Fenômenos Cadavéricos

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Estudo dos fenômenos cadavéricos e características médico-legais para estudantes de medicina e profissionais da área forense.

50 cartões Português Nível: Ensino superior Patologia e doenças Publicado
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Fenômenos cadavéricos abióticos
Modificações decorrentes da cessação das funções vitais, subdividindo-se em imediatos e mediatos.
Fenômenos abióticos imediatos
Sinais precoces que não provam a morte de forma isolada, como perda da consciência e parada cardiorrespiratória.
Perda da consciência
Fenômeno abiótico imediato caracterizado pela cessação das funções cerebrais superiores.
Imobilidade cadavérica
Ausência completa de motricidade e tônus voluntário decorrente da morte encefálica.
Abolição dos reflexos
Extinção dos reflexos sensitivos e motores, incluindo reflexos pupilar e corneal.
Parada respiratória
Cessação permanente dos movimentos ventilatórios pulmonares.
Parada circulatória
Ausência definitiva de pulso e batimentos cardíacos auscultáveis por mais de 5 a 10 minutos.
Fenômenos abióticos mediatos (consecutivos)
Sinais de certeza da morte que surgem horas após o óbito, como algor, livor, rigor e desidratação.
Algor mortis (esfriamento cadavérico)
Perda progressiva de calor até a equalização com a temperatura ambiente, média de 1 a 1,5 °C por hora após as primeiras horas.
Fórmula de Moritz
Cálculo aproximado do tempo de morte baseado na perda gradual da temperatura corporal retal.
Desidratação cadavérica
Perda contínua de água por evaporação, resultando em perda de peso, dessecação cutânea e alterações oculares.
Sinal de Stenon-Louis
Perda do brilho e transparência corneal com enrugamento da esclera, evidente precocemente em olhos abertos.
Sinal de Sommer e Larcher
Mancha negra na esclerótica cadavérica resultante da dessecação ocular e acúmulo de poeira.
Pergaminhamento cutâneo
Dessecação de áreas escoriadas ou de pele fina, formando placas pardas endurecidas semelhantes a pergaminho.
Livor mortis (hipóstase cadavérica)
Manchas avermelhadas ou violáceas causadas pela estase e decantação gravimétrica do sangue nas partes pendentes.
Fixação dos livores
Período (geralmente entre 8 a 12 horas) a partir do qual os livores não mudam mais de posição se o corpo for movido.
Livores em intoxicação por monóxido de carbono
Apresentam coloração vermelho-cereja característica devido à carboxi-hemoglobina.
Livores em intoxicação por cianeto
Apresentam coloração vermelho-clara ou rósea brilhante.
Rigor mortis (rigidez cadavérica)
Endurecimento muscular pós-morte decorrente da depleção de ATP e fixação dos complexos actina-miosina.
Lei de Nysten
Progressão craniocaudal da rigidez cadavérica: mandíbula, nuca, membros superiores, tronco e membros inferiores.
Cronologia típica da rigidez cadavérica
Início em 1 a 2 horas, generalização em cerca de 8 a 12 horas, desfazendo-se com o início da putrefação (24-36h).
Espasmo cadavérico (sinal de Taylor)
Fixação muscular instantânea na postura exata da morte, sem fase prévia de relaxamento muscular.
Fenômenos transformativos
Modificações estruturais do cadáver divididas em destrutivos e conservadores.
Autólise cadavérica
Processo destrutivo asséptico causado pela autodigestão celular por enzimas intracelulares liberadas.
Putrefação cadavérica
Decomposição da matéria orgânica por ação de bactérias e microrganismos anaeróbios e aeróbios.
Período de coloração (putrefação)
Primeira fase da putrefação, iniciada tipicamente com a mancha verde abdominal na fossa ilíaca direita.
Mancha verde abdominal
Coloração esverdeada decorrente da produção de sulfometa-hemoglobina por bactérias intestinais cecais.
Período gasoso (putrefação)
Fase em que a intensa proliferação bacteriana gera gases, provocando inchaço e deformação do cadáver.
Fácies de gárgula
Deformação facial pronunciada com protrusão dos olhos e da língua no período gasoso.
Posição de lutador
Atitude cadavérica de semiflexão dos membros causada pela pressão gasosa interna e retração tecidual.
Circulação póstuma de Brouardel
Rede vascular superficial desenhada na pele pela pressão gasosa que empurra o sangue nos vasos.
Flictenas putrefativas
Bolhas com líquido sanguinolento e gás formadas pelo descolamento dermoepidérmico na putrefação.
Período coliquativo
Fase de liquefação dos tecidos moles pela ação combinada de bactérias e fauna necrófaga.
Período de esqueletização
Fase final da decomposição em que restam apenas ossos, cartilagens e dentes desprovidos de partes moles.
Entomologia forense
Estudo dos insetos e artrópodes que colonizam o cadáver para estimar o intervalo pós-morte (IPM).
Fauna cadavérica (esquadrões da morte de Mégnin)
Sucessão ecológica ordenada de espécies de insetos atraídas em cada fase da decomposição cadavérica.
Maceracão
Fenômeno destrutivo em meio líquido estéril (feto morto intrauterino) ou séptico, com amolecimento tecidual.
Sinal de Spalding
Cavalgamento dos ossos da calota craniana fetal decorrente da maceração intrauterina.
Mumificação
Fenômeno transformativo conservador induzido por ambiente seco, quente e bem ventilado, desidratando o corpo rapidamente.
Aspecto mumificado
Pele escura, seca e endurecida com retenção das feições faciais e acentuada perda de peso.
Saponificação (adipocera)
Transformação conservadora em que a gordura corporal vira substância cerosa e untuosa em meio úmido e pouco aerado.
Adipocera
Substância esbranquiçada ou amarelada com consistência de queijo ou sabão formada pela hidrólise de lipídios.
Corificação
Fenômeno conservador típico de corpos sepultados em urnas herméticas de metal (zinco ou chumbo).
Aspecto corificado
Pele acinzentada, elástica e resistente, com consistência e tato semelhantes a couro curtido.
Calcificação cadavérica
Fenômeno conservador raro de petrificação cadavérica por deposição de sais de cálcio, como no litopédio.
Litopédio
Feto calcificado que permaneceu retido na cavidade abdominal após morte em gestação ectópica.
Congelação cadavérica
Conservação natural ou artificial de tecidos por temperaturas abaixo de 0 °C que paralisam a putrefação.
Intervalo pós-morte (IPM)
Estimativa temporal decorrida entre o momento do óbito e o exame pericial do cadáver.
Tanatognose
Diagnóstico do estado e da certeza de morte por meio da verificação pericial dos fenômenos cadavéricos.
Cronotanatognose
Determinação pericial da época ou data provável em que a morte ocorreu com base nas fases cadavéricas.

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