Farmacologia Básica 2
Estudo dos principais conceitos e classes de medicamentos em farmacologia, destinado a estudantes da área da saúde.
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- Farmacodinâmica
- Estudo dos efeitos bioquímicos e fisiológicos dos fármacos e de seus mecanismos de ação no organismo.
- Farmacocinética
- Estudo do caminho que o fármaco faz no organismo, englobando as etapas de absorção, distribuição, metabolismo e excreção.
- Agonista
- Substância que se liga a um receptor celular e o ativa, mimetizando a resposta fisiológica do ligante endógeno.
- Antagonista
- Substância que se liga a um receptor sem ativá-lo, bloqueando a ação de agonistas ou ligantes endógenos.
- Agonista parcial
- Substância que se liga ao receptor e o ativa, mas produz uma resposta submáxima mesmo em estado de saturação.
- Agonista inverso
- Substância que se liga ao receptor e reduz sua atividade constitutiva basal, gerando um efeito oposto ao do agonista.
- Sinergismo
- Interação medicamentosa onde o efeito combinado de dois fármacos é maior do que a soma de seus efeitos individuais.
- Antagonismo competitivo
- Bloqueio reversível do receptor onde o antagonista compete diretamente com o agonista pelo mesmo sítio de ligação.
- Antagonismo não competitivo
- Bloqueio onde o antagonista se liga a um sítio alostérico ou de forma irreversível, impedindo a ativação do receptor.
- Biodisponibilidade
- Fração do fármaco administrado que atinge a circulação sistêmica em sua forma inalterada.
- Meia-vida (t1/2)
- Tempo necessário para que a concentração plasmática de um fármaco seja reduzida pela metade no organismo.
- Clearance (depuração)
- Medida da capacidade do organismo de eliminar um fármaco da circulação sistêmica por unidade de tempo.
- Volume de distribuição
- Volume teórico de fluido necessário para conter a quantidade total de fármaco no corpo na mesma concentração plasmática.
- Efeito de primeira passagem
- Metabolização hepática ou intestinal significativa de um fármaco administrado por via oral antes de atingir a circulação sistêmica.
- Citocromo P450 (CYP450)
- Superfamília de enzimas hepáticas responsável pela maior parte das reações de oxidação e metabolismo de fármacos.
- Pró-fármaco
- Substância inativa que necessita ser metabolizada no organismo para se transformar no fármaco ativo.
- Janela terapêutica
- Intervalo entre a concentração plasmática mínima eficaz de um fármaco e sua concentração mínima tóxica.
- Indução enzimática
- Processo no qual um fármaco aumenta a síntese e atividade de enzimas metabolizadoras, acelerando a eliminação de outros fármacos.
- Inibição enzimática
- Processo no qual um fármaco diminui a atividade de enzimas metabolizadoras, aumentando a concentração e toxicidade de outros fármacos.
- Beta-bloqueadores
- Antagonistas dos receptores beta-adrenérgicos que reduzem a frequência cardíaca, a força de contração e a pressão arterial.
- Inibidores da ECA (IECA)
- Bloqueiam a conversão de angiotensina I em angiotensina II, promovendo vasodilatação e redução da pressão arterial.
- Bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA)
- Antagonistas que bloqueiam diretamente os receptores AT1 da angiotensina II, promovendo vasodilatação.
- Bloqueadores dos canais de cálcio
- Impedem a entrada de cálcio nas células musculares lisas e cardíacas, promovendo vasodilatação e bradicardia.
- Diuréticos de alça
- Inibem o co-transportador Na-K-2Cl na alça de Henle, promovendo intensa excreção de sódio, potássio e água.
- Diuréticos tiazídicos
- Inibem o co-transportador de Na-Cl no túbulo contorcido distal, promovendo moderada excreção de sódio e água.
- Diuréticos poupadores de potássio
- Antagonistas da aldosterona ou bloqueadores de canais de sódio no túbulo coletor, reduzindo a perda de potássio.
