Gravidez Ectópica
Este conjunto de flashcards aborda a definição, o diagnóstico e o manejo médico e cirúrgico da gravidez ectópica. É ideal para estudantes de medicina e profissionais de saúde.
Cartões · 52
- Definição de gravidez ectópica
- Implantação e desenvolvimento do blastocisto fora da cavidade endometrial uterina.
- Localização mais frequente de gravidez ectópica
- Tuba uterina, correspondendo a mais de 95% dos casos, principalmente na porção ampular.
- Tríade clínica clássica da gravidez ectópica
- Dor abdominal ou pélvica, amenorreia (atraso menstrual) e sangramento vaginal anormal.
- Exames iniciais obrigatórios na suspeita
- Dosagem quantitativa de beta-hCG sérico e ultrassonografia transvaginal.
- Zona discriminatória do beta-hCG na ultrassonografia
- Nível sérico de beta-hCG (1500-2000 mUI/mL) acima do qual um saco gestacional intrauterino deve ser visível.
- Três modalidades gerais de manejo
- Conduta expectante, tratamento medicamentoso (clínico) e tratamento cirúrgico.
- Critérios para conduta expectante
- Paciente assintomática e estável, massa tubária menor que 3 cm sem BCF e beta-hCG em declínio inicial abaixo de 1000 mUI/mL.
- Seguimento na conduta expectante
- Monitoramento semanal do beta-hCG sérico até negativação completa dos títulos.
- Principal indicação de tratamento medicamentoso
- Paciente hemodinamicamente estável com ectópica íntegra e desejo de preservação da fertilidade.
- Fármaco de escolha no tratamento clínico
- Metotrexato (MTX), um antagonista do ácido fólico que inibe a proliferação celular trofoblástica.
- Mecanismo de ação do metotrexato
- Inibição competitiva da di-hidrofolato redutase, impedindo a síntese de DNA nas células trofoblásticas em rápida divisão.
- Critérios ideais para uso de metotrexato
- Estabilidade hemodinâmica, saco gestacional menor que 3,5 a 4 cm, ausência de BCF e beta-hCG menor que 5000 mUI/mL.
- Contraindicações absolutas ao metotrexato
- Instabilidade hemodinâmica, rotura tubária, amamentação, imunodeficiência, discrasias sanguíneas e disfunção hepática ou renal.
- Contraindicação relativa importante ao MTX
- Presença de atividade cardíaca embrionária (BCF presente) e beta-hCG sérico inicial acima de 5000 mUI/mL.
- Exames prévios ao início do metotrexato
- Hemograma completo, tipagem sanguínea com fator Rh, enzimas hepáticas (TGO/TGP) e creatinina sérica.
- Esquema de dose única de metotrexato
- Aplicação intramuscular de metotrexato na dose de 50 mg/m² de superfície corporal no Dia 1.
- Protocolo de acompanhamento da dose única de MTX
- Dosar beta-hCG nos Dias 1, 4 e 7 pós-administração.
- Critério de sucesso da dose única de MTX no Dia 7
- Queda de pelo menos 15% nos níveis de beta-hCG sérico entre o Dia 4 e o Dia 7.
- Conduta se o beta-hCG não cair 15% entre D4 e D7
- Administrar uma segunda dose de metotrexato (50 mg/m²) ou optar por abordagem cirúrgica.
- Seguimento após queda satisfatória no D7
- Dosagens semanais de beta-hCG sérico até que atinja valores negativos (menores que 5 mUI/mL).
- Esquema de múltiplas doses de metotrexato
- Alternância de MTX 1 mg/kg nos Dias 1, 3, 5 e 7 com ácido folínico (leucovorina) 0,1 mg/kg nos Dias 2, 4, 6 e 8.
- Papel do ácido folínico no protocolo de múltiplas doses
- Resgatar células normais da toxicidade do metotrexato, reduzindo efeitos adversos hematológicos e gastrointestinais.
- Efeito paradoxal comum pós-metotrexato
- Dor abdominal leve a moderada de separação tecidual entre o 3º e o 7º dia pós-aplicação.
- Diferenciação da dor de separação versus rotura
- Dor de separação ocorre com estabilidade hemodinâmica; dor por rotura evolui com choque, peritonite ou síncope.
- Recomendações comportamentais durante o uso de MTX
- Evitar suplementos com ácido fólico, anti-inflamatórios não esteroides, álcool, exposição solar e relações sexuais.
