Insuficiência Respiratória Aguda

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Estudo sobre insuficiência respiratória aguda, abordando manejo terapêutico, oxigenoterapia e ventilação para estudantes e profissionais de medicina.

50 cartões Português Nível: Ensino superior Patologia e doenças Publicado
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Insuficiência respiratória aguda tipo 1 (hipoxêmica)
Definida por PaO2 menor que 60 mmHg com PaCO2 normal ou baixa, causada principalmente por distúrbios V/Q e shunt intrapulmonar.
Insuficiência respiratória aguda tipo 2 (hipercápnica)
Definida por PaCO2 maior que 45-50 mmHg com acidose respiratória (pH menor que 7,35), decorrente de hipoventilação alveolar.
Alvo geral de SpO2 na oxigenoterapia
Entre 92% e 96% na maioria dos pacientes críticos agudos para evitar complicações da hiperóxia.
Alvo de SpO2 em pacientes com risco de hipercapnia (ex: DPOC)
Entre 88% e 92%, reduzindo o risco de agravamento da retenção de dióxido de carbono por perda do drive hipóxico e efeito Haldane.
Primeira conduta imediata na suspeita de IRpA grave
Garantir permeabilidade de vias aéreas, posicionar o paciente sentado ou cabeceira elevada e ofertar oxigênio suplementar imediato.
Cânula nasal de oxigênio (cateter tipo óculos)
Indicada para hipoxemia leve, fornece fluxo de 1 a 6 L/min, gerando FiO2 estimada entre 24% e 44%.
Máscara de Venturi
Dispositivo de alto fluxo que fornece frações inspiradas de oxigênio precisas (FiO2 de 24% a 50%), ideal para pacientes com DPOC.
Máscara com reservatório não reinalante
Indicada para hipoxemia moderada a grave aguda, operada a 10-15 L/min, ofertando FiO2 entre 80% e 95%.
Cateter nasal de alto fluxo (CNAF): mecanismo
Aquece e umidifica gases a fluxos de até 60 L/min com FiO2 ajustável até 100%, gerando baixo nível de PEEP e lavagem de CO2 do espaço morto.
Indicação principal do CNAF na IRpA
Insuficiência respiratória hipoxêmica pura aguda (tipo 1), moderada a grave, sem necessidade de intubação imediata.
Índice ROX
Relação (SpO2 / FiO2) dividida pela frequência respiratória; valor menor que 3,85 após 2 a 12h de CNAF sugere alto risco de falha e indicação de IOT.
Duas modalidades principais de Ventilação Não Invasiva (VNI)
CPAP (pressão positiva contínua contínua em vias aéreas) e BiPAP/dois níveis de pressão (IPAP e EPAP).
Indicação clássica de VNI: EAP cardiogênico
CPAP ou BiPAP reduzem pré e pós-carga do ventrículo esquerdo, diminuem o trabalho respiratório e reduzem a taxa de intubação.
Indicação clássica de VNI: exacerbação de DPOC
BiPAP é padrão-ouro na acidose respiratória leve a moderada (pH 7,25-7,35), reduzindo mortalidade e necessidade de intubação.
Contraindicações absolutas à VNI
Parada cardiorrespiratória, necessidade de intubação emergencial, trauma ou cirurgia facial extensa e obstrução anatômica de via aérea superior.
Contraindicações relativas de alto risco à VNI
Rebaixamento do nível de consciência (exceto encefalopatia hipercápnica reversível imediata), vômitos incoercíveis e choque refratário.
Tempo ideal para reavaliação de resposta à VNI
Entre 30 e 120 minutos por meio de parâmetros clínicos, gasometria arterial e conforto ventilatório para não adiar intubação indicada.
Critérios clínicos para intubação orotraqueal imediata
Exaustão respiratória iminente, bradipneia, respiração agônica, incapacidade de proteger vias aéreas ou PCR iminente.
Sequência Rápida de Intubação (SRI): Pré-oxigenação
Ofertar oxigênio a 100% por 3 a 5 minutos com máscara não reinalante ou VNI/BVM com válvula PEEP, visando saturação máxima antes da apneia.
Prevenção de colapso hemodinâmico pós-IOT
Ressuscitação volêmica prévia se indicada, vasopressores em bomba de infusão em mãos e escolha de indutores com menor impacto hemodinâmico.
Etomidato na indução da IRpA
Dose de 0,3 mg/kg EV; tem perfil hemodinâmico estável, sendo ideal para pacientes instáveis hemodinamicamente.
Cetamina na indução da IRpA
Dose de 1,5 a 2 mg/kg EV; promove broncodilatação e mantém tônus simpático, sendo excelente escolha na crise asmática grave e choque séptico.
Bloqueador neuromuscular de escolha na SRI
Succinilcolina (1-1,5 mg/kg) para início ultrarrápido ou Rocurônio (1,2 mg/kg) quando há contraindicação ao uso de succinilcolina.
Contraindicações da Succinilcolina
Hipercalemia prévia, queimaduras ou traumas graves com mais de 48-72 horas, doenças neuromusculares progressivas e risco de hipertermia maligna.
Volume corrente inicial na ventilação protetora (SDRA)
