Interpretação de Texto 2
Conceitos fundamentais e pegadinhas comuns em provas de interpretação e compreensão de textos em língua portuguesa.
Cartões · 52
- Compreensão textual vs. Interpretação textual
- Compreensão foca no que está explícito no texto (segundo o autor); interpretação exige dedução lógica autorizada pelo texto (além do que foi dito).
- Extrapolação
- Cuidado ao associar seu conhecimento de mundo à questão: se o fato não estiver respaldado no texto, a alternativa é incorreta.
- Redução (ou Restrição)
- Ocorre quando a alternativa foca em um detalhe secundário ou restringe uma ideia ampla, ignorando o objetivo global do texto.
- Contradição
- A alternativa afirma o oposto do que foi exposto no texto ou inverte a relação de causa e efeito entre os elementos.
- Generalização indevida
- Desconfie de palavras restritivas ou absolutas como sempre, nunca, todos, nenhum e apenas, exceto se o autor as utilizou.
- Tema vs. Título
- O tema é a ideia central e abrangente que percorre o texto; o título é uma síntese atrativa que nem sempre resume todo o conteúdo.
- Ideia central (Tópico frasal)
- Geralmente aparece no primeiro ou último período de cada parágrafo; leia as pontas para mapear a estrutura argumentativa.
- Pressuposto
- Informação implícita marcada linguisticamente por palavras como já, ainda, deixar de ou verbos que indicam mudança.
- Subentendido
- Sentido inferido pelo contexto comunicativo e conhecimento de mundo, sem marcas gramaticais diretas; depende da intenção do leitor.
- Denotação
- Sentido literal e objetivo da palavra, comum em textos informativos, científicos e jornalísticos.
- Conotação
- Sentido figurado e subjetivo; avalie sempre o contexto lírico ou persuasivo para decifrar a intenção do autor.
- Ambiguidade (ou Anfibologia)
- Duplicidade de sentido não intencional gerada por má pontuação ou posição de pronomes possessivos (como seu/sua).
- Polissemia
- Capacidade de uma palavra ter múltiplos significados reais; o contexto imediato define qual deles está em jogo.
- Intertextualidade explícita
- Citação direta ou referência nominal a outra obra; fácil de achar pela indicação de autoria ou aspas.
- Intertextualidade implícita
- Paródia ou alusão indireta que exige do leitor repertório cultural prévio para captar a sátira ou homenagem.
- Paráfrase
- Dizer o mesmo com outras palavras; questões costumam reescrever trechos do texto usando sinônimos para testar vocabulário.
- Paródia
- Apropriação de um texto com tom crítico, irônico ou bem-humorado, subvertendo o sentido original.
- Ironia
- Afirmação do oposto do que se pensa; atente-se ao uso de aspas enfáticas, hipérboles e adjetivos incongruentes com a situação.
- Coesão referencial por anáfora
- Retoma um termo já dito; rastreie pronomes (ele, esse, o qual) para checar a qual substantivo a questão se refere.
- Coesão referencial por catáfora
- Antecipa um termo que ainda será dito; comum com pronomes como este, isto ou a seguinte expressão.
- Elipse (Coesão)
- Omissão de termo facilmente subentendido; evite achar que a frase está incompleta ou incoerente por falta do sujeito explícito.
- Conjunção adversativa (mas, porém, contudo)
- A ideia principal e com maior peso argumentativo quase sempre vem após a conjunção adversativa.
- Conjunção concessiva (embora, ainda que)
- Apresenta um obstáculo que não anula a oração principal; a oração principal mantém a tese mais forte do autor.
- Relação de causa e efeito
- Não inverta a ordem cronológica e lógica: a causa vem antes e motiva o efeito; porque introduz causa, por isso introduz efeito.
- Texto injuntivo
- Focado em instruções e ordens, com verbos no imperativo ou infinitivo (manuais, receitas, editais de concursos).