- Tempo de espera para nova gestação após MTX
- Aguardar no mínimo 3 meses devido à retenção tecidual do fármaco e potencial teratogênese.
- Principais indicações de cirurgia de urgência
- Instabilidade hemodinâmica, abdome agudo hemorrágico ou suspeita confirmada de rotura tubária.
- Via cirúrgica preferencial na paciente estável
- Laparoscopia, por apresentar menor perda sanguínea, recuperação mais rápida e menor formação de aderências.
- Via cirúrgica indicada na paciente instável
- Laparotomia exploradora rápida, preferencialmente por incisão suprapúbica ou mediana infraumbilical.
- Salpingectomia
- Remoção cirúrgica completa da tuba uterina acometida.
- Indicações clássicas de salpingectomia
- Dano tubário extenso, hemorragia incontrolável, prole definida, gestação ectópica prévia na mesma tuba ou rotura.
- Salpingostomia linear
- Incisão longitudinal na borda antimesentérica da tuba para remoção dos produtos da concepção, preservando o órgão.
- Indicações de salpingostomia
- Desejo de fertilidade futura na vigência de tuba contralateral ausente, obstruída ou danificada, com ectópica íntegra.
- Risco principal pós-salpingostomia linear
- Persistência de tecido trofoblástico viável remanescente na tuba.
- Seguimento obrigatório pós-salpingostomia
- Controle semanal de beta-hCG sérico até negativação para afastar gravidez ectópica persistente.
- Manejo da gravidez ectópica persistente pós-cirurgia
- Tratamento com dose única de metotrexato ou reintervenção cirúrgica (geralmente salpingectomia).
- Prevenção da aloimunização Rh em ectópica
- Administração de imunoglobulina anti-D a todas as mulheres com tipagem Rh negativo e Coombs indireto negativo.
- Dose de imunoglobulina anti-D no primeiro trimestre
- 50 a 120 mcg até 12 semanas (ou 300 mcg em dose padrão plena conforme o protocolo do serviço).
- Gravidez ectópica cornual (ou intersticial)
- Implantação no segmento intramural da tuba; apresenta alta vascularização e risco tardio de hemorragia maciça.
- Manejo da ectópica intersticial
- Corneostomia, ressecção cornual laparoscópica/laparotômica ou histerectomia em casos de hemorragia grave.
- Gravidez ectópica cervical
- Implantação trofoblástica na parede endocervical, abaixo do orifício interno do colo uterino.
- Opções de manejo da ectópica cervical
- Metotrexato sistêmico/intra-amniótico, curetagem com tamponamento por sonda Foley, embolização arterial ou histerectomia.
- Gravidez ectópica na cicatriz de cesárea (CSP)
- Implantação do saco gestacional dentro da cicatriz de cesárea anterior com miométrio sobrejacente afilado.
- Manejo da gravidez em cicatriz de cesárea
- Injeção local de MTX guiada por USG, aspiração a vácuo associada a hemostasia local ou excisão laparoscópica/histeroscópica.
- Por que evitar curetagem isolada na cicatriz de cesárea
- Alto risco de perfuração uterina imediata e hemorragia catastrófica refratária.
- Gravidez ectópica ovariana
- Implantação do saco gestacional no ovário, confirmada histologicamente pelos critérios de Spiegelberg.
- Manejo da ectópica ovariana
- Ressecção em cunha do ovário (cunhectomia) ou ooforectomia se houver destruição tecidual completa.
- Gravidez heterotópica
- Coexistência simultânea de gestação intrauterina viável e gestação ectópica, comum após fertilização in vitro.
- Manejo da gravidez heterotópica
- Cirurgia (salpingectomia/salpingostomia) ou injeção local de KCl/hipertônica no saco ectópico, evitando metotrexato.
- Por que o MTX é contraindicado na gestação heterotópica
- O metotrexato ultrapassa a barreira e causa morte ou anomalias graves no embrião intrauterino viável.
- Medidas de ressuscitação inicial na rotura hemodinâmica
- Dois acessos venosos calibrosos, cristaloides aquecidos, tipagem cruzada rápida, ativação de protocolo de hemotransfusão maciça.
- Papel da laparotomia de controle de danos na rotura grave
- Clampeamento hemostático rápido do pedículo tubário ou infundíbulo-pélvico antes de qualquer outra dissecção minuciosa.