, análise científica da sociedade e de suas hipocrisias.
Visão do Amor no Romantismo
Idealizado, sublime, espiritual e inalcançável; visto como redenção moral e força absoluta que transcende as barreiras terrenas.
Visão do Amor no Realismo
Desmistificado e carnal; visto como interesse social, moeda de troca patrimonial ou fruto de instintos biológicos.
Construção do Herói Romântico
Personagem idealizado, nobre de espírito, íntegro, guiado por paixões intensas e frequentemente marcado por um destino trágico.
Construção do Personagem no Realismo
Anti-herói humanizado, repleto de falhas éticas, fraquezas psicológicas e condicionado pelo meio social e pela conveniência.
Idealização da Mulher no Romantismo
Representada como figura pura, angelical, distante, frágil e desprovida de sexualidade evidente.
Representação da Mulher no Realismo
Retratada com desejos reais, defeitos, interesses materiais e propensa ao adultério, quebrando o mito da pureza virginal.
Estilo de Escrita no Romantismo
Linguagem grandiloquente, metafórica, exclamativa e sentimental, priorizando a musicalidade e o impacto emotivo.
Estilo de Escrita no Realismo
Linguagem direta, descritiva, precisa e sóbria; prioriza o detalhe minucioso e o distanciamento irônico do narrador.
Influência Científica no Realismo
Influenciado por teorias como Positivismo de Comte, Determinismo de Taine, Evolucionismo de Darwin e Materialismo Histórico.
Filosofia de base do Romantismo
Idealismo filosófico alemão, individualismo, recusa do racionalismo estrito do Iluminismo e valorização do mistério e da intuição.
Foco Temático: O Passado no Romantismo
Nostalgia da infância ou resgate do passado histórico medieval/colonial como refúgio idealizado e fonte de identidade nacional.
Foco Temático: O Presente no Realismo
Atenção ao momento presente, analisando a vida cotidiana, as contradições urbanas e as instituições sociais contemporâneas.
Tratamento do Casamento no Romantismo
Coroação do amor verdadeiro, visto como final feliz e união sagrada entre almas predestinadas.
Tratamento do Casamento no Realismo
Contrato social de conveniência financeira e aparência de respeitabilidade burguesa, frequentemente corroído pela infidelidade.
Evasão no Romantismo
Fuga da dor existencial e da realidade burguesa por meio do sonho, da loucura, da natureza exótica ou da morte redentora.
Engajamento Crítico no Realismo
Enfrentamento direto da realidade cotidiana; busca de expor as feridas e desmascarar a hipocrisia da sociedade burguesa.
Natureza no Romantismo
Espelho dos sentimentos do poeta; apresenta-se tempestuosa nos momentos de dor e acolhedora nos instantes de paz interior.
Natureza e Espaço no Realismo
Cenário objetivo que determina ou reflete as condições materiais e a posição socioeconômica dos indivíduos.
Nacionalismo no Romantismo
Ufanista e sentimental; busca criar heróis patrióticos arquetípicos (como o cavaleiro medieval ou o indígena brasileiro).
Nacionalismo no Realismo
Crítico e desprovido de ilusões; retrata os vícios políticos, o atraso cultural e as desigualdades estruturais da nação.
Narrador Romântico
Geralmente cúmplice dos protagonistas, parcial, emotivo e intervencionista na defesa moral de seus heróis.
Narrador Realista
Frequentemente em terceira pessoa, observador impassível, irônico ou analítico, dissecando as motivações íntimas dos personagens.
Marco inicial do Realismo na França
Publicação de 'Madame Bovary' (1857), de Gustave Flaubert, que escandalizou a burguesia ao retratar adultério sem condenação moral óbvia.
Marco inicial do Romantismo na Alemanha
Movimento 'Sturm und Drang' e publicação de 'Os Sofrimentos do Jovem Werther' (1774), de Goethe, ícone da paixão assoladora.
