Asma na Pediatria
Este conjunto aborda o diagnóstico, a avaliação de gravidade e o manejo de emergência da asma em pediatria. Destina-se a estudantes de medicina e profissionais de saúde.
Cartões · 50
- Qual a tríade clínica clássica da exacerbação de asma?
- Tosse, sibilância e dispneia (dificuldade respiratória), frequentemente acompanhadas de opressão torácica.
- Como avaliar o nível de consciência na crise asmática grave?
- Agitação psicomotora, sonolência, confusão mental ou letargia indicam hipoxemia grave e hipercapnia iminente.
- Qual é a oximetria de pulso (SpO2) alvo na crise aguda de asma em pediatria?
- SpO2 entre 94% e 98% em ar ambiente ou com oxigenoterapia suplementar.
- O que caracteriza a fala de uma criança em crise de asma grave?
- Incapacidade de completar frases inteiras, falando apenas palavras isoladas entre as respirações.
- Qual sinal na ausculta pulmonar indica risco iminente de parada respiratória?
- Tórax silencioso, indicando fluxo aéreo extremamente reduzido e falência ventilatória.
- Quais são os sinais de aumento do trabalho respiratório na criança?
- Tiragem intercostal, subcostal e de fúrcula, batimento de asa nasal e gemência expiratória.
- Qual é a frequência respiratória considerada taquipneia em menores de 2 meses?
- Frequência respiratória igual ou superior a 60 incursões por minuto.
- Qual é o limite de frequência respiratória para taquipneia de 2 a 11 meses?
- Frequência respiratória igual ou superior a 50 incursões por minuto.
- Qual é o limite de taquipneia para crianças de 1 a 5 anos?
- Frequência respiratória igual ou superior a 40 incursões por minuto.
- O que é o Pediatric Respiratory Assessment Measure (PRAM)?
- Escore clínico validado para estratificar a gravidade da crise asmática pediátrica de 1 a 17 anos.
- Quais parâmetros compõem a escala PRAM?
- Saturação de oxigênio, tiragem supraesternal, retração dos músculos escalenos, entrada de ar e sibilância.
- Como é classificada a crise de asma segundo a pontuação do PRAM?
- Leve (0-3 pontos), Moderada (4-7 pontos) e Grave (8-12 pontos).
- Qual a primeira linha farmacológica imediata para a crise asmática?
- Beta-2 agonista de curta ação (SABA), sendo o salbutamol a droga de escolha.
- Como administrar salbutamol inalatório na crise leve a moderada via spray acoplado a espaçador?
- 4 a 8 jatos a cada 20 minutos na primeira hora, com máscara facial ou bocal conforme a idade.
- Qual a dose de salbutamol em nebulização contínua ou intermitente?
- Nebulização intermitente: 0,15 mg/kg por dose (mínimo 1,25 mg, máximo 5 mg) diluído em soro fisiológico a cada 20 minutos.
- Por que preferir spray com espaçador em vez de nebulizador comum na crise?
- Maior deposição pulmonar, menor tempo de administração, menos efeitos adversos e menor risco de aerossolização de patógenos.
- Qual é o papel do brometo de ipratrópio na exacerbação de asma?
- Anticolinérgico associado ao salbutamol na primeira hora em crises moderadas a graves para promover broncodilatação aditiva.
- Qual a dose recomendada de brometo de ipratrópio na primeira hora?
- Spray: 4 a 8 jatos a cada 20 min; Nebulização: 250 mcg (<20 kg) ou 500 mcg (>20 kg) a cada 20 minutos junto ao SABA por 3 doses.
- Quando indicar corticosteroide sistêmico na crise asmática pediátrica?
- Em todas as crises moderadas e graves, ou na crise leve que não respondeu rapidamente ao salbutamol inicial.
- Qual o tempo estimado para o início da ação do corticosteroide sistêmico?
- Inicia seus efeitos anti-inflamatórios clínicos em aproximadamente 2 a 4 horas após a administração.
- Qual a dose recomendada de prednisolona/prednisona oral na crise?
- 1 a 2 mg/kg/dia (máximo de 40 mg em menores de 12 anos e 50 mg em maiores), por 3 a 5 dias.
- É necessário o desmame gradual do corticoide oral após ciclos curtos na crise de asma?
- Não, cursos de corticoide sistêmico de 3 a 5 dias podem ser suspensos abruptamente sem desmame.
- Quando utilizar dexametasona oral na crise asmática e qual a posologia?
- Alternativa à prednisona: 0,3 a 0,6 mg/kg/dia dose única diária (máximo 16 mg) durante 1 ou 2 dias.
- Qual corticosteroide intravenoso é preferencial se a via oral for inviável?
- Metilprednisolona (1 mg/kg a cada 6 a 12 horas) ou hidrocortisona (4 a 5 mg/kg a cada 6 horas).
- Qual a principal indicação do sulfato de magnésio intravenoso na crise?
- Crise grave refratária ao tratamento inalatório intensivo e corticoide sistêmico na primeira hora.
