Tecido Ósseo

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Conceitos principais e características histológicas do tecido ósseo, destinado a estudantes de medicina e biologia.

60 cartões Português Nível: Ensino superior Anatomia Publicado
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Tecido ósseo
Tipo especializado de tecido conjuntivo caracterizado por uma matriz extracelular rígida e mineralizada.
Funções do tecido ósseo
Suporte mecânico, proteção de órgãos vitais, alavanca para locomoção, reserva de cálcio e fósforo, e alojamento da medula óssea.
Matriz óssea
Composta por cerca de 50% de parte inorgânica (minerais) e 50% de parte orgânica (fibras colágenas e substância fundamental).
Matriz orgânica do osso
Formada principalmente por fibras de colágeno tipo I (90-95%) associadas a proteoglicanos e glicoproteínas adesivas.
Matriz inorgânica do osso
Constituída predominantemente por íons fosfato e cálcio que formam cristais de hidroxiapatita.
Cristais de hidroxiapatita
Arranjo cristalino de fosfato de cálcio que confere rigidez, dureza e resistência à compressão ao osso.
Osteopontina
Glicoproteína da matriz óssea que atua na ancoragem de osteoclastos à matriz mineralizada.
Osteocalcina
Proteína dependente de vitamina K produzida por osteoblastos, envolvida na mineralização e na ligação do cálcio.
Células osteoprogenitoras
Células-tronco mesenquimais localizadas no periósteo e endósteo, com capacidade de se diferenciar em osteoblastos.
Osteoblastos
Células jovens de formato cuboide ou colunar responsáveis pela síntese e secreção da matriz orgânica não mineralizada.
Osteoide
Camada de matriz orgânica recém-sintetizada pelos osteoblastos, ainda não calcificada.
Fosfatase alcalina
Enzima expressa em grande quantidade pelos osteoblastos, essencial para elevar os níveis locais de fosfato e induzir a calcificação.
Osteócitos
Células ósseas maduras aprisionadas em lacunas no interior da matriz calcificada, responsáveis pela manutenção do tecido.
Lacunas ósseas (osteoplastos)
Pequenas cavidades na matriz mineralizada que abrigam os corpos celulares dos osteócitos.
Canalículos ósseos
Microtúbulos na matriz que alojam os prolongamentos citoplasmáticos dos osteócitos, permitindo nutrição e comunicação.
Junções comunicantes (gap junctions)
Estruturas de contato entre prolongamentos de osteócitos vizinhos que viabilizam o intercâmbio iônico e nutricional.
Mecanotransdução por osteócitos
Capacidade dos osteócitos de detectar cargas mecânicas e liberar sinais para modular a formação ou reabsorção óssea.
Esclerostina
Proteína secretada por osteócitos maduros que inibe a via Wnt, atuando como potente freio na diferenciação osteoblástica.
Osteoclastos
Células gigantes, multinucleadas e móveis, derivadas de precursores monocíticos, especializadas na reabsorção óssea.
Lacunas de Howship
Depressões ou cavidades de reabsorção formadas na superfície do osso pela atividade enzimática e ácida dos osteoclastos.
Borda em escova (osteoclasto)
Dobras citoplasmáticas na superfície osteoclástica que aumentam a área de secreção de prótons e enzimas líticas.
Bomba de prótons (osteoclasto)
Mecanismo ativo que acidifica a lacuna de Howship para dissolver a hidroxiapatita inorgânica.
Catepsina K
Enzima lisossômica secretada pelos osteoclastos para degradar o colágeno tipo I da matriz desmineralizada.
Sistema RANK / RANKL / OPG
Eixo molecular que regula a diferenciação, ativação e sobrevivência dos osteoclastos.
Osteoprotegerina (OPG)
Receptor solúvel produzido por osteoblastos que neutraliza o RANKL, inibindo a formação e atividade dos osteoclastos.
Células de revestimento ósseo
Osteoblastos inativos e achatados que cobrem as superfícies ósseas sem atividade de formação ou reabsorção.
Periósteo
Membrana de tecido conjuntivo denso que reveste a superfície externa do osso, exceto nas articulações sinoviais.
Camada externa do periósteo
Camada fibrosa constituída por colágeno denso e vasos sanguíneos, com função protetora e mecânica.
Camada interna do periósteo
Camada osteogênica celular contendo células osteoprogenitoras capazes de originar novos osteoblastos.
Fibras de Sharpey
