AINEs (Anti-inflamatórios Não Esteroides)
Este conjunto aborda a farmacologia dos anti-inflamatórios não esteroides, detalhando mecanismo de ação e efeitos clínicos para estudantes de medicina e saúde.
Cartões · 50
- O que significa a sigla AINE?
- Anti-inflamatórios Não Esteroides, grupo de fármacos que reduzem inflamação, dor e febre sem estrutura esteroidal.
- Mecanismo de ação geral dos AINEs
- Inibição da enzima ciclo-oxigenase (COX), bloqueando a conversão de ácido araquidônico em prostaglandinas e tromboxanos.
- Papel fisiológico da COX-1
- Enzima constitutiva que protege a mucosa gástrica, regula o fluxo sanguíneo renal e ativa a agregação plaquetária via TXA2.
- Papel fisiológico da COX-2
- Enzima predominantemente induzida em resposta a citocinas inflamatórias, mediando dor, febre e inflamação tecidual.
- Tríade terapêutica clássica dos AINEs
- Ação anti-inflamatória, analgésica periférica e antipirética.
- Mecanismo do efeito antipirético dos AINEs
- Inibição da síntese de PGE2 no hipotálamo estimulada por pirógenos, restabelecendo o ponto de ajuste térmico normal.
- Mecanismo do efeito analgésico dos AINEs
- Redução de prostaglandinas periféricas que sensibilizam os nociceptores a mediadores álgicos como bradicinina e histamina.
- Mecanismo do efeito anti-inflamatório dos AINEs
- Diminuição de PGE2 e PGI2, reduzindo a vasodilatação local, o aumento da permeabilidade vascular e a formação de edema.
- Principal toxicidade gastrointestinal dos AINEs não seletivos
- Inibição da COX-1 reduz PGE2 e PGI2 gástricas, diminuindo muco e bicarbonato e causando gastrite, úlceras e sangramentos.
- Efeito adverso renal comum dos AINEs
- Redução da síntese de prostaglandinas vasodilatadoras renais, levando a retenção de sódio, edema e insuficiência renal aguda.
- Mecanismo da asma induzida por AINEs
- O bloqueio da COX desvia o ácido araquidônico para a via da 5-lipoxigenase, aumentando leucotrienos broncoconstritores.
- Ácido acetilsalicílico (AAS): mecanismo específico
- Acetilação irreversível da COX-1 e COX-2 por meio de ligação covalente, inativando a enzima por toda a vida celular.
- AAS em baixas doses: principal uso clínico
- Antiagregante plaquetário para prevenção secundária de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral isquêmico.
- Por que o efeito antiplaquetário do AAS dura dias?
- Plaquetas são anucleadas e não sintetizam nova COX-1; a inibição persiste por toda a vida útil da plaqueta (7 a 10 dias).
- Síndrome de Reye
- Hepatopatia grave com encefalopatia associada ao uso de AAS em crianças com infecções virais como varicela e influenza.
- Ibuprofeno: classificação e usos
- Derivado do ácido propiônico não seletivo; amplamente usado para cefaleia, odontalgia, dismenorreia e febre.
- Ibuprofeno: perfil de segurança gástrica
- Apresenta menor incidência de efeitos adversos gastrointestinais entre os AINEs tradicionais em doses baixas a moderadas.
- Naproxeno: características farmacológicas
- Derivado do ácido propiônico com meia-vida longa (cerca de 14h), permitindo posologia de 12 em 12 horas.
- Naproxeno: perfil de segurança cardiovascular
- Considerado o AINE tradicional de menor risco cardiovascular relativo devido à sua inibição sustentada da COX-1 plaquetária.
- Cetoprofeno: indicações clínicas comuns
- Artrite reumatoide, osteoartrite, lombalgias e inflamações musculoesqueléticas agudas pós-traumáticas.
- Diclofenaco: mecanismo e seletividade
- Derivado do ácido fenilacético com leve preferência pela COX-2 em relação a outros AINEs clássicos.
- Diclofenaco: risco cardiovascular
- Apresenta risco cardiovascular aumentado similar ao dos inibidores seletivos de COX-2 em tratamentos prolongados.
- Indometacina: indicação pediátrica clássica
- Fechamento farmacológico da persistência do canal arterial em recém-nascidos prematuros via inibição de PGE2.
- Indometacina: principal uso em adultos
- Crises agudas de gota e espondilite anquilosante, devido à potente ação anti-inflamatória.
