Anemia Falciforme na Pediatria 2
Estudo sobre anemia falciforme na pediatria, abordando manifestações clínicas, manejo de emergência e complicações para estudantes de medicina e residentes.
Cartões · 50
- Base genética da anemia falciforme
- Mutação de ponto no gene da globina beta (GAG para GTG), substituindo ácido glutâmico por valina na posição 6.
- Idade de início das manifestações clínicas típicas
- A partir dos 4 a 6 meses de vida, quando os níveis de hemoglobina fetal (HbF) caem e a hemoglobina S (HbS) predomina.
- Primeira manifestação vaso-oclusiva em lactentes
- Dactilite ou síndrome mão-pé, caracterizada por edema doloroso e calor no dorso das mãos e pés.
- Indicação da profilaxia com penicilina oral
- Iniciada a partir do diagnóstico neonatal (2 a 3 meses de vida) até pelo menos os 5 anos de idade, prevenindo sepse por Streptococcus pneumoniae.
- Esquema vacinal especial para crianças falciformes
- Vacina pneumocócica conjugada seguida da polissacarídica 23-valente, meningocócicas conjugadas (ACWY e B) e Haemophilus influenzae tipo b.
- Manejo imediato da febre maior ou igual a 38,5°C
- Emergência médica: coleta imediata de hemoculturas e início empírico de cefalosporina de 3ª geração parenteral (ceftriaxona) em até 60 minutos.
- Rastreio primário para prevenção de AVC em pediatria
- Doppler transcraniano anual entre 2 e 16 anos para avaliar velocidade de fluxo na artéria cerebral média e carótida interna.
- Conduta perante Doppler transcraniano de alto risco (> 200 cm/s)
- Iniciar imediatamente programa regular de transfusão crônica de hemácias para manter HbS abaixo de 30% e prevenir AVC isquêmico.
- Principal indicação clínica para iniciar hidroxiureia
- Crianças a partir dos 9 meses com HbSS/HbS-beta-zero, crises álgicas frequentes, síndrome torácica aguda recorrente ou anemia grave assintomática.
- Mecanismo de ação primário da hidroxiureia
- Indução da síntese de hemoglobina fetal (HbF), reduzindo a polimerização da HbS e a viscosidade sanguínea.
- Definição clínica de Síndrome Torácica Aguda (STA)
- Novo infiltrado pulmonar à radiografia associado a febre, dor torácica, taquipneia, tosse ou hipoxemia.
- Tratamento de primeira linha da Síndrome Torácica Aguda
- Oxigenoterapia guiada por oximetria, analgesia controlada, ceftriaxona associada a macrolídeo e hidratação isotônica cautelosa.
- Indicação de transfusão na Síndrome Torácica Aguda
- Transfusão simples para queda de Hb ou extransfusão parcial para piora respiratória progressiva, hipoxemia grave ou infiltrado multilobar.
- Quadro clínico do Sequestro Esplênico Agudo
- Aumento súbito do baço associado a queda abrupta da hemoglobina (> 2 g/dL), reticulocitose e choque hipovolêmico.
- Conduta emergencial no Sequestro Esplênico Agudo
- Ressuscitação volêmica imediata com cristaloides e transfusão cautelosa de concentrado de hemácias para restaurar volemia sem hiperviscosidade.
- Prevenção secundária do Sequestro Esplênico recorrente
- Esplenectomia cirúrgica eletiva após estabilização clínica do segundo episódio ou se o primeiro for potencialmente fatal.
- Causa da Crise Aplástica transitória
- Infecção pelo Parvovírus B19, que infecta e destrói precursores eritroides na medula óssea.
- Achado laboratorial clássico da Crise Aplástica
- Queda acentuada da hemoglobina associada a contagem de reticulócitos extremamente baixa ou indetectável (< 1%).
- Conduta na Crise Aplástica por Parvovírus B19
- Isolamento de contato/gotículas e transfusão de hemácias se houver repercussão hemodinâmica até a recuperação reticulocitária espontânea.
- Escalonamento analgésico na crise álgica vaso-oclusiva grave
- Opioides fortes parenterais (ex. morfina intravenosa) administrados precocemente em até 30 minutos da admissão, associados a analgésicos simples.
- Cálculo da hidratação venosa nas crises vaso-oclusivas
- Hidratação basal (manutenção de 1 a 1,5 vezes as necessidades hídricas), evitando hiperidratação pelo risco de edema pulmonar e STA.
- Definição e manejo inicial do priapismo isquêmico agudo
- Ereção dolorosa persistente; hidratação, analgesia, urinar, banho morno; se > 4 horas, realizar aspiração e injeção intracavernosa de agonista alfa.
- Diagnóstico diferencial: osteomielite vs infarto ósseo
- Quadro semelhante; osteomielite frequentemente cursa com bacteremia prolongada, sinais flogísticos focais intensos e isolamento de Salmonella ou S. aureus.
- Profilaxia vitamínica recomendada de rotina
- Suplementação diária de ácido fólico (1 mg/dia) para suprir a demanda eritropoética aumentada e prevenir anemia megaloblástica secundária.