- Estatinas
- Inibidores da enzima HMG-CoA redutase, bloqueando a síntese hepática de colesterol e aumentando os receptores de LDL.
- Fibratos
- Ativadores dos receptores PPAR-alfa, estimulando a oxidação de ácidos graxos e reduzindo significativamente os triglicerídeos.
- Nitratos vasodilatadores
- Doadores de óxido nítrico que promovem relaxamento do músculo liso venoso, reduzindo a pré-carga cardíaca.
- Anticoagulantes orais diretos (DOACs)
- Inibidores diretos do fator Xa ou da trombina na cascata de coagulação, prevenindo a formação de coágulos.
- Varfarina
- Antagonista da vitamina K que inibe a síntese hepática dos fatores de coagulação II, VII, IX e X.
- Heparina não fracionada
- Ativa a antitrombina III, que por sua vez inibe a trombina e o fator Xa, impedindo a coagulação sanguínea.
- Heparina de baixo peso molecular
- Ativa a antitrombina III com ação mais seletiva na inibição do fator Xa do que na trombina.
- Antiplaquetários (como AAS)
- Inibem a enzima ciclooxigenase-1 (COX-1), bloqueando a síntese de tromboxano A2 e a agregação plaquetária.
- Clopidogrel
- Antagonista irreversível dos receptores purinérgicos P2Y12 de ADP nas plaquetas, inibindo sua agregação.
- Trombolíticos
- Ativadores do plasminogênio que convertem plasminogênio em plasmina, promovendo a lise de coágulos de fibrina.
- Benzodiazepínicos
- Moduladores alostéricos positivos dos receptores GABA-A, aumentando a frequência de abertura dos canais de cloro e gerando sedação.
- Barbitúricos
- Prolongam o tempo de abertura dos canais de cloro associados ao receptor GABA-A, promovendo profunda depressão do sistema nervoso central.
- ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina)
- Bloqueiam especificamente o transportador de serotonina (SERT), aumentando sua disponibilidade na fenda sináptica.
- IRSN (Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina)
- Bloqueiam os transportadores de serotonina e noradrenalina, aumentando a neurotransmissão de ambos.
- Antidepressivos tricíclicos
- Inibem a recaptação de serotonina e noradrenalina, mas também bloqueiam receptores histaminérgicos, muscarínicos e alfa-adrenérgicos.
- Inibidores da MAO (IMAO)
- Inibem a enzima monoamina oxidase, impedindo a degradação de neurotransmissores como dopamina, noradrenalina e serotonina.
- Antipsicóticos típicos
- Antagonistas potentes dos receptores dopaminérgicos D2, eficazes contra sintomas positivos da esquizofrenia.
- Antipsicóticos atípicos
- Antagonistas dos receptores D2 de dopamina e 5-HT2A de serotonina, com menor incidência de efeitos extrapiramidais.
- Agonistas beta-2 adrenérgicos
- Promovem broncodilatação ao estimularem os receptores beta-2 no músculo liso bronquial.
- Anticolinérgicos inalatórios
- Bloqueiam os receptores muscarínicos M3 no músculo liso bronquial, prevenindo a broncoconstrição mediada pela acetilcolina.
- Corticosteroides
- Ligam-se a receptores intracelulares regulando a transcrição gênica, reduzindo a síntese de mediadores inflamatórios.
- AINEs (Anti-inflamatórios não esteroidais)
- Inibem as enzimas ciclooxigenases (COX-1 e/ou COX-2), reduzindo a síntese de prostaglandinas inflamatórias.
- Inibidores seletivos da COX-2
- AINEs projetados para inibir especificamente a COX-2, reduzindo a inflamação com menor toxicidade gástrica.
- Paracetamol
- Analgésico e antipirético com ação fraca sobre a COX periférica, atuando possivelmente no sistema nervoso central.
- Opioides
- Agonistas dos receptores opioides (principalmente mu) no sistema nervoso central, bloqueando a transmissão dos estímulos dolorosos.
