Farmacologia: Farmacodinâmica e Farmacocinética
Estudo dos conceitos fundamentais de farmacologia, abrangendo farmacodinâmica, farmacocinética e processos ADME. Destinado a estudantes de medicina e saúde.
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- Farmacologia
- Estudo das interações entre compostos químicos e sistemas biológicos, abrangendo propriedades, efeitos e mecanismos de ação.
- Farmacocinética
- Estudo do destino do fármaco no organismo ao longo do tempo: absorção, distribuição, metabolismo e excreção (ADME).
- Farmacodinâmica
- Estudo dos efeitos bioquímicos e fisiológicos dos fármacos e seus respectivos mecanismos de ação nos tecidos.
- Fármaco
- Substância química de estrutura conhecida com ação biológica definida, usada com finalidade diagnóstica, preventiva ou terapêutica.
- Medicamento
- Produto farmacêutico tecnicamente elaborado contendo um ou mais fármacos associados a excipientes para uso clínico.
- Pró-fármaco
- Composto inativo que requer biotransformação enzimática ou química in vivo para se converter no metabólito terapeuticamente ativo.
- Absorção
- Passagem do fármaco do seu local de administração para a corrente sanguínea sistêmica.
- Biodisponibilidade (F)
- Fração da dose administrada que atinge a circulação sistêmica de forma inalterada e a velocidade na qual isso ocorre.
- Efeito de primeira passagem
- Metabolização pré-sistêmica do fármaco no fígado ou intestino antes de atingir a circulação sanguínea geral.
- Via intravenosa
- Via parenteral de absorção imediata com biodisponibilidade de 100%, sem efeito de primeira passagem hepático.
- Distribuição
- Dispersão reversível do fármaco do compartimento intravascular para os tecidos e fluidos intersticiais.
- Volume aparente de distribuição (Vd)
- Volume teórico de fluido necessário para conter a quantidade total do fármaco na mesma concentração observada no plasma.
- Ligação a proteínas plasmáticas
- Interação de fármacos com albumina ou alfa-1-glicoproteína ácida; apenas a fração livre exerce efeito e é eliminada.
- Barreira hematoencefálica
- Barreira endotelial com junções oclusivas densas que restringe a passagem de substâncias polares para o sistema nervoso central.
- Metabolismo (Biotransformação)
- Conversão enzimática do fármaco em metabólitos mais hidrossolúveis para facilitar a excreção corporal.
- Reações de Fase I
- Modificações funcionais (oxidação, redução, hidrólise) que expõem ou inserem grupos polares, frequentemente mediadas pelo CYP450.
- Reações de Fase II
- Reações de conjugação (ex.: glicuronidação, sulfatação) que ligam moléculas endógenas polares ao fármaco ou metabólito de Fase I.
- Citocromo P450 (CYP450)
- Superfamília de enzimas microssomais hepáticas responsáveis pela maior parte das oxidações metabólicas de xenobióticos.
- Indução enzimática
- Aumento da síntese ou atividade de enzimas metabolizadoras por um fármaco, reduzindo a concentração plasmática de substratos.
- Inibição enzimática
- Bloqueio da atividade catalítica de enzimas por um fármaco, aumentando a concentração e o risco de toxicidade de outros agentes.
- Excreção
- Processo pelo qual fármacos inalterados ou seus metabólitos são removidos definitivamente do organismo.
- Filtração glomerular
- Passagem de fármacos livres do plasma para o lúmen dos túbulos renais através dos poros dos capilares glomerulares.
- Reabsorção tubular passiva
- Retorno de fármacos lipossolúveis e não ionizados do filtrado tubular renal de volta para o sangue capilar peritubular.
- Secreção tubular ativa
- Transporte ativo mediado por carreadores que bombeia fármacos do sangue peritubular para a luz dos túbulos renais.
- Depuração (Clearance)
- Volume de plasma completamente depurado de determinado fármaco por unidade de tempo por todos os órgãos de eliminação.
- Meia-vida de eliminação (t1/2)
- Tempo necessário para que a concentração plasmática de um fármaco seja reduzida à metade.
- Cinética de primeira ordem
- Velocidade de eliminação proporcional à concentração do fármaco; fração constante eliminada por unidade de tempo.
