Ciência Política
Estudo dos conceitos fundamentais da ciência política e de seus principais autores, destinado a estudantes universitários e concurseiros.
Cartões · 50
- Poder político
- Max Weber e Maquiavel; capacidade de impor a própria vontade em relações sociais, central na formação do Estado moderno.
- Legitimidade
- Max Weber; assentimento dos governados dividido nas formas tradicional, carismática e racional-legal durante a modernidade.
- Monopólio da violência legítima
- Max Weber; atributo definidor do Estado moderno ocidental para assegurar a ordem interna e a soberania territorial.
- Estado de natureza
- Hobbes, Locke e Rousseau; hipótese teórica contratualista dos séculos XVII e XVIII sobre a vida humana antes da ordem política civil.
- Contrato social
- Hobbes, Locke e Rousseau; convenção fundadora da sociedade civil e da autoridade política que superou o estado pré-político.
- Soberania
- Jean Bodin e Thomas Hobbes; poder absoluto e perpétuo formulado nos séculos XVI e XVII para superar as guerras religiosas europeias.
- Separação de poderes
- Montesquieu; sistema de freios e contrapesos do Iluminismo do século XVIII para conter a tirania e assegurar a liberdade política.
- Virtù e Fortuna
- Nicolau Maquiavel; conceitos centrais do Renascimento que opõem a habilidade e flexibilidade do governante aos imprevistos do acaso.
- Vontade geral
- Jean-Jacques Rousseau; interesse coletivo indivisível formulado no Iluminismo genebrino para assegurar a soberania popular.
- Direitos naturais
- John Locke; doutrina liberal do século XVII que postula vida, liberdade e propriedade privada anteriores ao Estado civil.
- Democracia representativa
- John Stuart Mill e James Madison; modelo liberal dos séculos XVIII e XIX baseado na delegação de poder por meio do sufrágio.
- Tirania da maioria
- Alexis de Tocqueville e J. S. Mill; crítica liberal do século XIX ao risco da conformidade social e opressão de minorias nas democracias.
- Luta de classes
- Karl Marx e Friedrich Engels; motor da história no materialismo histórico que explica as transformações do poder na Revolução Industrial.
- Hegemonia
- Antonio Gramsci; liderança cultural, moral e ideológica da classe dominante formulada no marxismo ocidental do século XX.
- Aparelhos ideológicos de Estado
- Louis Althusser; instituições escolares, religiosas e culturais que reproduzem as relações de produção no marxismo estruturalista.
- Burocracia
- Max Weber; tipo ideal de administração racional-legal baseada em regras impessoais e competência técnica na modernidade capitalista.
- Polifonia / Poliarquia
- Robert Dahl; conceito empírico do século XX para regimes democráticos caracterizados por ampla competição eleitoral e inclusão.
- Teoria das elites
- Vilfredo Pareto, Gaetano Mosca e Robert Michels; perspectiva sociológica do início do século XX que postula o governo permanente de minorias organizadas.
- Lei de ferro da oligarquia
- Robert Michels; análise dos partidos de massas do século XX que demonstra a inevitável concentração de poder nas mãos de líderes.
- Totalitarismo
- Hannah Arendt; regime inédito do século XX focado no terror, propaganda ideológica de massas e aniquilação do espaço público.
- Banalidade do mal
- Hannah Arendt; tese formulada durante o julgamento de Eichmann sobre a adesão burocrática e a incapacidade de reflexão moral sob regimes autoritários.
- Ação comunicativa
- Jürgen Habermas; modelo de razão discursiva da Escola de Frankfurt que sustenta o consenso democrático e a esfera pública deliberativa.
- Esfera pública
- Jürgen Habermas; espaço burguês de debate racional formulado nos séculos XVIII e XIX intermediário entre a sociedade civil e o Estado.
- Justiça como equidade
- John Rawls; teoria liberal igualitária da segunda metade do século XX estruturada pela posição original e o véu da ignorância.
- Véu da ignorância
- John Rawls; dispositivo metodológico hipotético de 1971 para pactuar princípios neutros de justiça sem viés de posição social.