Marco inicial do Romantismo no Brasil
Publicação de 'Suspiros Poéticos e Saudades' (1836), de Gonçalves de Magalhães, instaurando a lírica nacionalista e religiosa.
Marco inicial do Realismo no Brasil
Publicação de 'Memórias Póstumas de Brás Cubas' (1881), de Machado de Assis, inaugurando a prosa irônica e a dissecação psicológica.
O Mal do Século (Romantismo)
Sentimento de melancolia, tédio profundo (spleen), pessimismo e atração pela morte, típico da segunda geração romântica.
Psicologismo no Realismo
Sondagem profunda da mente humana, revelando contradições, vaidades ocultas e motivações egoístas por trás de gestos nobres.
Diferença entre Realismo e Naturalismo
O Realismo foca na crítica social e psicológica da burguesia; o Naturalismo radicaliza a visão determinista, biológica e zoomórfica das massas.
Tratamento da Religião no Romantismo
Expressão de misticismo, busca de consolo espiritual e fé individual contra o materialismo do mundo moderno.
Tratamento da Religião no Realismo
Instituição social vista com ceticismo, frequentemente retratada como hipócrita ou manipuladora de interesses temporais.
Concepção da Morte no Romantismo
Cura libertadora para a angústia existencial, passagem doce ou ápice trágico do amor irrealizado.
Concepção da Morte no Realismo
Fato biológico inexorável, fim material do corpo, tratada com naturalidade sem mitificações poéticas.
Machado de Assis vs. José de Alencar
Alencar simboliza a prosa romântica construtora de mitos patrióticos; Machado disseca com cinismo as máscaras sociais do Segundo Reinado.
Personagem Romântico: Simplicidade Maniqueísta
Geralmente dividido com clareza entre heróis virtuosos e vilões sem escrúpulos, facilitando a adesão emocional do leitor.
Personagem Realista: Ambiguidade Moral
Indivíduos complexos, que transitam entre boas intenções e atitudes mesquinhas, sem divisões puras entre bem e mal.
Final Narrativo Típico no Romantismo
Resolução apoteótica: casamento feliz coroando a virtude ou desfecho trágico com morte que eleva o herói ao martírio.
Final Narrativo Típico no Realismo
Desfecho anticlimático, amargo ou realista; aceitação da rotina burguesa, acomodação social e ausência de redenção grandiosa.
Condicionamento Social no Realismo
Ideia de que as escolhas humanas são moldadas pela pressão do dinheiro, da classe e da reputação social.
Livre-arbítrio Emocional no Romantismo
Crença na soberania das paixões, onde o sentimento sincero deve desafiar todas as convenções e limites sociais.
Público-alvo do Romantismo
Nova classe média e leitoras de folhetins que buscavam entretenimento emotivo, identificação e fuga do cotidiano monótono.
Público-alvo do Realismo
Burguesia culta e letrada, convidada a um exercício de reflexão autocrítica e desmistificação das próprias convenções sociais.
Uso da Ironia no Realismo
Recurso estilístico chave para expor contradições, diminuir pretensões humanas e manter distanciamento crítico do texto.
Uso da Hipérbole no Romantismo
Figura de linguagem recorrente para amplificar a dor do sujeito, a beleza da amada ou a intensidade incontrolável da paixão.
Trabalho e Dinheiro no Romantismo
Geralmente secundários ou ignorados na trama, ofuscados por dilemas nobres, heranças providenciais e paixões líricas.
Trabalho e Dinheiro no Realismo
Motores centrais dos enredos, retratados como motores primordiais que ditam casamentos, alianças e comportamentos sociais.
Retrato do Índio no Romantismo Brasileiro
O indígena é elevado a herói épico e cavaleiro medieval nacional, dotado de nobreza moral impecável.
Retrato do Indivíduo no Realismo Brasileiro
Cidadão urbano comum exposto em suas fraquezas, parasitismo das elites proprietárias e conformismo escravocrata.