Feixes de fibras colágenas que penetram do periósteo na matriz óssea, ancorando firmemente a membrana ao osso.
Endósteo
Fina camada celular de osteoprogenitoras e osteoblastos que reveste cavidades medulares e canais vasculares internos.
Tecido ósseo primário (imaturo)
Não lamelar, com feixes desorganizados de colágeno, menor densidade mineral e maior proporção de células; transitório.
Tecido ósseo secundário (maduro)
Lamelar, com fibras colágenas organizadas em lamelas paralelas ou concêntricas em torno de canais vasculares.
Osso compacto (cortical)
Estrutura densa e sólida sem espaços vazios visíveis, situada nas periferias e diáfises dos ossos.
Osso esponjoso (trabecular)
Arranjo tridimensional de trabéculas e espículas ramificadas delimitando cavidades repletas de medula óssea.
Ósteon (Sistema de Havers)
Unidade morfofuncional do osso compacto maduro, composta por lamelas concêntricas circundando um canal central.
Canal de Havers
Canal central longitudinal do ósteon contendo vasos sanguíneos, linfáticos e fibras nervosas.
Canais de Volkmann
Canais transversais ou oblíquos que comunicam canais de Havers entre si, com o periósteo e com a cavidade medular.
Lamelas concêntricas
Camadas curvas de matriz óssea dispostas concentricamente ao redor do canal de Havers em um ósteon.
Lamelas intersticiais
Fragmentos lamelares angulares situados entre os ósteons, remanescentes de sistemas de Havers antigos reabsorvidos.
Lamelas circunferenciais externas
Camadas paralelas de lamelas ósseas situadas imediatamente abaixo do periósteo periférico.
Lamelas circunferenciais internas
Camadas de lamelas ósseas dispostas junto à cavidade medular, sob o revestimento do endósteo.
Linha de cimentação
Limite externo periférico do ósteon, pobre em colágeno e rico em substância fundamental mineralizada.
Ossificação intramembranosa
Formação óssea direta a partir de condensações de tecido conjuntivo mesenquimal sem molde cartilaginoso prévio.
Exemplos de ossificação intramembranosa
Ossos chatos do crânio (frontal, parietal), partes da mandíbula e da clavícula.
Centro de ossificação primário
Região inicial do mesênquima ou cartilagem onde as células se diferenciam em osteoblastos e iniciam a deposição óssea.
Ossificação endocondral
Processo de formação de osso a partir da substituição gradual de um molde preexistente de cartilagem hialina.
Exemplos de ossificação endocondral
Ossos longos (fêmur, tíbia, úmero) e vértebras do esqueleto axial e apendicular.
Colar ósseo subperióstico
Anel de tecido ósseo intramembranoso formado ao redor da diáfise média do molde cartilaginoso inicial.
Zona de cartilagem de repouso
Região da placa epifisária com condrócitos típicos e inativos sem proliferação celular ativa.
Zona de proliferação cartilaginosa
Região da placa epifisária onde os condrócitos se dividem ativamente e organizam-se em colunas longitudinais.
Zona de cartilagem hipertrófica
Camada onde os condrócitos aumentam de volume, acumulam glicogênio e comprimem a matriz circundante.
Zona de cartilagem calcificada
Camada delgada onde ocorre mineralização da matriz cartilaginosa e morte dos condrócitos por apoptose.
Zona de ossificação
Camada onde brotos osteogênicos e capilares invadem a matriz cartilaginosa morta e osteoblastos depositam osso novo.
Placa epifisária (disco de crescimento)
Disco cartilaginoso entre a epífise e a diáfise responsável pelo crescimento longitudinal contínuo dos ossos longos.
Crescimento ósseo em espessura
Ocorre por aposição óssea subperióstica combinada com reabsorção no lado endosteal da cavidade medular.
Remodelagem óssea
Processo contínuo e equilibrado de reabsorção osteoclástica seguida por aposição osteoblástica na vida adulta.
Papel do paratormônio (PTH) no osso
Estimula indiretamente os osteoclastos via osteoblastos, elevando a reabsorção óssea e a calcemia sérica.
Papel da calcitonina no osso
Hormônio tireoidiano que inibe diretamente os osteoclastos, diminuindo a taxa de reabsorção óssea.
Calo ósseo
Massa fibrocartilaginosa inicial que conecta fragmentos fraturados, posteriormente substituída por osso primário e secundário.

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