- Comunitarismo
- Michael Sandel e Charles Taylor; reação crítica dos anos 1980 ao individualismo atomizado e abstrato da teoria liberal rawlsiana.
- Estado mínimo
- Robert Nozick; teoria libertária de 1974 focada estritamente na proteção contra roubo, fraude e cumprimento de contratos privados.
- Sociedade civil
- Hegel e Gramsci; domínio das carências e relações privadas para o idealismo alemão, posteriormente concebido como arena política de consenso.
- Biopolítica
- Michel Foucault; tecnologia do poder moderno do século XVIII voltada ao controle e gestão de populações, natalidade e saúde.
- Microfísica do poder
- Michel Foucault; análise pós-estruturalista das relações de força capilares e difusas que produzem sujeitos além do aparelho estatal central.
- Estado de exceção
- Carl Schmitt e Giorgio Agamben; suspensão do ordenamento jurídico formal pelo soberano para preservar a própria sobrevivência política.
- O Político (distinção amigo/inimigo)
- Carl Schmitt; critério fundamental da política formulated na República de Weimar contra o neutralismo liberal e o parlamentarismo.
- Clivagens sociais
- Seymour Lipset e Stein Rokkan; modelo sociológico dos anos 1960 que explica o surgimento de sistemas partidários europeus por fraturas históricas.
- Cultura política
- Gabriel Almond e Sidney Verba; abordagem comparada dos anos 1960 que estuda orientações psicológicas e atitudes dos cidadãos ante a política.
- Corporativismo
- Philippe Schmitter; modelo de representação de interesses pactuado entre sindicatos, associações patronais e o Estado pós-guerra.
- Presidencialismo de coalizão
- Sérgio Abranches; formulação de 1988 que analisa o arranjo institucional brasileiro mesclando fragmentação partidária e poder executivo.
- Patrimonialismo
- Max Weber e Raymundo Faoro; ausência de separação nítida entre o patrimônio público e o domínio privado, aplicada ao Brasil em 1958.
- Homem cordial
- Sérgio Buarque de Holanda; conceito de 1936 sobre a centralidade do afeto e a rejeição ao formalismo impessoal na vida pública nacional.
- Clientelismo
- Victor Nunes Leal; troca assimétrica de bens materiais e privilégios por apoio eleitoral, marcante no coronelismo da Primeira República.
- Populismo
- Gino Germani e Ernesto Laclau; mobilização de massas subalternas por lideranças carismáticas que confrontam elites oligárquicas estabelecidas.
- Democracia deliberativa
- Joshua Cohen e Amy Gutmann; corrente contemporânea que exige justificação pública e argumentação racional coletiva nas decisões políticas.
- Democracia agonística
- Chantal Mouffe; teoria política pós-fundacional que defende a canalização do conflito inerente entre adversários legítimos, não inimigos.
- Necropolítica
- Achille Mbembe; teoria crítica pós-colonial sobre o poder contemporâneo de ditar quem pode viver e quem deve morrer em zonas de exceção.
- Interseccionalidade
- Kimberlé Crenshaw; formulação da teoria crítica dos anos 1980 que articula simultaneamente opressões estruturais de raça, classe e gênero.
- Poder suave (Soft power)
- Joseph Nye; teoria das relações internacionais dos anos 1990 focada na capacidade de atração cultural e ideológica sem coação bélica.
- Teoria da escolha racional
- Anthony Downs e Mancur Olson; aplicação de axiomas econômicos do pós-guerra para explicar o comportamento de eleitores, partidos e grupos.
- Paradoxo da ação coletiva
- Mancur Olson; análise de 1965 sobre a tendência racional dos indivíduos ao benefício gratuito (free rider) em bens comuns indivisíveis.
- Novo institucionalismo
- James March e Johan Olsen; abordagem das ciências sociais que resgata o papel formador das regras formais e convenções nas preferências.
- Cidadania passiva versus ativa
- T. H. Marshall; evolução sociológica inglesa dos direitos civis (século XVIII), políticos (século XIX) e sociais (século XX).
- Governança global
- David Held e James Rosenau; arcabouço pós-Guerra Fria para analisar a regulação supranacional sem a presença de um Estado mundial único.