- Naloxona
- Antagonista competitivo dos receptores opioides, utilizado para reverter a depressão respiratória por overdose de opioides.
- Anestésicos locais
- Bloqueiam reversivelmente os canais de sódio dependentes de voltagem, impedindo a geração e condução do impulso nervoso.
- Anestésicos gerais inalatórios
- Alteram a função de canais iônicos neuronais (como GABA-A e NMDA) no cérebro, induzindo inconsciência e analgesia.
- Relaxantes musculares despolarizantes
- Agonistas do receptor nicotínico na placa motora que causam despolarização persistente e paralisia flácida.
- Relaxantes musculares não despolarizantes
- Antagonistas competitivos dos receptores nicotínicos na placa motora, impedindo a ação da acetilcolina.
- Insulina
- Hormônio que se liga ao receptor de insulina tirosina-quinase, promovendo a captação de glicose pelas células via transportadores GLUT-4.
- Metformina
- Biguanida que reduz a produção hepática de glicose e aumenta a sensibilidade periférica à insulina via ativação da AMPK.
- Sulfonilureias
- Estimulam a secreção de insulina ao bloquear os canais de potássio dependentes de ATP nas células beta pancreáticas.
- Inibidores da SGLT2
- Bloqueiam o cotransportador de sódio-glicose 2 nos rins, promovendo a excreção de glicose pela urina.
- Agonistas do receptor de GLP-1
- Mimetizam a ação do hormônio incretina GLP-1, estimulando a secreção de insulina dependente de glicose e retardando o esvaziamento gástrico.
- Inibidores da DPP-4
- Impedem a degradação das incretinas endógenas (GLP-1 e GIP), prolongando seu efeito insulinotrópico.
- Tiazolidinedionas (Glitazonas)
- Ativam os receptores nucleares PPAR-gama, aumentando a transcrição de genes que regulam o metabolismo de glicose e lipídios.
- Hormônios tireoidianos (Levotiroxina)
- Forma sintética de T4 que é convertida em T3 no organismo, regulando o metabolismo celular e o crescimento.
- Antitireoidianos (como Metimazol)
- Inibem a enzima tireoide peroxidase, bloqueando a iodação da tireoglobulina e a síntese de hormônios tireoidianos.
- Bifosfonatos
- Inibem a atividade dos osteoclastos e induzem sua apoptose, reduzindo a reabsorção óssea na osteoporose.
- Inibidores da bomba de prótons (IBP)
- Inibem de forma irreversível a enzima H+/K+-ATPase nas células parietais gástricas, reduzindo a secreção de ácido.
- Antagonistas H2
- Bloqueiam competitivamente os receptores de histamina H2 nas células parietais, diminuindo a produção de ácido gástrico.
- Antiácidos
- Bases fracas que reagem quimicamente com o ácido clorídrico do estômago, neutralizando o pH gástrico.
- Antieméticos antagonistas 5-HT3
- Bloqueiam os receptores de serotonina 5-HT3 no centro do vômito e no trato gastrointestinal, prevenindo náuseas.
- Antieméticos antagonistas D2
- Bloqueiam receptores dopaminérgicos na zona gatilho quimiorreceptora, reduzindo náuseas e estimulando o esvaziamento gástrico.
- Laxantes osmóticos
- Atraem água para o lúmen intestinal por osmose, amolecendo as fezes e estimulando o peristaltismo.
- Penicilinas
- Antibióticos beta-lactâmicos que inibem as proteínas de ligação à penicilina (PBPs), impedindo a síntese da parede celular bacteriana.
- Cefalosporinas
- Antibióticos beta-lactâmicos que interferem na síntese de peptideoglicano da parede celular bacteriana, levando à lise celular.
- Carbapenêmicos
- Beta-lactâmicos de amplo espectro que resistem à maioria das beta-lactamases e inibem a síntese da parede celular bacteriana.
- Macrolídeos
- Inibem a síntese proteica bacteriana ao se ligarem reversivelmente à subunidade 50S do ribossomo.