- Cinética de ordem zero
- Velocidade de eliminação constante independente da concentração plasmática, por saturação das vias metabólicas.
- Estado de equilíbrio (Steady-state)
- Condição em que a taxa de administração do fármaco se iguala à sua taxa de eliminação, atingida após cerca de 4 a 5 meias-vidas.
- Dose de ataque
- Dose inicial mais elevada administrada com o objetivo de atingir rapidamente a concentração plasmática terapêutica desejada.
- Dose de manutenção
- Dose administrada em intervalos regulares para repor o fármaco eliminado e manter o nível terapêutico estável.
- Área sob a curva (AUC)
- Medida gráfica da exposição corporal total ao fármaco ao longo do tempo após a administração.
- Receptor farmacológico
- Macromolécula celular à qual um fármaco se liga seletivamente para iniciar uma cascata de eventos bioquímicos intracelulares.
- Afinidade
- Capacidade de um ligante químico seletivo de se associar e ligar fisicamente ao seu receptor específico.
- Eficácia (Atividade intrínseca)
- Capacidade do complexo fármaco-receptor de gerar uma resposta biológica mensurável após a ligação.
- Potência
- Medida da quantidade ou dose de fármaco necessária para produzir um efeito de determinada intensidade, indicada pela CE50.
- Concentração eficaz 50 (CE50)
- Concentração de fármaco necessária para produzir 50% de seu efeito biológico máximo mensurável.
- Agonista total
- Substância que se liga ao receptor e é capaz de deflagrar a resposta tecidual máxima desse sistema.
- Agonista parcial
- Substância que ativa o receptor mas não consegue atingir a resposta máxima do sistema, mesmo em saturação.
- Agonista inverso
- Composto que se liga a receptores constitutivamente ativos e reduz a sua atividade basal espontânea.
- Antagonista competitivo
- Agente que disputa reversivelmente o mesmo sítio de ligação do receptor, deslocando a curva de dose-resposta para a direita.
- Antagonista não competitivo
- Agente que se liga a sítios alostéricos ou irreversivelmente ao sítio ortostérico, diminuindo o efeito máximo do agonista.
- Antagonismo funcional (fisiológico)
- Inibição de uma resposta decorrente de ações opostas mediadas por receptores farmacológicos distintos.
- Janela terapêutica
- Intervalo entre a concentração plasmática mínima eficaz e a concentração mínima tóxica de um fármaco.
- Índice terapêutico (IT)
- Razão entre a dose tóxica mediana (DT50) e a dose eficaz mediana (DE50); quanto maior, mais seguro é o fármaco.
- Dessensibilização (Taquifilaxia)
- Redução rápida e progressiva da intensidade de resposta a um fármaco após administração repetida e contínua.
- Tolerância farmacológica
- Necessidade de aumentar progressivamente a dose de um fármaco para alcançar a mesma magnitude de resposta clínica inicial.
- Regulação para baixo (Down-regulation)
- Diminuição do número total de receptores funcionais na superfície celular decorrente de estimulação agonista contínua.
- Regulação para cima (Up-regulation)
- Aumento do número total de receptores celulares em resposta a bloqueio contínuo por antagonistas ou privação de ligante.
- Receptores acoplados à proteína G (GPCR)
- Receptores metabotrópicos com sete domínios transmembrana que ativam segundos mensageiros intracelulares via proteínas G.
- Canais iônicos dependentes de ligante
- Receptores ionotrópicos transmembrana que se abrem diretamente após ligação de ligantes químicos, promovendo fluxo iônico rápido.
- Receptores catalíticos (tirosina-quinase)
- Receptores transmembrana cuja porção citoplasmática possui atividade enzimática ativada por fosforilação de resíduos tirosina.
- Receptores nucleares
- Receptores intracelulares que funcionam como fatores de transcrição ativados por ligantes lipossolúveis para modular a expressão gênica.
- Efeito colateral
- Efeito farmacológico não intencional e inevitável decorrente do próprio mecanismo de ação do fármaco em doses terapêuticas.
- Reação adversa a medicamento (RAM)
- Qualquer resposta nociva e involuntária que ocorre em doses normalmente utilizadas em humanos para profilaxia, diagnóstico ou terapia.