Fenômenos Cadavéricos
Estudo dos fenômenos cadavéricos e características médico-legais para estudantes de medicina e profissionais da área forense.
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- Fenômenos cadavéricos abióticos
- Modificações decorrentes da cessação das funções vitais, subdividindo-se em imediatos e mediatos.
- Fenômenos abióticos imediatos
- Sinais precoces que não provam a morte de forma isolada, como perda da consciência e parada cardiorrespiratória.
- Perda da consciência
- Fenômeno abiótico imediato caracterizado pela cessação das funções cerebrais superiores.
- Imobilidade cadavérica
- Ausência completa de motricidade e tônus voluntário decorrente da morte encefálica.
- Abolição dos reflexos
- Extinção dos reflexos sensitivos e motores, incluindo reflexos pupilar e corneal.
- Parada respiratória
- Cessação permanente dos movimentos ventilatórios pulmonares.
- Parada circulatória
- Ausência definitiva de pulso e batimentos cardíacos auscultáveis por mais de 5 a 10 minutos.
- Fenômenos abióticos mediatos (consecutivos)
- Sinais de certeza da morte que surgem horas após o óbito, como algor, livor, rigor e desidratação.
- Algor mortis (esfriamento cadavérico)
- Perda progressiva de calor até a equalização com a temperatura ambiente, média de 1 a 1,5 °C por hora após as primeiras horas.
- Fórmula de Moritz
- Cálculo aproximado do tempo de morte baseado na perda gradual da temperatura corporal retal.
- Desidratação cadavérica
- Perda contínua de água por evaporação, resultando em perda de peso, dessecação cutânea e alterações oculares.
- Sinal de Stenon-Louis
- Perda do brilho e transparência corneal com enrugamento da esclera, evidente precocemente em olhos abertos.
- Sinal de Sommer e Larcher
- Mancha negra na esclerótica cadavérica resultante da dessecação ocular e acúmulo de poeira.
- Pergaminhamento cutâneo
- Dessecação de áreas escoriadas ou de pele fina, formando placas pardas endurecidas semelhantes a pergaminho.
- Livor mortis (hipóstase cadavérica)
- Manchas avermelhadas ou violáceas causadas pela estase e decantação gravimétrica do sangue nas partes pendentes.
- Fixação dos livores
- Período (geralmente entre 8 a 12 horas) a partir do qual os livores não mudam mais de posição se o corpo for movido.
- Livores em intoxicação por monóxido de carbono
- Apresentam coloração vermelho-cereja característica devido à carboxi-hemoglobina.
- Livores em intoxicação por cianeto
- Apresentam coloração vermelho-clara ou rósea brilhante.
- Rigor mortis (rigidez cadavérica)
- Endurecimento muscular pós-morte decorrente da depleção de ATP e fixação dos complexos actina-miosina.
- Lei de Nysten
- Progressão craniocaudal da rigidez cadavérica: mandíbula, nuca, membros superiores, tronco e membros inferiores.
- Cronologia típica da rigidez cadavérica
- Início em 1 a 2 horas, generalização em cerca de 8 a 12 horas, desfazendo-se com o início da putrefação (24-36h).
- Espasmo cadavérico (sinal de Taylor)
- Fixação muscular instantânea na postura exata da morte, sem fase prévia de relaxamento muscular.
- Fenômenos transformativos
- Modificações estruturais do cadáver divididas em destrutivos e conservadores.
- Autólise cadavérica
- Processo destrutivo asséptico causado pela autodigestão celular por enzimas intracelulares liberadas.
- Putrefação cadavérica
- Decomposição da matéria orgânica por ação de bactérias e microrganismos anaeróbios e aeróbios.
- Período de coloração (putrefação)
- Primeira fase da putrefação, iniciada tipicamente com a mancha verde abdominal na fossa ilíaca direita.
- Mancha verde abdominal
- Coloração esverdeada decorrente da produção de sulfometa-hemoglobina por bactérias intestinais cecais.
- Período gasoso (putrefação)
- Fase em que a intensa proliferação bacteriana gera gases, provocando inchaço e deformação do cadáver.
- Fácies de gárgula
- Deformação facial pronunciada com protrusão dos olhos e da língua no período gasoso.
- Posição de lutador
- Atitude cadavérica de semiflexão dos membros causada pela pressão gasosa interna e retração tecidual.
- Circulação póstuma de Brouardel
- Rede vascular superficial desenhada na pele pela pressão gasosa que empurra o sangue nos vasos.
- Flictenas putrefativas
- Bolhas com líquido sanguinolento e gás formadas pelo descolamento dermoepidérmico na putrefação.
- Período coliquativo
- Fase de liquefação dos tecidos moles pela ação combinada de bactérias e fauna necrófaga.
- Período de esqueletização
- Fase final da decomposição em que restam apenas ossos, cartilagens e dentes desprovidos de partes moles.
- Entomologia forense
- Estudo dos insetos e artrópodes que colonizam o cadáver para estimar o intervalo pós-morte (IPM).
- Fauna cadavérica (esquadrões da morte de Mégnin)
- Sucessão ecológica ordenada de espécies de insetos atraídas em cada fase da decomposição cadavérica.
- Maceracão
- Fenômeno destrutivo em meio líquido estéril (feto morto intrauterino) ou séptico, com amolecimento tecidual.
- Sinal de Spalding
- Cavalgamento dos ossos da calota craniana fetal decorrente da maceração intrauterina.
- Mumificação
- Fenômeno transformativo conservador induzido por ambiente seco, quente e bem ventilado, desidratando o corpo rapidamente.
- Aspecto mumificado
- Pele escura, seca e endurecida com retenção das feições faciais e acentuada perda de peso.
- Saponificação (adipocera)
- Transformação conservadora em que a gordura corporal vira substância cerosa e untuosa em meio úmido e pouco aerado.
- Adipocera
- Substância esbranquiçada ou amarelada com consistência de queijo ou sabão formada pela hidrólise de lipídios.
- Corificação
- Fenômeno conservador típico de corpos sepultados em urnas herméticas de metal (zinco ou chumbo).
- Aspecto corificado
- Pele acinzentada, elástica e resistente, com consistência e tato semelhantes a couro curtido.
- Calcificação cadavérica
- Fenômeno conservador raro de petrificação cadavérica por deposição de sais de cálcio, como no litopédio.
- Litopédio
- Feto calcificado que permaneceu retido na cavidade abdominal após morte em gestação ectópica.
- Congelação cadavérica
- Conservação natural ou artificial de tecidos por temperaturas abaixo de 0 °C que paralisam a putrefação.
- Intervalo pós-morte (IPM)
- Estimativa temporal decorrida entre o momento do óbito e o exame pericial do cadáver.
- Tanatognose
- Diagnóstico do estado e da certeza de morte por meio da verificação pericial dos fenômenos cadavéricos.
- Cronotanatognose
- Determinação pericial da época ou data provável em que a morte ocorreu com base nas fases cadavéricas.