Calcular 4 a 6 mL/kg com base no peso predito (não no peso real) para minimizar a sobredistensão alveolar e o volutrauma.
Fórmula do peso corporal predito masculino
50 + 0,91 x (altura em cm - 152,4).
Fórmula do peso corporal predito feminino
45,5 + 0,91 x (altura em cm - 152,4).
Limite superior recomendado para Pressão de Platô (Pplatô)
Manter Pplatô menor ou igual a 30 cmH2O para reduzir o barotrauma pulmonar.
Driving Pressure (pressão de distensão)
Calculada como Pressão de Platô menos PEEP (Pplatô - PEEP); deve ser mantida idealmente abaixo de 15 cmH2O.
PEEP inicial na ventilação de pacientes com SDRA
Iniciar com PEEP moderada a alta (10 a 15 cmH2O), ajustada conforme tabelas PEEP/FiO2 da ARDSNet para manter alvéolos recrutados.
Manejo da hipercapnia permissiva
Tolerar elevação gradual de PaCO2 com pH até 7,20 para evitar ventilação lesiva por altos volumes ou pressões excessivas.
Posição prona na SDRA grave: indicação
Indicada em pacientes com relação PaO2/FiO2 menor que 150 mmHg persistente após otimização inicial da ventilação mecânica.
Duração mínima de cada sessão de posição prona
Manter o paciente em pronação por pelo menos 16 horas consecutivas para otimizar recrutamento dorsal e desfechos clínicos.
Bloqueio neuromuscular contínuo na SDRA grave
Indicado nas primeiras 48 horas em assincronia grave refratária com relação PaO2/FiO2 menor que 150 mmHg (ex: cisatracúrio).
Estratégia ventilatória na crise de asma grave ou DPOC
Minimizar hiperinsuflação dinâmica (auto-PEEP): prolongar tempo expiratório, diminuir FR (10-14 rpm), aumentar fluxo inspiratório e volume moderado (6-8 mL/kg).
Identificação e tratamento da auto-PEEP (PEEP intrínseca)
Detectada por pausa expiratória ou curva de fluxo que não zera antes do próximo ciclo; trata-se aumentando o tempo expiratório e tratando broncoespasmo.
Manobra imediata de descompressão na auto-PEEP com PCR iminente
Desconectar o paciente do tubo endotraqueal e do ventilador, permitindo a desinsuflação passiva torácica completa.
Tratamento medicamentoso imediato do broncoespasmo grave
Beta-2 agonista inalatório de curta ação (salbutamol) associado a brometo de ipratrópio e corticoide sistêmico precoce (metilprednisolona ou hidrocortisona).
Sulfato de magnésio na crise asmática grave
Dose de 2 g EV em 20 minutos; indicado em crises graves refratárias à terapia inalatória inicial como broncodilatador adjuvante.
Manejo farmacológico inicial do EAP cardiogênico
Furosemida intravenosa e vasodilatadores venosos/arteriais (como nitroglicerina ou nitroprussiato) se pressão arterial compatível.
Papel da morfina no edema agudo de pulmão
Uso desaconselhado de rotina devido a risco aumentado de ventilação mecânica invasiva e aumento de mortalidade.
Tratamento empírico da suspeita de sepse pulmonar com IRpA
Coleta rápida de culturas e início de antibioticoterapia de amplo espectro na primeira hora, associada à ressuscitação volêmica guiada.
Conduta ventilatória no pneumotórax hipertensivo durante VMI
Toracocentese imediata com agulha no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ou 4º/5º na linha axilar anterior, seguida de drenagem em selo d'água.
Pneumonia aspirativa aguda: conduta de via aérea
Aspiração traqueal direta precoce e desobstrução mecânica; uso de antibióticos indicado se persistência após 48h ou infecção bacteriana secundária evidente.
Critérios de Berlim para SDRA: tempo de início
Piora de sintomas respiratórios ou novos achados clínicos dentro de 1 semana de uma agressão clínica conhecida.
Critérios de Berlim para SDRA: classificação por PaO2/FiO2
Leve (201-300 mmHg), Moderada (101-200 mmHg) e Grave (menor ou igual a 100 mmHg), todas com PEEP ou CPAP mínimo de 5 cmH2O.
Objetivo do uso de ECMO venovenosa (V-V ECMO) na IRpA
Suporte oxigenatório e remoção extracorpórea de CO2 em hipoxemia refratária grave na SDRA que falha à prona e ventilação ultraprotetora.
Prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV)
Manter cabeceira elevada entre 30º e 45º, higiene oral diária com clorexidina e aspiração contínua de secreções subglóticas.
Teste de Respiração Espontânea (TRE): indicação básica
Avaliar prontidão para desmame ventilatório após resolução da causa primária da IRpA com estabilidade clínica e oxigenação adequada (PaO2/FiO2 maior que 200).
Índice de Tobin (IRRS): cálculo e ponto de corte
Calculado por FR dividida pelo volume corrente em litros (FR / Vt); valores menores que 105 preveem sucesso no desmame ventilatório.

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