- Aminoglicosídeos
- Inibem a síntese proteica bacteriana ligando-se à subunidade 30S do ribossomo, causando leitura incorreta do código genético.
- Tetraciclinas
- Bloqueiam a síntese proteica bacteriana ao impedir a ligação do aminoacil-tRNA à subunidade 30S do ribossomo.
- Fluoroquinolonas
- Inibem as enzimas bacterianas DNA girase e topoisomerase IV, impedindo a replicação e transcrição do DNA bacteriano.
- Sulfonamidas
- Inibem competitivamente a enzima di-hidropteroato sintase, bloqueando a síntese de ácido fólico bacteriano.
- Trimetoprima
- Inibe a enzima di-hidrofolato redutase bacteriana, impedindo a conversão de di-hidrofolato em tetra-hidrofolato.
- Glicopeptídeos (como Vancomicina)
- Ligam-se à porção D-alanyl-D-alanine dos precursores da parede celular, impedindo a polimerização do peptideoglicano.
- Antifúngicos azóis
- Inibem a enzima 14-alfa-desmetilase, bloqueando a síntese de ergosterol e alterando a permeabilidade da membrana fúngica.
- Anfotericina B
- Liga-se ao ergosterol na membrana celular fúngica, formando poros que causam extravasamento de íons e morte celular.
- Equinocandinas
- Inibem a síntese de beta-(1,3)-D-glucano, um componente essencial da parede celular de muitos fungos.
- Aciclovir
- Análogo de nucleosídeo fosforilado pela timidina quinase viral que inibe seletivamente a DNA polimerase viral.
- Antirretrovirais ITRN
- Inibidores nucleosídicos da transcriptase reversa que atuam como terminadores de cadeia durante a síntese do DNA viral do HIV.
- Antirretrovirais IP
- Inibidores da protease que impedem a clivagem de poliproteínas virais, resultando na produção de partículas virais imaturas e não infecciosas.
- Alquilantes (Quimioterapia)
- Adicionam grupos alquila ao DNA celular, causando ligações cruzadas e quebras na fita, impedindo a replicação celular.
- Antimetabólitos (Quimioterapia)
- Mimetizam nucleotídeos ou precursores naturais, interferindo na síntese de DNA e RNA durante a fase S do ciclo celular.
- Taxanos (Quimioterapia)
- Estabilizam os microtúbulos impedindo sua despolimerização, bloqueando a mitose celular na transição metáfase-anáfase.
- Antagonistas de receptores H1
- Bloqueiam competitivamente os receptores H1 de histamina, reduzindo sintomas alérgicos como prurido e edema.
- Agonistas alfa-1 adrenérgicos
- Promovem vasoconstrição arteriolar ao estimularem os receptores alfa-1, utilizados como descongestionantes.
- Agonistas alfa-2 adrenérgicos
- Estimulam receptores alfa-2 pré-sinápticos no SNC, reduzindo o fluxo simpático e diminuindo a pressão arterial.
- Inibidores da acetilcolinesterase
- Impedem a degradação da acetilcolina na fenda sináptica, aumentando a transmissão colinérgica.
- Anticolinérgicos (Atropina)
- Antagonistas competitivos dos receptores muscarínicos, bloqueando os efeitos do sistema nervoso parassimpático.
- Digitálicos (Digoxina)
- Inibem a bomba de Na+/K+-ATPase no miocárdio, aumentando o cálcio intracelular e a força de contração cardíaca.
- Metotrexato
- Inibe a enzima di-hidrofolato redutase humana, reduzindo a síntese de purinas e pirimidinas, com ação imunossupressora.
- Ciclosporina
- Inibe a calcineurina, impedindo a ativação de fatores de transcrição necessários para a produção de interleucina-2 e ativação de células T.
- Anticorpos monoclonais
- Proteínas projetadas para se ligarem especificamente a antígenos ou receptores celulares, modulando respostas biológicas ou destruindo células-alvo.