Doença de Kawasaki: Clínica e Manejo
Estudo sobre a Doença de Kawasaki, abordando critérios diagnósticos, manifestações clínicas e manejo terapêutico para estudantes de medicina e residentes.
Cartões · 30
- O que é a Doença de Kawasaki?
- Vasculite sistêmica primária de médios e pequenos vasos, aguda e febril, que afeta predominantemente crianças menores de 5 anos.
- Qual é a principal complicação grave da Doença de Kawasaki?
- Aneurismas de artérias coronárias, que podem levar a infarto agudo do miocárdio ou morte súbita.
- Qual é o critério obrigatório para o diagnóstico de Kawasaki clássico?
- Febre alta por pelo menos 5 dias sem outra causa explicável.
- Quantos critérios clínicos secundários são necessários para o diagnóstico de Kawasaki completo?
- Pelo menos 4 dos 5 critérios clínicos principais, associados à febre por ≥ 5 dias.
- Quais são as alterações oculares no quadro clínico de Kawasaki?
- Conjuntivite bilateral não exsudativa (sem secreção purulenta), poupando o limbo corneal.
- Quais são as alterações orais típicas da Doença de Kawasaki?
- Lábios eritematosos e fissurados, língua em framboesa e hiperemia da mucosa orofaríngea.
- Qual é a alteração de linfonodo observada no critério diagnóstico de Kawasaki?
- Linfadenopatia cervical, geralmente unilateral, dolorosa e com diâmetro > 1,5 cm.
- Quais são as alterações em extremidades na fase aguda da Doença de Kawasaki?
- Eritema palmar e plantar, e edema duro de mãos e pés.
- Qual alteração em extremidades ocorre na fase subaguda de Kawasaki?
- Descamação ungueal e periungueal (em lamelas ou bainha de dedo) das mãos e pés.
- Como é o exantema característico da Doença de Kawasaki?
- Exantema polimorfo (maculopapular, escarlatiniforme ou eritema multiforme), não vesicular.
- O que caracteriza a Doença de Kawasaki Incompleta (ou Atípica)?
- Febre ≥ 5 dias acompanhada de 2 ou 3 critérios clínicos, com confirmação por exames laboratoriais e/ou ecocardiograma.
- Qual exame de imagem é fundamental para rastreio de complicações cardíacas?
- Ecocardiograma transtorácico, realizado no diagnóstico, em 1-2 semanas e 6-8 semanas.
- Quais alterações laboratoriais inflamatórias são encontradas na fase aguda?
- Elevação expressiva do VHS (velocidade de hemossedimentação) e da PCR (proteína C reativa).
- O que ocorre com a contagem de plaquetas na fase subaguda de Kawasaki?
- Trombocitose acentuada (frequentemente > 450.000 a 1.000.000/mm³), atingindo o pico na 2ª e 3ª semanas.
- Qual é o tratamento de primeira linha recomendado na fase aguda da Doença de Kawasaki?
- Imunoglobulina Humana Intravenosa (IVIG) em dose única associada ao Ácido Acetilsalicílico (AAS).
- Qual é a dose padrão da Imunoglobulina IV (IVIG) na fase aguda?
- Dose única de 2 g/kg administrada por infusão contínua em 10 a 12 horas.
- Até quando deve ser iniciada a Imunoglobulina para máxima eficácia preventiva?
- Idealmente nos primeiros 10 dias de febre (de preferência antes do 7º dia) para prevenir aneurismas coronarianos.
- Qual é a conduta no manejo de Kawasaki resistente à primeira dose de IVIG?
- Repetição da dose de IVIG (2 g/kg) ou pulsoterapia com corticosteroide (ex: metilprednisolona).
- Como é posicionado o uso do AAS durante a fase febril e pós-febril?
- Alta dose (anti-inflamatória) durante a febre, reduzindo para baixa dose (antiagregante) por 6 a 8 semanas.
- Por quanto tempo deve ser mantido o AAS em dose antiagregante em crianças sem lesão coronariana?
- Por 6 a 8 semanas após o início da doença, até a normalização dos exames de imagem e marcadores inflamatórios.
- Qual é a recomendação para vacinas de vírus vivos (ex: Tríplice Viral e Varicela) após infusão de IVIG?
- Adiar a vacinação por 11 meses devido à interferência da imunoglobulina na resposta imune.
- Qual o principal achado de eritema em cicatriz prévia na Doença de Kawasaki?
- Reativação ou eritema e induração no local da vacina BCG.
- Quais são as três fases clínicas clássicas da Doença de Kawasaki?
- Fase Aguda (dias 1-11), Fase Subaguda (dias 11-30) e Fase de Convalescença (após dia 30).
- Qual é a principal faixa etária de acometimento da Doença de Kawasaki?
- Crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, com pico de incidência em torno de 2 anos.
- O que define a febre refratária na Doença de Kawasaki?
- Persistência ou recorrência da febre 36 horas após o término da primeira infusão de IVIG.
- Quais manifestações gastrointestinais podem estar presentes no quadro clínico?
- Dor abdominal, vômitos, diarreia, disfunção hepática (icterícia) e hidropsia vesicular.
- Qual alteração do sedimento urinário pode ser vista em pacientes com Kawasaki?
- Piúria estéril (leucocitúria sem bacteriúria na urina de jato médio).
- Quais achados do líquido cefalorraquidiano (LCR) podem surgir no Kawasaki?
- Meningite asséptica com pleocitose mononuclear e glicose/proteínas normais.
- Quais fármacos biológicos podem ser usados na Kawasaki refratária grave?
- Infliximabe (anti-TNF alfa) ou Anakinra (antagonista do receptor de IL-1).
- Qual é o risco de complicação ao usar AAS em crianças durante infecções virais (gripe/varicela)?
- Desenvolvimento da Síndrome de Reye; deve-se monitorar e substituir por outro antiagregante se houver infecção.