Desordens Potencialmente Malignas

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Estudo das desordens potencialmente malignas da mucosa oral, incluindo definições, etiologia e características clínicas para estudantes de odontologia e medicina.

50 cartões Português Nível: Ensino superior Patologia e doenças Publicado
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Desordem Potencialmente Maligna (DPMO)
Condição clínica ou lesão na mucosa oral associada a risco estatisticamente aumentado de desenvolvimento de carcinoma de células escamosas.
Leucoplasia oral: definição
Placa predominantemente branca de risco questionável, excluídas outras doenças ou lesões conhecidas sem risco de malignização.
Leucoplasia oral: etiologia principal
Fumadores de tabaco e consumo crônico de álcool; fatores mecânicos crônicos não a causam isoladamente sem displasia.
Leucoplasia homogênea
Lesão branca plana, delgada, com superfície lisa, enrugada ou fissurada, apresentando baixo risco de transformação maligna.
Leucoplasia não homogênea
Lesão branca mista com componentes eritematosos, nodulares, verrucosos ou ulcerados, associada a maior risco de displasia severa e câncer.
Eritroplasia oral: definição
Mácula ou placa vermelha brilhante que não pode ser caracterizada clínica ou patologicamente como qualquer outra doença definida.
Eritroplasia oral: risco de malignidade
Apresenta a maior taxa de transformação maligna entre as DPMOs; quase sempre exibe displasia epitelial severa ou carcinoma in situ.
Eritroleucoplasia
Lesão mista com áreas intercaladas brancas e vermelhas, possuindo potencial de malignização superior ao da leucoplasia puramente homogênea.
Leucoplasia verrucosa proliferativa (LVP)
Forma agressiva, progressiva e multifocal de leucoplasia, resistente a tratamentos, com alta taxa de conversão para carcinoma espinocelular ou verrucoso.
LVP: perfil demográfico comum
Mais frequente em mulheres idosas, muitas vezes sem histórico relevante de tabagismo ou etilismo.
Líquen plano oral (LPO): definição
Doença inflamatória crônica autoimune mediada por linfócitos T, que atinge o epitélio escamoso estratificado da mucosa oral.
Líquen plano reticular
Forma mais comum do LPO, caracterizada por estrias brancas entrelaçadas (estrias de Wickham), geralmente assintomática e bilateral.
Líquen plano erosivo
Apresenta áreas eritematosas dolorosas e ulcerações circundadas por estrias de Wickham; apresenta maior suspeição para transformação maligna.
Reação liquenoide oral
Lesão clínica e histologicamente semelhante ao líquen plano, associada a contato direto com restaurações metálicas ou induzida por fármacos.
Fibrose submucosa oral: etiologia
Doença crônica e progressiva associada ao hábito de mascar noz de areca (betel nut), comum em populações do sul e sudeste asiático.
Fibrose submucosa oral: características clínicas
Perda de elasticidade da mucosa oral, rigidez tecidual progressiva, queimação ao ingerir alimentos picantes e trismo severo.
Queilite actínica: etiologia
Lesão potencialmente maligna do lábio inferior decorrente da exposição crônica e cumulativa à radiação ultravioleta solar.
Queilite actínica: sinais clínicos
Despigmentação do vermelhão, perda da nitidez na borda labial, áreas descamativas, placas leucoplásicas e ulcerações recorrentes.
Lúpus eritematoso oral
Doença autoimune sistêmica ou discoide com lesões orais eritematosas centrais, halo esbranquiçado radiado e potencial maligno controverso.
Queratose actínica labial
Sinônimo clínico-histopatológico de alterações displásicas iniciais restritas ao vermelhão do lábio exposto ao sol.
Disqueratose congênita
Síndrome hereditária rara caracterizada por pigmentação cutânea reticulada, distrofia ungueal e leucoplasia oral com alta conversão maligna.
Palato do fumante reverso
Queratose palatina acentuada com orifícios glandulares eritematosos associada a fumar com a ponta acesa dentro da boca; alto risco carcinogênico.
Displasia epitelial oral: conceito
Conjunto de alterações arquiteturais e citológicas no epitélio de revestimento que denotam desordem no ciclo e diferenciação celular.
