Artrite Reumatoide

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Estudo abrangente sobre artrite reumatoide, cobrindo patogênese, fisiopatologia, autoanticorpos e tratamento para estudantes de medicina.

50 cartões Português Nível: Ensino superior Patologia e doenças Publicado
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Artrite Reumatoide (AR)
Doença inflamatória crônica autoimune caracterizada por sinovite persistente e destruição articular progressiva mediada por autoanticorpos.
Predisposição genética na AR
Forte associação com alelos HLA-DRB1 que compartilham a sequência de aminoácidos conhecida como epítopo compartilhado.
Fatores ambientais principais
Tabagismo e infecções periodontais por Porphyromonas gingivalis que induzem estresse oxidativo e citrulinização de proteínas teciduais.
Citrulinização de proteínas
Conversão do aminoácido arginina em citrulina pela enzima PAD, gerando neoantígenos reconhecidos como estranhos pelo sistema imune.
Anti-CCP (ACPA)
Autoanticorpo direcionado a peptídeos citrulinados com alta especificidade (>95%) e valor prognóstico de doença articular erosiva.
Fator Reumatoide (FR)
Autoanticorpo (geralmente IgM) direcionado contra a porção Fc da imunoglobulina IgG humana, facilitando a formação de imunocomplexos.
Apresentação de antígenos na AR
Células dendríticas e macrófagos apresentam peptídeos citrulinados a linfócitos T CD4+ via moléculas HLA de classe II nos linfonodos.
Papel das células Th1 e Th17
Linfócitos T ativados que migram para a sinóvia e secretam citocinas pró-inflamatórias como IFN-gama, TNF-alfa, IL-17 e IL-22.
TNF-alfa na patogênese
Citocina central que estimula a proliferação sinovial, ativação de macrófagos, liberação de outras citocinas e expressão de moléculas de adesão endotelial.
Interleucina-1 (IL-1)
Atua sinergicamente com o TNF-alfa na ativação de condrócitos e sinoviócitos para liberação de metaloproteinases e destruição de cartilagem.
Interleucina-6 (IL-6)
Estimula a síntese hepática de proteínas de fase aguda (PCR), diferenciação de células B e diferenciação de osteoclastos mediada por RANKL.
Formação do Pannus
Tecido de granulação fibrovascular espesso e hiperplásico formado por sinoviócitos proliferados, macrófagos e neovascularização local.
Sinoviócitos tipo fibroblasto (FLS)
Células da camada de revestimento sinovial que adquirem fenótipo invasivo semelhante ao tumoral, degradando ativamente a matriz extracelular.
Metaloproteinases da matriz (MMPs)
Enzimas proteolíticas (como MMP-1, MMP-3 e MMP-13) liberadas por sinoviócitos e condrócitos que clivam colágeno tipo II e proteoglicanos.
Via RANKL / RANK
RANKL produzido por linfócitos T e osteoblastos liga-se ao RANK nos pré-osteoclastos, desencadeando osteoclastogênese e erosão óssea marginal.
Angiogênese na sinovite
Processo induzido por VEGF e hipóxia tecidual que sustenta o aporte nutricional ao pannus em proliferação e facilita migração leucocitária.
Padrão de acometimento articular
Poliartrite simétrica e aditiva acometendo preferencialmente pequenas articulações das mãos (MCF e IFP), punhos e pés (MTF).
Rigidez matinal
Sensação de travamento articular decorrente do acúmulo noturno de edema inflamatório perissinovial, durando habitualmente mais de 1 hora.
Articulações tipicamente poupadas
Interfalângicas distais (IFD) e o esqueleto axial, exceto pela articulação atlantoaxial na coluna cervical.
Subluxação atlantoaxial
Erosão ligamentar do processo odontoide pela sinovite crônica, com risco grave de compressão medular e instabilidade cervical.
Deformidade em botoeira (Boutonnière)
Flexão da articulação interfalângica proximal combinada com hiperextensão da interfalângica distal por ruptura da banda extensora central.
Deformidade em pescoço de cisne
Hiperextensão da interfalângica proximal com flexão da interfalângica distal por encurtamento do tendão interósseo e frouxidão volar.
Desvio ulnar dos dedos
Deslocamento dos tendões extensores e enfraquecimento das cápsulas metacarpofalângicas permitindo subluxação e tração lateral dos dedos.
Nódulos reumatoides
Granulomas inflamatórios subcutâneos com necrose fibrinoide central e histiócitos em paliçada, associados a títulos elevados de FR/ACPA.
Síndrome de Felty
Tríade rara e grave composta por artrite reumatoide soropositiva, neutropenia periférica e esplenomegalia com risco aumentado de infecções.
