Ditadura Militar

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Estudo sobre os principais eventos, personagens e conceitos do período da ditadura militar no Brasil. Destinado a estudantes do ensino médio e concurseiros.

56 cartões Português Nível: Ensino fundamental e médio História do Brasil Publicado
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Cartões · 56

Golpe Militar de 1964
Deposição do presidente João Goulart pelas Forças Armadas em 31 de março, iniciando o regime militar no Brasil.
João Goulart (Jango)
Presidente deposto em 1964; defendia reformas de base como agrária, educacional e tributária sob forte oposição conservadora.
Comício da Central do Brasil (1964)
Grande manifestação pró-Jango no Rio de Janeiro que anunciou decretos das reformas de base, acelerando a reação militar.
Marcha da Família com Deus pela Liberdade
Manifestações civis e religiosas contrárias a Jango e ao suposto avanço comunista, legitimando a intervenção militar.
Operação Brother Sam
Apoio logístico e naval planejado pelos Estados Unidos para garantir o sucesso do golpe militar contra João Goulart.
Castelo Branco
Primeiro presidente militar (1964-1967); representava a ala moderada dos castelistas e inaugurou os primeiros atos institucionais.
Linha-Dura
Facção militar partidária de ações repressivas severas, repressão total à oposição e prolongamento indefinido da ditadura.
Castelistas (Sorbonne)
Ala militar considerada mais moderada, vinculada à ESG, que pregava intervenção temporária e transição rápida ao poder civil.
Atos Institucionais (AIs)
Decretos emitidos pelo Executivo militar com poder supremo, acima da própria Constituição e sem crivo parlamentar.
AI-1 (1964)
Cassou mandatos parlamentares, suspendeu direitos políticos por dez anos e determinou eleições indiretas para a presidência.
AI-2 (1965)
Extinguiu todos os partidos políticos existentes, instaurou o bipartidarismo e reforçou poderes do presidente da República.
Bipartidarismo (1965-1979)
Sistema partidário compulsório formado por apenas dois partidos: a governista ARENA e a oposição consentida MDB.
ARENA (Aliança Renovadora Nacional)
Partido governista de sustentação política aos generais e aos decretos do regime militar.
MDB (Movimento Democrático Brasileiro)
Único partido de oposição legalmente tolerado durante o período bipartidário do regime militar.
AI-3 (1966)
Estabeleceu eleições indiretas para governadores de estado e nomeação direta de prefeitos das capitais.
AI-4 (1966)
Convocou o Congresso Nacional para votar e promulgar a nova Constituição autoritária de 1967.
Constituição de 1967
Carta magna que institucionalizou os poderes de exceção do Executivo, o foro militar e a Doutrina de Segurança Nacional.
Costa e Silva
Segundo presidente militar (1967-1969); representante da Linha-Dura, decretou o AI-5 no auge das contestações sociais.
Passeata dos Cem Mil (1968)
Grande manifestação popular no Rio de Janeiro contra a repressão militar e o assassinato do estudante Edson Luís.
AI-5 (1968)
Ato mais repressivo do regime: fechou o Congresso, suspendeu o habeas corpus para crimes políticos e legalizou a censura prévia.
Junta Militar de 1969
Triunvirato das Forças Armadas que assumiu o país após a doença de Costa e Silva, impedindo a posse do vice civil Pedro Aleixo.
Emenda Constitucional nº 1 (1969)
Revisão ampla da Constituição de 1967 pela Junta Militar que incorporou em definitivo os mecanismos punitivos do AI-5.
Emílio Garrastazu Médici
Terceiro presidente militar (1969-1974); período dos Anos de Chumbo, forte repressão e auge do Milagre Econômico.
Anos de Chumbo
Fase mais violenta da ditadura (1968-1974), caracterizada por perseguições sistemáticas, torturas, mortes e intensa censura.
Milagre Econômico (1968-1973)
Período de forte crescimento do PIB comandado por Delfim Netto, marcado por concentração de renda e grande endividamento externo.
Obras Faraônicas
Grandes construções estatais de alto custo na ditadura, como a Rodovia Transamazônica, Ponte Rio-Niterói e Usina de Itaipu.
Propaganda Ufanista
Campanhas publicitárias estatais patrióticas e triunfalistas, como 'Brasil, ame-o ou deixe-o', para mascarar a repressão.
Doutrina de Segurança Nacional (DSN)
Ideologia militar elaborada na ESG que identificava qualquer oposição interna como inimigo comunista subversivo a abater.