Displasia leve
Alterações arquiteturais e atipias citológicas restritas ao terço inferior do epitélio estratificado oral.
Displasia moderada
Proliferação atípica e desorganização tecidual estendendo-se do terço basal até o terço médio do epitélio oral.
Displasia severa
Atipias celulares e arquiteturais marcantes ocupando mais de dois terços da espessura epitelial, sem invadir a lâmina basal.
Carcinoma in situ
Displasia afetando toda a espessura do epitélio oral, com marcada anaplasia celular e ausência de invasão da membrana basal.
Critério arquitetural: estratificação irregular
Perda do padrão organizado de maturação celular progressiva da camada basal em direção à camada superficial.
Critério arquitetural: cristas em gota
Cristas epiteliais com formato bulboso, arredondado ou alargado na sua porção inferior voltada para o tecido conjuntivo.
Critério arquitetural: pérolas de queratina intraepiteliais
Focos concêntricos de maturação e queratinização prematura localizados abaixo da camada córnea do epitélio.
Critério citológico: pleomorfismo nuclear
Variação acentuada no tamanho, forma e contorno dos núcleos celulares dentro do mesmo campo do epitélio.
Critério citológico: hipercromatismo nuclear
Aumento da densidade da cromatina celular resultando em núcleos intensamente corados por hematoxilina.
Critério citológico: mitoses atípicas
Figuras mitóticas com fusos anômalos (tripolares ou multipolares), indicando divisão cromossômica aberrante.
Critério citológico: alteração da relação núcleo-citoplasma
Aumento desproporcional do volume nuclear em comparação com a quantidade de citoplasma circundante.
Hiperqueratose sem displasia
Espessamento da camada córnea (hiportoquératose ou hiperparaqueratose) sem evidência histopatológica de atipias celulares.
Acantose epitelial
Aumento na espessura da camada espinhosa do epitélio decorrente de hiperplasia benigna ou displásica.
Infiltrado em faixa (Líquen Plano)
Infiltrado inflamatório crônico estritamente mononuclear (linfócitos T) localizado na lâmina própria justa-epitelial.
Degeneração hidrópica da basal
Lesão vacuolar e necrose apoptótica das células da camada basal epitelial característica do líquen plano oral.
Corpos de Civatte
Queratinócitos basais necróticos e anucleados, arredondados e eosinofílicos, expelidos em direção ao tecido conjuntivo.
Local de maior risco para transformação maligna
Borda póstero-lateral da língua e assoalho bucal são as regiões anatômicas com maior risco de malignização de leucoplasias.
Coloração com azul de toluidina
Corante metacromático auxiliar que liga o azul ao DNA/RNA de tecidos proliferativos displásicos e malignos in vivo.
Autofluorescência tecidual (VELscope)
Método óptico complementar que detecta perda da fluorescência natural do estroma associada a alterações displásicas orais.
Citologia esfoliativa oral
Coleta e análise microscópica de células soltas da superfície mucosa; possui valor limitado de triagem comparada à biópsia.
Biópsia incisional
Padrão-ouro diagnóstico para DPMO, removendo cirurgicamente uma porção representativa da lesão incluindo transição com tecido são.
Conceito de cancerização de campo
Presença de alterações genéticas subclínicas disseminadas por toda a mucosa exposta cronicamente aos mesmos carcinógenos.
HPV nas DPMOs
Subtipos oncogênicos (ex. HPV-16) podem estar envolvidos na etiopatogenia de subgrupos específicos de lesões epiteliais displásicas.
Gengivite descamativa: relação com DPMO
Padrão clínico eritematoso e doloroso da gengiva associado frequentemente à apresentação do líquen plano oral erosivo.
Queratinização prematura (disqueratose individual)
Queratinização isolada de células individuais nas camadas mais profundas do epitélio antes da camada córnea.
Elastose solar
Degeneração basofílica das fibras elásticas e colágenas do conjuntivo provocada por dano actínico crônico no lábio.
Conduta clínica fundamental em DPMO
Cessação de fatores carcinogênicos (tabaco/álcool), biópsia com confirmação histopatológica e acompanhamento periódico contínuo.

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