- Uso de ferro na anemia falciforme
- Contraindicado de rotina, exceto quando houver hipoferritinemia comprovada por dosagem laboratorial, para evitar sobrecarga de ferro.
- Alvo de hemoglobina após transfusão simples na crise
- Não exceder hemoglobina de 10 a 11 g/dL para evitar síndrome de hiperviscosidade sanguínea e novos eventos vaso-oclusivos.
- Complicação crônica renal precoce em crianças
- Hiperfiltração glomerular na infância precoce, evoluindo para proteinúria/microalbuminúria e perda progressiva da capacidade de concentração urinária.
- Manejo da microalbuminúria persistente na nefropatia falciforme
- Introdução de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como enalapril, para reduzir a pressão intraglomerular e a proteinúria.
- Manifestação oftalmológica e idade para início de rastreio
- Retinopatia proliferativa falciforme; exame de fundo de olho anual a partir dos 10 anos de idade.
- Causa da asplenia funcional na infância
- Múltiplos microinfartos esplênicos secundários à vaso-oclusão repetida, levando à autoesplenectomia geralmente até os 5 anos de vida.
- Achado característico no esfregaço de sangue periférico da asplenia
- Presença de corpúsculos de Howell-Jolly nos eritrócitos, indicando perda da função de filtração do baço.
- Patógeno capsulado mais temido na asplenia funcional
- Streptococcus pneumoniae, seguido de Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b.
- Patógeno entérico com maior risco de sepse e osteomielite
- Salmonella não tifoide, favorecida pela disfunção do sistema monocítico fagocítico e microinfartos na mucosa intestinal.
- Objetivo terapêutico da terapia de quelação de ferro
- Remover o excesso de ferro acumulado por transfusões crônicas, prevenindo disfunção cardíaca, hepática e endócrina.
- Quelante de ferro oral de primeira linha em pediatria
- Deferasirox administrado por via oral uma vez ao dia, monitorando funções renal e hepática periodicamente.
- Exame padrão-ouro para estimar sobrecarga de ferro hepática e cardíaca
- Ressonância magnética com técnica T2* (T2 estrela).
- Conduta no AVC isquêmico agudo pediátrico confirmado
- Extransfusão (eritrocitaférese) emergencial para reduzir a HbS imediatamente para níveis abaixo de 30% sem elevar hematócrito > 36%.
- Uso de trombolítico (rtPA) no AVC isquêmico na anemia falciforme
- Geralmente não recomendado em pediatria falciforme; a causa é vaso-oclusão e hiperplasia intimal, sendo a transfusão a prioridade.
- Preparo pré-operatório para cirurgias eletivas de médio/grande porte
- Transfusão simples de hemácias visando nível de Hb em torno de 10 g/dL para otimizar entrega tecidual de oxigênio e reduzir complicações.
- Indicação clássica de transplante de células-tronco hematopoéticas
- Crianças com doador aparentado HLA-idêntico apresentando AVC, crises álgicas refratárias, STA recorrente ou lesão crônica de órgãos-alvo.
- Causa comum de dor abdominal aguda em crianças falciformes
- Litíase biliar decorrente da hiperbilirrubinemia crônica não conjugada, levando à formação de cálculos de bilirrubinato de cálcio.
- Achado laboratorial típico da hemólise crônica
- Aumento de bilirrubina indireta, elevação acentuada de DHL, reticulocitose e dosagem de haptoglobina indetectável.
- Manejo da hipertensão pulmonar em pacientes pediátricos
- Ecocardiograma de rastreio para medir velocidade de regurgitação tricúspide e encaminhamento para cateterismo se sugestivo de lesão pré-capilar.
- Impacto do teste do pezinho no prognóstico da anemia falciforme
- Permite diagnóstico pré-sintomático, início imediato de penicilina profilática e vacinação, reduzindo dramaticamente a mortalidade em menores de 5 anos.
- Interpretação do perfil de hemoglobinas FAS no teste do pezinho
- Traço falciforme (portador assintomático), com maior proporção de HbA em relação à HbS e sem risco de complicações vaso-oclusivas graves.
- Interpretação do perfil de hemoglobinas FS no teste do pezinho
- Compatível com Anemia Falciforme (HbSS) ou S/Beta-talassemia zero, requerendo confirmação diagnóstica e inserção precoce em centro especializado.
- Papel dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) nas crises de dor
- Coadjuvantes eficazes aos opioides para dor óssea inflamatória leve a moderada, desde que respeitada a função renal e estado de hidratação.
- Manejo do broncoespasmo durante a Síndrome Torácica Aguda
- Uso precoce de broncodilatadores inalatórios de ação curta (beta-2 agonistas), já que a hiper-reatividade brônquica é comum na STA.
- Orientações gerais para prevenção de crises vaso-oclusivas em casa
- Manter hidratação oral copiosa, evitar mudanças bruscas de temperatura, proteger do frio excessivo e evitar exercício extenuante sem repouso.
- Frequência de monitoramento laboratorial no uso estável de hidroxiureia
- Hemograma completo, contagem de reticulócitos e dosagem de função hepática e renal a cada 8 a 12 semanas para vigiar toxicidade medular.