Infecção Urinária na Gestação
Estudo detalhado sobre o manejo, diagnóstico e tratamento seguro de infecções urinárias durante a gestação. Voltado para estudantes de medicina e profissionais de saúde.
Cartões · 20
- Definição de bacteriúria assintomática (BA) na gestação
- Presença de pelo menos 100.000 UFC/mL da mesma bactéria em urocultura, na ausência de sintomas urinários.
- Por que tratar bacteriúria assintomática na gestante?
- Para prevenir a progressão para pielonefrite (ocorre em até 30% dos casos) e evitar parto prematuro ou baixo peso ao nascer.
- Agente etiológico mais comum na ITU gestacional
- Escherichia coli, responsável por mais de 70 a 80% dos casos.
- Tratamento de primeira linha para cistite ou BA no 1º trimestre
- Fosfomicina trometamol (3 g dose única) ou Cefalexina (500 mg a cada 6 horas por 5 a 7 dias).
- Uso da Nitrofurantoína na gestação
- Segura no 2º trimestre; deve ser evitada no 1º trimestre e é contraindicada no termo (a partir de 36-37 semanas) pelo risco de anemia hemolítica fetal.
- Uso do Sulfametoxazol-Trimetoprima (Cotrimoxazol)
- Contraindicado no 1º trimestre (antagonista do ácido fólico, risco de malformações) e no 3º trimestre (risco de kernicterus).
- Antibióticos totalmente contraindicados na gestação
- Fluoroquinolonas (artropatia fetal) e Tetraciclinas (manchas dentárias, alteração no crescimento ósseo e hepatotoxicidade materna).
- Aminoglicosídeos na gestação
- Evitados na rotina devido ao risco potencial de ototoxicidade e nefrotoxicidade fetal; reservados para infecções graves específicas.
- Duração habitual do tratamento para cistite não complicada
- Geralmente de 5 a 7 dias (exceto fosfomicina em dose única).
- Controle de cura pós-tratamento da cistite ou BA
- Urocultura de controle realizada de 7 a 14 dias após o término dos antibióticos.
- Manejo hospitalar da pielonefrite aguda na gravidez
- Internação mandatória, hidratação venosa, exames laboratoriais, hemoculturas e início imediato de antibiótico intravenoso.
- Antibióticos venosos empíricos para pielonefrite na gestação
- Ceftriaxona (1 g a 2 g IV a cada 24h) ou Cefuroxima (750 mg IV a cada 8h).
- Opção parenteral na pielonefrite com histórico de alergia a betalactâmicos
- Aztreonam ou, em casos selecionados com monitoramento estrito, Gentamicina associada a suporte clínico.
- Tempo para transição para terapia oral na pielonefrite
- Após 48 horas afebril e com melhora clínica evidente, guiando a droga pelo antibiograma.
- Duração total do tratamento para pielonefrite
- Completar no total de 10 a 14 dias de antibioticoterapia (somando via parenteral e oral).
- Indicação de profilaxia antimicrobiana contínua na gestação
- Após episódio de pielonefrite ou em casos de ITU recorrente (≥ 2 episódios de cistite/BA durante o pré-natal).
- Esquema comum para profilaxia noturna de ITU
- Cefalexina (250-500 mg ao deitar) ou Nitrofurantoína (100 mg ao deitar, respeitando a idade gestacional).
- Complicações fetais associadas à infecção urinária materna
- Parto pré-termo, rotura prematura de membranas, baixo peso ao nascer e sepse neonatal.
- Complicações maternas da pielonefrite não tratada
- Sepse grave, choque séptico, abscesso renal e insuficiência respiratória por síndrome do desconforto respiratório agudo.
- Frequência da urocultura após primeiro tratamento de ITU
- Mensalmente até o parto, para vigilância ativa de recorrências assintomáticas.