Modernismo: Autores e Obras
Estudo sobre as fases, autores, obras e características do Modernismo brasileiro. Desenvolvido para estudantes que se preparam para vestibulares e o Enem.
Cartões · 50
- Semana de Arte Moderna (1922)
- Marco inicial do Modernismo brasileiro, realizada no Teatro Municipal de São Paulo, propondo ruptura com o academicismo e renovação estética.
- Primeira Fase do Modernismo (1922-1930)
- Fase Heroica ou de Destruição; caracterizada por nacionalismo crítico, destruição de modelos passadistas, verso livre e linguagem coloquial.
- Segunda Fase do Modernismo (1930-1945)
- Fase de Consolidação; marcada pelo romance regionalista de denúncia social e poesia de reflexão existencial, política e filosófica.
- Terceira Fase do Modernismo (1945-1960)
- Geração de 45; retorno a formas clássicas na poesia, rigor métrico, experimentação linguística em prosa e sondagem psicológica profunda.
- Mário de Andrade
- Autor da 1ª fase; pesquisador da cultura brasileira, autor do polêmico Pauliceia Desvairada e do romance rapsódico Macunaíma.
- Oswald de Andrade
- Líder da 1ª fase; criador do poema-piada, dos manifestos Pau-Brasil e Antropófago, defensor da deglutição crítica da cultura estrangeira.
- Manuel Bandeira
- Poeta de transição e da 1ª fase; autor do poema Os Sapos, explorou o verso livre, o lirismo melancólico, o cotidiano e a tuberculose.
- Os Sapos (Manuel Bandeira)
- Poema lido na Semana de 22 que satirizou o Parnasianismo, ridicularizando a métrica rígida e a artificialidade poética da época.
- Macunaíma (Mário de Andrade)
- Publicado em 1928, romance fundado no folclore nacional; apresenta o herói sem nenhum caráter como síntese mítica do povo brasileiro.
- Manifesto Antropófago (1928)
- Proposto por Oswald de Andrade; defende devorar influências estrangeiras e reelaborá-las criticamente com base na identidade brasileira.
- Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924)
- Criado por Oswald de Andrade; propunha uma poesia de exportação, ingênua, primitiva, atenta ao humor e à linguagem popular brasileira.
- Movimento Verde-Amarelo (1926)
- Vertente nacionalista de direita liderada por Plínio Salgado e Cassiano Ricardo; rejeitava a assimilação de ideias estrangeiras.
- Revista Klaxon (1922-1923)
- Primeira publicação periódica modernista pós-Semana de 22, voltada a divulgar as inovações estéticas, visuais e literárias do grupo.
- Poema-piada
- Inovação modernista da 1ª fase associada a Oswald de Andrade; textos curtíssimos com humor cortante e ironia crítica antiprofunda.
- Verso livre
- Recurso métrico consagrado pelo Modernismo que aboliu a contagem fixa de sílabas poéticas, priorizando o ritmo interno do poema.
- Verso branco
- Verso sem rima regular; foi amplamente utilizado para quebrar o padrão formal e musical típico do Simbolismo e Parnasianismo.
- Graciliano Ramos
- Principal prosador da 2ª fase; estilo enxuto e seco, focado no regionalismo nordestino, análise social e angústia psicológica humana.
- Vidas Secas (Graciliano Ramos)
- Romance de 1938 que retrata a saga da família de retirantes de Fabiano, denunciando a miséria climática e a desumanização social.
- São Bernardo (Graciliano Ramos)
- Narrativa em primeira pessoa de Paulo Honório, homem endurecido pelo capitalismo rural que perde a esposa Madalena pela obsessão de posse.
- Rachel de Queiroz
- Primeira mulher na ABL, estreou aos 20 anos na 2ª fase com O Quinze, romance realista sobre a seca de 1915 e o drama dos retirantes.
- O Quinze (Rachel de Queiroz)
- Publicado em 1930, retrata a seca devastadora de 1915 no Ceará, o drama do vaqueiro Chico Bento e o romance frustrado de Vicente e Conceição.
- Jorge Amado
- Autor prolífico da 2ª fase; retratou a Bahia colonial do cacau, o submundo urbano de Salvador e as lutas do proletariado e povo negro.
- Capitães da Areia (Jorge Amado)
- Obra de 1937 da 2ª fase; retrata o cotidiano de menores abandonados que vivem em um trapiche em Salvador, misturando lirismo e denúncia.
- José Lins do Rego
- Romancista da 2ª fase ligado ao Ciclo da Cana-de-Açúcar; estilo memorialista e oral que narrou o declínio dos engenhos patriarcais.
