Fibrilação Ventricular (FV)
Este conjunto aborda os conceitos clínicos e eletrocardiográficos da fibrilação ventricular para estudantes e profissionais de medicina.
Cartões · 50
- O que é Fibrilação Ventricular (FV)?
- É uma arritmia cardíaca grave com atividade elétrica ventricular caótica e desorganizada, impedindo a contração mecânica eficaz.
- Qual a relevância da FV na parada cardiorrespiratória (PCR) extra-hospitalar?
- É o ritmo inicial mais frequentemente encontrado nos primeiros minutos de uma PCR em ambiente extra-hospitalar.
- Como os ventrículos se comportam mecanicamente durante a FV?
- Eles tremem ou fibrilam de forma desorganizada e assincrônica, resultando em ausência total de débito cardíaco.
- Qual é a repercussão hemodinâmica imediata da FV?
- Colapso circulatório imediato, perda da pressão arterial e ausência de pulso palpável em grandes artérias.
- Qual o estado clínico da consciência de um paciente em FV?
- Inconsciência súbita poucos segundos após o início da arritmia por cessação do fluxo sanguíneo cerebral.
- Como é a linha de base no ECG na Fibrilação Ventricular?
- A linha de base é completamente caótica, irregular e ondulatória, sem qualquer estabilidade elétrica.
- Existem ondas P identificáveis no ECG de uma FV?
- Não, as ondas P estão completamente ausentes ou soterradas na atividade elétrica ventricular caótica.
- Como se apresentam os complexos QRS no traçado da FV?
- Não há complexos QRS estruturados ou identificáveis; observam-se apenas deflexões bizarras e de formatos variados.
- É possível identificar ondas T na Fibrilação Ventricular?
- Não, a repolarização organizada cessa, impossibilitando a visualização de ondas T isoladas.
- Qual é a frequência elétrica estimada das oscilações na FV?
- Geralmente varia entre 300 e 500 oscilações irregulares por minuto no traçado elétrico.
- O que caracteriza a Fibrilação Ventricular grosseira (coarse VF)?
- Ondulações caóticas de maior amplitude (geralmente acima de 3 mm), típicas do início da parada cardíaca.
- O que caracteriza a Fibrilação Ventricular fina (fine VF)?
- Ondulações de baixa amplitude (menores que 2 a 3 mm), sugerindo maior tempo de isquemia miocárdica.
- Por que a FV fina pode ser confundida com a assistolia?
- Porque a baixa voltagem das ondas na FV fina pode assemelhar-se visualmente a uma linha isoelétrica reta.
- Como diferenciar a FV fina de uma assistolia no monitor?
- Checando cabos, aumentando o ganho do ECG (tamanho) e trocando a derivação visualizada.
- Qual é o principal tratamento curativo imediato para FV?
- A desfibrilação elétrica imediata com choque não sincronizado.
- Por que o choque deve ser não sincronizado na FV?
- Porque não existem complexos QRS reconhecíveis para o desfibrilador sincronizar a entrega da energia.
- O que a desfibrilação elétrica faz com o miocárdio em FV?
- Despolariza grande massa de miócitos simultaneamente, permitindo que o marcapasso fisiológico retome o comando.
- Qual o impacto do tempo até a desfibrilação na sobrevida da FV?
- A cada minuto sem desfibrilação e RCP, a chance de sobrevivência diminui em cerca de 7% a 10%.
- Qual ritmo costuma suceder uma FV não tratada?
- A FV evolui de grosseira para fina e, finalmente, degenera em assistolia devido à depleção de ATP celular.
- A FV é classificada como um ritmo chocável ou não chocável?
- É um ritmo chocável, juntamente com a Taquicardia Ventricular sem pulso (TVSP).
- Qual a principal causa isquêmica subjacente à FV em adultos?
- A síndrome coronariana aguda (infarto agudo do miocárdio com oclusão coronária).
- Qual o papel das compressões torácicas contínuas na FV?
- Manter perfusão coronária e cerebral e preservar ATP miocárdico até que a desfibrilação esteja disponível.
- Como é a amplitude das ondas da FV ao longo do tempo de parada?
- A amplitude diminui progressivamente com a privação de oxigênio e energia nas células miocárdicas.
- Qual a diferença morfológica fundamental entre TV monomórfica e FV?
- A TV monomórfica tem complexos QRS regulares e idênticos; a FV apresenta oscilações inteiramente aleatórias.