- Qual a dose e tempo de infusão do sulfato de magnésio IV?
- 40 a 50 mg/kg (máximo de 2 g), administrado em infusão intravenosa lenta ao longo de 20 a 30 minutos.
- Quais são os principais efeitos adversos a monitorar no uso de sulfato de magnésio?
- Hipotensão arterial, bradicardia, rubor facial e fraqueza muscular por bloqueio neuromuscular.
- Quando está indicada a radiografia de tórax na crise aguda de asma?
- Suspeita de pneumotórax, pneumomediastino, pneumonia bacteriana sobreposta ou primeira crise sem diagnóstico prévio.
- Por que a radiografia de tórax de rotina é desaconselhada na asma aguda?
- Geralmente mostra apenas hiperinsuflação e não altera a conduta terapêutica imediata.
- Qual a conduta perante gasometria arterial com PaCO2 'normal' (40 mmHg) em taquipneia grave?
- Sinal de alarme crítico: indica fadiga muscular respiratória iminente, pois o paciente deveria estar hipocápnico.
- Quando indicar o uso de beta-2 agonista intravenoso (salbutamol ou terbutalina)?
- Em exacerbações com risco iminente de morte que não respondem à terapia inalatória máxima e sulfato de magnésio.
- Qual o papel da aminofilina na crise de asma pediátrica atual?
- Geralmente não recomendada pelas diretrizes devido à estreita margem terapêutica e alto risco de toxicidade grave.
- Quando utilizar adrenalina intramuscular na crise de asma?
- Na presença de anafilaxia associada ou na indisponibilidade imediata de outros broncodilatadores em crise catastrófica.
- Qual a dose de adrenalina intramuscular (1:1.000) em casos de asma associada à anafilaxia?
- 0,01 mg/kg (máximo de 0,3 mg a 0,5 mg) no vasto lateral da coxa.
- Qual o benefício da cânula nasal de alto fluxo (CNAF) na asma grave pediátrica?
- Oferece PEEP dinâmica leve, reduz o trabalho respiratório e melhora a oferta de oxigênio aquecido e umidificado.
- Quais as indicações de ventilação não invasiva (VNI/BiPAP) na crise asmática?
- Fadiga muscular, hipoxemia persistente ou acidose respiratória moderada a despeito do tratamento clínico máximo.
- Quais as complicações de intubação orotraqueal no paciente com asma grave?
- Hipotensão severa por hiperinsuflação dinâmica, pneumotórax por barotrauma e laringoespasmo.
- Quais os ajustes ventilatórios protetores na intubação de asmático grave?
- Tempo expiratório prolongado (relação I:E de 1:3 a 1:4), frequência respiratória baixa e tolerância à hipercapnia permissiva.
- Por que sedativos como cetamina são preferidos na intubação do asmático?
- A cetamina possui propriedades broncodilatadoras intrínsecas e menor impacto na estabilidade hemodinâmica.
- Qual o manejo hidroeletrolítico recomendado durante a exacerbação de asma?
- Manter hidratação de manutenção; evitar hiper-hidratação para prevenir edema pulmonar por pressão intratorácica negativa.
- Qual distúrbio eletrolítico é comum após doses repetidas de salbutamol?
- Hipocalemia transitória por desvio intracelular do potássio mediado por receptores beta-2.
- Qual taquiarritmia pode ocorrer pelo uso excessivo de beta-2 agonistas?
- Taquicardia sinusal intensa e, raramente, extrassístoles supraventriculares ou ventriculares.
- Antibióticos devem ser prescritos rotineiramente na exacerbação de asma?
- Não, a maioria das exacerbações infecciosas é viral; antibióticos são reservados para evidência clara de infecção bacteriana.
- Qual o papel do sulfato de magnésio inalatório na asma infantil?
- Não é recomendado rotineiramente pelas diretrizes internacionais devido à inconsistência nas evidências clínicas.
- Quais são os critérios clínicos para alta do pronto-socorro após crise de asma?
- Estabilidade clínica por pelo menos 1 a 2 horas sem necessidade de SABA, SpO2 em ar ambiente ≥94% e boa ingestão oral.
- O que prescrever obrigatoriamente na alta da emergência após exacerbação?
- SABA para alívio, término do curso de corticosteroide oral prescrito e revisão ou início da terapia inalatória preventiva.
- Em quanto tempo a criança deve ter consulta de seguimento ambulatorial pós-alta?
- Em 24 a 72 horas para reavaliação clínica e ajuste do plano de manejo preventivo a longo prazo.
- Qual a importância de checar a técnica inalatória antes da alta?
- O erro na técnica do inalador dosimetrado e espaçador é uma das causas mais comuns de falha no tratamento.
- O que é o Plano de Ação Escrito na asma pediátrica?
- Guia visual baseado em zonas (verde, amarela, vermelha) para a família identificar sintomas e agir precocemente.
- Qual intervenção previne novas crises de asma após atendimento de emergência?
- Iniciar ou aumentar a dose de corticosteroide inalatório regular associado ao acompanhamento pediátrico contínuo.