- Cetorolaco: principal uso terapêutico
- Controle potente da dor aguda moderada a grave em pós-operatório imediato, usado por no máximo 5 dias.
- Por que o uso do cetorolaco é restrito a curto prazo?
- Alto risco de ulceração gástrica grave, perfuração, sangramento e nefrotoxicidade em uso continuado.
- Piroxicam: meia-vida e toxicidade
- Meia-vida ultralonga (cerca de 50 horas), administrado uma vez ao dia, porém associado a alta toxicidade gastrointestinal.
- Meloxicam: perfil de seletividade
- AINE oxicam com inibição preferencial da COX-2 em doses baixas, perdendo a seletividade em doses terapêuticas altas.
- Celecoxibe: mecanismo de ação
- Inibidor seletivo da COX-2 (coxibe), poupando a COX-1 em doses terapêuticas habituais.
- Vantagem primária dos coxibes sobre AINEs clássicos
- Menor incidência de lesões gástricas e sangramentos no trato digestivo alto por preservar a COX-1 protetora.
- Principal desvantagem ou risco dos coxibes
- Aumento do risco de eventos trombóticos cardiovasculares (IAM e AVC) por desequilíbrio entre PGI2 endotelial e TXA2.
- Rofecoxibe: relevância histórica
- Inibidor seletivo de COX-2 retirado do mercado global por causar aumento significativo de infartos e derrames.
- Etoricoxibe: indicações principais
- Alívio dos sintomas de osteoartrite, artrite reumatoide, espondilite anquilosante e dor pós-operatória de cirurgia dental.
- Paracetamol é considerado um AINE clássico?
- Não, pois possui atividade anti-inflamatória periférica fraca, atuando principalmente como analgésico e antipirético central.
- Dipirona (metamizol): mecanismo e efeitos
- Potente analgésico e antipirético com fraca ação anti-inflamatória periférica; pode atuar no SNC e canais de cálcio.
- Principal toxicidade hematológica rara da dipirona
- Agranulocitose imunomediada com neutropenia súbita e potencialmente grave.
- Interação medicamentosa entre AINEs e anti-hipertensivos
- Reduzem a eficácia de IECA, BRA e betabloqueadores por reterem sódio e inibirem vasodilatação mediada por cininas.
- Interação entre AINEs e varfarina
- Potencializam o risco de hemorragia grave por deslocamento proteico e inibição da função hemostática plaquetária.
- Interação entre ibuprofeno e AAS em cardiopatas
- O ibuprofeno pode bloquear estericamente o acesso do AAS à serina da COX-1 plaquetária, anulando seu efeito cardioprotetor.
- Uso de AINEs no terceiro trimestre de gravidez
- Contraindicado devido ao risco de fechamento prematuro do canal arterial fetal e inibição das contrações uterinas.
- Efeito dos AINEs sobre a excreção de lítio
- Diminuem a filtração e excreção renal de lítio, podendo levar a intoxicação aguda por lítio sérico elevado.
- Uso de inibidores da bomba de prótons com AINEs
- Coadjuvantes como omeprazol são prescritos para profilaxia de gastropatia em pacientes de alto risco gastrointestinal.
- Efeito dos AINEs no ácido úrico
- AAS em baixas doses inibe a secreção tubular de urato elevando-o; em doses muito altas tem efeito uricosúrico.
- Nefropatia por analgésicos
- Nefrite intersticial crônica e necrose papilar renal associadas ao uso crônico e abusivo de combinações de analgésicos.
- Mefenâmico (ácido mefenâmico): uso principal
- Tratamento de menorragia primária e dismenorreia por inibir síntese e ação de prostaglandinas uterinas.
- Ligação a proteínas plasmáticas dos AINEs
- Altamente ligados à albumina (>95%), o que favorece interações por deslocamento com outros fármacos de alta afinidade.
- Metabolismo hepático dos AINEs
- A maioria sofre biotransformação extensa pelo citocromo P450 (principalmente CYP2C9) antes da excreção renal.
- Conduta do uso de AINEs em insuficiência cardíaca
- Devem ser evitados pois promovem retenção hídrica, piora da congestão e elevação da pós-carga cardíaca.
- Nimesulida: perfil terapêutico e restrição
- AINE preferencial COX-2 com ação anti-inflamatória e analgésica rápida; restrito por risco de hepatotoxicidade grave.
- Aceclofenaco: relação com diclofenaco
- Pró-fármaco metabolizado em 4'-hidroxiaceclofenaco e diclofenaco, usado em patologias osteoarticulares dolorosas.