- Qual a diferença fisiopatológica entre fibrilação atrial e ventricular?
- A fibrilação atrial mantém o débito ventricular; a fibrilação ventricular zera o débito e causa parada súbita.
- Quais distúrbios eletrolíticos agudos podem precipitar FV?
- Hipocalemia, hipercalemia grave e hipomagnesemia profunda.
- O que é o fenômeno R-sobre-T como gatilho de FV?
- Extrassístole ventricular que cai durante a fase vulnerável da repolarização ventricular (onda T anterior).
- Qual fármaco antiarrítmico de primeira linha é usado em FV refratária?
- Amiodarona (com lidocaína como alternativa aceita nas diretrizes de suporte avançado de vida).
- Qual vasopressor de escolha é administrado durante a PCR por FV?
- Epinefrina (adrenalina), administrada a cada 3 a 5 minutos após o segundo choque.
- O que significa 'FV primária' no infarto agudo do miocárdio?
- FV que ocorre nas primeiras horas de um infarto sem choque cardiogênico ou insuficiência cardíaca prévia.
- O que significa 'FV secundária' no infarto agudo do miocárdio?
- FV decorrente de falência mecânica grave, como edema agudo de pulmão ou choque cardiogênico.
- Qual o dispositivo de uso público crucial para tratar FV precocemente?
- O Desfibrilador Externo Automático (DEA).
- Como o DEA diagnostica e maneja a Fibrilação Ventricular?
- Analisa o sinal elétrico, detecta a arritmia caótica e instrui o socorrista a aplicar o choque indicado.
- Qual a energia inicial típica para choque bifásico em FV?
- Geralmente 120 a 200 Joules, dependendo das especificações do fabricante do aparelho bifásico.
- O que deve ser feito imediatamente após a entrega do choque na FV?
- Reiniciar imediatamente as compressões torácicas por 2 minutos antes de checar o ritmo novamente.
- Por que não checar o pulso imediatamente após o choque na FV?
- Porque o miocárdio precisa de tempo para restaurar tônus e débito, e pausas na RCP pioram o desfecho.
- O que é FV refratária?
- Fibrilação ventricular persistente após 3 ou mais choques consecutivos associados a fármacos e RCP de qualidade.
- Qual canal iônico desestabilizado está frequentemente na origem da FV?
- Alterações rápidas nos canais de sódio, potássio ou cálcio desestabilizam o potencial de ação ventricular.
- O que é o 'Commotio Cordis'?
- Indução súbita de FV por um impacto contuso direto na parede torácica durante o período vulnerável da onda T.
- Qual condição genética associada a risco de FV em jovens tem supradesnivelamento de ST em V1-V3?
- Síndrome de Brugada.
- Qual canalopatia associada a síncope e FV é precipitada por esforço ou estresse?
- Síndrome do QT Longo congênita.
- O que acontece com o consumo de oxigênio pelo miocárdio durante a FV?
- Permanece extremamente elevado no início devido à alta taxa de ativações elétricas desordenadas.
- Qual o significado da perda rápida de amplitude das ondas de FV?
- Indica falência metabólica intracelular, queda de adenosina trifosfato e menor chance de reversão.
- Qual o papel do sulfato de magnésio na PCR por arritmia ventricular?
- Indicado especificamente quando a arritmia degenerativa decorre de Torsades de Pointes com QT longo.
- Qual dispositivo implantável é indicado na prevenção secundária de FV?
- Cardioversor Desfibrilador Implantável (CDI).
- Por que a FV é descrita como ausência de sístole e diástole mecânicas?
- Sem contração sincrônica, as fibras se movem em direções opostas sem gerar pressão para ejeção ou enchimento.
- O que é o 'período vulnerável' do ciclo cardíaco?
- Fase durante a ascensão ou pico da onda T em que a dispersão da refratariedade miocárdica facilita a FV.
- Em FV, qual é o padrão dos intervalos RR?
- Inexistente, pois não há ondas R mensuráveis no traçado eletrocardiográfico.
- Qual a taxa de compressão torácica recomendada durante a RCP por FV?
- 100 a 120 compressões por minuto com profundidade de 5 a 6 cm no tórax de adultos.
- O que caracteriza a tempestade elétrica em pacientes com CDI?
- Três ou mais episódios distintos de FV ou TV sustentada em um intervalo de 24 horas.