SNI (Serviço Nacional de Informações)
Órgão central de espionagem e inteligência da ditadura, responsável por monitorar civis, servidores e movimentos sociais.
OBAN (Operação Bandeirante)
Centro clandestino de repressão e tortura financiado por empresários paulistas e operado por militares e policiais em SP.
DOI-CODI
Centros militares regionais encarregados de localizar, interrogar, torturar e eliminar militantes e opositores políticos.
Carlos Alberto Brilhante Ustra
Coronel do Exército que comandou o DOI-CODI de São Paulo entre 1970 e 1974, reconhecido pela Justiça como torturador.
ALN (Ação Libertadora Nacional)
Organização guerrilheira armada de esquerda liderada por Carlos Marighella para combater o regime militar.
Carlos Marighella
Ex-deputado e guerrilheiro comunista, fundador da ALN e autor do 'Minimanual do Guerrilheiro Urbano', morto em emboscada em 1969.
MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro)
Grupo de guerrilha armada conhecido pelo sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick em 1969.
Carlos Lamarca
Capitão do Exército que desertou para chefiar a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), morto no sertão da Bahia em 1971.
Guerrilha do Araguaia
Foco guerrilheiro rural organizado pelo PCdoB no sul do Pará entre 1972 e 1975, massacrado pelas Forças Armadas.
Operação Condor
Aliança clandestina entre ditaduras sul-americanas para monitorar, sequestrar e eliminar opositores políticos transnacionais.
Censura Prévia
Controle estatal imposto sobre jornais, televisão, rádio, música e teatro para barrar críticas políticas e morais.
Caso Vladimir Herzog (1975)
Jornalista assassinado sob tortura no DOI-CODI paulista; o regime forjou um suicídio, gerando indignação pública e comoção nacional.
Caso Manuel Fiel Filho (1976)
Operário metalúrgico morto sob tortura no DOI-CODI de São Paulo, evento que acelerou a contenção da linha-dura por Geisel.
Ernesto Geisel
Quarto presidente militar (1974-1979); iniciou o processo de abertura política classificado como 'lenta, gradual e segura'.
Distensão 'Lenta, Gradual e Segura'
Estratégia de Geisel para abrir o regime sem perder o controle estatal nem permitir revanches contra militares.
Pacote de Abril (1977)
Reformas autoritárias de Geisel para frear vitórias eleitorais do MDB, criando a figura dos senadores biônicos.
Senadores Biônicos
Senadores escolhidos por via indireta por colégios eleitorais para garantir maioria pró-governo no Congresso Nacional.
Fim do AI-5 (1978)
Extinção do decreto sob o governo Geisel, restabelecendo garantias constitucionais básicas como o habeas corpus.
João Figueiredo
Último presidente militar (1979-1985); sancionou a Lei da Anistia e concluiu a transição formal para a democracia civil.
Lei da Anistia (1979)
Permitiu o retorno de exilados políticos, mas também perdoou de forma controversa os crimes cometidos por torturadores estatais.
Reforma Partidária de 1979
Extinguiu o bipartidarismo (ARENA e MDB) para fragmentar a oposição, dando origem a siglas como PDS, PMDB, PT, PDT e PTB.
Crise da Dívida e Hiperinflação (década de 1980)
Esgotamento financeiro do modelo econômico militar após o choque do petróleo, levando a recessão, desemprego e inflação galopante.
Atentado do Riocentro (1981)
Ataque a bomba frustrado executado por militares da linha-dura durante show do Dia do Trabalhador para justificar nova repressão.
Greves do ABC Paulista (1978-1980)
Grandes mobilizações operárias que desafiaram a ditadura, lideradas por Luiz Inácio Lula da Silva, impulsionando a fundação do PT.
Emenda Dante de Oliveira (1984)
Proposta de emenda constitucional derrotada na Câmara que previa o retorno de eleições diretas para a presidência da República.
Campanha Diretas Já (1983-1984)
Movimento popular de massas que reuniu milhões de pessoas exigindo a volta do voto direto para presidente.
Eleição de Tancredo Neves (1985)
Vitória civil no Colégio Eleitoral que derrotou o candidato governista Paulo Maluf, encerrando 21 anos de ditadura militar.
Comissão Nacional da Verdade (CNV)
Comissão instaurada em 2011 para investigar violações graves de direitos humanos perpetradas pelo Estado entre 1946 e 1988.

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