- Menino de Engenho (José Lins do Rego)
- Romance de estreia de 1932; narra as memórias do garoto Carlos no engenho do avô, explorando relações patriarcais e transição social.
- Érico Veríssimo
- Romancista gaúcho da 2ª fase; destacou-se pelo romance urbano Olhai os Lírios do Campo e pela trilogia histórica O Tempo e o Vento.
- O Tempo e o Vento (Érico Veríssimo)
- Trilogia épica composta por O Continente, O Retrato e O Arquipélago; narra duzentos anos de formação histórica e familiar no Rio Grande do Sul.
- Carlos Drummond de Andrade
- Maior poeta da 2ª fase; transitou do pessimismo irônico de Alguma Poesia ao engajamento social de A Rosa do Povo e reflexão filosófica.
- No Meio do Caminho (Drummond)
- Publicado na Revista de Antropofagia em 1928, causou grande escândalo pelo uso da repetição obsessiva da pedra como obstáculo existencial.
- A Rosa do Povo (Drummond)
- Obra de 1945 com forte teor político e engajamento social, influenciada pelos horrores da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo.
- Sentimento do Mundo (Drummond)
- Livro de poemas de 1940 focado na solidariedade humana, angústia coletiva e desilusão perante a ascensão dos regimes totalitários na Europa.
- Vinicius de Moraes
- Poeta da 2ª fase; iniciou com misticismo religioso e evoluiu para a poesia do amor carnal, formas fixas renovadas como sonetos, e canções.
- Soneto de Fidelidade (Vinicius de Moraes)
- Poema célebre que sintetiza a poética amorosa de Vinicius, definindo o amor como chama finita e infinita enquanto dure.
- Cecília Meireles
- Poeta da 2ª fase com herança neossimbolista; versos musicais marcados pela efemeridade da vida, contemplação da natureza e transitoriedade.
- Romanceiro da Inconfidência (Cecília Meireles)
- Publicado em 1953; recria poeticamente o levante mineiro contra a Coroa portuguesa, abordando traição, idealismo e a busca por liberdade.
- Murilo Mendes
- Poeta da 2ª fase; combinou o humor modernista, a vanguarda surrealista e uma intensa religiosidade católica mística e visionária.
- Jorge de Lima
- Poeta alagoano da 2ª fase; transitou pelo regionalismo nordestino, poesia de temática negra e surrealismo místico em Invenção de Orfeu.
- Clarice Lispector
- Prosa da 3ª fase (1945); foco no fluxo de consciência, epifanias existenciais, interioridade feminina e desconstrução da narrativa linear.
- Perto do Coração Selvagem (Clarice Lispector)
- Obra de estreia de 1943; chocou a crítica pela quebra do enredo convencional e mergulho radical na vida psicológica da protagonista Joana.
- A Hora da Estrela (Clarice Lispector)
- Último livro publicado em vida (1977); narra a miséria e a invisibilidade social de Macabéa por meio do narrador ficcional Rodrigo S.M.
- Epifania na obra de Clarice Lispector
- Momento súbito de revelação existencial disparado por um acontecimento corriqueiro, alterando a percepção que o personagem tem de si.
- João Guimarães Rosa
- Autor da 3ª fase; revolucionou a prosa brasileira com neologismos, sintaxe arcaica, fusão entre sertão mineiro e metafísica universal.
- Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa)
- Obra-prima de 1956; longo monólogo do ex-jagunço Riobaldo sobre o Diabo, o amor por Diadorim e as fronteiras morais do sertão.
- Sagarana (Guimarães Rosa)
- Coletânea de contos de 1946 que inaugurou a fase madura de Guimarães Rosa, unindo tradição popular sertaneja e apuro formal erudito.
- Neologismo rosiano
- Criação de novos vocábulos a partir de aglutinação, sufixação inusitada e arcaísmos, marca estilística essencial de Guimarães Rosa.
- João Cabral de Melo Neto
- Poeta da 3ª fase; poesia substantiva, cerebral e avessa ao sentimentalismo lírico, com ênfase na construção técnica e rigor formal.
- Morte e Vida Severina (João Cabral)
- Auto de Natal pernambucano de 1955; narra a peregrinação do retirante Severino da caatinga ao Recife, confrontando miséria e renovação.
- A Educação pela Pedra (João Cabral)
- Livro de 1966 que sintetiza a estética da contenção e da objetividade cabralina, tomando a pedra como mestre da pedagogia da escrita.
- Concretismo
- Movimento poético dos anos 1950 liderado por Augusto e Haroldo de Campos; propôs a poesia verbo-voco-visual e o fim do verso tradicional.
- Antropofagia cultural
- Conceito filosófico-estético modernista que propõe assimilar criticamente a cultura externa e transformá-la em algo autenticamente nacional.