Doença pulmonar intersticial na AR
Infiltração inflamatória alveolar e fibrose pulmonar progressiva (geralmente padrão PIU), mais frequente em tabagistas soropositivos.
Vasculite reumatoide
Inflamação necrotizante de vasos de pequeno e médio calibre por deposição de imunocomplexos, cursando com úlceras de pele e mononeurite múltipla.
Risco cardiovascular acelerado
A inflamação sistêmica crônica promove disfunção endotelial precoce, oxidação da LDL e aterosclerose acelerada independente de fatores clássicos.
Critérios classificatórios ACR/EULAR 2010
Pontuação baseada em quatro domínios: envolvimento articular, sorologia (FR/ACPA), provas de fase aguda (PCR/VHS) e duração dos sintomas (≥6 semanas).
Proteína C-Reativa (PCR) e VHS
Biomarcadores séricos de inflamação sistêmica induzidos por IL-6, úteis para monitorar atividade e gravidade da doença articular.
Achados radiográficos precoces
Aumento de partes moles e osteopenia periarticular justa-articular secundária à hiperemia local e ativação osteoclástica.
Achados radiográficos tardios
Erosões ósseas marginais nos locais de reflexão sinovial, redução concêntrica do espaço articular e anquilose óssea.
Análise do líquido sinovial na AR
Líquido inflamatório (tipo II), amarelo-turvo, com 2.000 a 50.000 leucócitos/mm3 com predomínio de neutrófilos e sem microcristais.
Estratégia Treat-to-Target (T2T)
Abordagem sistemática com ajustes periódicos de fármacos até alcançar remissão clínica ou baixa atividade de doença mensurada por escores.
Metotrexato (MTX)
DMARD convencional de primeira linha; inibe a di-hidrofolato redutase e eleva a adenosina extracelular, exercendo potente ação anti-inflamatória.
Leptomeningite e toxicidade por MTX
Efeitos adversos evitados pela suplementação profilática obrigatória de ácido fólico (hepatotoxicidade, mielossupressão e estomatite).
Leflunomida
DMARD convencional que inibe a enzima di-hidroorotato desidrogenase, bloqueando a síntese de novo de pirimidinas em linfócitos T proliferantes.
Sulfassalazina
DMARD convencional clivado por bactérias colônicas em 5-ASA e sulfapiridina, indicado em formas leves ou combinado a outros agentes.
Hidroxicloroquina
Antimalárico que eleva o pH endossomal inibindo a apresentação antigênica; exige triagem periódica para retinopatia e maculopatia.
Inibidores do TNF (Anti-TNF)
Biológicos (ex.: infliximabe, adalimumabe, etanercepte) que neutralizam a inflamação; exigem rastreio prévio obrigatório de tuberculose latente.
Inibidores de IL-6 (ex.: Tocilizumabe)
Biológico que bloqueia o receptor de IL-6 soluble e de membrana, normalizando rapidamente a PCR e controlando a atividade sinovial sistêmica.
Inibidores de coestimulação (Abatacepte)
Proteína de fusão CTLA-4-Ig que se liga a CD80/CD86 nas APCs, impedindo a ligação com CD28 e bloqueando o segundo sinal de ativação do linfócito T.
Rituximabe
Anticorpo monoclonal anti-CD20 que depleta linfócitos B periféricos, reduzindo a apresentação de antígenos e a produção de autoanticorpos.
Inibidores de JAK (ex.: Tofacitinibe)
Pequenas moléculas sintéticas que bloqueiam a via intracelular JAK-STAT, inibindo a transcrição gênica de múltiplas citocinas inflamatórias.
Corticoterapia na fase inicial (Bridge)
Uso temporário de baixas doses de glicocorticoides como ponte anti-inflamatória rápida até o início de ação terapêutica dos DMARDs.
Aderência sinovial e destruição da cartilagem
Ocorre por migração focal dos sinoviócitos do pannus sobre a cartilagem articular com liberação pericelular de enzimas que degradam colágeno tipo II.
Cisto de Baker
Herniação da cápsula posterior do joelho secundária ao excesso de líquido sinovial articular sob pressão, cujo rompimento mimetiza trombose venosa profunda.
Acometimento ocular na AR
Manifesta-se principalmente por ceratoconjuntivite seca (associada à síndrome de Sjögren secundária), episclerite e esclerite necrotizante grave.
Acometimento renal na AR
Frequentemente decorrente de toxicidade medicamentosa (AINEs) ou deposição glomerular de proteína sérica amiloide A (Amiloidose secundária AA).
Índice de Atividade da Doença (DAS28)
Escore composto que avalia contagem de articulações dolorosas e edemaciadas em 28 articulações, PCR/VHS e avaliação global do paciente.

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