- Texto dissertativo-argumentativo
- Defende uma tese com base em argumentos lógicos e dados; a intenção principal é convencer e persuadir.
- Texto dissertativo-expositivo
- Apresenta fatos, ideias ou conceitos de forma neutra e didática, sem tomar partido evidente.
- Foco narrativo em primeira pessoa
- Narrador-personagem com visão parcial, subjetiva e emocional; não trate sua fala como verdade absoluta dos fatos.
- Foco narrativo em terceira pessoa onisciente
- Conhece ações, sentimentos e pensamentos de todos os personagens; traz uma perspectiva mais ampla da trama.
- Discurso direto
- Reprodução exata da fala do personagem com travessão, aspas ou dois-pontos; marca oralidade direta.
- Discurso indireto
- O narrador resume a fala alheia com suas palavras, recorrendo a orações subordinadas iniciadas por que ou se.
- Discurso indireto livre
- Mistura da voz do narrador com os pensamentos da personagem sem sinais de pontuação evidentes; exige leitura atenta de tom.
- Metáfora
- Comparação implícita sem conectivo comparativo (como); identifique a transferência de atributos entre dois campos semânticos.
- Metonímia
- Substituição lógica de termos (autor pela obra, continente pelo conteúdo, parte pelo todo); não interprete literalmente.
- Hipérbole
- Exagero intencional para dar ênfase expressiva; desconfie de alternativas que leiam o exagero como dado real e objetivo.
- Eufemismo
- Suavização de ideia rude, triste ou desagradável; muito cobrado para analisar diplomacia ou polidez no discurso.
- Antítese
- Aproximação de palavras de sentidos opostos (dia e noite, luz e sombra) sem criar contradição absurda.
- Paradoxo (ou Oxímoro)
- Fusão de ideias opostas que parecem ilógicas na superfície, mas revelam uma verdade poética profunda.
- Personificação (Prosopopeia)
- Atribuição de sentimentos ou atitudes humanas a seres inanimados ou animais; comum em fábulas e crônicas.
- Uso de aspas para distanciamento
- Pode indicar ironia, gíria, termo estrangeiro ou que o autor discorda do conceito empregado por terceiros.
- Uso do travessão duplo
- Isola apostos, comentários pessoais ou explicações; pode ser substituído por parênteses ou vírgulas sem alterar o sentido.
- Modalizadores de certeza (sem dúvida, com certeza)
- Revelam alto grau de comprometimento do autor com a veracidade da afirmação exposta.
- Modalizadores de possibilidade (talvez, é provável)
- Atenuam a certeza; tome cuidado com alternativas que transformem uma probabilidade em fato categórico.
- Juízo de valor vs. Fato
- Fatos são descritivos e verificáveis; juízos de valor contêm julgamentos e adjetivos subjetivos (ótimo, lamentável).
- Argumento de autoridade
- Citação de especialistas renomados ou instituições para conferir credibilidade e legitimidade à tese.
- Argumento por exemplificação
- Uso de casos reais para ilustrar a tese; não confunda o exemplo com o argumento central.
- Hiperônimo
- Palavra de sentido mais amplo e genérico (veículo em relação a carro); serve para evitar repetição textual.
- Hipônimo
- Palavra de sentido mais específico (maçã em relação a fruta); garante precisão e concretude à argumentação.
- Interlocutor presumido
- O público-alvo ideal do texto; pistas como nível de formalidade e escolha de vocabulário revelam para quem foi escrito.
- Função conativa (apelativa)
- Foco no receptor com uso de imperativo e vocativos; típica da publicidade e discursos de convencimento direto.
- Função metalinguística
- O código explica o próprio código (um texto falando da escrita, um dicionário); atente para reflexões sobre a linguagem.
- Linguagem mista (verbal e não verbal)
- Em charges e tirinhas, a imagem e a expressão facial alteram ou complementam o sentido das falas; nunca ignore o desenho.